segunda-feira, 28 de setembro de 2015

A esquerda odeia mesmo a democracia

António Ribeiro Ferreira

O verniz de socialistas, comunistas, bloquistas e afins desesperados está a estalar. O povo, afinal, não passa de um verbo de encher para esta gentinha bem pensante e caviar.


Verdade é como o azeite num copo de água e vem sempre ao de cima. O ditado é velho, a frase foi dita há dias por António Costa, secretário-geral socialista e candidato a primeiro-ministro. Por uma vez tem toda a razão. Quando o seu camarada Correia de Campos, ex-ministro da Saúde de Sócrates, afirmou que o povo era estúpido se desse a vitória à coligação do PSD e CDS estava mesmo a falar verdade. Não é uma metáfora, como a morte aos traidores do MRPP, é mesmo o que pensam os camaradas socialistas.

O povo, reformados, trabalhadores, rurais, desempregados, comerciantes, pequenos e médios empresários, é estúpido se não vota nas mentes brilhantes de esquerda, que ontem como hoje se imaginam a vanguarda bem pensante, a elite que conduz à felicidade suprema um bando de pobres energúmenos que vivem à conta da misericórdia de uma esquerda que inventou um estado social e que todos os dias arranja leis, portarias e regulamentos para evitar que fujam do redil e caiam na desgraça. A esquerda trata os cidadãos em geral como indigentes mentais, irresponsáveis, a quem foi dado o privilégio de votar na esquerda.

Se fogem a esse desígnio são evidentemente estúpidos que mordem a mão a quem lhes dá de comer. Mas se os socialistas, instalados nas suas mordomias e acostumados a viver à grande à custa do Estado em bons lugares na administração pública e no seu sector empresarial, insultam o povo, os comunistas, pais e mães destes renegados socialistas, vão ainda mais longe e tratam os reformados como uns miseráveis cobardes que pensam votar em quem lhes cortou as pensões.

Esta gente, de facto, quando chega a hora da verdade perde o verniz e mostra a sua verdadeira face. Esta gente, no fundo, só aceita a democracia quando o voto do povo miserável e mesquinho, dos trabalhadores que verdadeiramente desprezam, os leva ao poder. Nas suas mesquinhas cabecinhas, formatadas há muitos anos por uma cultura totalitária e fascista, o povo é meramente instrumental. O que lhes interessa de facto é o poder e o prazer de mandar na vida de milhões de cidadãos impondo regras e conceitos que aprenderam em clássicos do marxismo, do leninismo, do maoismo, do estalinismo, das sociais-democracias recicladas do socialismo real que continuam a adorar no fundo das suas almas.

Estúpidos, cobardes, ignorantes, imbecis. Para a esquerda bem pensante e caviar deste país muito mal frequentado, melhor, cada vez mais mal frequentado, o povo é uma entidade abstracta que serve de assunto a serões interessantes e bem regados em bonitos apartamentos ou andares recuperados nos centros das cidades. Para esta gentinha de esquerda, o povo dos autocarros, dos barcos do Tejo, do metro, dos campos, das fábricas, das pensões de miséria, das cantinas sociais, dos centros de dia, dos lares de idosos é uma escória estúpida se na hora do voto não der o poder a quem bebe litros de vinho, de champanhe, de caipirinhas em longas noites de debates profundos sobre a igualdade, a pobreza, os salários baixos, o desemprego, a emigração, os refugiados e, claro, o pensamento brilhante do Papa Francisco, o novo ícone da esquerda.

Como diz o desesperado Costa, a verdade é como o azeite num copo de água e vem sempre ao de cima. Para desespero da esquerda que odeia a democracia quando os votos do povo não lhe dão o poder, a verdade, como o azeite, pode de facto vir ao de cima na noite de 4 de Outubro. E Costa, agarrado a esta esquerda, pode muito bem ir por água abaixo. Boa sorte.

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