segunda-feira, 23 de maio de 2016

Um país onde se fala ao contrário

Helena Matos 
Falar ao contrário implica treino diário. Esta semana treinámos os seguintes conceitos: opositor à guerra a que se chamava colonial, escola privada, barrigas de aluguer e golpes. Para a semana há mais
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Contestar governos: conceito que só se aplica quando os contestatários são de esquerda e os contestados de direita. Já se os contestados forem de esquerda temos duas possibilidades: aqueles que os contestam são ainda mais de esquerda e nesse caso os contestatários centram a sua fúria nos polícias em particular e no sistema em geral – caso da França – e essas manifestações não merecem destaque mediático.

Na outra possibilidade, mais venezuelana por assim dizer, os contestados continuam a ser de esquerda mas os contestatários estão à sua direita. Nesse caso as manifestações passam imediatamente à categoria de conspirações e golpes e como tal devem ser referidos.

Em situações como a brasileira esta ambivalência pode levar até que uma mesma situação seja avaliada em função do enquadramento político dos seus protagonistas: destituir Collor foi uma prova da maturidade das instituições, enquanto a destituição de Dilma se transformou no sinal inequívoco da degradação dessas mesmas instituições.

… No início este dialecto pode parecer estranho mas depois entranha-se.
Título e Texto: Helena Matos, Observador, 22-5-2016

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