terça-feira, 5 de dezembro de 2017

Dívida da Varig com funcionários poderia ter sido quitada sem a venda da empresa

Foto: Octacílio Barbosa
David Barbosa

Caso a indenização em favor da Varig pelo congelamento de tarifas realizado na década de 1980 tivesse sido paga pela União, a empresa poderia ter se recuperado financeiramente sem ser vendida. O dinheiro teria sido suficiente para quitar a dívida da companhia aérea com o fundo de previdência Aerus e com os ex-funcionários demitidos que não receberam até hoje os seus direitos. A informação foi apresentada na manhã desta terça-feira (5/12) pelo ex-gestor judicial da Varig, Miguel Dau, durante audiência pública da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) que investiga a falência da empresa.

De acordo com Dau, além de sanar o débito com os aposentados e pensionistas do Aerus, a indenização também conseguiria liquidar as rescisões trabalhistas que até hoje não foram pagas aos ex-funcionários da companhia.

A ação contra a União foi promovida pela Varig devido ao congelamento de tarifas nos anos 80, que provocou um grande desequilíbrio econômico na empresa. A ação já foi julgada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), mas ainda não se sabe quando o dinheiro será pago.

Financiamento do BNDES questionado
Na audiência, também foi ouvido o especialista do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Sérgio Varella. Varella relatou que o BNDES interveio na crise da Varig oferecendo um financiamento para ajudar na recuperação financeira da empresa. “A Varig estava correndo o risco de ter suas aeronaves arrestadas permanentemente. Então, o BNDES concedeu um financiamento aos interessados na compra da companhia: cobriríamos dois terços do custo de aquisição da empresa”, afirmou.

Porém, o comandante Elnio Borges, vice-presidente da Associação de Pilotos da Varig, contestou o empréstimo oferecido, segundo ele, “sem necessidade”. “As empresas interessadas queriam comprar a Varig por US$ 62 milhões. Porém, uma avaliação foi feita e divulgada pela imprensa, que estimava o valor de mercado da companhia em US$ 350 milhões. O BNDES ofereceu o financiamento de dois terços deste valor, que era o preço justo. Mas no fim, a Varig foi vendida por apenas US$ 62 milhões, e ainda assim os investidores receberam o empréstimo”, declarou.

Segundo Varella, o financiamento foi quitado em poucos meses, antes do prazo concedido. O deputado Paulo Ramos (PSol), presidente da CPI, afirmou que irá cobrar do BNDES esclarecimentos quanto ao empréstimo. “Está evidente que o caso Varig foi uma grande maracutaia, com a participação de instituições importantes. O sofrimento hoje está sendo suportado pelos ex-funcionários da empresa, que morrem vendo ser confirmado cada vez mais o crime que foi praticado contra o país e contra eles”, declarou o parlamentar ao fim da sessão.
Também participou da audiência o deputado Tio Carlos (SDD).
Título e Texto: David Barbosa, ALERJ, 5-12-2017


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5 comentários:

  1. Me pareceu a intervenção de Miguel Dau demagógica. Ora, todos sabemos que se a RG tivesse recebido o valor da Defasagem Tarifária, o "dinheiro teria sido suficiente..."

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  2. Esta CPI é um tremendo engodo! É um bla bla ba! Vai virar como outras tantas CPIs numa grande Pizza!
    Está cheia de interesses obscuros!
    Heitor Volkart

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  3. Apenas um detalhe significativo.
    Talvez tivesse salvo a VARIG, pergunto se a VARIG quitaria seus débitos com o AERUS?
    Essa é a premissa a ser respondida.
    Quantas renegociações mais seriam feitas?
    Só estamos recebendo por causa da falha do governo em fiscalizar.

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  4. pois é acho que em meu túmulo receberei algo

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