quinta-feira, 27 de junho de 2013

Quem tem medo do 'Povo Mau'?

Ernesto Ribeiro
Os carolas católicos do jornal Mídia Sem Máscara parecem ver a Esquerda como um deus, ou um espírito coletivo pairando sobre os indivíduos e determinando as ações de cada um. Inclusive ordenando sacrifícios. Bastou que 1 milhão de cidadãos brasileiros protestassem nas ruas exigindo a moralização do Estado, punição aos corruptos e melhoria dos serviços públicos, para que a Gaiola das Loucas entrasse em pânico e tocasse o alerta vermelho, atribuindo aos esquerdistas o MONOPÓLIO das manifestações de rua nesse país. Sente só o último surto dos alunos Escolinha do Professor Olavo:

Olavo de Carvalho:
“Essas possibilidades são exploradas simultaneamente e, conforme uma ou outra se revele mais viável ou mais problemática, será intensificada ou refreada pelo comando do processo. As mais importantes, a meu ver, são as seguintes:
(a) Trocar a própria liderança visível da esquerda, substituindo os agentes da “transição” pelos agentes da “ruptura”, decididos a ações mais drásticas.
(b) Espalhar o caos para justificar medidas de força, aproveitando para, no mesmo ato, testar os “agentes de transição”: se conseguirem controlar repressivamente a situação e aumentar o poder do grupo dominante, sobreviverão; caso contrário, serão trocados.
(c) Incitar à ação pública as forças antagônicas (cristãos, patriotas, conservadores etc.), para mapeá-las e averiguar as possibilidades de controlá-las ou extingui-las.
(d) Caso a evolução do movimento se mostre majoritariamente favorável aos objetivos dos planejadores, fomentá-lo ainda mais para que a própria ação da militância enragée adquira autonomia e conquiste autoridade por si própria, transmutando-se em nova estrutura de governo.

O próprio comando da esquerda militante ordenou que as manifestações cessassem, o que imediatamente deixa o campo livre para as massas antagônicas (os manifestantes ‘de direita’) e favorece, ipso facto, a adoção da via repressiva para estrangular a ameaça de um “golpe teocrático e fascista”. Se esse estrangulamento tomará a forma de uma repressão policial violenta ou de um simples incremento do aparato de investigação e controle social, é cedo para dizer.”

Pena que nada disso aconteceu, né, Olavo?
Ninguém acusou nenhum manifestante de ser “teocrático, golpista, fascista.’ Nenhum cidadão nas ruas se declarou assim. Esse delírio histérico paranóico só acontece numa mente muuuito suja de maus pensamentos e com muita má-fé.
É o mesmo tipo de fé que acusa a Humanidade inteira de ter crucificado Jesus.

Agora, depois de eu ter saído às ruas e mandar TODOS os políticos se ferrarem, exigir a cabeça do Sarney, Lula, Collor, Renan, Inocêncio, Amorim, Garcia, etc, eu estou aqui atrás do computador, ‘morrendo de medo’ de ser ‘mapeado, investigado, controlado ou extinto’. Eu e mais um milhão.
Ainda estou aguardando ansiosamente o “sacrifício” de todos os corruptos acima e sua substituição por meus próximos alvos.
E as tais ‘medidas de força’ que não vieram. Da parte do governo, só se viu fraqueza.
Taí uma profecia que demoooora de se cumprir...

Até agora, só se cumpriu exatamente o OPOSTO: o PT é que recuou, e a famigerada PEC 37 foi derrubada por quase unanimidade, garantindo a ordem constitucional dos 3 Poderes para o Judiciário mandar pro calabouço os vermes condenados da quadrilha do Mensalão. A batata do Zé Dirceu já tá frita de tanto assar.
A tua bola de cristal tá embaçada, hein, Olavete?

Leonardo Bruno:
Quando a imprensa insufla a loucura coletiva
A mídia quer forçar a barra. Quer legitimar a todo custo o protesto radical e violento, mesmo que tais práticas atentem contra a democracia e a legalidade.
Essa é uma acusação tão grave quanto leviana. O fato é que a mídia inteira condenou os radicais violentos e vândalos que misturaram o crime aos protestos --- em sua maioria pacíficos e ordeiros. Deixa de escândalo, que isso é coisa de fanático religioso ou comunista histérico.

Gustavo Nogy:
Tudo que começa com Liberté, Egalité, Fraternité termina em guilhotina.
O que uns e outros não percebem é que a tal ‘massa na rua’ é o ápice da despersonalização, da falta de qualquer traço distintivo e, ipso facto, de vida inteligente. Vida inteligente não é aderir: é precisamente o contrário disso.

É preciso muita violência para se fazer protesto pacífico, decerto. Nada mais violento do que o pacifismo das multidões. Chego em casa, ligo a tv e estão protestando contra rigorosamente tudo. Contra rigorosamente nada. Agora o negócio virou maio de 68 e todo mundo quer é tocar fogo no circo. Ou, mais precisamente, nos carros, nos caixas eletrônicos, no comércio, nas bandeiras, na inteligência, na dignidade, em qualquer coisa que esteja no caminho do entusiasmo cívico. O id das gentes resolveu sair às ruas. E a multidão é aquilo que se sabe: movimento bruto, força da natureza. 

Todo mundo quem, cara-pálida?
Olha direito e me inclua fora dessa.
Se os mais de 1 milhão de manifestantes quisessem tocar fogo no país, não sobraria nada.
Se você tem pesadelos de estar sendo mandado pra guilhotina, resolva isso com seu psiquiatra.
Agora, vovô, coma toda a tua papinha, antes que esfrie...

José Maria e Silva:
Abdicando completamente do senso crítico, quase toda a imprensa se comportou como incendiária nos protestos e, ao brincar com fogo, pode abrir caminho para uma reforma política bolivarista.
Nenhum país sobrevive com o povo em convulsão nas ruas, inviabilizando as atividades produtivas.
Ui ui ui... Gente, o Zé Maria tá se borrando de medo.

O povo não pode se manifestar nas ruas em protesto contra coisa alguma, que os carolas católicos do Mídia Sem Máscara sobem nas tamancas com medinho de uma revolução comunista e xingam todo mundo de incendiário...
Que direita patética...
Sugestão aos bem-intencionados baluartes da ordem e do silêncio: internem-se no primeiro asilo para senis.
A Direita Católica Brasileira cabe inteirinha dentro de um hospício.
Título e Texto (formatação mais aproximada da original): Ernesto Ribeiro, 27-06-2013

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