segunda-feira, 14 de setembro de 2015

BLOSTA entrega a estratégia gramsciana para tentar barrar impeachment. Ué, mas não era teoria da conspiração?

Luciano Henrique

Saul Alinsky já dizia: “poder não é o que você tem, mas o que o seu adversário pensa que você tem”. Na verdade, fazer o oponente temer “forças horríveis” que se abaterão sobre ele, em caso de conquista territorial, sempre é uma artimanha não somente na guerra política, mas em qualquer tipo de guerra. Quem não se lembra das ameaças de Saddam Hussein vangloriando-se antecipadamente que a Guerra do Kuwait seria um “novo Vietnã”? Esse tipo de fanfarronice sempre acontecerá em todas as guerras.

O truque da vez utilizado pelos petistas é tentar nos fazer acreditar que a extrema-esquerda tem mais poder do que realmente tem. Com isso, entraríamos em apuros em caso de impeachment de Dilma. Antes, é bom que se diga que é fato que as milícias do PT e suas linhas auxiliares vão atrapalhar,  o que é bem diferente de reconhecermos que o poder deles é tão inexorável que não vale a pena nem invadir o território oponente, ou melhor, apear o PT do poder.

Miguel do Rosário, no blog Cafezinho, diz que os seguintes pontos (são oito, no total) trariam uma vitória de Pirro aos opositores do PT:

1) O principal partido na Câmara, o PT, e que ainda é o partido com maior número de militantes orgânicos do país;

Principal partido na Câmara que, em um presidencialismo de coalizão, ficaria isolado. Portanto, isto não é um problema. Ao contrário: com o PT fora do poder de distribuição de cargos, estes 70 deputados petistas não significariam nada. E ainda perderiam o poder de atrapalhar as investigações da PF.

2) A UNE. Seria tolice subestimar a UNE, hoje muito mais organizada do que em qualquer outra época.

Ninguém subestima a UNE. Sabemos que é um instrumento do PT. Ao mesmo tempo, se o PT não puder direcionar suas verbas para esta organização, ela se complica. Basta para nós começarmos a desconstruir tudo que a UNE faz, desmoralizando as ações de seus representantes e levando à rejeição social de pessoas ligadas ao grupo. Mas foi bom avisar, Miguel, pois a UNE é um problema a ser tratado.

3) Todas as grandes centrais sindicais, ou ao menos, aquelas com atuação política mais experiente e orgânica. Só a Força Sindical, e mesmo assim, dividida, apoiaria um governo pós-impeachment.

É mais um motivo para revermos a questão do imposto sindical, pois verba estatal não deve ser usada para beneficiar instrumentos de um partido específico. Novamente, agradecemos a Miguel do Rosário pelo fato de confessar o aparelhamento sindical. Em guerras tradicionais, precisaríamos de espiões para obter tais informações. Aqui Miguel entregou tudo de graça.

4) A intelectualidade de esquerda, hegemônica em todas as universidades.

E aqui vai pelo ralo todo o discurso da extrema-esquerda dizendo que “não há hegemonia da extrema-esquerda nas áreas de humanas”. Sim, há. Mas já estamos lutando exatamente contra isso. E com o PT no poder, o trabalho dos aparelhadores de universidades tem ficado mais fácil. Logo, são os instrumentos do PT nas universidades que precisam se preocupar se o PT sair do poder. Não o contrário. Mas ainda assim estaremos lutando na desconstrução contínua dessa gente que destruiu nossas universidades.

5) Os movimentos de ultra-esquerda, capilarizados nas universidades, que tem feito oposição ao PT, mas que seriam muito mais agressivos num governo pós-impeachment.

E mais uma vez Miguel faz o serviço para este blog, que sempre demonstrou que o PT era um partido de extrema-esquerda. Aqui ele simplesmente confirma tudo que venho afirmando: as “oposições” feitas pelos partidos da extrema-esquerda ao PT são apenas fachada. Oposição mesmo eles fariam contra opositores do PT. O PT é evidentemente um partido de extrema-esquerda. O importante aqui é desmascarar todos os truques desta gente, em todas as questões.

6) O PSOL, partido de oposição ao governo, mas que exerceria uma oposição muito mais orgânica num governo pós-impeachment.

Faltou ele citar o PCdoB, que é até mais eficiente que o PSOL. Ambos dão no mesmo. O problema é que, com o PT fora do poder, não ia ficar tão fácil para Jandira Feghali forçar o SBT a demitir Rachel Sheherazade, ou mesmo mandar a Polícia do Congresso agredir manifestantes fingindo que eles disseram “vagabunda” ao invés de “vai para Cuba”. Em suma, partidos como PSOL e PCdoB funcionam muito melhor quando aparelhados por donos do poder.

7) A imprensa progressista.

A imprensa está perdendo cada vez mais poder após  o advento da Internet. Com o PT fora do Executivo, as táticas tentadas para controlar a Internet irão pelo saco. Ademais, a tal “imprensa progressista” de que Miguel fala seriam os blogs bolivarianos, que talvez perdessem boa parte da verba estatal de anúncios desproporcionais. Teriam que competir com os outros meios por verbas de anúncios. Eis uma das maiores vantagens competitivas do PT, que iria para o saco. Observe que até o momento só temos a ganhar com a saída da ditadura petista.

Novamente, Miguel tem minha gratidão por ter mostrado que eu estava certo ao apontar a mídia bolivariana de submundo como um dos pontos estratégicos do PT. Quem sabe agora a direita presta mais atenção a este problema.

8) A opinião pública progressista.

Este item foi adicionado apenas a título de piada. Simplesmente não é possível que, com 7% de popularidade, ele venha falar em uma “opinião pública” que se enfureceria com a saída de Dilma. Pura fanfarronice.

Em resumo, o que podemos abstrair destes oito pontos levantados por Miguel? Que o PT está frito se fizermos as coisas com mediano grau de organização. Depois da queda do partido, é importante desconstruir, de várias formas (inclusive colocando durex nas tetas estatais), organizações como UNE, BLOSTA, sindicatos aparelhados, além de desconstruir, dia após dia, a doutrinação marxista nas escolas.

No fim das contas, Miguel do Rosário confessou aquilo que muitos de seus pares chama de “teoria da conspiração da direita”. Ele depende dos resultados da estratégia gramsciana para dar continuidade ao projeto socialista de poder totalitário. Nós dependemos de uma estratégia contra-gramsciana para nos livrarmos do totalitarismo. 
Título, Imagem e Texto: Luciano Henrique, Ceticismo Político, 13-9-2015

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