sábado, 2 de setembro de 2017

Ódio concentrado

Carlos Ramalhete


Costumo apontar neste espaço os perigos que corremos ao importar os aspectos mais daninhos da cultura e da política norte-americanas para o Brasil. Por esses dias eu vim a descobrir uma importação cuja maldade chega a me dar calafrios. Na matriz de nossos subdesenvolvidos pseudopensadores, chama-se doxing. Esta prática de ódio consiste em aproveitar a falta de intimidade que as redes sociais e a internet dão para assediar em bando o entorno social, de trabalho e familiar, de qualquer pessoa que manifeste opiniões diversas do pensamento único esquerdista. Sendo este apoiado pelos meios de comunicação em massa e pelo próprio governo, todos envolvidos num frenesi de apologia ao comportamento homossexual, teoria de gêneros, racismo e demais importações do norte selvagem, é comum que os efeitos sejam extremamente daninhos. Um patrão que é assediado por dezenas de mensagens afirmando maldades contra um funcionário seu pode pensar estar fazendo a coisa certa ao demiti-lo, ou ao menos chamar a sua atenção; a vida de parentes da vítima do doxing também pode ser bastante prejudicada por este tipo de comportamento.

Como sempre, a esquerda se quer proprietária exclusiva da acusação de “ódio”, que pespega a toda palavra com que não concordem, mostrando assim a verdade do dito olaviano de que eles acusam do que fazem. Ao mesmo tempo, todavia, é ela que protagoniza as piores cenas de ódio. O ódio concentrado de que os esquerdistas são capazes só encontra parelho histórico nas tropas de assalto de partidos totalitários do século passado. Inventa-se um absurdo qualquer, que passa imediatamente a ter foros de verdade absoluta (por exemplo, que um rapagão com um vestido magicamente se transforma em uma linda mocinha). Não se permite qualquer debate, criminalizando-se e condenando liminarmente qualquer manifestação contrária como sendo – vejam, senhores, que truque curioso – “crime de ódio”, pintando imaginariamente o amor à estabilidade social e de modos de suposto ódio a algo que nem fica muito bem explicado. Daí a invenção de termos pseudomédicos como “homofobia” (etimologicamente, “medo do igual”) para tratar do que na verdade é apenas pensar como sempre se pensou, sem que haja nisso absolutamente ódio algum. Pelo contrário: o alvo da maior parte dos ataques da extrema-esquerda é o amor demonstrado às instituições, à pátria, à família, a Deus… O ódio está todo concentrado do outro lado, do lado dos revolucionários, que odeiam visceralmente o que encontraram pronto ao nascer, e desejam substituir a sociedade por uma outra coisa que via de regra nem mesmo eles sabem direito o que é.

E é aí que entra o tal doxing. É uma maneira de levar ao nível pessoal a ação das hordas fascistas da extrema-esquerda (pois é como hordas fascistas que eles se comportam; deixo de lado o debate sobre se o fascismo era de esquerda ou de direita, contentando-me em afirmar que é do Demônio). Enquanto seus antepassados espirituais apenas pichavam “amigo de judeus” ou “amante de negros” nas portas daqueles com quem não concordavam, os ativistas pós-modernos pesquisam minuciosamente a vida de suas vítimas, de forma a atrapalhar ao máximo a sua vida, causar brigas familiares, levá-lo a ser demitido de seu trabalho e perder o ganha-pão. Ora, a família e o ganha-pão são sagrados. São necessidades universais, e ninguém, absolutamente ninguém, pode ser privado de tê-los. Mesmo os presos na cadeia não deixam de ter família e receber visitas e cartas (deixemos as tais “visitas íntimas” de lado; são um exemplo da sexomania atual), e mesmo eles deveriam poder trabalhar e ganhar o próprio pão com o suor do próprio rosto. Mas nada disso importa aos revolucionários. A vida humana não tem valor para eles, como não tem valor algum a vida social e familiar de quem comete o pecado sem perdão de não concordar plenamente com a última loucura desses grupos (aliás, alguém sabe com quantas letras anda a sigla LGBTFBICIAKGBPTPSOL?).

O tal doxing, como muita coisa na ação revolucionária hodierna, é uma prática motivada e mantida por um nível tão alto de ódio que confesso me ser impossível apreender. Não conseguiria dirigir tamanho nível de ódio a pessoas que não conheço e que nunca me fizeram nada; e não creio, mesmo, que conseguisse dirigi-lo a quem tenha realmente me prejudicado. Eu posso ter desejos sinceros de matar alguém, e mesmo justas razões para tal; não consigo me imaginar, contudo, querendo privar alguém de trabalho e família. Seria menos mau privar de vida. Atacar de tal maneira pessoas cuja opinião simplesmente difere da minha, mais ainda se é a minha a novidade (e tenho, sim, senhores, algumas opiniões bem novidadosas), aí é que não seria mesmo possível. Quem propõe a mudança é quem tem de justificá-la e convencer os demais que, se tiverem a cabeça no lugar, vão demorar bastante para mudar de opinião. Opiniões que o vento leva não valem os bits em que são escritas.

É importante, assim, que aprendamos todos a lidar com isso; quando a lista de imperativos morais categóricos da extrema-esquerda dominante muda a cada dia, como ocorre agora, é fácil, mesmo a quem tenta se manter a par, ficar um pouco atrasado e ver-se objeto de ódio assim intenso e de táticas de ataque à identidade e ao ganha-pão assim odiosas. Qualquer pessoa, por mais inocente e alheia a questões político-sociais, está sujeita a um belo dia ver-se acusada implacavelmente, de maneira praticamente anônima – pois dezenas de mensagens assinadas por desconhecidos perfazem uma denúncia na prática anônima – de serem monstros, malvados quase tão cheios de ódio quanto os agentes revolucionários que fazem isso com eles. Cuidado. Ajamos com hombridade e coragem, e não cedamos jamais à tentação de combater o mal com o mal. 
Título e Texto: Carlos Ramalhete, Gazeta do Povo, 1-9-2017

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