sábado, 2 de dezembro de 2017

Os aposentados e as tradicionais festas de dezembro

Almir Papalardo            

Estamos no derradeiro mês do ano de 2017. Embora estejamos apenas no início, a população mais animada já respira o clima das festas de Natal e do Ano Novo. É realmente fantástico no ser humano a expectativa sublime das tradicionais festas do fim de ano, com a comemoração fraterna do Natal e a explosão de alegria do Réveillon. 

O NATAL é o principal evento mundial onde se reverencia o nascimento de Nosso Senhor JESUS CRISTO, que torna a humanidade mais solidária, mais sensível, mais amorosa, mais tolerante e compreensiva, quando todos, com suas finanças reforçadas pelo pagamento do décimo-terceiro salário, presenteiam seus familiares e amigos mais chegados, celebrando com euforia o Momento da Sagrada Ceia Natalina. 

Todos os familiares e amigos de fé então se confraternizam, se beijam amorosamente com abraços afetuosos, com desejos recíprocos de boas festas, de muita alegria, de muita paz e de muita saúde, tonificando o coração que se liberta momentaneamente dos sentimentos rancorosos e revanchistas, purificando a alma sempre ressentida pela costumeira falta de amor ao próximo.

No clímax da festa Natalina, dia 24, às 24 h, todos empunhando lindas taças de cristal, com legítima Champanhe Francesa, brindam-se com o tradicional Tim-tim, o ritual toque social entre as taças, umas nas outras, todas, no momento mais emocionante do NATAL, o que irradia uma emoção mais sensitiva de paz em todos os seres humanos e no interior privativo dos lares. Tudo é paz, tolerância, ternura e amor.

Enfim, é uma festa cristã, universal, que apazigua o ser humano, forçando um breve esquecimento das agruras, injustiças, mágoas, incompreensões e obstáculos sempre presentes na vida moderna, difícil, agitada, reacendendo as esperanças de todos por dias melhores e mais felizes, com a expectativa   e grandes esperanças por um Novo Ano bem melhor, que também já se anuncia.

É assim a dura vida, enigmática, incógnita, simbolizada por uma escada imaginária, onde todas as criaturas almejam galgar o degrau de cima, porque, na verdade, cada degrau superior, cada degrau a mais galgado, representa simbolicamente maior prosperidade, com melhor qualidade de vida.

Quantos mais degraus o homem puder subir, melhor e mais prazerosa será a sua existência na face da Terra. Este ciclo natural da vida vivido por todos os cidadãos, não é permitido por culpa dos poderes públicos que seja estendido também aos esquecidos velhinhos aposentados e pensionistas, cuja aposentadoria, transformou-se num cruel castigo, longe de ser uma merecida recompensa como era outrora, mentirosamente, prometido!

Esses aposentados são relegados a uma expectativa de vida inferior, sem proteção dos mais poderosos, sendo sempre descartados por não constarem mais dos planos dos governos! Não são mais vistos com bons olhos porque recebem de aposentadoria um salário mínimo e alguns até mais de um piso pago pela Previdência. O Executivo lamenta ter que pagar a todos os aposentados, em todos os meses, sem nada receber em troca, pois não existem mais aquelas contribuições mensais feitas ao INSS. Os governos ficam então rubros de raiva! Dão, é verdade, aposentadorias com uma das mãos, mas com a outra mão tiram direitos, achatando anualmente de modo cruel e arbitrário, os já tão minguados benefícios previdenciários.

Desprotegidos, os aposentados são entregues à própria sorte, quando, ao contrário, como uma lógica natural de justiça e reconhecimento, deveriam ser cuidadosamente preservados, respeitados, mantendo-se o seu poder aquisitivo até o seu último dia da existência, longe das defasagens abusivamente empurradas em doses homeopáticas pela sua goela abaixo!!

Que neste Natal de 2017 todos que prestam serviços aos Poderes Públicos constituídos, que vivem nababescamente com salários astronômicos, gozando de todas as regalias possíveis e impossíveis, contrários a que se conceda um pouquinho mais de justiça aos velhos aposentados, que felizes comemoram com seus familiares contando com uma mesa natalina farta das mais nobres, sofisticadas e caras iguarias, abram um pouco mais a sua consciência perante Deus para agradecer com humildade por toda a fartura recebida, aproveitando a oportunidade propícia para fazer uma íntima e sincera confissão de culpa:


 "SENHOR, eu que recebi de Ti plenos poderes para criar, modificar, cortar ou anular leis voltadas para o bem-estar de toda a população, não permito que o velhinho aposentado que recebe um pouco acima do piso, suba mais um degrau da escada, obrigando-o sim, a retroceder, descendo um degrau a cada novo ano, atual realidade na difícil vida do cidadão aposentado, condenando-o a ser deslocado no futuro, para o primeiro degrau da escada! É a involução da sua vida, é a regressão, o que vergonhosamente tenho concordado e colaborado! Tenho me oposto SENHOR, a ascensão merecida do aposentado e Te confesso PAI, neste momento em que o remorso intimamente me corrói a consciência, a minha máxima e exclusiva culpa! Quantas vezes em plenário votei NÃO, quando por coerência e sensibilidade deveria votar SIM, a favor dos velhinhos...

Tenho concordado SENHOR, embora tenha poderes para discordar, que a Previdência Social utilize insensatamente dois percentuais diferentes na correção de todas as aposentadorias do RGPS. É uma sórdida discriminação PAI, tratamento e direitos diferenciados na correção dos seus já minguados proventos! Todos pertencem ao mesmo regime não existindo razão para diferenciação na correção das pensões e aposentadorias. E a tudo isto Senhor, assisto impassível, fingindo-me de cego, satisfeito com a covarde acomodação que trava a minha atuação como um parlamentar justo e protetor autêntico dos mais carentes!! Pesa mais ainda na minha consciência egoísta o fato do meu poder aquisitivo estar sempre crescendo, astronomicamente, enquanto, o poder de compra dos aposentados e pensionistas, estão ao contrário e com a minha plena concordância, se deteriorando cada vez mais! Tudo isto percebo quando deito minha cabeça no travesseiro!

Realmente, a bem da verdade, longe dos microfones, fora do alcance dos holofotes, das filmadoras e flash fotográficos, intimamente, eu e a minha pesada consciência, reconheço que o aposentado é o único cidadão que não tem atualizações monetárias e sim, perdas reais. E a cada novo corte na sua aposentadoria, é mais um degrau da vida que ele desce, acordado pela minha desonrosa e lamentável omissão”.

 Deveria ser esta no fundo do seu ego a verdadeira contrição a ser feita perante Deus! Deputados e senadores primeiramente e depois as demais autoridades dos outros dois Poderes. Que todos os poderosos covardes e permissivos, façam intimamente a sua "Confissão".

Lembrem-se que justiçando os aposentados, corrigindo com um único percentual a atualização de todas as aposentadorias do RGPS-Setor Urbano, como normalmente é praxe nas grandes firmas empregadoras, estarão defendendo um ato nobre e humanitário, consciencioso, principalmente considerando a idade avançada destes ex-trabalhadores, que desgastados, humilhados e sofridos, sem condições para retornar ao trabalho, já estão fazendo por merecer há muito uma "Carta de Alforria". Entretanto, faltam espíritos heroicos como o da princesa Isabel, com coragem e ousadia suficientes para assinar a tal carta justiceira e libertadora...

UM FELIZ NATAL E PRÓSPERO ANO NOVO PARA TODOS OS BRASILEIROS 

Título e Texto: Almir Papalardo, 2-12-2017

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Por favor, evite o anonimato! Mesmo que opte pelo botãozinho "Anônimo", escreva o seu nome no final do seu comentário.
Não use CAIXA ALTA, (Não grite!), isto é, não escreva tudo em maiúsculas, escreva normalmente.
Obrigado pela sua participação!
Volte sempre!
Abraços./-