quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

Política: em um ano tudo mudou no Rio

Cesar Maia
  
1. As perspectivas em relação ao futuro na política, especialmente quando há eleições no ano seguinte, como será em 2016, devem partir de uma análise do passado recente, que indica o poder de alavancagem para o quadro atual e futuro. O tempo na política, num ciclo curto de dois anos (um de passado e um de futuro), é cumulativo. A reversão de uma forte deterioração de imagem política ocorre em prazo de pelo menos uns três anos, portanto, maior que o do ciclo citado.
            
2. O ano de 2014 no Rio terminou com um forte posicionamento dos vencedores. O PMDB, que elegeu o governador e a maior bancada federal em primeiro lugar e o PSB, que elegeu o senador com uma enorme votação catapultada pela tão presente – aqui e alhures – antipolítica, lastreada pelo desgaste dos políticos.

O PMDB do Rio elegeu o presidente da Câmara de Deputados e o Líder do partido na Câmara de Deputados. O prefeito do Rio estabeleceu um acordo com Romário – senador eleito – entregando a ele a secretaria de esportes. E ratificou a aliança com o PT, que ocupa a vice-prefeitura.
           
3. Se naquele momento se fizesse uma projeção de perspectivas eleitorais, uma simples extrapolação projetaria para 2016 uma intensificação dessa hegemonia na Capital. O prefeito passou a aparecer na imprensa como potencial candidato a governador e presidente, dependendo apenas de sua escolha. A parceria do governador e do prefeito da Capital com Dilma dava garantias que seria assim. O vice-presidente Michel Temer já falava como futuro presidente pós-impeachment. Os polos de negociação das políticas públicas se deslocaram para a Câmara e para o Senado.
           
4. A operação Lava-Jato e o processo lançado de impeachment desorganizaram esse quadro. O presidente da Câmara passou a ser alvo prioritário de Dilma e da PGR. O líder do PMDB foi substituído, voltando depois, mas não mais com a força e a vitalidade de antes. O vice-presidente, que flutuava tranquilo, passou a ser acossado. Sua carta-desabafo produziu uma ruptura com a presidente e com o PT. 2015 termina com um quadro nacional, para o Rio, completamente diferente do final de 2014.

5. Regionalmente, as dificuldades financeiras herdadas pelo novo governador Pezão e respondidas com medidas de aumento de receitas por uma vez (acesso a depósito judiciais, anistias e remissões negociadas...) se esgotaram e a crise financeira se transformou em caos financeiros. Escândalo envolveu o fundo de saúde da PM. Os escândalos atingiram de forma fortemente diferenciada a Capital. Um secretário-deputado federal é exonerado após vídeo que o expôs. Outro secretário, pré-candidato, ostensivo, a prefeito é fragilizado por depoimentos relativos a valores. Uma OS que dirigia dois grandes hospitais da prefeitura é flagrada em desvios milionários de dinheiro. Cada um deles teve destaque no RJTV, da TV Globo. A TV Record repercutiu todos esses fatos numa série.
           
6. O senador se tornou favorito nas pesquisas para prefeito. No meio do caminho surge a denúncia de uma conta não declarada no exterior. Ele desmente, mas, depois, nas gravações que envolveram o senador Delcídio, retorna o fato acompanhado de foto e de insinuações que teria havido um acordo envolvendo a conta e candidatura. Já perto do final do ano, surge matéria na imprensa com o assessor de seu gabinete e o mais próximo do senador, que seria um sicário envolvido em homicídios junto à contravenção. Então a executiva nacional do PSB demitiu o senador e toda a executiva do PSB do Rio.
           
7. Portanto, 2015 termina com um quadro político inverso ao que iniciou. E com as perspectivas eleitorais para 2016 em aberto, aguardando novos nomes – substitutos desses – que se somarão aos nomes já conhecidos e não afetados. 
Título e Texto: Cesar Maia, 23-12-2015

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