terça-feira, 24 de maio de 2016

Seis meses de ilusões

Sérgio Azevedo
Os primeiros seis meses de governo de António Costa têm sido um amontoado de ilusões que, fruto de uma máquina propagandística bem oleada e de um certo amparo de alguma comunicação social, nos tem feito crer que, de facto, as nossas vidas estão a melhorar e que a situação económica do país recupera e sobrevive com sanidade à pura e simples destruição das reformas implementadas pelo governo anterior – no fundo, a ideia de que a nossa recuperação era possível sem o caminho difícil que trilhámos.

Ora nada é mais ilusório e alguns dados da prestação económica portuguesa confirmam-no.

Em seis meses, o volume de negócios caiu 5,7%, com a confiança dos consumidores a recuar a 2013. O défice cresceu 108 milhões de euros em relação ao ano anterior e a divida pública aumentou 1,7 mil milhões. As exportações caem 3,9% e as importações 0,8%, e o desemprego aumenta para 12,4%.

Claro que, para este governo ilusionista, o aumento do desemprego atribui-se ao aumento da população ativa. Mas os recentes dados do INE demonstram precisamente o contrário, desmentindo-os categoricamente. A verdade é que em seis meses se destruíram em Portugal cerca de 48 mil empregos – um número preocupante para quem afirmava criar, só durante este ano, cerca de 40 mil.

Óbvio que, enquanto surgem estes números, o governo, cuja atividade legislativa neste primeiro semestre foi inexistente, entretém-nos com vacas a voar. O problema é que o sítio onde as vacas voam é ficcional e imaginário. O nosso mundo, o nosso dia-a-dia é real e, quando isso se perceber, as vacas acabarão por cair – e aí talvez seja tarde demais.
Título e Texto: Sérgio Azevedo, jornal “i”, 24-5-2016

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