domingo, 5 de março de 2017

Madre Teresa e Liberalismo Econômico

Vitor Grando

Acho que descobri a melhor e mais simples forma de ensinar ao leigo a diferença entre socialismo e capitalismo. Infelizmente, dado o pesado viés ideológico da nossa educação, a massa entende por capitalismo e socialismo o exato oposto do que tais ideias representam.

Recentemente numa conversa entre amigos sobre o tema, ao atacar as consequências práticas de toda forma de centralização econômica (i.e., socialismo), ouvi como resposta que eu ignorava as consequências do extremo da posição que defendo (capitalismo, ou melhor liberalismo), a saber, a insensibilidade em relação aos miseráveis em nome do acúmulo de capital. Isso demonstra o tamanho da desinformação que recebemos através das escolas e faculdades, que distorce terrivelmente a natureza desses dois sistemas, porque capitalismo não é isso.

Capitalismo não prega dinheiro acima de tudo, porque ele é um sistema econômico e não um sistema que preceitua valores éticos sobre o que é certo ou errado. Moralmente ele é neutro, portanto.


A forma mais simples de demonstrar isso é apresentando um fato da vida de Madre Teresa de Calcutá – notória defensora dos pobres. Em 1979, a Madre recebeu, em razão do Prêmio Nobel da Paz, a quantia de US$ 1.000.000. Mas o que ela fez com essa quantia que tanto gostaríamos de receber para “resolver” nossas vidinhas? Coerente com a sua vida, ela entregou seu milhão aos pobres.

A pedagógica pergunta que se coloca agora é:

“A conduta de Madre Teresa, nesse ponto, estava de acordo com os princípios do socialismo ou do capitalismo?”.

Aposto um braço que invariavelmente a resposta recebida até mesmo daqueles com poucas simpatias com a esquerda será: “É… realmente estava de acordo com o socialismo”.

É aí que está a deixa para se ensinar de modo simples a diferença entre os dois sistemas: “Não! Não! Mil vezes não! Entregar seu milhão de dólares aos pobres é a exata antítese do que preconiza o socialismo. A conduta de Madre Teresa é a melhor representação do que é o capitalismo”. Nesse momento virão os olhares de descrença e desdém.

Mas a questão é muito simples. O que o sistema capitalista (liberalismo é o termo correto, lembre-se) preconiza é que o INDIVÍDUO é responsável pelo seu dinheiro e é LIVRE para decidir o que fazer com seus recursos e NINGUÉM tem o direito de decidir o que VOCÊ tem de fazer com o que é SEU.

Portanto, no capitalismo você pode gastar toda sua fortuna com drogas e prostituição; mas é no capitalismo que você pode dedicar TODOS os seus recursos aos pobres e a ajudar a quem quer que necessite.

Em contrapartida, isso NÃO é possível num regime socialista, pois no socialismo a ideia é o Estado USURPAR o milhão de Madre Teresa para si para decidir em nome de um suposto bem coletivo o que fazer com os recursos. Invariavelmente, em razão do enorme tamanho do Estado e da burocracia, os recursos se perdem em meio à corrupção e no financiamento da máquina necessária para fazer o Estado funcionar. Assim, do milhão sobram alguns poucos trocados para serem dirigidos a serviços públicos de péssima qualidade. A priori a lógica mostra que é assim que funciona; a posteriori a História prova que é assim que acontece.

A origem de toda essa confusão está em confundir sistemas econômicos com sistemas morais. Socialismo e capitalismo são tão somente sistemas econômicos e, portanto, amorais. É por isso que a religião é fundamental como consciência moral de uma nação e para instruir a prática dos indivíduos em sistemas econômicos. É por isso que os Estados Unidos da América são a poderosa nação que são. Um sistema econômico livre e uma consciência moral profundamente influenciada por valores cristãos e, por isso mesmo, são a nação que mais doa dinheiro para caridade – em valores absolutos E RELATIVOS.

No socialismo, temos a comprovada ineficácia do Estado em gerir recursos e as centenas de problemas derivados da centralização econômica tais como a disseminação da miséria. O pior dos mundos.

No sistema capitalista sem consciência moral cristã, temos uma sociedade onde a indiferença deixará perecer os mais frágeis que por contingências da vida sofreram revesses econômicos.

No sistema capitalista com consciência moral cristã, temos uma economia sólida, próspera e onde aqueles que estão em cima se veem moralmente responsáveis por uma mínima ascensão dos que estão abaixo.

E agora? De que lado você fica?
Título e Texto: Vitor Grando, abril de 2016

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