domingo, 17 de setembro de 2017

Intenso tiroteio na Rocinha neste domingo deixa uma pessoa morta

Ana Clara Veloso, Igor Ricardo e Marta Szpacenkopf

Tiroteio assusta moradores na manhã deste domingo, 15/09/2017 Foto: Leo Martins/Agência O Globo
O clima é de muita tensão desde a manhã deste domingo na favela da Rocinha, em São Conrado, na Zona Sul do Rio. Apesar do comércio na beira da estrada estar aberto, na altura do Complexo Esportivo da Rocinha, a maioria das pessoas procurava passar rápido pela área e evitava dar entrevistas. Enquanto o EXTRA esteve no local, houve a inserção de uma equipe policial na comunidade. Uma pessoa morreu após o intenso tiroteio na favela. Thiago Fernandes da Silva, de 25 anos, tinha cinco anotações criminais.

A Polícia Civil ainda investiga outras supostas mortes e feridos.


O delegado Antônio Ricardo, da 11ª DP (Rocinha), contou que o intenso tiroteio deste domingo na comunidade da Zona Sul foi causado por uma disputa pela venda de drogas.

— É uma disputa pelo monopólio de venda de drogas na Rocinha, já que era do Antonio Bonfim e agora está sob a liderança do Rogério Avelido — contou o delegado.

Rogério Avelino da Silva é um dos procurados pela polícia Foto: Reprodução/Portal dos Procurados

Ricardo esclareceu que os criminosos que forem identificados nessa ação responderão por cinco crimes.

— Vamos apurar tentativa de homicídio, resistência qualificada, disparo de arma de fogo, associação ao tráfico, porte ilegal de arma de fogo. Ou seja, todos que forem identificados nessa ação vão responder por esses cinco crimes — disse.

Segundo moradores da comunidade, as atividades estão ainda mais prejudicadas na parte de cima. Comércios foram fechados e ônibus não circulam. Policiais militares fazem a patrulha ao redor da comunidade. Mesmo assim, até o movimento de carros na Estrada Lagoa-Barra é reduzido nesta manhã. Na rua de acesso para a Rocinha, é possível ver carros usados por bandidos na invasão com muitas marcas de tiros.

— Os tiros começaram às 6h20. Foram muitos. Os policiais entram por aqui e recomeça. Isso aí ainda vai render muito — lamentou um homem, que não quis se identificar.

Carro com marcas de tiros na entrada da Rocinha Foto: Gabriel de Paiva/Agência O Globo
— Acordei por volta de 6h com o tiroteio. E ainda não terminou. Está toda hora recomeçando. A gente é trabalhador e nem tem como sair da comunidade. Eu, por exemplo, deveria ter saído às 9h e só estou conseguindo fazer isso agora — contou outro morador, que descia a comunidade para pegar o transporte que levaria ao seu trabalho.

Uma moradora contou que a mãe teve que ficar escondida dentro do banheiro de casa das 6h às 9h da manhã para se proteger do tiroteio.

— Eu moro perto da UPA, na Curva do S. Minha mãe mora na região do Largo do Boiadeiro, que foi mais prejudicada logo cedo. Uma janela da casa dela foi quebrada. E ela, sozinha, se escondeu no banheiro desde 6h até 9h. Agora, meu filho me ligou e disse que as coisas pioraram no lado em que eu moro também — contou uma senhora, de 50 anos.

No Twitter da Polícia Militar, há a mensagem para que as pessoas evitem ir até a região nesta manhã. Segundo o comando da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) Rocinha, criminosos armados entraram em confronto com o efetivo da unidade num dos acessos à comunidade, por volta das 6h da manhã deste domingo. Ainda de acordo com a nota, não há informações sobre presos ou feridos no incidente. O Grupamento Aeromóvel (GAM)apóia o policiamento na comunidade.


O Centro de Operações da Prefeitura do Rio de Janeiro (Cor) também pediu através do Twitter que a Lagoa-Barra e o bairro de São Conrado sejam evitados. Segundo a postagem, uma operação policial na região pode causar bloqueios. As rotas alternativas sugeridas pelo Cor são a Avenida Niemeyer, que está com o tráfego em boas condições, e o Alto da Boa Vista, que também tem tráfego normal nos dois sentidos.


Os acessos para a estação do metrô em São Conrado chegaram a ficar fechados por cerca de 1h10 por questões de segurança devido ao tiroteio. Mesmo com dois acessos fechados, a estação continuou funcionando normalmente.

Outra moradora da parte baixa da comunidade, contou que acordou com o barulho dos disparos por volta das 6h20 e ainda escuta tiros na parte mais alta da Rocinha. Em um áudio enviado por ela via WhatsApp é possível escutar a intensidade do tiroteio.

— Acordei com tiros! Foi muito forte, um tiroteio muito intenso e continua até agora. Tem um helicóptero sobrevoando também, é assutador. A gente fica assustado né, mas a minha casa é bem protegida. Graças a Deus dentro de casa a gente fica protegido — contou.

A moradora, que pediu para não ser identificada, disse que trabalha à noite na comunidade e não sabe ainda se vai poder trabalhar hoje.

— É complicado essa situação, vamos ver o que vai acontecer.
(...)
Reportagem de Ana Clara Veloso, Igor Ricardo e Marta Szpacenkopf, EXTRA, 17-9-2017

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