quarta-feira, 5 de junho de 2013

Nota de falecimento

José Manuel
 
São três palavras e apenas 17 letras, mas que vem nos aterrorizando há mais de sete anos. Cada dia acordamos rezando para que ela, a frase, não esteja estampada em nossos grupos, nossos e-mails ou nos comunicados do SNA/APRUS.
É como uma bomba que vem do alto e cada vez explode mais perto de nós. E a pergunta que não fazemos, mas que está impressa em nosso coração logo se manifesta. Posso ser o próximo?
Cada vez que essas palavras aparecem, nós tomamos conhecimento de mais um pouco da nossa história que se vai. Daqueles que conosco conviveram, trabalharam, amaram.
O mais interessante é que nós que pertencemos a décadas como 30, 40 e até 50, tivemos nossas vidas embaladas também por três palavras que se tornavam mágicas nas vozes de Nat King Cole, Trio Irakitan, Anísio Silva e Altemar Dutra.
Alguém se lembra?
Todos se lembram pois muitos casamentos aconteceram ao som dessas palavras mágicas.
Como foi bonito viver aqueles momentos.
Ao longo do que escrevo e, para lá das recordações, me vem à mente algo que não havia pensado e talvez esteja achando a ponta do fio que me leva a descobrir o porquê de três palavras, agora, terem um significado de tragédia para todos nós.
Com certeza, os patronos desta tragédia, nunca ouviram falar naqueles cantores, nunca ouviram a música e sequer saibam o significado tão importante das três palavras de outrora - "Quanto te quero".
É claro que nunca ouviram, pois quem não recebe não pode dar.
Jamais receberam o carinho, o amor, a compreensão, porque são fruto do ódio a tudo e a todos.
Nasceram odiando, atravessam a vida odiando e não tem a menor sensibilidade de perceber o quanto mal podem fazer. Até é possível se afirmar que o fazem com prazer, como uma vingança a uma vida pregressa miserável por que passaram.
Os exemplos são muitos e a imprensa nos mostra todos os dias a que ponto chegam com os seus devaneios com a riqueza alheia. São aviões de alto luxo, arenas milionárias, cartões corporativos, gastos supérfluos com viagens desnecessárias, mensalões, amantes com dinheiro público, subjugando parte de uma sociedade comprada com todo o tipo de assistencialismo e outra que assiste apática ao desenrolar dos acontecimentos, sem esboçar nenhuma reação, passiva. Por quê essa passividade manifesta? Será porque somos de eras sensíveis, delicadas, amorosas?
Será que é porque fomos criados com amor, dignidade, respeito ao próximo?
Não sei, mas agora tenho a certeza de que descobri a razão de nosso calvário.
Imaginem, se não são bons com a própria sociedade que dirigem, alguém acha mesmo que vão se importar com apenas 8 mil velhinhos de um fundinho de pensão de uma empresa que propositalmente quebraram se lambuzando com o dinheiro que desapareceu?
Podemos ser de eras douradas, que foram sem dúvida muito melhor que hoje, mas não precisamos continuar acreditando em Papai Noel, por que senão ele pode nos trazer de presente as "três palavras de hoje."
Ah, e por falar nas três palavras de ontem, para aqueles que não se lembram o título da música é "são três palavras"
Título e Texto: José Manuel - pseudo assistido do fundo de pensão Aerus, 05-06-2013




Três Palavras
Composição: Oswaldo Farres
Versão: Giacomo Pesce

Te direi bem baixinho o meu segredo
Porém ao confessar eu tenho medo
Com três palavras te direi tudo o que eu sinto
Creia só, meu amor porque não minto

Dá me tuas lindas mãos
Seguras as minhas, eu aposto que tu não adivinhas
São três palavras e as conhece no mundo inteiro
Essas palavras são quanto te quero

Dá me tuas lindas mãos
Seguras as minhas, eu aposto que tu não adivinhas
São três palavras e as conhece no mundo inteiro
Essas palavras são quanto te quero

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Por favor, evite o anonimato! Mesmo que opte pelo botãozinho "Anônimo", escreva o seu nome no final do seu comentário.
Não use CAIXA ALTA, (Não grite!) isto é, não escreva tudo em maiúsculas, escreva normalmente.
Obrigado pela sua participação!
Volte sempre!
Abraços./-