sábado, 19 de dezembro de 2015

Henrique Neto - o homem, o empresário, o candidato

Minhas amigas e meus amigos

Começo por saudar a vossa presença, sobretudo a vossa presença activa nesta candidatura. Muito obrigado a todas e todos os que tornaram possível esta candidatura ter chegado até aqui.

Quero saudar e agradecer aos mandatários regionais e ao Mandatário Nacional.

Era muito mais fácil a todos vós uma posição cómoda de apoiar uma candidatura do sistema do que apoiar a minha, ou era mais fácil manterem-se afastados desta disputa eleitoral, como tantos outros com responsabilidades têm feito ao longo dos anos.

Amigas e amigos.

Este é um momento crucial da nossa vida colectiva, que tanto pode ser de viragem como de continuidade. Uma continuidade feita de oportunismos vários e de solidariedades obscuras. É contra essa continuidade que me apresento perante vós.

Não foi fácil chegar aqui.

Como se constatou, sem fazerem qualquer esforço visível, sem apresentarem quaisquer ideias dignas de nota, qualquer estratégia ou visão sobre o nosso futuro, sem nenhum projecto ou proposta concreta para o País, os candidatos presidenciais do sistema político que nos conduziu até aqui, muito longe do 25 de Abril de que falam mas não honram, tiveram até agora mais atenção e tempo de presença nos meios de comunicação social.

Porque será? Quem tem medo desta candidatura?

Vamos ver o que acontece agora, qual o tratamento oficial das candidaturas nos meios de comunicação social. Se será justo e equilibrado, o resultado natural de uma democracia adulta, ou se, pelo contrário, os do castelo, se refugiarão mais uma vez por detrás das ameias do poder partidário, para se defenderem dos infiéis, que somos nós todos.

Mas há seguramente a muito nesta nossa candidatura que as outras gostariam de ter mas não têm:

Um passado político de luta contra a injustiça e os poderes fátuos de partidos amigos e de corporações;
Uma experiência de vida feita de trabalho e da pobreza suficiente para compreender o que é a exclusão e a impossibilidade de ter a mesma escola dos meninos ricos;

O orgulho de ter criado obra, milhares de postos de trabalho e contribuído para a democratização tecnológica em Portugal;

Ter sempre previsto os acontecimentos futuros e antecipadas as suas consequências;

Não ter ficado calado durante os anos de chumbo da autocracia demagógica e ignorante que nos conduziu ao endividamento, ao empobrecimento e ao desastre.

Por isso as candidaturas do sistema se escondem por detrás de palavras vazias de sentido e de conteúdo prático. Veremos o que têm para nos dizer daqui até ao dia 24 de Janeiro do próximo ano. Pela nossa parte, temos uma visão para o País, e temos um projecto para a concretizar para Portugal.

Entretanto deixem-me fazer um pequeno enquadramento que penso importante para nós nesta candidatura, como para todos os portugueses. Como terão já visto e ouvido, um dos motes da minha candidatura, da nossa candidatura é: Portugal não é da Esquerda nem da Direita! É nosso!

Com isto não estamos menorizar a esquerda ou a direita. Tenho apoios de pessoas de vários quadrantes políticos e ideológicos. Eu próprio tenho um passado de esquerda que não renego.

Mas uma coisa é um projecto de governação e a luta pelo poder numa campanha eleitoral, onde a disputa ideológica é natural, e outra coisa é o progresso do País que todos queremos ver, independentemente de quem está no poder.

E quando olhamos para Portugal, como para outros países como a Grécia, a França ou a Espanha, o que nós vemos hoje é um quase colapso das esquerdas e direitas tradicionais e uma crise profunda no seu sistema político.

Na Grécia, os partidos que alimentaram o centro da vida política, económica e social, estiveram no centro da corrupção dominante a criaram um autêntico buraco negro, deixando o País à deriva.

Na França, décadas de uma governação sem projecto que relançasse o país, que antecipasse e resolvesse problemas que era expectáveis, conduziu a um descrédito nas forças políticas do centro esquerda e do centro direita, acentuando a perda de esperança, o aumento da incerteza e insegurança, abrindo agora o caminho à extrema-direita.

Na vizinha Espanha, os partidos do centro têm falhado sucessivamente e estado mergulhado em escândalos. Neste país não assistimos ao aparecimento duma extrema-esquerda ou extrema-direita, mas antes à emergência de novos partidos que buscam reconstituir o centro político para uma nova dinâmica na sociedade espanhola.

Dentro de dias veremos o resultado dessa evolução. Veremos se surgem novos políticos e uma nova capacidade de compromisso, ou se a Espanha mergulha na indefinição e o bloqueio politico. As duas possibilidades existem.

E o que temos visto em Portugal é uma degradação do centro político constituído pela alternância de governos mais à direita ou mais à esquerda, centro esse que se foi coligando cada vez mais com os negócios, corrompendo-se de forma já não possível de esconder.

Não temos ainda em Portugal a emergência forte de novos partidos, pelo menos para já, o que tranquiliza os velhos partidos, que continuam a recusar fazer as reformas urgentes e necessárias.

Entre nós, trinta anos de luta continua sem tréguas e sem grande discernimento, entre a esquerda e a direita, contribui para que uma larga maioria de portugueses, concretamente mais de 4 milhões encolhe os ombros por desconfiança ou descrédito nos partidos, e opte por não votar. Esta situação pode ser compreensível, mas é profundamente negativa numa sociedade moderna e num regime democrático pelo qual tantos lutaram e alguns morreram.

Esta degradação das forças do centro político é sempre um factor de bloqueio da vida económica, social e da renovação do dinamismo político. Não há sociedades que se desenvolvam sustentadamente num quadro deste tipo.

As duas últimas décadas foram absolutamente desastrosas em Portugal, com uma destruição de riqueza nunca vista na nossa história.

Mais de 50% dos portugueses em idade eleitoral desistiu de intervir na vida democrática, ou seja, desistiu de participar das escolhas políticas para o seu País, no que é um sinal muito preocupante sobre o presente e sobre o nosso futuro.

Se repararam, até aqui nenhum outro candidato presidencial se preocupou com isso, ou assumiu a realidade de um sistema político altamente disfuncional, ou daí retirou quaisquer consequências.

Portanto, minhas amigas e meus amigos, o que nos espera, com a vitória de qualquer dos candidatos do sistema será a continuação da ladeira descendente que andamos a percorrer legislatura após legislatura sem fim à vista.

Promessas não faltam agora, como não faltaram no passado, mas quem mais acredita nas promessas?

A minha candidatura fala pelo meu passado e pelas minhas convicções que são conhecidas e não são de hoje. Convicções que aliás já apresentei em pormenor aos partidos políticos e a todos os candidatos presidenciais, mas sem resposta.

Se pudéssemos escutar algum conselho do povo grego, provavelmente seria: não se deixem enganar! Não esperem que os velhos partidos mudem para mudar Portugal e resolver com coragem os principais problemas. Tomem o País nas vossas mãos antes que seja tarde de mais!

E um conselho possível do povo francês poderia ser: Aqueles que ajudaram a criar os problemas que temos hoje não serão os que os vão resolver, porque lhes falta visão e coragem, ou estão demasiado comprometidos com o passado. Não tenham ilusões! Actuem antes que seja tarde de mais!

Por isso, em vosso nome, julgo que hoje posso apelar a todos os portugueses, e em especial aos mais de 4 milhões de portugueses que desistiram de votar, que não deixem que o País chegue a uma situação ainda mais grave.

Há uma eleição presidencial a 24 de Janeiro de 2016 que pode ser ao princípio das grandes mudanças que possam democratizar e fazer progredir Portugal.

Manter depois de 24 de Janeiro um presidente oriundo do sistema do velho centro político é garantir uma presidência da república que nada fará para contrariar as forças políticas que são responsáveis pela situação a que o País chegou.

Há três candidaturas que, por maiores diferenças que apresentem em termos de personalidade, de carácter ou de retórica política, olham para a função presidencial como um complemento das suas carreiras e um apêndice dos governos, há mesmo quem prometa uma aliança com um governo.

Minhas amigas e meus amigos.

Os candidatos do sistema político fazem uma interpretação intencionalmente minimalista da Constituição no que se refere aos poderes presidenciais e desdobram-se em vénias de retórica dá para tudo, para não desagradar aos partidos do chamado arco da governação.

Para mim, o Presidente da República em Portugal é um cargo em que tem que manter equidistância das forças políticas e não tornar-se um alimentador das disputas partidárias, um equilibrador da continuidade dos erros e das omissões da governação.

Os grandes equilíbrios que devem preocupar um Presidente da República não são apenas entre as forças partidárias, mas entre as forças da sociedade portuguesa.

A crispação que deve preocupar não é a que conjunturalmente ocorra entre forças que disputam o poder e os seus benefícios, mas a distância que existe entre os portugueses e o seu sistema político democrático.

Não é a democracia que serve os partidos políticos, mas são estes que devem estar ao serviço da democracia.

De acordo com a nossa Constituição, o Presidente da República deve cooperar com qualquer governo legítimo nas matérias que respeitam aos dois órgãos de soberania. Um Presidente da República deve ser livre para elogiar um governo tanto quanto para o ajudar a governar bem, mas também para contrariar a má governação.

Deve interrogar o Governo quando tiver dúvidas, e deve ajudá-lo quando o merecer e solicitar.

Em circunstância alguma deve ser aliado ou opositor do governo.

Aqui, a minha candidatura assume uma postura clara em relação ao governo saído das últimas eleições.

Ao contrário das promessas ambíguas dos restantes candidatos do sistema, eu serei cooperante com o governo na defesa do interesse nacional, mas, com este ou outro governo, serei intransigente no cumprimento dos compromissos eleitorais internos e no cumprimento dos compromissos internacionais de Portugal.

Caso este ou qualquer outro governo falhe nestas duas áreas, é meu dever não permitir que uma situação desse tipo se arraste, pelo que actuarei imediatamente, uma vez que sei por dolorosa experiência o que aconteceu no passado.

Comigo os portugueses terão um Presidente que apresentará ao País uma metodologia para se ultrapassar a actual crise financeira e económica, um processo democrático para se chegar a um consenso nacional alargado que permita políticas estáveis e uma estratégia de desenvolvimento. Será uma metodologia que contará com o envolvimento dos portugueses e será uma via para uma reconciliação nacional entre os portugueses e o seu sistema político.

Há pouco tempo um dos meus concorrentes declarou que “o Presidente deve intervir quando os portugueses forem enganados”! É pena é que não se tenha apercebido como os portugueses estão a ser enganados há já muitos anos. Como Sá agora deu por isso não o denunciou em tempo útil.

Amigas e amigos

É altura de arregaçarmos as mangas.

Espera-nos uma tarefa difícil que é a de chegar aos portugueses com as nossas mensagens.

Não temos nenhuma estrutura partidária no terreno como outros têm.

Temos a vontade, temos os valores e o desejo de servira a democracia, e temos o amor pela esta Pátria de quase nove séculos e de muitas conquistas.

Necessitamos de chegar junto dos portugueses que desistiram de tomar posição nas escolhas políticas, para lhes dizermos que há um projecto de esperança no nosso caminho.

Portugal tem trabalhadores, empresas e empresários, cientistas e mulheres e homens da cultura que estão muito acima do que hoje oferece a nossa classe política. O País tem razões para acreditar no futuro.

A nossa democracia pode ver reconciliar-se o povo português com os seus políticos, mas estes ainda não fizeram a sua parte. Ainda persistem coligados com os poderes do dinheiro e do amiguismo político e recusam-se a mudar.

Em mim Portugal e os portugueses terão um Presidente da República atento, promotor do País e das suas energias e não uma figura de protocolo, decorativa, que apenas mostra alguma coisa quando está num segundo mandato, porque esteve calado no primeiro para garantir a reeleição.

Espero que não seja isto que os portugueses querem, porque não é isso que lhes posso dar.

Gosto demasiadamente do meu País, sofro demasiado pelo seu sofrimento, e sei o suficiente do que há a fazer, para me contentar com tão pouco.

Está nas mãos dos portugueses fazer acontecer um Portugal Novo.

Viva Portugal!
Henrique Neto, 18-12-2015

Um comentário:

  1. Para mim, o MELHOR candidato para Portugal, seria o ex-presidente da Comissão: José Manuel Durão Barroso.

    Qual o presidente, ou primeiro-ministro, ou líder partidário neste planeta que não conhece Durão Barroso?
    Seria uma estupenda MAIS-VALIA para este pequenino país!

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