quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Brasileiros voltam às ruas em 26 de março de 2017


O novo mimimi esquerdista não se cansa de xingar o outro lado de “paneleiro”. Normal. Eles nunca conseguiram muito mais do que ofensas que só incomodam a eles mesmos. Já foi “reacionário”, “golpista” e “coxinha”, por exemplo. Aqui, do outro lado, onde de fato há indignação contra os desmandos de Brasília, as mangas foram arregaçadas.

Movimento Brasil Livre e Vem Pra Rua novamente encabeçam o convite. Eles estão por trás dos atos que derrubaram Dilma Rousseff. E agora partem para cobrar um mínimo de decência do governo Temer.

Cada grupo com sua pauta de reivindicações. Em comum, a defesa da Lava Jato e o ataque ao foro privilegiado. Mas há defesas de reformas necessárias ao país, e gritos contra ideias estapafúrdias, como qualquer tipo de anistia a criminosos.

Será no dia 26 de março de 2017. A programação de eventos ainda há de ser confirmada. Mas o Implicante e O cão que fuma esperam que você vá e contribua com seu cartaz.

5 comentários:

  1. Voltar às ruas

    Marco Antonio Villa

    O impeachment somente destampou a panela de pressão. Crise se agravará após as revelações das delações da Odebrecht.

    Em Brasília são sempre 19 horas. Como na fatídica “Hora do Brasil”. Pontualmente — e com a monotonia habitual —, os locutores apresentam um relato diário das atividades dos Três Poderes. Falam de um Brasil imaginário. Tentam, com muito esforço, apresentar as atividades da demoníaca Praça dos Três Poderes. O Brasil pode estar vivendo uma guerra civil. Mas lá, em Brasília, tudo continua como se vivêssemos o melhor dos mundos.

    Durante a semana que passou, os principais assuntos foram a designação de Alexandre de Moraes para a vaga do STF, as manobras para dificultar o andamento da Lava-Jato, a tentativa fracassada de (novamente) aprovar a anistia para os crimes eleitorais e as especulações em torno do nome do novo ministro da Justiça. A tragédia do Espírito Santo não sensibilizou a elite política. Foi tratada como algo irrelevante — ou de restrita importância. Afinal, qual vantagem poderia ser obtida? Isto poderia levar a algum ganho na estrutura de poder? Abriria possibilidade de um bom negócio?

    Brasília ignorou o que estava ocorrendo no Espírito Santo. O medo, a fome, os saques, as mortes, os prejuízos do comércio. Tudo foi tratado com descaso, como se a inconstitucional greve dos policiais militares estivesse atrapalhando a rotina burocrática dos donos do poder. No Senado, o principal assunto foi a eleição de Edison Lobão para a presidência da Comissão de Constituição e Justiça, enquanto a Câmara continuou conspirando contra a Lava-Jato, e o Planalto passou a semana blindando Moreira Franco.

    O descaso com os trágicos acontecimentos do Espírito Santo é o retrato cristalino da elite política brasileira. As lideranças partidárias silenciaram, como o fizeram os ministros das cortes superiores, o Congresso Nacional e o Palácio do Planalto. Excetuando o ministro da Defesa, o governo ignorou o drama dos capixabas. O Ministério da Justiça — pasta que deveria ter papel ativo na solução da crise — se omitiu. O ministro interino mal apareceu na imprensa para dar seu ar da graça. E, pior, o Palácio do Planalto silenciou. Só se pronunciou — e timidamente — uma semana após o início do motim da PM capixaba.

    O sofrimento da população foi ignorado. Nenhuma liderança nacional foi dar apoio ao governador Paulo Hartung. Contudo, foram a São Paulo e São Bernardo do Campo prestar solidariedade a um criminoso, organizador do maior esquema de desvio de recursos públicos da história da humanidade, quando da morte da sua esposa. Pior, o Planalto decretou três dias de luto oficial. E os 140 mortos no Espírito Santo? Não merecem nenhuma consideração? Por quê?
    Somos governados por uma elite perversa e hipócrita. Interesse público? Nenhum. Brasília, na sua eterna indiferença com os destinos do Brasil, a cada dia dá mostras de que a República que nasceu da Constituição de 1988 já deu o que tinha de dar — e deu pouco, para o povo, entenda-se.

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    1. O que chama a atenção é a crença dos donos do poder de que os brasileiros vão assistir passivamente ao velho jogo do é dando que se recebe. Como se a luta vitoriosa pelo impeachment tivesse esgotado a capacidade de mobilização. Ledo engano. No final de 2015, poucos imaginavam que, seis meses depois, Dilma Rousseff estaria fora da Presidência da República. E isto só ocorreu pela pressão popular.

      Para o bloco do poder, o impeachment encerrou a crise política. Errado. O impeachment somente destampou a panela de pressão. A crise vai se agravar após as revelações das delações da Odebrecht. E mais ainda pela resistência organizada na Praça dos Três Poderes contra a Lava-Jato.

      Não vai causar admiração quando as ruas retomarem o protagonismo que tiveram tão recentemente. Há um sentimento de que Brasília está de tal forma carcomida pela corrupção, que só é possível esperar algum novo golpe contra os interesses populares. Neste clima dificilmente serão aprovadas as reformas. E, se forem, deverão ter um alto custo político.

      A questão central é que a velha ordem quer se manter a todo custo no poder. E tem milhares de apoiadores — sócios menores e maiores — que vivem à sombra do saque do Estado. Usam, paradoxalmente, do estado democrático de direito para se defender. Ou seja, a lei, ao invés de proteger o Estado e a cidadania, acabou se transformando em instrumento que garante e protege os corruptos.

      O risco de a crise política se transformar em crise social é grande. As finanças estaduais estão exauridas. Os serviços públicos estão sucateados. O desemprego é alto. E a falta de rápida e severa punição dos crimes de corrupção acaba desmoralizando as instituições e estimulando o desprezo pela democracia.

      No horizonte, nada indica que a elite política tenha consciência da real situação do país. A crise não frequenta os salões de Brasília. Lá a vida continua bela — como sempre. É necessário desatar o nó górdio. Mais uma vez, este será o papel das ruas. O simples protesto individual é inócuo. Foi uma grande vitória derrotar o projeto criminoso de poder. Mas é ainda insuficiente. As forças de conservação são poderosas. Espertamente — e não é a primeira vez ao longo da nossa história — pegaram carona na indignação popular para se manter no novo bloco de poder. E são elas os principais obstáculos para a plenitude republicana.

      Hoje, a grande tarefa é derrotar politicamente a Praça dos Três Poderes. O Brasil é melhor do que o Palácio do Planalto, o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal. E esta tarefa é da sociedade civil. Não será fácil. Mas é indispensável.
      Marco Antonio Villa é historiador
      http://oglobo.globo.com/opiniao/voltar-as-ruas-20920515

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  2. Cuidado, MBL e VPR! Olhem o Barroso aí! Quer trepar no caminhão!

    Eis que este espantoso ministro do Supremo agora diz quer mudar as regras do foro especial de maneira cartorial, sem o Congresso!

    Por Reinaldo Azevedo

    O MBL e o Vem Pra Rua precisam tomar um cuidado lascado!

    Ou terão de dividir o caminhão de som com Roberto Barroso, o mais esquerdista dos ministros do Supremo. Por que isso? Um dos Itens da pauta que junta os dois movimentos é o “fim do foro privilegiado”. Já disse que sou contra. Ao menos dito assim. Reduzir suas possibilidades e circunstâncias, ok. Extinguir? Não! Ou um dos 1.600 juízes federais do Brasil poderia mandar prender um ministro quando lhe desse na telha. E, antes que se fale em como é a coisa nos EUA, convém confrontar as diferenças de estrutura e instâncias entre a Justiça de lá e a de cá.

    Barroso, leio agora sem espanto — porque espero dele coisas sempre inusitadas, a maioria agredindo os parâmetros legais —, houve por bem rever, no ambiente do próprio Supremo, de forma cartorial, o “Foro Especial por Prerrogativa de Função”. Sim, é isso mesmo. Aquilo que é matéria constitucional, que só pode ser alterado por emenda, sofreria, vejam que coisa, drásticas alterações por vontade dos membros do Supremo.

    Barroso é aquele senhor que atropelou o Código Penal e a Constituição e legalizou o aborto até o terceiro mês de gestação. Também é aquele que tornou sem efeito a eleição legítima de uma comissão na Câmara (a do impeachment). Não se pode dizer que os parlamentares e o Congresso estejam entre os seus prediletos.

    E como se faria esse exotismo? Transcrevo trecho de reportagem da Folha:

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    1. Para Barroso, os demais ministros devem se manifestar sobre a possibilidade de restringir o foro a casos relacionados a acusações por crimes cometidos durante e em razão do exercício do cargo. “Se o fato imputado, por exemplo, foi praticado anteriormente à investidura no mandato de parlamentar federal, não se justificaria a atribuição de competência ao STF”, diz trecho do despacho assinado por Barroso. Diante deste cenário, inquéritos e ações penais abertas em primeira instância não seriam remetidos ao Supremo quando o personagem for eleito para o Congresso ou virar ministro, ao contrário do que ocorre hoje.

      Que fique claro: eu nem estou entrando no mérito da coisa. Pode até ser que eu concorde. O que é espantoso é que o ministro decida legislar sobre matéria constitucional.

      Atenção! Há o risco de ser este texto a única crítica que ele irá receber. No mais, apostem!, virão aplausos. Afinal, o Congresso está mesmo abaixo do cocô do cavalo do bandido; considera-se que foro especial por prerrogativa de função se confunde com impunidade.

      Oportunismo
      O oportunismo do doutor é fabuloso. Ele percebeu que a tese tem certo apelo de rua, certo? Mais: sabe que, se o Supremo der curso a essa farsa — e não é impossível —, pode acabar por tirar o foro de Moreira Franco e de qualquer outro ministro eventualmente investigado pela Lava Jato.

      Ele aproveitou o julgamento de uma ação qualquer para meter lá o contrabando. A estrovenga seguiu para Cármen Lúcia, que vai decidir quando leva a questão a plenário.

      Barroso sabe que está lidando com matéria constitucional, cuja alteração requer uma emenda, com duas votações na Câmara e duas no Senado, precisando de 60% dos votos de deputados e senadores? Ora, é claro que ele sabe! Segundo ele, o Supremo faria uma “interpretação restritiva do sentido e alcance” do foro.

      Bem, se é possível nesse caso, por que não em todos os outros que são constitucionalmente regulados?

      Trata-se de um rematado absurdo, mas o PAMPI (Partido do Ministério Público e da Imprensa) vai adorar.

      Curiosidade
      O que farão MBL e VPR? Dirão: “Ah, somos contra o foro especial, gostamos disso! Barroso é bem-vindo”. Ou optarão por outro caminho: “Nós, liberais, somos contra mudanças da lei pela via cartorial e temos uma certa herança que vem de Montesquieu”.
      Vamos ver.
      Reinaldo Azevedo, VEJA, 16-2-2017

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  3. Ora, ora os Brasileiros vão para as ruas de novo ?
    Muito bem , concordo plenamente que todos tem que dar apoio à operação Lava Jato para que o fenômeno Silvio Berlusconi não se reproduza aqui pois tem tudo para. Aliás, eu ainda não sei se o Brasil é a filial da Itália ou o contrário. Temos tudo a ver, máfias de todo tipo, políticos tanto quanto, língua latina, família Da Silva com passaportes italianos, asilados com status políticos, mas condenados por assassinato como Cesare Battisti por exemplo, etc etc.
    A única coisa que o povo não percebe é que o mal do país está no seu sistema de governo.
    Num país como o Brasil, entregar o comando a uma pessoa é de uma temeridade infinita, vide os dois últimos exemplos passados.
    O povo tem que ir para a rua para exigir um plebiscito de mudança de sistema e o que vai funcionar é o parlamentarista , pois retira o poder do presidente, dilui os poderes e em caso de substituir o executivo ( Primeiro Ministro ) uma caneta é o suficiente sem os traumas dos impeachments passados.
    Vamos chegar a 2018 e o ladrão mor já está em plena campanha com um percentual alto. Isso existe ? Só na cabeça de um povo aparvalhado como o nosso que gosta de sofrer e paga para sofrer. Lamento escrever isto mas não é possível que um povo não saque que está sendo espoliado Há 125 anos de presidencialismo e não reaja a isso, não exija mudanças, continuando numa passividade de dar inveja.
    José Manuel

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