sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Braço de Ferro

Manuel Villaverde Cabral
Apesar do patrioteirismo demagógico dos improvisados defensores da TAP, a opinião pública está literalmente farta da prepotência de alegados grevistas que apenas defendem os seus privilégios.

A memória é curta mas creio que nenhum governo teve uma vida tão árdua como o actual. Tem mantido um braço de ferro constante não só com a oposição mas, sobretudo, com as corporações profissionais entrincheiradas nos seus privilégios estatistas desde o 25 de Abril e, muitas vezes, já antes. Acrescem a isso as arbitrariedades permanentes de um Tribunal Constitucional que usurpou poderes sem os quais nenhum governo terá a possibilidade de reduzir o despesismo público acumulado ao longo de décadas nem de cumprir os termos do memorando assinado há mais de três anos e meio com os credores. Imagine-se que o Tribunal Constitucional tinha tido o mesmo comportamento quando o governo do país – sempre com o PS – teve de gerir duas bancarrotas financeiras que chegaram a levar a inflação a 30%!  

É um milagre que o governo tenha durado até hoje, sobretudo tratando-se de uma coligação cuja instabilidade tem sido permanente, mesmo depois do lamentável episódio da «irrevogável» demissão do ano passado. Com efeito, Paulo Portas nunca cessou, ao longo destes três anos e meio, de piscar um olho populista, seja aos grupos sociais que supostamente apoiam o CDS, como os reformados, seja à própria oposição, dando mais de uma vez a impressão de estar pronto a aliar-se com o PS, já que a comunicação social decidiu de antemão que o PSD perderia a maioria quando houvesse eleições…

É certo que a oposição e as corporações não agradecem ao governo as múltiplas cedências que este tem sido obrigado a fazer para não desagradar aos partidos e às corporações que beneficiam, em turnos alternados, com o anquilosamento de uma sociedade e de uma economia insustentáveis a longo-prazo. Sair do «euro», como é tentação dos soberanismos de direita e de esquerda, não resolveria nada; apenas faria recuar Portugal décadas.

Todavia, se a oposição e as corporações não agradecem as cedências voluntárias e involuntárias do governo, não é por não beneficiarem com elas. Claro que beneficiam. Inversamente, o único trunfo político que o primeiro-ministro e o seu núcleo resistente podem reivindicar é esse mínimo de coerência que têm demonstrado e que lhes permitiu aguentar o país até aqui. Quando António Costa tomou o poder no PS, o braço de ferro do governo com os seus adversários ficou ao rubro. Redobrou a gritaria contra toda e qualquer medida governamental, mesmo que figure no memorando assinado por Sócrates em pessoa, e a expectativa eleitoral desencoraja à primeira vista quaisquer novas medidas de fundo.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Papa Francisco, Obama, Cuba e a Grande Pátria Latino-Americana

Fratres in Unum.com 
Será que alguém ainda não percebeu para onde caminha este pontificado?
Depois de se referir à “Grande Pátria latino-americana”, no dia da Virgem de Guadalupe, aderindo ao vocabulário dos “iniciados” do Foro de São Paulo, o Papa Bergoglio favorece, mais uma vez, um dos maiores inimigos da Igreja, o comunismo.

Ontem, Obama anunciou a retomada das relações diplomáticas dos Estados Unidos com Cuba, atribuindo os méritos da empreitada ao Papa Francisco, que se “compraz grandemente” pelo sucesso de sua intermediação. Também o mandatário norte-americano se referiu en passant à tal Grande Pátria, declarando em rede de televisão e em espanhol: “Somos todos americanos”.


O alinhamento ideológico é flagrante em Obama que, enquanto pôde, e a exemplo de seus autoritários pares latino-americanos, buscou achincalhar o legislativo — só não foi além, eliminando de vez o embargo, porque isso extrapola as suas atribuições e esbarra em um congresso republicano nada subserviente.

Pois bem, agora que Cuba entrevê o financiamento do comunismo com dólares americanos, Dilma pôde agradecer ao Papa e comemorar a “vitória de Fidel e do povo cubano”.

Tem-se a impressão de ver o retorno do Pontífice enquanto autoridade moral mundial de outrora, intermediador neutro de conflitos aos quais acorriam países em litígio. Contudo, em vez de isenção, neste caso há o vício ideológico. Dilma, Kirchner, Maduro, irmãos Castro, toda a esquerda exulta. Reconhecem a manobra de Obama e Francisco — os laicistas falam, piedosos que são, de milagre em vida!

Época em que o PL 4434/08 era uma lava incandescente

Almir Papalardo
O Projeto de Lei nº 4434/08 outrora um vulcão em erupção, que visava recuperar as perdas dos aposentados do RGPS que ganhavam mais de UM salário mínimo, já não fervilha mais, apagou-se, tornou-se uma lava enfraquecida, quase sem vida, não correndo mais ladeira abaixo para favorecer o desesperado segurado da Previdência. O projeto foi criado pelo senador Paim, visando recuperar as perdas dos aposentados, que a cada ano, vê humilhado e constrangido sua aposentadoria desaparecer como num passe de mágica.

O projeto passou pelo Senado Federal, aprovado com unanimidade. Encaminhado para a Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania da Câmara dos Deputados, também foi aprovado, criando nos aposentados e nos justiceiros e sensatos, a ilusão que a Câmara não demoraria muito para fazer justiça completa aos aposentados, atingidos por tamanha lambança, que tirava cruelmente os direitos adquiridos dos honestos trabalhadores, agora inativos.

Com o intuito apenas de relembrar, transcrevo abaixo um artigo feito em 2009, onde com agradecimento demonstro a alegria de todo aposentado pela expectativa de ter finalmente suas perdas restituídas. Grande ilusão. Não contávamos com a deslealdade destes dois governos petistas, que mantêm o referido projeto trancafiado a sete chaves nas gavetas da Câmara. Terão de prestar contas ao Pai Supremo na hora do "juízo final".
Almir Papalardo, 18-12-2014

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Data
Despacho
06/10/2009
DECISÃO DO PRESIDENTE: Considerando o esgotamento do prazo adicional de 10 (dez) sessões concedido por esta Presidência para que a Comissão de Finanças e Tributação apreciasse o Projeto de Lei n. 4.434, de 2008, nos termos do despacho aposto ao Requerimento n. 5.357, de 2009. DETERMINO, ex vi do § 6º do art. 52 do RICD, o envio do Projeto de Lei n. 4.434, de 2008, pendente de parecer, à próxima Comissão, no caso à Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania, em conformidade com o despacho inicial aposto à proposição. Em razão desta decisão, o Projeto de Lei n. 4.434, de 2008, fica sujeito à apreciação do Plenário. Publique-se.
DCD de 07/10/09 PÁG 55453 COL 01


PROJETO DE LEI 4434/2008 – RECUPERAÇÃO DAS PERDAS

Quero em nome de oito milhões e trezentos mil aposentados agradecer penhoradamente aos nobres deputados, Membros da Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania, da Câmara dos Deputados, por terem aprovado o PL 4434/08 – Restituição de Perdas.

Sabem que importância tem o acordo entre Obama e os Irmãos Castro? Nenhuma!

Reinaldo Azevedo
Cuba é um fetiche. Datado, sim, mas ainda um fetiche. Para esquerdistas e direitistas. Que importância efetiva tem no mundo? Nenhuma! De que forma pode interferir nos destinos do Planeta ou que peso político tem no Caribe ou na América Latina? Inferior a zero. Do país, restou a memória de uma revolução que seduziu esperançosos e incautos e que terminou numa ditadura feroz, ainda capaz de arreganhar os dentes ao menos aos nativos.

A chamada Crise dos Mísseis, em 1962, reforçou o simbolismo. Kruschev, o líder soviético, mandou instalar mísseis nucleares em Cuba, em suposta resposta à decisão americana de instalar esse armamento na Turquia, na Itália e na Grã-Bretanha. Teve de sair com o rabo entre as pernas. O presidente Kennedy endureceu o jogo, e o mundo chegou bem perto de uma guerra nuclear. O líder soviético acabou retirando toda aquela estrovenga na ilha.

Se querem mais informações a respeito, assistam ao magnífico documentário “Sob a Névoa da Guerra: Onze Lições da Vida de Robert S. McNamara”, de Errol Morris, lançado em dezembro de 2003. McNamara foi o secretário de defesa dos EUA entre 1961 e 1968 e conta detalhes impressionantes daquela crise. Adiante.

Depois de uma troca de prisioneiros, o presidente Barack Obama decidiu normalizar, no limite do possível, as relações com a Cuba dos irmãos Castro. Haverá troca de embaixadores, as restrições para o envio de dinheiro à ilha diminuirão, poderá haver cooperação tecnológica etc. Ainda não é o fim do embargo, o que só pode ser decidido pelo Congresso dos EUA. Atenção: a divisão, nesse caso, não se dá entre democratas e republicanos. Nos dois partidos, há ferozes críticos dessa aproximação.

Dificilmente o embargo chegará ao fim enquanto Cuba não permitir eleições livres e enquanto o país funcionar em regime de partido único. O embargo, como já deixei claro aqui em outro texto, nada tem a ver com a penúria em que vivem os cubanos, mas fornece munição ideológica a Fidel e Raúl Castro. Se caísse amanhã, o país seguiria sendo uma fazendola de ditadores jecas.

"Variguinho não teve futuro!"

"Variguinho não teve futuro. Eu ainda luto pelo meu. Paguem o que é meu!". Rio de Janeiro, 18 de dezembro, foto: Sidnei Oliveira




Relacionados:
Feliz Natal e Próspero Ano Novo (?)… ao Cão que Fuma... e aos velhinhos e velhinhasdo Aerus...

Macroscópio – Fez-se História nas relações EUA-Cuba. Mas falta muito mais História por fazer

Cartoon publicado no El Mundo

José Manuel Fernandes
As comunicações de ontem, em simultâneo, de Barack Obama e Raul Castro, marcaram o início de uma nova fase nas relações entre Cuba e os Estados Unidos. Realizou-se uma troca de prisioneiros, vão trocar-se embaixadores e relançar-se-á a discussão sobre o levantamento do embargo. Para além dos importantes detalhes sobre a forma como foi negociado o acordo – e o papel desempenhado pelo Vaticano e pelo Papa Francisco – importa agora perceber todo o impacto de um gesto que já foi designado como histórico.

Mas começemos por entender melhor o que foi realmente acordado. Para isso socorro-me da ajuda do espanhol ABC que, em “Claves para entender el embargo de EE.UU. a Cuba y la nueva etapa abierta”, nos apresenta de forma sintética e precisa os vários pontos do acordo. De facto, para além dos temas mais políticos, o acordo já vai ter importantes impactos económicos. Por exemplo:

En lo que a las relaciones económicas se refiere habrá múltiples cambios. Para empezar, se podrá mandar más dinero a Cuba: el límite pasará de 500 dólares a 2.000 dólares por trimestre. El envío de dinero desde EE.UU. para proyectos humanitarios (remesas de donativos) o para respaldar el desarrollo de empresas privadas en Cuba ya no requerirán una licencia específica. Además, las instituciones norteamericanas podrán abrir cuentas en instituciones financieras cubanas con el objetivo de facilitar el procesamiento de transacciones autorizadas.

O Wall Street Journal também fez a sua síntese, mais focada no que afecta directamente os cidadãos americanos – “Cigars, Rum and Credit Cards: What Is in U.S.-Cuba Agreement?” – mas, ao mesmo tempo, acrescentou uma síntese muito breve e cortante sobre a economia cubana: “5 Things to Know About Cuba”. Aí ficamos a saber, por exemplo, que em Cuba quase ainda não há telemóveis:

Amid years of poverty, Havana knows that its policy strategy has failed but it fears losing its grip. “The government continues to balance the need for loosening its social economic system against a desire for firm political control,” the CIA says. In 2011, the government approved an economic overhaul and has slowly rolled out policies such as allowing the population to buy cell phones, private real estate ownership and limited retail services.

Hoje, quinta-feira, no Rio de Janeiro

Duas fotos, de Rudy Trindade, fotógrafo profissional freelancer, que prestigiou a nossa manifestação de hoje.



 Mais fotos no perfil do Movimento ACORDO JÁ!, no Facebook.

Gosto do Natal

Da véspera, do dia, do antes e do depois. Mais do antes do que do depois.
Gosto do mês de dezembro. Porque tem Natal.

Gosto dos postais e imagens mostrando presépios, casinhas escondidas pela neve, pinheiros, árvores de Natal, papais Noel, pais Natal…



Gosto de ver as ruas decoradas e engalanadas. Uma pena que algumas vilas e cidades, sob o argumento faccioso de ‘economia’, não brindem seus munícipes com esse desvelo. Preferem distribuir dinheiro a fundações, coletivos de vanguarda e outras iniciativas pantagruélicas, às quais a população, de fato, não assiste. E se assiste, detesta. Mas prossigamos.

Gosto do Natal. Gosto de ver as lojas, as janelas dos apartamentos, as fachadas das casas, quintais… enfeitadas.


Gosto de entrar nas lojas e ouvir música natalina. Mas não sempre a mesma, como a “Então é Natal”, da Simone, lá nas Lojas Americanas.
Falando em loja, nunca mais me saíu da memória a “Ramblin’ Rose”, de Nat King Cole, que ouvi numa loja de departamentos em Chicago, num mês de dezembro de um ano esquecido.


Gosto dos climas, tanto o atmosférico como o emocional, deste mês de dezembro.

Bolsonaro: "Jamais pedirei desculpas"

A Varig, a Petrobras e o bug do milênio


José Manuel
Sobre a Varig, pouco se sabe, e não tenho ilusões de que algum dia  o chorume venha à tona, pois o fizeram muito bem feito, muitos ficaram ricos, com o ‘toma lá dá cá’ das concessões de slots, linhas, malha internacional, o retalho a varejo de uma grande empresa e outros ativos suadamente trabalhados por seus funcionários ao longo de oitenta anos. 

Mas a Varig não era uma estatal, apesar de que muitos idiotas de carteirinha a consideravam, tal o desconhecimento que tinham e têm de um setor complexo como o aéreo. E por não ser uma estatal, portanto, não pertencente ao povo, a sociedade não se deu conta que um crime estava sendo perpetrado.

A Petrobras sim, sempre souberam, e agora mais ainda com o que foi feito dela, pois os intestinos podres da empresa estão sendo expostos, por homens que o Brasil terá um dia que agradecer e render homenagens.

Mas não é bem para explicar um e outro crime, que estamos aqui e agora, pois pelo menos o suficiente, o trivial, a fraca imprensa capitaneada por um ou dois expoentes, está se incumbindo de o fazer.

No dia 3 de dezembro, em plena discussão no Congresso Nacional sobre o PL-31, para sabermos se  ratificavam ou não vidas humanas, um deputado pegou o microfone e disse em alto e bom som que a Varig era a Petrobras do ar.

Isso está gravado e foi dito dentro de um Congresso, portanto, a força dessas palavras ditas com emoção é o que norteará a nossa leitura.

Exploring Ripple Effects of the U.S.-Cuba Thaw

The United States and Cuba Begin Restoring Relations

The United States and Cuba on Dec. 17 took their most assertive step in several decades toward normalizing relations. The most important announcements concerned the resumption of high-level political discussions focused on renewing formal diplomatic ties between the countries, which have been nonexistent since 1961. Cuban and U.S. officials will hold high-level meetings in the coming months, and the two countries will work toward establishing embassies in Havana and Washington. The United States will also immediately relax some sanctions on trade and travel to Cuba. President Barack Obama announced that the United States would loosen certain restrictions on financial transactions with Cuba, remove some restrictions on U.S. citizens traveling to Cuba, and authorize the export of certain goods to the Cuban private sector. The U.S. State Department will also review Cuba's designation as a state sponsor of terrorism. Obama has the legal authority to immediately implement the measures he announced, but he left the issue of formally lifting the trade embargo up to Congress. Together, the announcements signaled a gradual process of reopening Cuba to the United States.

Havana has much to gain from starting such a process, especially at a time when its regional partner, Venezuela, faces severe instability. Cuba fears that a declining Venezuelan economy will limit one of the island nation's sources of financing and low-cost petroleum shipments while it is attempting to transition toward a new leadership and economic model.

However, a formal end to the embargo is a long way off. The United States' Cuban Liberty and Democratic Solidarity Act of 1996 requires visible progress toward Cuban concessions such as liberalizing political activity, holding free elections and dissolving state security bodies. Nonetheless, the measures announced by Obama will allow the administration to deepen ties with Havana before it approaches Congress to request the lifting of sanctions. Talks between U.S. and Cuban officials will continue into the next year, with the April summit of the Organization of American States serving as the largest public forum at which the two sides can meet. Given Cuban President Raul Castro's advanced age, it is likely the talks will discuss an eventual political transition in the country.

Maria Luís Albuquerque: contem com ela

Rui Ramos
As velhas lideranças falharam e perderam alguns dos meios com que controlavam o país. Há lugar para novos protagonistas. E esta semana, Maria Luís Albuquerque deixou o aviso: pode não se ir embora.


A entrevista de Maria Luís Albuquerque a Maria João Avillez e David Dinis, aqui no Observador, deve ter tirado uns minutos de tranquilidade a muito oligarca, e justifica alguma reflexão.

A bancarrota de 2011, evitada in extremis pelo pedido de ajuda internacional, quase desmanchou o regime: demonstrou a incompetência da classe dirigente, e desfez as expectativas dos cidadãos. A oligarquia, porém, não desesperou.

Primeiro, acreditou que o problema português era suficientemente insolúvel e comum a outros países europeus (como a França e a Itália), para não ser um problema: a UE acabaria por ter de usar os seus recursos para restabelecer um simulacro dos bons velhos tempos. Daí a alegria com que os nossos oligarcas proclamam que a dívida não é sustentável. É o optimismo do quanto pior, melhor.

Segundo, esperou encontrar bodes expiatórios para a austeridade. O papel foi distribuído, naturalmente, aos actuais governantes: eram “neo-liberais”, que por simples capricho de sadismo ideológico teriam forçado o país a uma tortura orçamental desnecessária. Um dia, os “verdadeiros” socialistas, os “verdadeiros” sociais-democratas e os “verdadeiros” democrata-cristãos desceriam dos céus televisivos para, muito unidos, expulsarem os intrusos. Não estava previsto que estes resistissem. Até por muitos deles não serem “políticos”, talvez lhes bastasse terem acrescentado ao currículo uma experiência governamental, para saírem de cena em sossego, levando consigo toda a culpa.

Ora, a entrevista de Maria Luís criou dúvidas a este respeito. Em primeiro lugar, lembrou que o contexto nunca será propício a restaurações do antigamente. Só porque o problema é muito grande não quer dizer que não haja um problema: a UE não tem recursos para poupar todos os países ao ajustamento durante todo o tempo, como descobriram a França e a Itália. O poder político não chega para mudar o mundo.

Mas Maria Luís criou outra perspectiva ainda mais inquietante para os putativos restauradores: é que pode não se ir embora. Ela formulou a hipótese em relação a Passos Coelho (“seria um excelente líder da oposição”), mas deve-se entender sobretudo em relação a ela própria. Até porque “gosta de política”, como esclareceu, tem uma atitude distintiva, como provou (por exemplo, não vê drama nenhum em estar à direita), e é relativamente jovem, como fez questão de lembrar (“sou muito nova para escrever memórias”). Subitamente, a ministra das Finanças obrigou-nos a aceitar que esta governação pode não se reduzir a uma mera improvisação para executar o memorando, como por vezes pareceu.

Elogio da filosofia política

Paulo Tunhas 
A grande filosofia política protege-nos da facilidade das indignações políticas e do seu guarda-roupa retórico. E impede-nos de levarmos a sério a quase todos os discursos políticos do dia a dia.

Face aos grandes filósofos, a questão não é nunca a de se ser “por” ou “contra”. Porque as questões que eles põem se situam num plano mais profundo do que aquele em que as vulgares discordâncias se colocam. Não porque as filosofias se situem numa esfera separada e imune à realididade, mas exactamente porque iluminam essa realidade de um modo sempre novo. Não paramos nunca de descobrir, por exemplo, Platão e Aristóteles, e não apenas no que tem a ver com a articulação interna do seu pensamento (uma ocupação que, somando tudo, fica para os profissionais da coisa), mas também, e até principalmente, por causa da incidência do seu pensamento no que respeita às nossas ocupações quotidianas. Não se pode, sem puerilidade, ser “por” ou “contra” os grandes filósofos porque o que eles dizem tem, directa ou indirectamente, relação com a vida do nosso dia a dia sob o modo de interrogações que são mesmo perenes.

Esta introdução um bocadinho esotérica tem a ver com o objecto deste artigo, um breve olhar sobre os dois últimos livros de Diogo Pires Aurélio, Maquiavel & Herdeiros, de 2012, e O mais natural dos regimes. Espinosa e a democracia, de 2014 (ambos publicados pela Temas e Debates / Círculo dos Leitores). São dois livros que resultam de décadas de reflexão sobre a filosofia política, em especial sobre a filosofia política dos grandes autores do século XVII, como Hobbes e Espinosa, e, antes deles, sobre a obra inaugural de Maquiavel. Essa longa convivência com os autores e os seus problemas permite a Diogo Pires Aurélio (que traduziu Maquiavel e Espinosa) escrever de um modo que é infelizmente raro: cumprindo as normas da Academia e, simultaneamente, tocando aqueles que procuram formar uma opinião educada sobre a coisa política. A erudição que acompanha o pensamento não comete nunca a má-educação de saltar para a boca de cena.

E é verdade que, lendo-o, aquela incidência do pensamento filosófico sobre a vida quotidiana salta à vista. O papel da contingência, da incerteza e do risco na vida política segundo Maquiavel é revelado de uma forma que ilumina o que se vê no dia a dia, auxiliando-nos numa visão ao mesmo tempo mais distinta, mais nítida, e mais distante, menos asfixiada, da realidade. A discussão dos mecanismos através dos quais a soberania é concebida em Hobbes em estreita relação com a ideia de representação diz-nos muito sobre o modo mais geral como o Estado contemporâneo pode, e deve ainda, ser pensado. E a complexidade da reflexão de Espinosa sobre a democracia permite fazer sentido daquilo que, reivindicando-se dela, simultaneamente a estrutura e a ameaça.

Ataque no Paquistão: Professores foram queimados vivos

Miguel Santos
O ataque terrorista a uma escola militar em Peshawar, no Paquistão, vitimou 148 pessoas, entre as quais mais de 130 alunos. Pelo menos três professores foram regados com gasolina e queimados vivos.

Destroços da escola militar em Peshawar, no Paquistão, depois do ataque talibã que vitimou 148 pessoas. Foto: AFP/Getty Images


Os detalhes do ataque talibã a uma escola militar em Peshawar, no Paquistão começam agora a ser conhecidos. Os relatos das crianças feridas no ataque dão conta da violência dos terroristas: além de terem disparado contra centenas de alunos, pelo menos três professores foram regados com gasolina e queimados vivos, informa o The Telegraph. A diretora da escola, Tahira Qazi, foi assassinada com uma granada.

Wasif Ali, um aluno da sexta classe, internado no Lady Reading Hospital, com ferimentos no abdómen e na cabeça, conta ao mesmo jornal como Tahira Qazi, os tentou proteger: “A nossa diretora mostrou extrema bravura. Não teve medo nem quando os terroristas estavam a disparar”. Quando se apercebeu do ataque, Qazi percorreu os corredores da escola militar, gritando para os alunos se trancarem nas salas de aulas. Cercada pelos atacantes, procurou refúgio na casa de banho e nesse momento foi ferida fatalmente, ao ser atingida por uma granada lançada pelos terroristas através de uma conduta de ar.

O número de vítimas do massacre poderia ter atingido proporções ainda maiores não fosse a coragem da professora de 24 anos Afsha Ahmed, segundo relatou Irfan Ullah, um aluno de 15 anos, aos jornais locais. “Ahmed foi tão corajosa. As suas últimas palavras para os terroristas foram: ‘Vocês têm de me matar primeiro. Eu não vou ver os corpos dos meus alunos prostrados à minha frente’. [Depois disto] ela estava em chamas. Mesmo enquanto estava a ser queimada viva, ela gritou-nos para que fugíssemos e procurássemos refúgio”.

A aflição

Nelson Teixeira
A aflição é o resultado de angústias carregadas no coração que se alojam e tomam conta dos sentimentos e pensamentos bloqueando a nossa capacidade de seguir adiante. Sofremos por antecipação muitas vezes e quando algo realmente nos acontece ficamos parados como que a congelar, porque angustiados demais somos incapazes de discernir o que realmente vale apena.

Sofrer por antecipação é tempo e energia perdida, quantas vezes temos uma preocupação que nos atormenta e quando realmente chega o momento de solucionar vemos que o sofrimento e a aflição foram em vão.

Pois bem, vários exemplos em nossa vida nos levam a crer que sofrer por algo que não aconteceu ou julgar que vai nos acontecer não nos leva a nada. Equilíbrio dos sentimentos não é tarefa fácil, mas é objetivo de todos nós, porque aflitos não conseguiremos resolver nada em nossa vida.

Portanto, quando nos sentirmos angustiados e aflitos por algo, elevemos o nosso pensamento ao Alto façamos uma prece para acalmar nosso coração, que desta forma vamos gradativamente serenando nossos sentimentos e dispersando nossas aflições.

Lembremos que nada acontece ao acaso, aflitos ou não o que tivermos que passar ninguém vai passar por nós, então façamos a escolha pela serenidade e a confiança que a angustia não fará parte da nossa vida. 
Título e Texto: Nelson Teixeira, Gotas de Paz, 18-12-2014

O dia da esbórnia

José Manuel

Hoje (ontem), 17-12-2014, com pompa e circunstância criei o dia da esbórnia.
Na pequena empresa onde trabalho, estamos sem internet e sem telefone, já há três dias.

O atendente robotizado da Oi, a nossa operadora, diz que se chama Eduardo e me diz incessantemente a mesma coisa, como se eu fosse um idiota, a cada telefonema que faço para tentar saber humildemente quando é que vamos voltar a ficar conectados com o mundo.

Por causa disso e, como o nosso sistema é informatizado, não podemos vender utilizando as máquinas de cartões, o sistema em rede não funciona adequadamente por força da perda da internet, e os fregueses simplesmente sumiram a oito dias do Natal.

Dizem que grande parte foi vista em Miami gastando os últimos dólares baratos da temporada.

Nesse meio tempo de um marasmo ensandecido resolvi dar uma volta na redondeza e ao passar em uma banca de jornais li sem querer a notícia de que a Câmara autorizou o aumento da Presidente, do seu vice e dos Ministros, para o valor de R$ 30,9 mil.

Então imerso em uma atmosfera lodosa até ao nariz, pelos fatos correntes em que o país se encontra, com o comércio totalmente estagnado às vésperas de uma data consagrada como a melhor das datas, uma empresa de telefonia, que não dá o menor suporte e quer que você se lixe, mais notícia de que vou ter que passar a pagar, muito mais do que eu já pago para o deleite de uma cúpula de governo que está levando o país à ruína, tive uma sacada genial, comprei uma garrafa de champagne, e anunciei aos possíveis clientes que o dia da esbórnia estava inaugurado e que cada um teria direito a uma taça e respectiva comemoração.

O escrito acima não é ficção, nem tampouco sarcasmo exarcebado, barato.

É a pura realidade de um cidadão, cujo cotidiano é viver dentro de um ringue lutando contra as sandices de um governo perdido numa tempestade, e o provável enfrentamento judicial contra uma prestadora de serviços, pelo prejuízo conferido à empresa.

Exige-se um mínimo de sentido de Estado

Vasco Lobo Xavier
A questão não se resume apenas à opção da privatização ou não da TAP nem a discussões sobre as letrinhas miudinhas do memorando ou interpretações que elas possibilitem. O problema é saber se se permite que sindicatos possam manietar o Estado e chantageá-lo ao ponto de se privar o sistema democrático e constitucional de tomar as suas opções. É só isto.

Não interessam as opiniões de irresponsáveis como Mário Soares, Louçã, o Bloco ou os Comunistas, a quem agora se aliam pessoas como Ferreira Leite, Bagão Felix e por aí fora, para quem quanto pior melhor, e para quem a política da terra queimada e posteriormente salgada por cautela é o melhor caminho: isso é para os doidos e eu de doidos não percebo nada. Já não é que se lixem as eleições, é que se lixem as famílias portuguesas, e é isso que essa gente quer.

Também não interessa discutir essa coisa da “qualidade do serviço público”, com que os mesmos enchem a boca quando falam dos transportes públicos, da Carris, da CP, da TAP, dos mais variados serviços públicos, do ensino público e até da RTP e da PT e do diabo que os carregue e que nos sobrecarregam de impostos, qualidade de serviço esse que ninguém vê nem sente e só se ouve falar quando querem justificar as constantes greves com que estragam a vida às mais variadas pessoas que querem e precisam de trabalhar ou de ir para as escolas.

A questão é saber: podem os sindicatos da TAP chantagear-nos? Podem manietar-nos? Um país inteiro? E quanto a isto o PS e António Costa deviam ter uma posição séria e frontal, pois mais tarde ou mais cedo terão de confrontar-se com coisa semelhante. Não interessa a privatização, é a greve: estão a favor da greve contra a privatização? Sim ou não? Estão a favor de que o Estado seja manietado desta forma pelos sindicatos da TAP? Sim ou não? Acham bem que os portugueses sejam impedidos de ver os seus na época natalícia? Sim ou não? Acham bem que a economia portuguesa seja devastada desta forma? Sim ou não? E a Madeira, cuja economia depende imenso da TAP e do fim de ano? Que se lixe também? Sim ou não?

O PS e António Costa, se tiverem um mínimo de sentido de Estado, deviam ter respostas claras. Mas não têm respostas, ou não têm sentido de Estado. Temos pena. 
Título e Texto: Vasco Lobo Xavier, Corta-fitas, 18-12-2014

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Obama busca borrón y cuenta nueva con el Castrismo, sin pedir nada a cambio


Gustavo Coronel
Un Obama con el sol de espaldas, fresco de una aplastante derrota electoral, está empeñado en tomar a toda prisa las decisiones trascendentales que no tomó durante sus períodos normales de gobierno. Acaba de pedir que se levante el embargo contra Cuba y ha decidido enviar embajador a la isla y levantarle la calificación a Cuba de estado terrorista, sin que el Congreso pueda decir nada al respecto. Esta decisión de Obama es una bofetada a los Cubanos quienes se oponen en la isla al régimen de los hermanos carniceros y una violación de los principios que animan a la nación estadounidense, cuna de la democracia moderna. Lo lamentable es que parece actuar con fines puramente electoreros, tratando de recapturar el ala extrema de su partido y de irritar a los republicanos. Una muestra de pequeñez. 

Obama wants to make peace with the Castro brothers without extracting any concessions
A President Obama in the last stage of his presidency and fresh from an overwhelming electoral defeat is now taking in a hurry the crucial decisions that he did not take during his normal period of government. He is asking Congress to lift the embargo to Cuba and has decided to send an ambassador to the island and to take Cuba out of the list of terrorist governments without giving Congress a chance to debate these moves. These decisions by Obama are an insult to the Cubans who, in Cuba, oppose the Castro Brothers regime and represent a violation of the principles that are at the roots of U.S. democracy. It is particularly unfortunate that he seems to be using a purely electoral strategy, in an effort to recapture the extreme left wing of the democratic party and to irritate the Republicans. This is a sign of pettiness.  
Título, Imagen y Texto: Gustavo Coronel, Las armas de Coronel, 17-12-2014

[Press-Release] Trabalhadores da Varig ainda esperam Justiça!

Com o mote “Ainda esperam Justiça!”, ex-trabalhadores da Varig, Aposentados e Pensionistas Aerus, Familiares e Amigos estarão amanhã, quinta-feira, 18 de dezembro, no calçadão junto ao Fórum de Justiça, Avenida Presidente Antônio Carlos, Rio de Janeiro, a partir das 11h.

Os ex-trabalhadores, na ativa por ocasião do fechamento da empresa, ainda não receberam os seus direitos trabalhistas.

Os já aposentados, recebem desde abril de 2006, quando o Instituto Aerus foi intervencionado, 8% dos seus benefícios mensais.

Recentemente, em 3 de dezembro, o Congresso Nacional aprovou, unanimemente, o #PLN312014CN:

Projeto de Lei (CN) de Crédito Especial nº 31/2014, pela Presidente da República, que:

"Abre ao Orçamento da Seguridade Social da União, em favor do Ministério da Previdência Social, crédito especial no valor de R$ 248.265.342,00 (duzentos e quarenta e oito milhões, duzentos e sessenta e cinco mil, trezentos e quarenta e dois reais), para o fim (AERUS) que especifica".

O Executivo mandou para o Congresso essa migalha, para atender, parcialmente, uma decisão judicial – contra a qual já prometeu recorrer. Como, aliás, tem sido a prática recorrente do Governo Federal.

Recorde-se a sentença do plenário do Supremo Tribunal Federal exarada em 12 de março de 2014, em concordância com o brilhante relatório da ministra Cármen Lúcia, que condenou a União a indenizar a Varig por congelamento de tarifas. O governo federal ainda não se coçou até o presente momento.

Dois anos antes, no dia 13 de julho de 2012, o Juiz Jamil Rosa de Jesus Oliveira, da 14ª Vara Federal – DF, julgou procedente o pedido de condenação da União a indenizar os participantes e os dependentes titulares dos Planos de Benefícios da VARIG e da TRANSBRASIL, por omissão no poder-dever de fiscalização e proteção dos participantes dos planos de previdência complementar…

É esta sentença à Ação Civil Pública que está na origem da sentença do Desembargador Daniel Paes Ribeiro, do TRF da 1ª Região: 

O desembargador federal Daniel Paes Ribeiro, do TRF da 1ª Região, determinou que a União e o Instituto Aerus de Seguridade Social mantenham os pagamentos de complementação de aposentadorias, pensões e auxílios-doença na exata forma como ocorriam às vésperas da liquidação dos denominados Planos Varig e Transbrasil, a partir de aportes mensais da União ao Aerus, nos valores necessários. A União tem 30 dias para cumprir a decisão, a contar da data da intimação. Em caso de descumprimento, a União estará sujeita ao pagamento de multa diária no valor de R$ 100 mil.

Macroscópio – A terça-feira negra do rublo e de Vladimir Putin

José Manuel Fernandes
Falámos aqui segunda-feira da queda do preço do petróleo e referimos que essa evolução estava a criar grandes dificuldades económicas para alguns dos países que dependem fortemente da produção e exportação de hidrocarbonetos. Passadas apenas algumas horas, a Rússia, um desses países, conhecia a sua “terça-feira negra” com uma queda a pique do rublo apesar dos esforços do seu banco central. Num primeiro balanço feito ainda na terça-feira, notámos aqui no Observador que desde 1998 que o rublo não caía assim. Já hoje desenvolvemos, numa análise mais detalhada, essa ideia de que as dificuldades vividas pelas autoridades de Moscovo lembravam as dificuldades sentidas nesse ano de 1998. Nesse texto recordam-se os contornos dessa crise que marcou o começo do fim da era de Boris Ieltsin, que no ano seguinte, 1999, chamaria precisamente Vladimir Putin para seu primeiro-ministro, abrindo-lhe assim o caminho da Presidência da Rússia, que ocuparia logo em 2000.

Numa outra análise também mais longa, ainda aqui no Observador, destaque para o texto Xeque-mate a Putin?, cujo ponto de partida é o seguinte: “O ano de 2014 começou com o mundo a questionar-se até onde é que Vladimir Putin iria avançar. O mesmo ano termina com todos a questionarem-se até onde a Rússia pode cair.”

João Carlos Barradas, numa análise que publicou hoje no Jornal de Negócios – O rublo de Elvira –, também parte de uma comparação com o que se passou em 1998 para sublinhar as dificuldades que Putin e a governadora do banco central, Elvira Nabiullina, sentem para enfrentarem a derrocada. Porém, como nota, “quando em Moscovo se admite que a saída de capital possa ser equivalente este ano a 6% do PIB a Rússia nada pode esperar de bom.”

Hoje a evolução dos acontecimentos não foi famosa. Apesar de a acção das autoridades ter permitido estancar a queda do rublo, a verdade é que o banco central da Rússia admitiu que a situação era crítica e a desvalorização da moeda está a levar a uma corrida às lojas .

Mas vejamos melhor o que se passou, com a ajuda de algumas análises da imprensa internacional. O El Mundo preparou uma pequena secção de perguntas e respostas, ¿Por qué se hunde el rublo?, mas talvez o texto mais instrutivo e revelador seja um que encontrei no Financial Times, The roots of Russia’s Black Tuesday: the devil in the data. Com a ajuda de cinco gráficos, o FT trata cinco problemas diferentes: 1) The rates rise that did not stop the rout; 2) It’s the oil price, stupid; 3) Trouble ahead for inflation . . .; 4) . . . and for the economy; 5) What next for the central bank? Vale a pena consultar.