quinta-feira, 28 de agosto de 2014

A Petrobras está falida

Fernando Batalha
Quando a situação econômico-financeira de uma empresa deteriora de tal forma como ocorre com a Petrobras, não adianta mais olhar o passado. Como escreveu Roberto Campos em sua magistral obra, LANTERNA DE POPA, a experiência do passado é um farol que ilumina para trás. É preciso encarar a realidade: corrupção. Proteger a Petrobras, nas atuais circunstâncias, não é louvando seu passado, é erradicando o câncer da corrupção que mina os recursos da empresa transferindo-os para os paulos robertos, cerverós, youssef, andré vargas et caterva.  

As duas CPIs instaladas no Congresso Nacional estão sendo manipuladas pelo governo sob o sofisma de que É PRECISO PROTEGER A PETROBRAS (Revista VEJA de 6 de agosto: A GRANDE FARSA). Sim, é preciso protegê-la, mas encobrir os crimes praticados e manter o mesmo esquema de corrupção na empresa agravará ainda mais sua situação patrimonial e financeira, extremamente preocupante, em parte causada por controles internos ineficazes pois inaplicados facilitando a ação dos fraudadores. Que o digam o digno e operante juiz da 1ª Vara Federal de Curitiba, que jurisdiciona o processo de apuração das responsabilidades dos envolvidos nas fraudes praticadas pela administração da Petrobras, como também o TCU e a CGU.    

Qualquer aluno de Ciências Contábeis, cursando as disciplinas AUDITORIA INTERNA E AUDITORIA INDEPENDENTE DE DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS, perceberá o óbvio ululante, não sendo necessário ser sábio para isso. Basta levantar os indicadores e aplicar testes de observância e testes substantivos para que essa evidência salte aos olhos.  


O debate ontem à noite, entre os presidenciáveis, acendeu para mim uma luz que estava apagada no fim do túnel: encerrar-se-á, com a eleição presidencial, o ciclo maligno do PT, seja eleito Aécio, Marina ou, até mesmo, embora com menor chance, qualquer dos demais candidatos, pois Dilma é carta fora do baralho da sucessão.  
Título e Texto: Fernando Batalha, 28-08-2014



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quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Polícia fecha depósito onde falsificavam cervejas na zona leste de São Paulo

A polícia chegou ao depósito onde a quadrilha falsificava as cervejas, na zona leste de São Paulo, e apreendeu cerca de 20 mil garrafas. A venda dos produtos rendia cerca de R$ 70 mil por mês.

Avaliação do debate presidencial da Band em 26 de agosto

Luciano Ayan
A primeira coisa que podemos dizer sobre Aécio Neves no debate da Band ontem, 26/08, é que dentre os três principais candidatos, ele foi o vencedor, mas apenas por ligeira margem sobre Marina. A segunda coisa a ser dita é que essa vantagem não significa absolutamente nada. É mais ou menos quando um crítico de cinema disse que o filme Hulk era melhor que Batman, de Tim Burton (não o de Christopher Nolan). No que foi questionado: “Então o filme é bom?”. Resposta: “De jeito algum, eu apenas disse que é melhor do que Batman de Tim Burton. E isso não significa absolutamente nada”.

Verdade seja dita, Aécio Neves foi claro e objetivo em suas respostas, mesmo que eu não concorde com muitas delas, como aquela tal poupança do estudante. Em uma vantagem considerável se comparado aos candidatos do PSDB nas eleições anteriores, ao invés de fugir do legado de FHC, ele abraçou-o, no que fez muito bem. Ele sempre lembrava que sem a estabilidade conquistada naquele governo, não haveria nenhuma chance de Lula dar sequência apenas ao que FHC tinha iniciado. Sentíamos falta deste tipo de discurso na oposição.

Na demonstração de sua superioridade em relação a Dilma, bem que poderia usar a técnica da metralhadora giratória de comparações favoráveis a ele. O site Implicante deu uma dica mostrando como isso poderia ser aproveitado por Aécio. Quem sabe em uma próxima oportunidade.

Em um momento estilo Joe Biden (famoso por destruir oponentes com ótimaas sacadas), Aécio disse que o povo brasileiro tem um sonho: “viver na propaganda do PT”. Também é digna de nota a dura questão lançada em direção à Dilma sobre a Petrobrás, ao final da qual ele ainda questionou se não era momento dela pedir desculpas ao povo brasileiro por ter reduzido a empresa à metade de seu valor de mercado na era pré-sal, transformando-a em um caso de polícia.

Todavia, me decepcionei com sua postura em relação ao Decreto 8243, pois quando Dilma foi questionada sobre isso, era momento de fazê-la ficar sem chão. É muito fácil apresentar este decreto como uma abominação para a democracia e principalmente para o povo brasileiro. Farei um post somente com dicas a respeito especificamente sobre como não apenas Aécio mas qualquer outro candidato pode colocar Dona Dilma na parede em relação a temas como Decreto 8243, censura de mídia, Petrobrás e segurança, dentre outros.

Lembrando...

Incompreensível! O avião do PSB e seus fantasmas ficaram fora do debate. Ou: Aécio foi o melhor; Marina chuta canelas e grita “falta!”

Reinaldo Azevedo
A Rede Bandeirantes realizou ontem o primeiro debate entre os presidenciáveis. Por pouco, os maiores derrotados não são os telespectadores — muitos, creio, acabaram vencidos pelo sono. Três horas é tempo demais. Sei que a obrigação de chamar nanicos para o embate dificulta tudo. Mas que é pedreira, lá isso é. Não é fácil ter de ouvir Luciana Genro, do PSOL, a falar mais besteiras do que Levy Fidelix… O debate teve uma falha coletiva escandalosa, que beneficiou uma das candidatas. Já chego lá.

Debate dos presidenciáveis promovido pela Rede Bandeirantes, em 26/08/2014 - Ivan Pacheco/VEJA.com

Um mínimo de honestidade intelectual, acho eu, obriga o crítico atento a considerar que o desempenho do tucano Aécio Neves, entre os três candidatos que contam, foi muito superior ao das adversárias. Respondeu ao que lhe foi perguntado, fez críticas, alinhavou propostas e aproveitou a oportunidade para anunciar o que já se dava como certo, mas sem chancela até a noite desta terça: se ele for eleito presidente, Armínio Fraga vai conduzir a economia. Antes assim. Quem estava em busca de conteúdo, basta rever o programa, encontrou um candidato do PSDB afiado.

Dilma também procurou responder às perguntas, justiça se lhe faça. O problema é que estava notavelmente atrapalhada, tropeçando na sintaxe e na fluência. Era visível sua tensão. Nessas horas, vimos isso já nos primeiros debates de 2010, suas frases se perdem em anacolutos, o ritmo da fala fica quebrado, e a gente tem dificuldade de acompanhar a linha de raciocínio.

Quem estava em busca de pose pôde se satisfazer com Marina Silva, do PSB, que estava especialmente agressiva, inclusive na aparência. Aquele ser doce e angelical do horário eleitoral, que fala sorrindo, com a vozinha quase sussurrante, beirando o meloso, não foi ao debate. Em seu lugar, compareceu uma senhora de cenho fechado, sobrancelhas arqueadas, óculos de leitura postos no meio do nariz, a olhar por cima, de modo arrogante. Quando lhe dirigiam uma pergunta, seu semblante reagia como se lhe tivessem dirigido uma ofensa. Nos dois últimos blocos, suponho que por sugestão de assessores, tirou os óculos e passou a sorrir. Não tivesse enveredado pela política, não faria feio como atriz.

Se a coisa vira moda é um problema


Paulo Bento com poderes reforçados na seleção. Pronto. Está encontrado o problema de Portugal. A razão pelas más prestações no campeonato do mundo. Falta de poder. Paulo Bento não tinha poder. Problema resolvido. E com o problema resolvido até podíamos aproveitar para lhe renovar o contrato outra vez.
Via Rodrigo Moita de Deus, 31 da Armada, 27-08-2014

Senhor jihadista, posso ter a Grã-Bretanha de volta? Obrigada.

A UE decidiu tolerar o barbarismo e a opressão como sinal de (imagine-se) liberdade. O barbarismo pagou-nos com redobradas atenções.

Maria João Marques
Sou anglófila até à medula. Contado depressa: adoro all things british. O folclore da finest hour, a forma como valorizam a excentricidade, o Yes, Minister e o Fawlty Towers, as livrarias e os autores curiosos que descubro nas livrarias (de fugida, nomeio a Charlotte Mendelson e o autor sino-americano de policiais Qiu Xiaolong), a Tate Modern, as latas de chá da Fortnum & Mason (e estou eternamente grata à East India Company por ter surripiado os arbustos do chá à China para os cultivar no norte da Índia e no Ceilão), as capas para ipad da Smythson, o Colin Firth.

Bom, tudo, tudo, não. Na verdade a Grã-Bretanha tem algo dentro de si verdadeiramente funesto. Algo cuja mais recente manifestação ocorreu algures pelo Iraque quando um londrino decapitou um inocente americano em frente a uma câmara de filmar. E que gerou ondas de choque, ai Jesus, como é possível que na Europa rica, democrática, tolerante, das Luzes germinem jihadistas? Cameron interrompeu até por uns dias as suas férias na Cornualha (região que também adoro e admito até uma leve paixoneta por St Ives, que seria o meu local de veraneio de eleição não achasse eu uma anedota fazer férias ditas de praia em locais como Moledo ou S. Martinho do Porto que, afinal, são vários graus de latitude a sul de St Ives) para, presume-se, curar a arritmia dos membros do governo por tão inesperada notícia de que há malucos extremistas in the making em Londres.

Eu percebo o escândalo com o assassino de James Foley, mas escapa-me a parte da surpresa. Na verdade até diria que foi algo laboriosamente cultivado pelas autoridades britânicas. Lembremo-nos, por exemplo, do documentário de 2007 do Channel 4 que exibia casos claros de discursos de ódio e incitações à violência e ao crime em mesquitas britânicas. O que fez a polícia? Atacou o Channel 4 por representar mal aquilo que se vive nas inócuas mesquitas da ilha e pretender desinquietar as populações e roubar-lhes o sentimento de segurança (que, como se vê, é mais precioso para as autoridades britânicas do que a própria segurança).

Na ‘cidade maravilhosa’: série de roubos a banhistas durou quatro horas no Arpoador e Leblon

Grupos causaram pânico e correria nas areias das praias

Luiz Almeida, O Dia

Domingão ensolarado em pleno inverno. O que seria um dia agradável de lazer acabou se tornando um transtorno para dezenas de banhistas que se divertiam na tarde deste domingo nas praias do Arpoador e Leblon, na Zona Sul. Cariocas e turistas foram roubados por bandos formados em sua maioria por menores em diversos pontos da orla. As ações duraram das 13h às 17h, quando policiais do 23º BPM (Leblon), com o apoio do Batalhão de Choque, conseguiram conter a ação dos assaltantes que passavam correndo levando bolsas, celulares, tênis e outros objetos, causando pânico.

O sol forte e a alta temperatura atraíram banhistas que lotaram as praias cariocas na Zona Sul: bandos fizeram vários ataques ao longo da orla. Foto: Angelo Antônio Duarte/Agência O Dia

Pelo menos cinco pessoas registraram queixas dos assaltos na 14ª DP (Leblon), na 13ª DP (Copacabana) e na Delegacia de Atendimento ao Turista (Deat). Até o fim da tarde, dez suspeitos haviam sido detidos ou apreendidos. Uma das vítimas foi o presidente da Chapecoense, Sandro Pallaoro, que caminhava pela orla com a mulher e o filho de 15 anos, além de dois casais de amigos, entre eles o preparador físico do clube de Santa Catarina, Anderson Paixão.

Segundo Sandro, por volta das 15h30, eles foram abordados por cerca de 10 rapazes. “Eles levaram o tênis do meu filho e a bolsa da minha esposa. Por sorte, só pegaram o celular dela e jogaram a bolsa na areia. Infelizmente, não temos segurança. E isso não é só no Rio. É no Brasil inteiro”, desabafou.
Via Coronel Paúl, 27-08-2014

Rei Fidel Castro

COMO O DITADOR VIVE UMA VIDA DE LUXÚRIA COMPLETA EM SUA ILHA PARTICULAR EM CUBA, ENQUANTO SEU POVO AFUNDA NA POBREZA EXTREMA E NA MISÉRIA SOCIALISTA.

Francisco Vianna

Fidel Castro viveu como um rei com seu iate particular, numa ilha luxuosa de retiro no Caribe com uma criação de golfinhos e uma fazenda de tartarugas do mar e viajava com dois doadores particulares de sangue, como descrito num novo livro chamado em francês “La Vie Cachée de Fidel Castro” (A Vida Secreta de Fidel Castro).

O autor é um ex-guarda-costas do ditador, Juan Reinaldo Sánchez, um membro do círculo mais íntimo dos Castros, e escreve que o mandatário cubano administrava o país como se fosse seu feudo pessoal, uma mistura de senhor medieval e Luís XV.

Sánchez, que fez parte da “guarda pretoriana” dos Castros por 17 anos, descreve em sua obra de memórias seu chefe como uma pessoa carismática, inteligente mas manipuladora, de sangue frio, egocêntrico, populista e demagógico, e que nunca teve o menor escrúpulo em matar, muitas vezes por motivos fúteis e torpes. Era sujeito a crises de destempero emocional.

Seu livro afirma que a grande maioria dos cubanos não fazia a menor ideia de seu verdadeiro caráter de assassino sanguinário ou como ele levava uma vida de prazeres burgueses muito além dos sonhos de seu povo sempre enredado com a tarefa de prover com muita dificuldade o sustento do mesmo dia para continuar, sabe-se lá como, sobrevivendo num regime que lhe impõe muitos sacrifícios e que muito pouco lhe dá em retorno.

Nas tormentas da vida

Nelson Teixeira
Em quantos momentos nos vemos, onde a vida simplesmente passa e não temos coragem para caminhar com ela.
Esses momentos são os tormentos da nossa existência, porque em algum momento nos distanciamos de Jesus e de seus ensinamentos, nos acomodamos com nossas dificuldades e com elas nos mantemos inertes, sem reação.
É valido lembrar que, todos nós somos criaturas em aprendizado e que as tormentas da vida sempre estarão conosco, mas cabe a nós sabermos lidar, cabe a nós a reação, a força e a coragem para não sucumbir.
Somos a todo instante amparados pela espiritualidade amiga, que nos intui e nos orienta para reagirmos sempre.
Confiemos então na capacidade interior que temos e principalmente no amparo Divino para todas as nossas dificuldades, não vamos esmorecer pelo caminho, vamos dar continuidade ao nosso aprendizado que é eterno, sempre com a convicção de que tudo passa e que nas tormentas da vida a nossa reação é primordial para não sucumbirmos.
Título e Texto: Nelson Teixeira, Gotas de Paz, 27-08-2014

terça-feira, 26 de agosto de 2014

"O fato é que aqueles que negam a existência de Deus argumentam geralmente em seu favor"

Rivadávia Rosa
É por aí, mas afastando Marx, Engels e Hegel – há uma Inteligência Absoluta – na origem da Criação, uma Energia transcendente e imanente que impregna o Universo, a Natureza e o próprio Homem; Essência e Substância – que pressupõe que nada existe fora Dele e independente Dele, seja no plano material ou no plano espiritual; Consciência – daí Ser, ou como diziam os hebreus Ele é Aquele que é – “Ele é Aquele que sabe que é”;  na visão hermética: “Deus é uma esfera cujo centro está em toda parte e a circunferência em parte alguma”.

Enquanto Inteligência absoluta – uma particularidade pode lhe ser atribuída: a de Se exprimir e Se manifestar na Criação através de leis imutáveis e perfeitas. Conforme sua aplicação – no plano material ou no espiritual – essas leis são chamadas “físicas” (sucessão das estações, gravitação universal...) ou “metafísicas” (carma, reencarnação..). A primeira categoria diz respeito aos cientistas, já a segunda aos místicos.

O fato é que aqueles que negam a existência de Deus argumentam geralmente em seu favor que, caso Ele existisse não haveria infelicidade, nem penas e nem sofrimento e “castigos” na Terra. Ainda que compreensível esse argumento do ponto de vista humano, ele denota uma má compreensão daquilo que deve ser concebido como Deus e o papel que Ele desempenha na Criação. A maioria dos ateus, assim o é porque se recusa a aceitar que Deus deixe de se opor a tudo aquilo que põe nosso bem-estar em perigo. Contudo, não é Ele que ocasiona ou produz algum tipo de mal, como a violência, as injustiças, as guerras, mas os homens, da mesma forma que a maioria dos acidentes viários são decorrentes da imprudência, inconsciência ou até mesmo ignorância...; as doenças se devem muitas vezes à falta de higiene, ou à violação das ‘leis naturais’.

Porém, do ponto de vista racional, a Criação é necessariamente obra de um Criador, pois aquilo que existe (que “é”) não pode resultar de um não-ser; uma vez que o Universo, a Natureza e o Homem são regidos por leis que impressionam não só a religiosos e místicos, mas também  cientistas, logicamente esse Criador é sumamente Inteligente.  

Assim, torna-se até despiciendo saber se Deus existe ou não – pois Ele não pode não existir, mas compreender em que medida Ele intervém na vida.

Contudo, há o marxismo com sua confusão dialética que pretende ser o único humanismo completo, em que o homem se produziria a si próprio, sem carecer de apoio transcendental; isso culminaria no ser social do comunismo, coincidente com o ateísmo. Marx, em Manuscritos é categórico “O comunismo começa onde começa o ateísmo.”

Desinstalados

Maria João Avillez
O que aqui evoco tem uma assinatura comum: Portugal. Com gente que nas marés baixas, faz muito mais do que não desistir.

O verão é como uma suite de violoncelo. Único e incomparável. Como a suite número 1 de Bach que posso ouvir um milhão de vezes seguidas como posso viver mil dias de Verão, cada um deles com a mesma inteira expectativa. Outra vida. Ruy Belo era quem mais o sabia, todos os anos esperava pelo verão “como por outra vida”. Eu também.

Outra vida onde cabem tantas vidas e tão várias geografias como as que já levo nesta “única estação” – também dizia o poeta – porque só ela consente estas demandas que destoam nas outras estações mas que, na “única”, se tornam naturalmente apetecidas e exaltantes. Verossímeis, até.

E por falar em violoncelo solo, talvez este verão tenha afinal começado numa real sala do Real Palácio da Ajuda. Era uma noite quente de Julho enfeitada por três das suites de violoncelo, 1, 3 e 6, e dentro daquela sala de alto pé direito, havia um violoncelista que se confundia com o seu violoncelo. Tinha o porte de uma estátua grega e o gesto, pleno de graça, estava tão suspenso do sopro de Bach que me fez lembrar a perfeição que só os deuses têm. Chama-se Pablo de Naverán [foto] e conheci-o por um desses milagres de que sou assídua consumidora que são os festivais de música clássica. E que eu desse por isso e talvez porque a necessidade aguça a “desinstalação”, a crise não me privou de nenhum deles.


Foi no Festival Estoril Lisboa que ouvi Pablo de Naverán e foi esse homem de sorriso silencioso fluindo musicalmente por entre os frescos do Palácio da Ajuda, que me abriu a porta do verão e me fez circular entre os andamentos de Bach e os andamentos que pontuaram o meu mapa estival: o Atlântico bravio e salgado da Foz do Arelho, a transparência aveludada do oceano que borda a Madeira, as longas noites de estrelas de agosto, a fortuna do ócio, as mãos prodigiosamente jovens de Paul Badura Skoda tocando (de cor) Mozart e Brahms na Semana Internacional de Piano dentro das muralhas de Óbidos, as leituras preguiçosas, as conversas indefinidas, o vagar, o gin do fim da tarde no Rio do Prado, o calor da terra no verão.

E do outro lado do espelho – e não, não é de todo contraditório é, isso sim, maravilhosamente complementar – a azáfama, o alarido, a algaraviada dos netos (“Luis, tenho uma péssima notícia, o Nani vai para o Sporting”, clamaram há dias os 4 anos do Vicente para o seu veneradíssimo irmão mais velho). Mas… os que são estas moradas de mar e de música, estes poisos familiares no campo ou no oceano, estes encontros alegres com amigos do peito à mesa da Tribeca, estes tão precários, fugazes, momentos de algo de parecido com a felicidade, se não as preciosas pertenças da única estação? (Precários e fugazes, sim: nem o estado do mundo nem o que se avizinha – e agiganta – diante das nossas vidas, nos consentem senão isso: uma breve brecha na confusa inquietação dos dias.

[Aécio Presidente] FHC fala para os voluntários

"Não adianta ficar falando mal em casa, ficar falando que os políticos não servem para nada, vamos atuar! É a hora, é agora!"

Com essas palavras de ordem, o ex-presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, convoca a todos para um novo jeito de ser voluntário. Está na hora de mudar o Brasil, assista ao vídeo e venha fazer parte da mudança. #VamosAgir

FC Porto já está na fase de grupos da Liga dos Campeões

"Dragões" voltaram a vencer o Lille, desta vez por 2-0, e carimbaram o acesso à principal prova de clubes da UEFA.

Foto: Miguel Riopa/AFP

O FC Porto confirmou nesta terça-feira a sua superioridade face ao Lille e assegurou a presença na fase de grupos da Liga dos Campeões pela 19.ª vez na sua história. Com um triunfo por 2-0, os "dragões" trataram de arrecadar já 8,6 milhões de euros pelo acesso à principal prova de clubes da UEFA.

Com uma entrada forte no jogo, a equipa portuguesa impôs-se ao terceiro classificado da última edição do campeonato francês. Ainda assim, o primeiro tempo acabou por ser equilibrado, com os visitantes a arriscarem pouco e os "dragões" em vantagem na eliminatória.

No segundo tempo, a classe dos jogadores do FC Porto veio ao de cima. Aos 49', Brahimi, uma das figuras deste início de época, bateu de forma perfeita um livre directo e inaugurou o marcador.

O Lille via piorar a sua condição na eliminatória, mas pouco conseguiu fazer para reagir. As investidas individuais de Origi não eram suficientes e o FC Porto, com mais espaço, foi manobrando no meio-campo contrário com mais à vontade. E depois de uma má saída de bola de Souaré, Brahimi assistiu Jackson para o 2-0.
Fonte: Público, 26-08-2014

Burger King distribui smartphones de graça aos clientes

Em parceria com AT&T, Verizon e Sprint, rede de fast food começa a presentear fãs da marca nos Estados Unidos

 
O Burger King vai distribuir smartphones de graça. Na segunda-feira 25 a rede de fast food anunciou nos EUA que vai presentear os consumidores com os modelos Moto X, Samsumg G4 e LG Optimus G Pro, entre outros, como parte de uma parceria com Verizon, Sprint e AT&T.

Os interessados devem acessar o site bk.com/android e inserir a senha FREEPHONE. Para divulgar a ação, o restaurante distribuirá cupons e cartazes em pontos de venda.

Em entrevista ao Mashable, Samuel Health, diretor de gerenciamento de lucros pra o BK afirmou que a promoção é uma forma de “cuidar” dos clientes da marca. “Às vezes se esquece que nem todo mundo tem smartphones”, disse.

Aqueles que ganharem o device serão encorajados a baixar o novo app do Burger King que exibe cupons e ofertas. De acordo com o executivo, a empresa tem um estoque de telefones que deverá durar várias semanas. 
Título, Imagem e Texto: ProXXIma, 26-08-2014

Lucubrações

Francisco Vianna
Sobre a lucubração filosófica do senhor Rocha, de fato honesta e sincera, quero acrescentar comentário que considero pertinaz.

A Criação de Adão, de Michelangelo, Capela Sistina, Vaticano

O reconhecimento de uma inteligência inicial, criadora do universo, pode ser sentido e atingido por diversas ocasiões da vida, mas a noção de espiritualidade decorre principalmente do fato de que a cada resposta que a humanidade consegue dar aos seus questionamentos, por si só, dá origem a um número ainda maior de mistérios e dúvidas que precisam ser respondidas... Assim, supomos que, enquanto o nosso conhecimento cresce em progressão aritmética, as nossas dúvidas e mistérios surgem em progressão geométrica!

As dúvidas, e as angústias que elas causam ao espírito humano, são de fato as forças que levam o homem a pensar através da ciência, mas, ironicamente, quanto mais respostas a humanidade consegue para dissipar suas dúvidas e mistérios, mais esses sentimentos se multiplicam. A atitude científica é pois altamente angustiante e o máximo que ela consegue fazer é deixar questões pendentes para que mais tarde possam ser respondidas. A crença, a fé, são altamente apaziguadoras. Quando se crê, pode-se dormir tranquilo...

Por outro lado, Lavoisier nunca disse que "na natureza, nada se cria e nada se perde, mas tudo se transforma", um erro corriqueiro que muita gente boa comete. Quem disse isso pela primeira vez foi o filósofo grego Thales, de Mileto. O Teorema das Massas, enunciado por Lavoisier, diz que "num sistema químico isolado, a soma das massas dos reagentes é igual à soma das massas dos compostos". Com a sua Teoria da Relatividade, Albert Einstein disse, bem mais tarde, que "nesse mesmo sistema químico isolado, a soma das massas dos reagentes difere para mais ou para menos da soma das massas dos compostos dependendo de haver ganho ou perda de matéria sob a forma de energia e que a balança capaz de medir essa variação teria que ter uma sensibilidade de acusar variações de 1/106 gramas", noção que deriva de sua famosa equação e=mc2, ou seja, a energia liberada pela matéria é igual ao produto da massa pelo quadrado da velocidade da luz...

Técnica de eleição em dois turnos

Cesar Maia
           
1. A ballotage, ou eleição em dois turnos, tem sido analisada pelos pesquisadores acadêmicos europeus. É mais comum nos países com sistema pluripartidário, presidencial e com esta previsão. As análises procuram entender o melhor caminho para a vitória no segundo turno, em função da forma de participação na dinâmica do primeiro turno.
            
2. Para raciocinar, suponhamos uma eleição com quatro candidatos relevantes, ou seja, com força para influenciar no segundo turno. Mais que a posição formal de um dos candidatos derrotados no primeiro turno, o estudo aponta para o comportamento de seus eleitores no segundo turno.
           
3. De que forma, o candidato C deve se comportar em relação aos candidatos A, B, e D no primeiro turno. Em primeiro lugar, há que se avaliar se há um favorito inevitável para o segundo turno. Se há, se deve polarizar com este já no primeiro turno e tratar com elogios os demais para atrair os votos dos eleitores desses no segundo turno. Esse comportamento implica em um risco, mas é o que aumenta em muito a probabilidade de vitória no segundo turno. Exemplo: Rio, eleição para prefeito em 2000.
           
4. Se não há um favorito, há que se escolher entre os demais aquele mais difícil de derrotar no segundo turno por maior capacidade de agregação e apontar para este as críticas e aliviar os demais com reconhecimentos e elogios, de forma a atrair os seus eleitores no segundo turno.
           
5. Exemplo de ballotage mal preparada. Na medida em que SP teria claramente uma eleição com segundo turno, Serra deveria ter apontado suas baterias para Haddad e deixado Russomanno fazer solto sua eleição, dedicando a ele até elogios e compreensão. Estava claro que Russomanno seria um candidato mais fácil de derrotar no segundo turno que Haddad. Mas Serra apontou para Russomanno e abriu caminho para Haddad e para a derrota no segundo turno.

PITTY — o Show da Idolatria e a Frustração da Histeria

Reportagem literária por Ernesto Ribeiro

Divulgação
Durante 50 minutos, uma roda de vinte jovens se aglomera diante do portão de saída do lugar pomposamente chamado Bahia Café Hall. Assim como foi lá dentro, nenhum deles parece ter chegado aos 18 anos. Os rostos são todos adolescentes, mas revelam uma fragilidade infantil com o semblante alterado numa devoção religiosa. Todos os olhos estão vidrados. A Deusa deles vai atravessar aquele portão a qualquer momento.

Seria a oportunidade de quebrar a barreira dos 50 metros de distância que os separava da primeira à última fila diante do palco e, pela primeira vez em 5 anos, chegar bem perto da estrela, falando diretamente, e quem sabe, tirar uma foto junto com ela. Para então exibir a imagem e se vangloriar pelo resto da vida.

Por enquanto, saíam apenas alguns parentes de músicos. Depois, os produtores, empresários e os integrantes da primeira banda de abertura. Ninguém dava bola pra eles. Deixavam os figurantes passarem, andando por 8 metros do portão até à van preta da altura de um caminhão. Outras duas vans iguais esperam sua vez. Ninguém ali tinha pressa. Mas a expectativa é tão alta que se respira a eletricidade no ar.

Sai a segunda banda. Nada. De novo, uma van preta estaciona ali perto, as portas deslizam para os lados em silêncio, abrem e fecham, artistas e ajudantes entram e o monstro metálico parte em silêncio.

Então é a vez da terceira banda sair. Baterista, baixista, guitarrista, tecladista se aproximam do portão, que não se abre. Em vez disso, a última e enorme van manobra cuidadosamente e agora estaciona exatamente encostada ao portão, que se abre apenas para dar espaço estreito à passagem de uma pessoa de cada vez. Silenciosamente, todos entram. Os roadies carregam os instrumentos para dentro. Só falta a cantora.

Mas do lado de fora, os fãs quebram a calma e percebem a manobra que cortou suas esperanças. A frustração explode em coro: "Pôôôôô...!!! Que é isso, sacanagem!... Deixa a gente ver ela!" Metade deles sobe às grades, pendurados com as cabeças pouco acima do portão. Alguns ficam nas pontas dos pés. Tudo para ver sua heroína passar, mesmo que de relance.

Iraq and Syria Follow Lebanon's Precedent

George Friedman

Lebanon was created out of the Sykes-Picot Agreement. This agreement between Britain and France reshaped the collapsed Ottoman Empire south of Turkey into the states we know today -- Lebanon, Syria and Iraq, and to some extent the Arabian Peninsula as well. For nearly 100 years, Sykes-Picot defined the region. A strong case can be made that the nation-states Sykes-Picot created are now defunct, and that what is occurring in Syria and Iraq represents the emergence of those post-British/French maps that the United States has been trying to maintain since the collapse of Franco-British power.

The Invention of Middle East Nation-States
Sykes-Picot, named for French diplomat Francois Georges-Picot and his British counterpart, Sir Mark Sykes, did two things. First, it created a British-dominated Iraq. Second, it divided the Ottoman province of Syria on a line from the Mediterranean Sea east through Mount Hermon. Everything north of this line was French. Everything south of this line was British. The French, who had been involved in the Levant since the 19th century, had allies among the region's Christians. They carved out part of Syria and created a country for them. Lacking a better name, they called it Lebanon, after the nearby mountain of the same name.

The British named the area to the west of the Jordan River after the Ottoman administrative district of Filistina, which turned into Palestine on the English tongue. However, the British had a problem. During World War I, while the British were fighting the Ottoman Turks, they had allied with a number of Arabian tribes seeking to expel the Turks. Two major tribes, hostile to each other, were the major British allies. The British had promised postwar power to both. It gave the victorious Sauds the right to rule Arabia -- hence Saudi Arabia. The other tribe, the Hashemites, had already been given the newly invented Iraqi monarchy and, outside of Arabia, a narrow strip of arable ground to the east of the Jordan River. For lack of a better name, it was called Trans-Jordan, or the other side of the Jordan. In due course the "trans" was dropped and it became Jordan.

And thus, along with Syria, five entities were created between the Mediterranean and Tigris, and between Turkey and the new nation of Saudi Arabia. This five became six after the United Nations voted to create Israel in 1947. The Sykes-Picot agreement suited European models and gave the Europeans a framework for managing the region that conformed to European administrative principles. The most important interest, the oil in Iraq and the Arabian Peninsula, was protected from the upheaval in their periphery as Turkey and Persia were undergoing upheaval. This gave the Europeans what they wanted.

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

As taças, as vidas, os fundos de pensão e as vigas

José Manuel

A TAÇA JULES RIMET, que milhões adoraram, em 1972 fazia um tour pelo Brazil, e tive a honra de a levar sob a minha responsabilidade, para Belo Horizonte. Para os mais jovens que não tiveram a chance de a ver, pois lhes foi roubada a oportunidade de a conhecerem, era um pequeno troféu com 30 cm de altura, peso de 3,8 Kg, e com 1,8 kg de ouro maciço em um pedestal de lápis-lazúli com a inscrição dos países ganhadores das copas mundiais de futebol desde 1930. O Brazil teve o direito à sua posse definitiva com as conquistas após o tri-campeonato em 58, 62 e 70, e a taça, apesar de pequena, era linda, e uma joia com um passado incrível.

Durante a segunda guerra mundial, o troféu esteve sempre guardado dentro de uma caixa de sapatos, embaixo da  cama de um dirigente da Fifa, pois havia o temor de  que  fosse roubada pelos nazistas.

Em 1966, em uma exposição em Londres, ela foi roubada e sete dias depois devolvida, acreditando-se que tenha sido alguma jogada sensacionalista, pois a competição  desse ano foi exatamente realizada na Inglaterra quatro meses depois.

Mas foi no Brazil em 19 de dezembro de 1983, mais precisamente no Rio de Janeiro, que a carreira da pequena taça, mas de uma importância enorme para o esporte brasileiro, teve a sua apoteose triste e  uma mancha negra na sua longa história esportiva.

Ela e mais três taças, portanto quatro, foram roubadas de dentro da sede da  CBF pelos nossos Nóbeis em miserabilidade, Peralta, Barbudo, Bigode e Broa, que pelas alcunhas podemos reconhecer que tipos de pessoas eram e com que facilidades tiveram acesso à Confederação Brasileira de Futebol, pois para praticarem o delito, o " nobre Peralta " era dirigente esportivo e com acesso fácil ao prédio.

Não contentes com o roubo de tão importante troféu, ainda a derreteram jogando às chamas e ao lixo da história, 53 anos de glórias, suor e lágrimas.

Agora, em 22-08-2014, portanto 31 anos depois, a síndrome da pobreza de espírito e da miséria declarada voltou a atacar, quando foram roubadas desta vez as taças dos campeonatos mundiais de vôlei masculino e feminino, que nem nossas sequer são, pois apenas estavam aqui no Brazil, em um tour mundial de demonstração.

Portanto os campeões do próximo mundial de vôlei podem ficar sem as taças para levantar, graças aos nossos peritos técnicos, formados nas várias escolas de indigência, espalhadas pelo país.

Juros portugueses recuam para mínimos históricos


Sara Antunes
As taxas de juros associadas às obrigações portuguesas estão em queda em todos os prazos. A 10 anos a queda é superior a 20 pontos base, o que coloca a "yield" no nível mais baixo de sempre, ao transaccionar abaixo dos 3%. A queda é generalizada na Europa, com os investidores a reflectirem as palavras de Draghi.

A taxa de juro implícita nas obrigações a dois anos está a descer 17,8 pontos base para 0,733%, no prazo a cinco anos a queda é de 24,8 pontos para 1,543% e a 10 anos a descida é de 24,4 pontos para 2,994%. Nos dois últimos prazos referidos as taxas estão mesmo a negociar em mínimos históricos.

A queda das taxas de juro no mercado secundário está a ser generalizada. Em Espanha, varia entre uma queda de 5,9 pontos, no prazo a dois anos, e 10,5 pontos no prazo a 10 anos. Em Itália as taxas oscilam entre uma descida de 7,2 pontos, a dois anos, 9,0 pontos a 10 anos. As taxas de juro implícitas na dívida francesa e alemã estão também em queda em todos os prazos, ainda que com dimensões menos acentuadas.

A contribuir para estes comportamentos estão as declarações do presidente do Banco Central Europeu (BCE). Mario Draghi reiterou, na sexta-feira, 22 de Agosto, que a autoridade monetária está pronta a actuar, caso seja necessário, com mais medidas para ajudar a estimular o crescimento económico. Isto numa altura em que o produto interno bruto (PIB) da Zona Euro estagnou, no segundo trimestre, num período em que a Alemanha contraiu, Itália voltou a entrar em recessão e França estagnou. E em que os dados sobre a inflação aumentam os receios em torno da deflação na Europa.

Além desta abordagem, Mario Draghi defendeu ainda que os países da União Europeia deviam implementar medidas de estímulo económico, deixando cair o discurso de austeridade, o que também está a contribuir para um aumento de confiança entre os investidores.
Título, Imagem e Texto: Sara Antunes, Jornal de Negócios, 25-08-2014

Racionamento eletrônico e controle social na Venezuela

POLITBURO COMUNISTA DA VENEZUELA BUSCA MEDIDAS PARA AUMENTAR O CONTROLE SOCIAL DO GOVERNO SOBRE O CIDADÃO.

Francisco Vianna

O regime socialista bolivariano estuda pôr em prática terminais biométricos em supermercados, bancos, e até em cinemas, para aumentar o controle social do povo, desestimular protestos e aumentar o racionamento de tudo.

O Palácio Miraflores, em Caracas, anunciou um mecanismo de combate ao contrabando que se constitui na instalação de um sistema de identificação biométrica em supermercados, bancos, e até em cinemas venezuelanos, que aparentemente tem a finalidade de se tornar num asfixiante mecanismo de intimidação e controle social que vida aumentar em muito a dependência do cidadão ao estado ‘bolivariano’ e sufocar a disposição da maioria em protestar.

Os entendidos em economias estatizadas e centralizadas consideram tais planos de instalar um polêmico sistema eletrônico de identificação biométrica, inicialmente nos supermercados, não passam de passos iniciais para pôr em prática o chamado “racionamento computadorizado”, aproveitando a forma como Havana distribui uma miséria igualitária ao povo cubano, que, em última análise, servirá para subjugar a vontade de dissentir dos venezuelanos.

Um desses especialistas é Jaime Suchlicki, diretor do Instituto de Estudos Cubanos e Cubano-Americanos (IECCA), que afirma: “Na Venezuela o regime trata de imitar ao máximo as medidas adotadas pelo regime comunista cubano. A influência cubana, por via de intensa assessoria dirigida pelos Castros, é fundamental e intensa dentro do chavezismo”.

Tal medida é apenas a aplicação da experiência do regime cubano em termos de repressão à tecnologia atual. Membros do alto escalão do regime de Caracas dizem que “será uma espécie de sistema de racionamento novo do Século XXI”, pelo qual o politburo comunista “vai poder controlar o indivíduo ainda muito mais do que se controla em Cuba”. Ao racionar a comida e os artigos de primeira necessidade da população, o sistema, que deixou profundas marcas na população cubana, terá a finalidade precípua de submeter à vontade do regime de forma completa a vontade pessoal dos venezuelanos.