domingo, 2 de agosto de 2015

A realidade não é a das ‘notícias’, é bem diferente

Ontem estive com amigos comemorando o niver de uma amiga comum, brasileira, ex-comissária RG. Éramos mais de vinte.

Havia uma portuguesa nascida em Moçambique; um casal e o marido da homenageada, franceses; eu, luso-brasileiro; os demais presentes eram brasileiros. Todos, incluindo a portuguesa e os três franceses, imigrantes ou (re)imigrados em Portugal.

Com exceção dos franceses e da portuguesa, (os únicos que não residiram no Brasil), há meses em Portugal, os outros há muito tempo por cá, uns há mais de vinte anos.

Estes imigrantes estão bem estabelecidos e gozam de razoável padrão econômico.

Na animada conversa todos salientaram o gosto que têm por Portugal e, em contraponto, o desgosto que sentem pelo Brasil. Abordou-se a questão da segurança pública, comparando, cela va de soi, as duas realidades nacionais. Não preciso dizer qual a que teve a pior avaliação…

Sobre a economia, um dos presentes trouxe o exemplo de uma ladeira: o país menor, depois de despencar, lá vai subindo-a, mesmo que arfando; o outro, o maior, vai descendo-a, firmemente e com muitos a sambar.
E mais não se falou do Brasil pois fica feio falar dos ausentes.

Uma conclusão (cheguei a outras, claro): o pessoal vê e sente Portugal muito diferente do que se lê e assiste nas tevês, o que não me surpreende nem um poucochinho.

Tramontina lança panela com wifi que avisa quando discursos de Dilma estão na internet

M. Zorzanelli
Após a presidente Dilma Rousseff desistir do tradicional pronunciamento do dia 1º de maio na televisão, muitos fabricantes de panelas se manifestaram negativamente, citando uma queda nas vendas – uma vez que os panelaços não podem acontecer de forma sincronizada no caso de um vídeo de internet.

Para não perder as vendas, a fabricante Tramontina inovou: lançou a primeira panela com wifi do mundo: o modelo TP-3238 conecta-se à internet automaticamente e checa o momento exado em que o vídeo é colocado na rede e quando as pessoas na vizinhança o estão assistindo e sincroniza todas as panelas da região. Só o preço é um pouco salgado: R$ 400 por cada, mas quem fizer o aluguel anual de uma fritadeira de coxinha leva a panela de graça.


Título, Imagem e Texto: M. Zorzanelli, Sensacionalista, 2-8-2015

Blog democrático...

Valdemar Habitzreuter

Parabéns ao Cão que fuma!...
 
Num país democrático temos à disposição variados veículos de comunicação que nos fornecem informações relevantes dos acontecimentos do dia a dia do país e do mundo através dos quais formamos nossos juízos e nos posicionamos pro ou contra ações perpetradas por indivíduos, grupos, governo, etc.

Há veículos fechados com direcionamento unilateral que veiculam quase que exclusivamente tópicos de seus interesses. Outros mais liberais baseando-se em transmitir os fatos reais e sem distorção. Mas todos com editoriais que espelham a vontade do dono. A maioria depende de grupos econômicos para se manterem, e por aí já sentimos que estão a serviço de terceiros.

A liberdade de expressão com responsabilidade faz com que a sociedade fique vigilante a eventuais assaltos de oportunistas que pretendem impor suas idiossincrasias e interesses próprios contrariando os ideais comuns e democráticos. Para que possam perpetrar seus intentos, em primeiro lugar, procuram abafar a veiculação de fatos que possam prejudicar seus planos e, em segundo lugar, exercer o controle total da mídia para que somente suas ações sejam preconizadas e enaltecidas.

Se hoje sabemos, por exemplo, dos malfeitos do governo petista foi graças à imprensa livre. Aliás, o PT sempre tentou enquadrar a mídia brasileira para que seu projeto de governo não fosse alvo de críticas. Não conseguiu, e isto foi preponderante para que se descobrisse a verdadeira índole desse partido ao priorizar assegurar-se no poder através de malfeitos regados à corrupção.

Deixe de ser tonta, Marina

Diogo Mainardi

Foto: Juca Varella/Folhapress
Eu, Diogo, durante a última campanha presidencial, publiquei um artigo na Folha de S. Paulo dizendo que só Marina Silva [foto] poderia derrotar o PT.

Me arrependo amargamente por aquele artigo. Marina Silva só é capaz de derrotar ela mesma.

Neste domingo, a Folha de S.Paulo a entrevistou. Perguntada a respeito dos protestos de 16 de agosto e do impeachment, ela respondeu:

“A sociedade tem todo o direito de se manifestar, porque foi enganada quando negaram os problemas e não fizeram o que era preciso. Mas esse protesto não pode antecipar o que a Justiça ainda não concluiu. Uma coisa é o que a sociedade pauta, outra é o que as lideranças políticas têm que ponderar. Alguns políticos estão tentando instrumentalizar a crise, em vez de resolvê-la. Na democracia, não se resolve a crise passando por cima do processo constitucional. O presidente Fernando Henrique tem uma postura ponderada e paga um preço por isso. Eu tenho pago o meu. Não estou fazendo isso porque quero agradar A ou B. É porque acho que é o certo. É muito fácil pensar que existe uma saída mirabolante”.

Marina Silva é desonesta quando associa os protestos de 16 de agosto a saídas mirabolantes e inconstitucionais. E é idiota quando nos trata como mera massa de manobra daqueles que querem instrumentalizar a crise.

A Lava Jato já revelou o que o PT fez para se manter no poder e a sociedade quer que seus métodos antidemocráticos sejam punidos.

Deixe de ser tonta, Marina Silva. Quem defende a democracia tem de ir para as ruas em 16 de agosto.
Título e Texto: Diogo Mainardi, o antagonista, 2-8-2015

Rio 2016: les habitants d'une favela résistent à l'expropriation

La ‘Vila Autódromo’ était une favela tranquille située au bord du parc olympique dans la zone ouest de Rio. Avec les travaux de préparation des Jeux, 3.000 habitants ont été contraints de la quitter et ont été relogés par les autorités:


A caminho das eleições

Eduardo Cintra Torres

As redações, mesmo as mais inclinadas para o PS, têm de cumprir o pluralismo

Os principais media estão dominados pelo PSD, diz metade das redes sociais. Os principais media estão dominados pelo PS, diz a outra metade (a "terceira metade" não se pronuncia). Estes argumentos radicais invocam a propriedade dos media, os principais comentadores, a cobertura noticiosa, a posição assumida pelos jornalistas e directores e muitos outros elementos, mas a realidade é mais complexa. 

Mesmo o caso dos políticos comentadores é complicado. O PSD tem mais figuras de topo a comentar nos canais, mas não só os outros partidos também lá têm diversos dirigentes e deputados, como os do PSD se distinguem por uma singularidade: os principais estão quase sempre contra o seu próprio partido, como Manuela Ferreira Leite e Pacheco Pereira. Luís Marques Mendes critica amiúde o PSD ou o governo, como forma de criar o seu "espaço", mais de comentador político do que de político comentador. E Marcelo Rebelo de Sousa também o faz, ao serviço da sua eventual candidatura: a crítica ou elogio em todas as direcções permite-lhe recolher simpatias de todo o espectro político dos eleitores.

Sendo assim, não há paradoxo: se estas figuras do PSD são comentadoras de topo é precisamente porque não são vistas pelos espectadores como meros papagaios do partido.

Já os políticos comentadores dos outros partidos são defensores acérrimos da sua ortodoxia partidária. A única excepção vem de novo da coligação, com Bagão Félix a criticar sistematicamente o governo de que o CDS faz parte.

FHC: a fórmula química venenosa para os aposentados

Valter Almeida

Sou um cidadão brasileiro com muito orgulho e mantenho preservada a minha dignidade de um trabalhador honesto que se aposentou, e por isso não consigo nutrir nenhum respeito por esse senhor que muitos o consideram um estadista e que foi um excelente presidente.

Como vivemos no regime democrático, se é que ainda podemos dizer que isso existe aqui no Brasil, tenho o dever de respeitar a opinião dos brasileiros que pensam dessa forma.

Não costumo julgar as pessoas nem tenho a pretensão de ser o dono da verdade, entretanto, não posso fugir das minhas convicções formadas através de fatos vividos por todos os brasileiros e principalmente pelos trabalhadores e aposentados.

Não consigo entender porque somos tão submissos a falsos estadistas e políticos que não abrem mão de nos massacrar.

Faz vinte anos que o então Presidente Fernando Henrique Cardoso, produziu a FHC: a fórmula química venenosa para os aposentados e que até hoje está sendo usada.
Título e Texto: Valter Almeida, 2-8-2015

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Vantagens de um Estado social fraquinho

Kruzes Kanhoto
Admito que exista uma explicação muito lógica para esta coisa dos migrantes. Eu é que tenho alguma dificuldade em a entender. Não percebo por que raio quer aquela gente entrar a todo o custo na Europa. Nem, menos entendo ainda, a sua fixação pelo Reino Unido. Faz-me espécie que aquele pagode, muçulmanos na sua esmagadora maioria, não prefira antes emigrar para a Arábia Saudita ou para os reinos ali à volta onde o dinheiro jorra das areias.

Parece-me pouco plausível que procurem o Ocidente que tanto criticam, cujo modo de vida abominam e onde insistem em manter os costumes selváticos que trazem dos países de origem. Atendendo às suas crenças, a adaptação seria muito mais fácil, o problema da integração não se colocaria, jamais seriam vítimas de discriminação ou racismo, teriam um nível de vida substancialmente superior e os sacrifícios suportados para chegar ao seu “el dorado” seriam incomensuravelmente menores. Também as críticas aos governos europeus por não acolher todos os que demandam a Europa, se afiguram manifestamente desajustadas. O alvo deviam ser os países árabes desenvolvidos e ricos que desprezam toda esta gente.

O modelo de Estado social britânico é, provavelmente, a razão deste fluxo migratório. Gerações sucessivas vivem à conta dos contribuintes, sem conhecer o conceito de trabalhar para viver, e isso é motivo mais do que suficiente para atrair multidões de pobres, mandriões e trapaceiros diversos. É por isso que não nos procuram. Mesmo os que a “solidariedade” traz até cá, zarpam assim que podem. E ainda bem. Felizmente o nosso Estado social é pobrezinho. 
Título e Texto: Kruzes Canhoto, 1-8-2015

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sábado, 1 de agosto de 2015

Aposentado, eterno "Patinho Feio" da sociedade...

Almir Papalardo

Silvio Costa: não dá para brincar com as contas públicas; quem votou a favor disso sabe que está trabalhando contra o País.

Foto: Gustavo Lima/Câmara dos Deputados
Responsabilidade

Segundo o parlamentar, “quem votou a favor disso sabe que está trabalhando contra o País, que está fragilizando o País na comunidade internacional. Isso é de uma irresponsabilidade ímpar, você querer fazer um reajuste dessa natureza. Não é só o ajuste fiscal, é a previdência que já tem um déficit anual de 123 bilhões".


Meu prezado Deputado Senhor Silvio Costa-PSC/PE:
Peço vênia para fazer uma réplica com todo o respeito ao seu depoimento acima. Perdoe-me, mas é o senhor quem está brincando com o coração dos aposentados! Para Vossa Excelência está tudo certo, a Dilma agiu com responsabilidade ao vetar o nosso reajuste, desde que os prejudicados continuem a ser os pobres e indefesos aposentados, que recebem aposentadorias um pouquinho acima do salário mínimo.

Acho um pouco de desumanidade, preconceito e egoísmo de Vossa Excelência, para quem depende unicamente dos proventos da aposentadoria, sem condições físicas e obstrutivas para retornarem ao mercado de trabalho. O senhor não consegue visualizar que tal equivocada e injusta medida está alimentando uma das piores discriminações existentes na cidadania brasileira? São pessoas, meu caro deputado, com a idade avançada, merecedoras de respeito, reconhecimento e consideração por já terem cumprido com honestidade e dedicação toda a sua missão de trinta e cinco anos no mercado de trabalho.

Vê se toma tenência e vergonha na cara, FHC!

Rodrigo Constantino

Assim não dá. Assim não é possível. Se fosse para escolher uma só oposição, qual você escolheria? Ora, o PSDB representando por FHC, claro! Uma “oposição” dessas até Fidel Castro aceitaria em Cuba! O Brasil vive a “tempestade perfeita”, os escândalos de corrupção chegaram até o cangote da presidente Dilma, que já não tem apoio algum. A economia desce ladeira abaixo por conta das trapalhadas passadas e da inoperância presente do governo. O PT passa a ser desprezado pela população que pensa. E o que faz Fernando Henrique? Elogia Dilma! Novamente, com aquela entonação de voz dele: Assim não dá. Assim não é possível.

Leio na Exame que o ex-presidente, em entrevista a uma revista alemã, baixou o tom e saiu em defesa da presidente Dilma. Estou com alguma esperança, minúscula, confesso, de que seja um problema de tradução. O entrevistador não compreendeu direito. Só pode ser isso! Alemão é uma língua difícil mesmo, tentei aprender por seis meses e sei do que falo. Pois, tirando essa hipótese, o que temos é um “líder de oposição” que mais parece um companheiro, um camarada escalado pela própria Dilma para aliviar sua barra nesse momento delicado. Vejam:

De acordo com a DW, FHC disse na entrevista, publicada em alemão na edição da revista deste sábado, 1º, que Dilma não está envolvida nos desvios da estatal petrolífera, mas que o PT está. Ele lembrou que João Vaccari, ex-tesoureiro da sigla, foi detido na operação.

“Eu a considero uma pessoa honrada, e não tenho nenhuma consideração por ódio na política, também não pelo ódio dentro do meu partido, ódio que se volta agora contra o PT”, diz FHC, creditando a Lula a responsabilidade por todo o escândalo.

E disse que talvez Lula tenha que depor como testemunha, “o que já seria suficientemente desmoralizante”.

“Não se deve quebrar esse símbolo (Lula), mesmo que isso fosse vantajoso para o meu próprio partido. É necessário sempre ter em mente o futuro do país”, disse o ex-presidente tucano na entrevista.

FHC chegou até a elogiar o petista: “Ele certamente tem muitos méritos e uma história pessoal emocionante. Um trabalhador humilde que conseguiu ser presidente da sétima maior economia do mundo.”

Como é que é? Dilma, uma pessoa honrada? Em que planeta? Sua trajetória é a de uma terrorista, assaltante, disposta aos meios mais nefastos não para defender a democracia, mas para impor o comunismo! Depois foi eleita como um “poste”, sem jamais ter recebido votos e com a única experiência administrativa de ter quebrado uma lojinha de bugingangas. Foi reeleita depois com muito abuso da máquina estatal e o estelionato eleitoral em curso. Uma pessoa honrada? O que FH entende por honra, meu Deus?!

Roberto Carlos em Tucuruvi

Heróis e vilões

José António Saraiva
A esquerda, sendo por natureza utópica, tem necessidade de criar os seus heróis - e também de ter os seus vilões. Os maus da fita.

Os sonhos são muito bonitos a nível individual. Os sonhos colectivos, pelo contrário, acabam normalmente em tragédias. Foi o nazismo, foi o comunismo, foi o fascismo, foi o maoismo...

Agora, a principal bête noire da esquerda portuguesa (e europeia) é o ministro das Finanças alemão, Wolfgang Schäuble. Ele é o culpado de tudo o que de mau acontece na Europa. Ele tem todos os defeitos: é azedo, zangado com o mundo, amargo, intratável, sinistro, etc. 

É certo que o atentado que o amarrou para toda a vida a uma cadeira de rodas pode ter feito dele um homem mais duro. Mas, em primeiro lugar, Schäuble não caiu do céu: ele representa hoje boa parte (senão a maior parte) da opinião pública alemã. Em segundo lugar, limitou-se a dizer uma coisa evidente: a Grécia não tem condições para estar no euro. No fundo, toda a gente sabe isso. Mas ninguém pode dizê-lo…

Os que criticam o ministro alemão já não se lembram provavelmente do que disseram de Angela Merkel até há muito pouco tempo. Merkel era a anterior bête noire da esquerda mundial - e até de pessoas moderadas do centro-direita. Ouvi Marcelo Rebelo de Sousa dizer com todas as letras que Merkel era «estúpida» pois estava a dar cabo do euro - quando a Alemanha era a principal beneficiária da moeda única.

Ora, é preciso algum pretensiosismo para dizer que uma mulher que chegou a chanceler alemã, e que já foi reeleita com uma vantagem folgada, é ‘estúpida’ e não sabe o que é melhor para o seu país.

No auge da contestação a Merkel, lembro-me de escrever que ela ainda haveria de ser reconhecida como a grande defensora do euro. Porquê? Porque defender o euro não é defender a ‘balda’, admitir tudo, deixar os países fazerem o que quiserem. Esse é o caminho mais directo para o fim do euro. Defender o euro é defender a disciplina orçamental, é exigir o cumprimento das regras, é dizer que os países têm de respeitar os seus compromissos, têm de cumprir os limites do défice, têm de pagar as suas dívidas, etc.

A vida custa, Costa - Os dados do desemprego

Pedro Cosme Vieira
[]
Mas as notícias falaram de 12,4%!
Sim, falaram, mas a taxa de desemprego observada é de 12,0%. O que acontece é que o INE faz umas contas e diz que é preciso acrescentar 0,4 pp ao desemprego de todos os meses de Junho por causa da sazonalidade. É que, normalmente, no Verão há menos desemprego por causa das férias e do turismo.
Acrescentou agora 0,4 mas também aumento 0,4 no Junho de 2011 (do Sócrates)
Mas, efectivamente, em Junho de 2015 a taxa de desemprego é de "apenas" 12,0% da população activa.

Durante os governos esquerdistas do Sócrates, o desemprego aumentou!
No mês em que o grande estadista socialista José Sócrates entrou (Março 2005), herdando uma situação catastrófica deixada pelo populista Santana Lopes, a taxa de desemprego estava nos 8,6% e quando saiu, depois de um governo extraordinário onde se deu prioridade às políticas de crescimento e emprego (Junho 2011), a taxa de desemprego estava nos 11,9% (com a tal correcção da sazonalidade, fica em 12,3%).
E durante esse tempo, Portugal endividou-se face ao exterior em 100 mil milhões de euros.

Durante o governo neo-liberal do PSD+PP, o desemprego diminuiu.
No mês em que os Passos Coelho + Porta tomaram posse, a taxa de desemprego herdada do Sócrates era de 11,9%. Em Junho está nos 12,0% e, prevejo, em Outubro de 2015 estará nos 11,8%.
Daqui até Outubro o desemprego vai diminuir pouco por causa do efeito do fim do Verão.

Não pode ser!
Não pode ser mas é mesmo assim, no tempo do grande estadista socialista José Sócrates o desemprego aumentou e no tempo do Passos, o destruidor da economia, o desemprego diminuiu.

sexta-feira, 31 de julho de 2015

Cuidado com o sol, jornalismo luso

Vitor Cunha
Cameron usou a expressão “a swarm of people” significando “um grande número de pessoas”. Vai daí a (Agência) Lusa – uma autêntica calamidade – decide que “praga” é uma tradução mais gira que “um grande número”. E lá foram todos, alegremente atrás da praga auto-imune:

·         Económico: praga de emigrantes
·         RTP: praga de emigrantes
·         DN: praga de pessoas
·         i: praga de emigrantes
·         JN: praga de emigrantes
·         Observador: praga de emigrantes

Boas férias, cuidado com o sol. 
Título e Texto: Vitor Cunha, Blasfémias, 31-7-2015

Cavaco Silva explicado aos distraídos

Rui Ramos
Cavaco Silva desempenhou um dos mandatos presidenciais mais difíceis da democracia. Frequentemente, pareceu uma das poucas pessoas preocupadas com o essencial. E ainda parece.

Há que voltar ao prato frio presidencial, porque o que está em causa é a compreensão do que se passa em Portugal. No dia 22, ao anunciar a data das eleições legislativas, o Presidente da República explicou as vantagens de um governo sustentado por uma “maioria estável no parlamento”. A oligarquia partidária e comentadora aproveitou logo para repetir a rábula de sempre: não se percebe Cavaco, Cavaco esteve mal, etc. O secretário-geral do PS, entusiasmado, desceu mesmo até à condescendência irónica. A dificuldade, para os mais finos, era esta: como é que Cavaco Silva pede agora um governo maioritário, quando em 2009 aceitou um governo minoritário?

Não é um mistério. Em 2009, o Presidente tinha um problema: Sócrates. Sócrates está hoje detido às ordens da justiça, e mesmo assim teve durante meses o PS em fila à porta da prisão. Imaginem que, há seis anos, Cavaco Silva não lhe tinha dado posse. Teria provavelmente sido o fim do regime.

Antes de nos falarem das supostas limitações pessoais de Cavaco Silva, falem-nos das reais dificuldades políticas que encontrou. Cavaco Silva enfrentou um problema que, antes dele, nenhum outro Presidente teve: foi o primeiro cuja eleição não contou com o apoio do PS. Os líderes socialistas fizeram-lhe sentir isso a todas as horas. Nunca o trataram senão como um intruso. Depois de 2011, o primeiro Presidente que não foi votado pelo PS viu-se perante o primeiro ajustamento em que o PS, agora na oposição, recusou colaborar, ao contrário do que acontecera em 1978 e em 1983-1985. Entre 2011 e 2014, Cavaco Silva falou muito do risco de uma ruptura social. Mas o risco de uma ruptura política foi maior.

O tamanho de uma democracia

Miguel Tamen

Comparar a Atenas do século quinto antes de Cristo com uma democracia é como comparar uma pista de comboios eléctricos com uma rede ferroviária.

A democracia ateniense durou pouco e acabou mal; o corpo de cidadãos era aproximadamente equivalente ao dos habitantes da freguesia de São Domingos de Rana. Durou apesar de tudo o que durou porque o número de cidadãos era baixo. O processo deliberativo, que conheceu várias versões, pareceu-se em todas mais com um pátio das cantigas, onde havia apenas seitas e consensos, do que com qualquer coisa a que modernamente pudéssemos chamar deliberação. Era um modo de manter uma paz relativa entre vizinhos rancorosos, e um modo de estimular o meio essencial para a manutenção dessa paz. O meio era verbal. Atenas foi no seu apogeu um bairro unido por bisbilhotices, rumores e discursos públicos; comparada por exemplo com Esparta, que nos seus respectivos tempos áureos tinha todo o encanto combinado de uma caserna e de um parque de campismo, era a freguesia menos desagradável da Grécia Antiga.

Não há qualquer paralelo possível entre aquilo a que hoje se chama geralmente democracia e a Atenas do século sexto ou quinto. As dificuldades eram aí menores porque havia muito pouca gente; sem grande esforço as pessoas conheciam-se, ou pelo menos podiam rapidamente saber quem eram. Casavam-se entre si ou praticamente só entre si. Solon, um conhecido defensor da democracia em Atenas, era primo do principal tirano da altura. Naquilo a que hoje se chama democracia é muito raro as pessoas conhecerem-se; e quanto (considera-se) mais desenvolvida é a democracia, menos a possibilidade de saber quem alguém é deve contar. Os eleitores casam-se comummente noutras freguesias.

Comparar a Atenas do século quinto com uma democracia é como comparar uma pista de comboios eléctricos com uma rede ferroviária; na minha casa de jantar posso com um único olhar contemplar toda a pista; posso ocupar-me amorosamente de cada carruagem; e posso corrigir os meus descarrilamentos e os meus erros. Nada que eu aprenda com os meus comboiozinhos, porém, me prepara para ser sequer guarda de passagem de nível. Solon não conseguiria ser eleito deputado numa democracia moderna; e o primo não conseguiria ser um tirano capaz.

Tal como existe um tamanho abaixo do qual deixamos de reconhecer uma democracia, assim provavelmente existe um tamanho acima do qual aquilo a que chamamos democracia se torna dificilmente reconhecível. Os países em que geralmente se reconhece um modo democrático de organização são quase todos países de tamanho médio; Andorra é uma tirania, e a Índia é na melhor das hipóteses uma democracia muito disfuncional. O único milagre americano, mas que não é pequeno, consiste precisamente no facto de os Estados Unidos serem o único país do mundo com uma democracia pouco disfuncional e uma população acima de cem milhões de habitantes. 
Título e Texto: Miguel Tamen, Observador, 31-7-2015

Livre-se da raiva

Nelson Teixeira
Que você fique livre da raiva e constantemente experimente felicidade em sua vida.
Se você quiser experimentar felicidade é essencial ser vitorioso sobre a raiva.

Mesmo que alguém o insulte não fique zangado.
Mostrar mandonismo também é um traço de raiva.

Não pense que você tem que ficar com raiva para fazer com que as coisas sejam realizadas.
Hoje em dia tudo é arruinado através da raiva, ao passo que com amor uma tarefa arruinada será acertada pacificamente.

Considere a raiva um vício muito grande. Livre-se dela. 
Título e Texto: Nelson Teixeira, Gotas de Paz, 31-7-2015

Charada (74)

Antes de o
monte Everest
ter sido descoberto,
qual era a montanha 
mais alta do mundo?

quinta-feira, 30 de julho de 2015

Confiança dos consumidores em máximos desde 2002

Paula Cravina de Sousa

Perspectivas da evolução do desemprego, situação financeira familiar e económica do país justificam subida do indicador.



A confiança dos consumidores aumentou em Julho atingindo o máximo desde Abril de 2002. Por sua vez, o indicador de clima económico voltou a recuperar, registando o valor mais elevado desde Maio de 2008.

De acordo com o Instituto Nacional de Estatística (INE), o indicador de confiança dos consumidores voltou a subir em Julho depois de ter diminuído nos três meses anteriores e retomou o perfil ascendente registado desde o início de 2013. Em Julho atingiu os 19 pontos negativos, valor que compara com o máximo registado em Novembro de 1997, de -5,5 pontos (o indicador tem sido sempre negativo).

O bom comportamento do indicador ficou a dever-se sobretudo ao contributo positivo das expectativas relativas à evolução do desemprego, da situação financeira da família e também da situação económica do país.

E a presidente vetou...

** - Eu, Dilma Rousseff, presidente da República Federativa do Brasil, fazendo uso das minhas atribuições constitucionais e legais, legitimada pelo total de votos recebidos à maior, VETO, irrevogavelmente, a Emenda que estendia o mesmo percentual de correção do SM para todos os aposentados, sem qualquer outra alternativa que possa aliviar o  aperto dos perversos garrotes nos seus pescoços. Tenho dito - **

Almir Papalardo
Seria este o texto justificando o veto ou, na melhor hipótese, o que  Dilma certamente gostaria de ter escrito!

Como já era de se esperar, embora expectativa por um final feliz sempre existisse, a nossa insensível presidente vetou a Emenda que estendia o mesmo percentual de reajuste do SM para todos os aposentados. Não chega mais a nos surpreender, já virou um fato sinistro e rotineiro!
  
Não adianta, até parece que a categoria mais prejudicada da sociedade está mesmo amaldiçoada pelo governo federal, que há  dezessete anos não faz outra coisa a não ser torpedear com vetos e impedimentos todos as medidas e/ou projetos  favoráveis  aos aposentados. Tornou-se a pior discriminação preconceituosa contra certas categorias de trabalhadores existentes no Brasil: “governo tirânico muito bem guarnecido por aliados, se recusa a reconhecer os sagrados direitos de aposentados”!!

Que sirva também de lição para certos aposentados que só vivem dando tiros no próprio pé, a procura desenfreada de reais culpados do nosso massacre, acusando-os severamente, quando, a nossa melhor estratégia, pelo pouco de vida que ainda temos, seria tentar reunir  e não afastar, o maior número possível defensores. A união faz a força convencendo-nos que é muita pretensão de nossa parte pensarmos que podemos lutar sozinhos! Se Lula se reelegeu e Dilma se elegeu e também se reelegeu, compartilhamos com as vitórias deles, ao desperdiçar preciosos votos pelo tolo radicalismo de não querer votar num oposicionista tucano, com a única intenção de punir FHC. Agora não adianta chorar; a nossa própria e inútil raivinha, nos derrotou...

Águas onde vão decorrer competições olímpicas tão contaminadas como esgotos

Uma investigação da Associated Press concluiu que os atletas que vão participar nos Jogos Olímpicos de 2016, no Rio de Janeiro, vão nadar e navegar em águas com níveis tão elevados de contaminação com fezes humanas que arriscam ficar gravemente doentes

Visão

Foto: Reuters
Análises realizadas no âmbito da investigação da agência de notícias revelaram níveis perigosamente elevados de vírus e bactérias, provenientes de fezes humanas, nos locais onde vão decorrer algumas das provas olímpicas do próximo verão.

Os resultados alarmaram especialistas internacionais, apesar de as autoridades brasileiras garantirem que a água vai ser segura para os atletas que participarem nos Jogos. Segundo a Associated Press (AP), no entanto, o Brasil não realiza análises capazes de detetar vírus.

Nalguns casos, chegou a ser detetada uma presença de vírus nocivos para a saúde humana 1.7 milhões de vezes superior ao que seria considerado perigoso, por exemplo, numa praia do sul da Califórnia.

"O que temos aqui, basicamente, é esgoto sem tratamento", explica John Griffith, um biólogo marinho norte-americano, que examinou os protocolos, metodologia e resultados dos testes da AP. "É a água das sanitas e chuveiros e tudo o que as pessoas atiram para os lavatórios, tudo misturado, e vai tudo para as águas das praias".

Leonardo Daemon, coordenador da agência ambiental brasileira que faz a monitorização da água, esclarece que as autoridades cumprem as regras em vigor no Brasil sobre a qualidade da água, com base nos níveis de bactérias. "Qual seria a medida a seguir para a quantidade de vírus?", questiona o responsável. "Não há uma medida para a quantidade de vírus em relação à saúde humana quando em contacto com a água".

A realidade é de direita – parte II

João Miguel Tavares
Quando não se faz nada, fica-se pior a cada dia que passa. A Grécia que o diga.
O meu texto da semana passada intitulado “A realidade é de direita” (no final deste texto) mereceu respostas por parte de Miguel Esteves Cardoso e de José Pacheco Pereira.

Em relação às objecções filosóficas do Miguel tenho pouco a opor, excepto no ponto em que ele recorre à velha dicotomia pobres vs. ricos para descrever a situação europeia em 2015. A querer estabelecer opostos, opte-se por ricos vs. classe média, porque os verdadeiros pobres são os que morrem silenciosamente no Mediterrâneo, a tentar chegar à Europa de todas as crises. Esquecemo-nos demasiadas vezes disso. 

Pacheco Pereira decidiu, como é seu hábito, trocar aquilo que eu escrevi por aquilo que lhe dava jeito que eu tivesse escrito, de modo a repetir pela enésima vez as suas profecias apocalípticas e a lançar-se contra os moinhos da “direita radical”, a que alegadamente pertenço. Pacheco faz questão de sublinhar a “profunda inanidade intelectual” das minhas posições e alcandora o TINA a uma nova filosofia do “fim da história”, coisa que nunca defendi. Mas o que mais me espanta é isto: como é que um homem tão culto e afogado em Marmeleiras de História de Portugal não percebe como é velha e relha esta sua perpétua, incansável e desproporcionada resmunguice contra o estado do mundo.

Pacheco é mais um dos “revolucionários do statu quo”: tem um discurso muito radical sobre o nosso presente, clamando por grandes mudanças – só que, ao contrário do revolucionário tradicional, o objectivo de tanto esforço não é chegar aos amanhãs que cantam, mas recuperar os ontens que cantaram. De facto, se o revolucionário do statu quo tem a habitual dimensão utópica, nomeadamente nas exigências – a maior parte delas justíssimas – de uma modificação radical no funcionamento do capitalismo, ele está ao mesmo tempo satisfeito com o seu passado recente, e por isso aquilo que exige é isto: que não se toque na classe média enquanto não se mudarem as regras do capitalismo selvagem e de compadrio.

Esta posição parece racional, e está aparentemente do lado dos desfavorecidos contra os privilegiados, mas tem um problema inultrapassável: não se pode pôr em prática em países brutalmente endividados, que precisam do capitalismo que hoje existe, seja bom ou mau, para pagar as suas contas. Donde, 100% boas intenções, 0% pragmatismo. Por muito que Pacheco Pereira tente travar o mundo com os pés, ele continua a girar, e como qualquer endividado bem sabe, a inacção não é solução. Quando não se faz nada, fica-se pior a cada dia que passa. A Grécia que o diga. Daí a necessidade de agir – e daí o TINA.