sábado, 28 de fevereiro de 2015

Crônica de Shangri-La: a lista de Atlas

José Manuel
Oskar Schindler foi um empresário alemão que salvou a vida de mais de mil judeus durante o holocausto, empregando-os em sua fábrica.
Steven Spielberg eternizou-o no cinema com o filme Schindler's list ou, para nós, A lista de Schindler, recebendo nada mais do que sete Oscars e é considerado pela crítica especializada como o oitavo melhor filme já feito.

Enquanto Schindler e seu colaborador Stern fizeram uma lista dos trabalhadores que seriam mantidos longe dos trens de Auschwitz, evidentemente para salvá-los da morte certa, nós aqui em Pindorama aguardamos por uma eternidade a lista de Atlas, diga-se de passagem nada abonadora em contraste com a primeira e com aquele que na mitologia grega é um dos titãs condenado por Zeus a sustentar os céus para sempre, mas que também pode nos salvar politica e socialmente.

Atlas carregando os céus nos ombros
A lista de Atlas, ou daqueles que teriam que sustentar para sempre as suas virtudes, uma vez que foram colocados no poder  pelo povo, é a lista dos nomes dos parlamentares, governadores, ministros, envolvidos no escândalo do Petrolão e que está em poder do Procurador-Geral da República.

A nação está ávida por conhecer os nomes incluídos nessa lista, pois cada cidadão quer saber até aonde vai a sua responsabilidade em ter dado o seu voto a pessoas inescrupulosas, que se utilizam do voto obrigatório para seu enriquecimento pessoal, ao contrário das responsabilidades determinadas a eles por esse mesmo voto.

Essa lista será mais um ingrediente bombástico e será determinante para o prosseguimento de punições, ou o eterno abrandamento imperdoável já tão conhecido, neste que já é considerado o maior escândalo do planeta.

A partir deste momento crucial para a história do país, em que os nomes serão conhecidos, ficará muito claro até aonde pode chegar e como é utilizada "a liturgia do poder" em que o correto é procurar atingir os aspectos mais honestos dos indivíduos públicos, pregando a ética no trabalho público, na disciplina do cargo que ocupa, do respeito à hierarquia a que está submetido e do cultivo à simplicidade, jamais à vaidade exacerbada.

Portugal estreia no Conselho de Direitos Humanos da ONU

Portugal vai estrear-se no Conselho de Direitos Humanos na segunda-feira, apresentando as prioridades nacionais para o mandato de três anos que cumprirá neste organismo das Nações Unidas.

Agência Lusa

A chefiar a delegação portuguesa, o ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Rui Machete, vai discursar na reunião de alto nível que dará início aos trabalhos da 28.ª sessão do CDH, em Genebra, na Suíça.

Foto: AFP/Getty Images

Portugal integrou por três vezes a antiga Comissão de Direitos Humanos, mas esta é a primeira vez que integra o CDH, em funcionamento desde 2007 e com maior capacidade interventiva na proteção e promoção dos direitos humanos no mundo, tendo iniciado mandato a 1 de janeiro.

Entre as questões que “merecem a atenção urgente do CDH”, Portugal destaca as violações e os abusos de direitos humanos registados em situações de conflito, nomeadamente no que diz respeito ao movimento extremista Estado Islâmico, em relação ao qual “a comunidade internacional não pode permanecer indiferente”, adiantou à Lusa fonte oficial do Ministério dos Negócios Estrangeiros.

Recordando que Portugal já contribuiu com 230 mil euros para ajudar as vítimas daquele grupo fundamentalista, a fonte frisou que o efeito da atuação do autoproclamado Estado Islâmico na Síria, no Iraque e na Líbia é “uma questão prioritária”.

Le Portugal remboursera 6 milliards d'euros au FMI en mars

AFP

Le Portugal remboursera par avance au Fonds monétaire international (FMI) six milliards d'euros dès le mois de mars, soit près d'un quart des prêts accordés depuis 2011 dans le cadre du plan de sauvetage, a indiqué vendredi soir le gouvernement.

Au total, Lisbonne souhaite régler 14 milliards d'euros sur les 25,7 milliards reçus en trois ans par le FMI, dans un délai maximum de deux ans et demi, avait annoncé début février le ministère des Finances.

Cette décision, approuvée par le FMI et l'Union européenne, se traduira par "une réduction très importante des intérêts à payer par notre pays", a assuré vendredi la ministre des Finances, Maria Luís Albuquerque, à Viseu (nord du Portugal).

La ministre des Finances du Portugal, Maria Luís Albuquerque, lors d'une visite à Paris, le 23 janvier 2015. Photo: AFP/AFP/Archives

"Nous commençons par cette tranche, et en fonction des circonstances, nous allons rembourser le reste dès que possible", a-t-elle précisé.

Sur le marché de la dette, le pays se finance désormais à des taux d'emprunt autour de 2% à dix ans, plus avantageux que les 3,6% concédés par le FMI.

O temor existe

Boris Nemtsov foi assassinado com quatro tiros nas costas.

Ele era o principal opositor de Vladimir Putin. Neste domingo, participaria de um grande comício em Moscou.

Nos últimos tempos, Nemtsov vinha denunciando sobretudo a guerra secreta de Putin no leste da Ucrânia e, segundo seus colaboradores, estava prestes a publicar um relatório sobre o envolvimento de tropas russas no país, com detalhes muito comprometedores para o governo.

Perguntaram-lhe recentemente se ele não temia ser morto por Putin. Ele respondeu: “Espero que não, mas o temor existe”. 
Título e Texto: O Antagonista, 28-2-2015

Dilma, a energia e o vento: ela não aprende nada nem esquece nada!

Reinaldo Azevedo
No dia em que se anuncia um reajuste médio na energia de 23,4% — 60% em um ano —, a presidente Dilma afirmou, durante a inauguração do Parque Eólico de Geribatu, que o aumento da tarifa é necessário, mas passageiro. E — ela nem aprende nada nem esquece nada — aproveitou para atacar o… governo FHC.

Afirmou:
“Quando a água falta no Brasil, e todo mundo tem que saber disso, aumenta o preço da energia sim, porque você passa a pagar por aquilo que não pagava, que é a água e o vento. Qualquer outra forma de energia tem que pagar. Ela funciona como uma espécie de reserva, que você só vai usar quando precisar. Nós estamos precisando. Então, eu quero explicar a vocês que os aumentos de preços da energia são passageiros. Eles estão em função do fato de que o país enfrenta a maior falta de água dos últimos cem anos. Isso não significa que nós vamos ter qualquer problema sério ou mais sério na área de energia elétrica. Não iremos ter porque temos todo um sistema de segurança. Mas isso também não significa que vamos sair por aí jogando energia pela janela e não consumindo de forma racional”.

Ah, bom! Ao menos a governanta assumiu que pode haver alguns probleminhas, né? Fez alusão ao racionamento de 2001, afirmando que, naquele caso, faltavam redes de transmissão. É verdade. Hoje, falta é energia mesmo. Dilma prefere ignorar que, quando veio o apagão de 2001, o país vinha de um crescimento de 4,2% em 2000. Mesmo com o apagão, cresceu 1,4% em 2001 e 2,7% em 2002, ano em que o PSDB perdeu a eleição. Se a economia brasileira estivesse crescendo 1,4% hoje, a energia já teria ido para o pau.

Dilma afirmou ainda que o país enfrenta a pior seca em 100 anos. Na campanha eleitoral de há quatro meses, ela afirmou que o PSDB atribuir a crise hídrica em São Paulo à falta de chuva era conversa mole. Segundo a soberana, o que falta a seus adversários era planejamento.

De resto, não vamos nos esquecer jamais de sua aparição na TV no dia 6 de setembro de 2012 (vídeo abaixo), quando disse coisas como esta:

Façanhas de ontem e de hoje

Jacinto Flecha

Os escritores famosos redigem suas obras para cerca de vinte pessoas, e os de menor alcance escrevem para bem menos. Esta informação constava em artigo de um literato talentoso e muito respeitado, que li no século passado. Mas a minha idade, prezado leitor, não deve ser avaliada com base nesse século passado aí atrás, pois qualquer pessoa com mais de vinte anos lembra-se do que leu no século passado. Faço também a ressalva de que não era uma estatística, mas uma estimativa pessoal. Merece credibilidade, sendo ele do ramo e bom conhecedor dos meios literários.

A estimativa pode parecer estranha, mas contém dados razoáveis e verossímeis. Em primeiro lugar, porque nenhum escritor conhece todos os seus leitores. À medida que vai pondo no papel os fatos, pensamentos, comentários, é também natural ele se perguntar qual seria a opinião de tal e tal amigo cujas posições conhece, tal grupo de pessoas com o qual tem afinidades ou discrepâncias. Assim agindo, pode avaliar o que pensará da obra a média dos seus leitores. E pode prever, por essa amostragem, se os termos que usa, a construção das frases, os conhecimentos necessários para entender o conteúdo, tudo corresponde ao adequado para seus leitores.

Qual o meu objetivo com essas informações? Bem, não mencionei ainda os que escrevem, ou empreendem grandes esforços, ou produzem algum objeto para agradar a apenas uma pessoa. Existem sim, e já vou lhe dar exemplos.

No século passado (de novo) houve um atentado contra a vida do presidente Ronald Reagan, e logo se constatou o motivo. O autor, mentalmente desequilibrado, queria impressionar uma única pessoa, atriz de um filme em cartaz. Imagino que no filme ela se envolvia em algum atentado, e talvez ele tenha procurado demonstrar sua capacidade para fazer a mesma coisa; em seguida passaria a exibir-se diante dela com objetivos fáceis de imaginar. Há loucura para tudo…

Outro fato bem antigo (parece que tudo hoje aponta para o século passado) se refere a uma menina que teve poliomielite (doença considerada extinta… no século passado). A recuperação exigia fisioterapia, durante a qual ela reclamava das dores e outros aspectos desagradáveis. Num dia de choramingos especialmente irritantes, a mãe chamou-a às falas, em termos como estes:

— Minha filha, estamos fazendo tudo ao nosso alcance para você voltar a andar como uma pessoa normal. É o que podemos fazer, mas se não houver cooperação da sua parte, os resultados não serão esses. Você vai ficar aleijada para toda a vida, não vai conseguir emprego nem um bom marido. Se você quer ficar assim, basta parar de fazer os exercícios, mas depois não ponha a culpa em nós.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Nova Sociedade

Ivan Ditscheiner

Uma NOVA sociedade desponta no horizonte. Quantos e quantos já acordam pela manhã sentindo os resquícios de algo inteiramente NOVO. Algo realmente lhe traz um profundo e natural prazer.

Sim, natural porque os sentimentos/energia normais da velha sociedade vão dando lugar ao prazer dos sentimentos/energia de algo inteiramente novo de sentimentos/energia naturais. Sei que hoje mesmo estão acordando com isso.

O velho, já sem as rédeas do velho, vem dando lugar a um NOVO sem rédeas, para que re-criem uma NOVA sociedade em que nada é comprado, TUDO é partilhado, e ninguém será dono de nada.

Utopia? Coisa de velha sociedade. Sou eu mesmo um reencarnado (interessante isso... parece coisa de açougue), porque nunca morri, porque nunca nasci. 

Ao longo dos séculos, venho absorvendo as práticas e energias deste mundo de uma sociedade espiritualmente/energia, engessada por algo que não existe, e que não permite a evolução. Evolução do Buda. Algo NATURALMENTE belo. Normalmente tolhido.

Você, como eu, É uma Energia particularizada de Tudo Que Existe. Como é possível colocar rédeas em Energia? Esta velha sociedade ainda tenta isso, mas como é possível dogmatizar e prender Energia, eternamente Livre? Eternamente InterLigada? InterAgindo?

Por que estava até agora assim? Você fica visível aqui, nasce em corpo físico. Luta, mesmo sem gostar de nada disso. Daí a pouco fica invisível, como dizem, morre. Vê, então, que não é nada disso e diz: Vou voltar ao mundo físico e tudo vai ser diferente... 

Por que isso não acontece? Porque você está outra vez na mesma velha sociedade muito pouco evoluída, egoísta e gananciosa. E continua assim, batendo na mesma tecla, tanto em cima como em baixo, ao longo dos séculos.

O NOVO, já é sentido em Liberdade de sentir.
O que Fazemos agora é um convite, porque nada pode ser imposto ao ser Livre.
A grande afluência a este site tem um motivo, que perceberão no compartilhamento.
A palavra/energia, falada e escrita, é o meio menos confiável de comunicação. Por quê? Porque não exprime naturalmente sentimentos. Mas, sempre é carregada de energia.
Nós Somos a Energia Nova para uma Nova Terra.

Soumission (Submissão), livro de Michel Houellebeck

Houellebecq imagina a França (e depois a Bélgica, en passant) governada por maometanos.

O narrador, professor de Literatura, 44 anos, na Universidade de Sorbonne, especialista em Joris-Karl Huysmans,– escritor francês que se converteu ao catolicismo –, objeto da sua tese de doutorado,  além de, naturalmente, citá-lo várias vezes, também passa ou hospeda-se nos locais por aquele frequentados.
Outros autores também são citados no livro.

Logo nas primeiras páginas (34) ficamos a saber da proibição de acesso de organizações estudantis judias à universidade, enquanto multplicam-se as antenas da Fraternidade Muçulmana…

Houllebecq continuou a imaginar e a descrever uma França islamizada, recorrendo ao narrador que acaba por ser despedido da Universidade Islâmica Sorbonne-Paris, já que esta apenas aceita professores muçulmanos. E aquilo que esse professor vê é um país com uma baixíssima taxa de desemprego (as mulheres são encorajadas a abandonar o mercado de trabalho para se concentrarem na família), pouco crime nas ruas e escolas islâmicas.

As conversões ao Islã aumentam, o que, de acordo com o narrador, conduz à morte da liberdade de pensamento e do espírito crítico.

Houellebeck não perde a oportunidade para lembrar aos leitores que a mídia francesa (e os comentaristas televisivos) é de centro-esquerda (Le  Monde, ainsi plus généralement que tous les journaux de centre-gauche, c’est-à-dire en realité tous les jornaux...) e por isso ironizaram regularmente as ‘cassandras’ que previam uma guerra civil entre imigrantes muçulmanos e as populações autóctones da Europa ocidental. E repetiram a cegueira dos troianos – que não acreditaram no aviso de Cassandra sobre o cavalo utilizado pelos gregos. Mas a cegueira desses comentaristas não é historicamente inédita: aconteceu o mesmo com os intelectuais, políticos e jornalistas dos anos 1930, unanimemente persuadidos que Hitler acabaria se rendendo à razão.

Reajuste também para os benefícios previdenciários com valores acima do salário mínimo

Eduardo Cunha inclui na pauta projeto sobre valorização do salário mínimo
Proposta mantém a atual regra, mas estende o reajuste a aposentadorias e benefícios previdenciários acima do mínimo
Isabel Braga

O governo poderá ser obrigado a discutir, já na próxima semana, as regras de reajuste do salário mínimo a partir de 2016. O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), incluiu como terceiro item da pauta de votações da próxima terça-feira projeto que dispõe sobre a política de valorização de longo prazo do salário mínimo. A proposta em debate mantém a regra atual de ganho real do mínimo por tempo indeterminado, como o governo defende. No entanto, estende o reajuste a aposentadorias e benefícios previdenciários acima do mínimo.

A vigência da regra atual de valorização do mínimo termina em 31 de janeiro deste ano. Até lá, o Congresso Nacional terá que aprovar projeto sobre o tema. Logo depois de tomar posse, o ministro Nelson Barbosa (Planejamento) disse que iria propor uma nova regra de reajuste do mínimo de 2016 a 2019, garantindo aumento real. A presidente Dilma Rousseff não gostou e mandou o ministro soltar nota afirmando que a política seria mantida.

A votação do projeto foi pedida a Cunha pelo PC do B. O presidente da Casa aprovou a inclusão na pauta. A proposta que já foi aprovada na Comissão de Trabalho, torna permanente a atual regra de reajuste do salário mínimo de reajustes pela inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) no ano anterior mais o crescimento do Produto Interno Bruto de dois anos anteriores. Mas o relator na Comissão, deputado André Figueiredo, alterou o projeto estendendo a regra de reajuste também para os benefícios previdenciários com valores acima do salário mínimo.

O projeto teve a urgência aprovada no ano passado e, por isso, pode ser pautado em plenário, onde receberá pareceres das comissões de Finanças e Tributação e Constituição e Justiça. O debate será feito em plenário e os deputados poderão optar por apenas manter a regra atual ou alterá-la.
Título e Texto: Isabel Braga, O Globo, 27-2-2015 
Grifos: JP

Crônica de Shangri-La: a cultura popular e a música

José Manuel

A voz do povo é a voz de Deus,
Vox populi, vox Dei

Pois é, o Zé Ramalho quando lançou a sua música Admirável gado novo em 1979, mesmo já fazendo parte da história  sofrida deste povo de Pindorama, foi o primeiro artista que tão bem esclareceu de vez e também profetizou o nosso futuro, através do seu alerta musical.


 " Vocês que fazem parte dessa massa,
     Que passa nos projetos do futuro,
       É duro tanto ter que caminhar,
         E dar muito mais que receber,
          E ter que demonstrar sua coragem
            À margem do que possa parecer
              E ver que toda essa engrenagem
               Já sente a ferrugem lhe comer
                 Êh,oô, vida de gado
                   Povo marcado
                     Êh, povo feliz ! "

Vinte e seis anos, separam esta música, do dia em que nesta semana e para fazer um exame médico, tive que me deslocar de Niterói, que eu não sabia que era o paraíso, até  ao bairro da Tijuca, no Rio.

Meia hora em um ônibus lotado, para percorrer cinco quadras a um preço de R$ 3,30, enfrentar uma estação hidroviária lotada e obsoleta, mais uma viagem em uma barca sem ar-refrigerado a um custo de R$ 5,00. Depois, já na cidade maravilhosa, andar durante vinte minutos sob um sol de 40°, deparar-me com uma estação de metrô escura, mal sinalizada, chão imundo, vagão pior com data de inauguração em 1979, junto com a música, e aspecto de decadência, mas com um preço de R$ 3,50. Total do inferno de ida, R$ 11,80.

Como um dia teria que voltar à casa, e talvez só faça isso a cada vinte anos fiz tudo de novo, o passeio me custou R$ 23,60, e fiquei imaginando se estivesse trabalhando, isso me custaria ao mês, uma média de R$ 520,00, com serviços e temperaturas sub-saarianos. Foi aí que a música do Zé Ramalho,  "vida de gado" me veio à cabeça.

                                      " O povo foge da ignorância
                                Apesar de viver tão perto dela
                       Contemplam esta vida numa cela
                            Esperam nova possibilidade
                 De verem esse mundo se acabar
                          A arca de Noé, o dirigível
              Não voam, nem se pode flutuar
                             Êh,oô, vida de gado
                                  Povo marcado
                             Êh, povo feliz ! "

Dois ônibus abarrotados e quentes, duas barcas com estações, cais há mais de 50 anos sem obras, duas viagens sufocantes na travessia da baía, com todos se abanando como podiam, mais dois trens lotados e visivelmente sujos, tudo por apenas quase um salário mínimo mensal, mas não ouvi um pio de insatisfação, um sequer arremedo de revolta, uma reclamação.

Acho que todos estavam cansados da semana anterior, porque felicidade e alegria aqui pelos trópicos, tem nome e chama-se carnaval.

A Petrobras e a intelectualidade corrupta

José Carlos Sepúlveda da Fonseca

Um manifesto assinado por expoentes da assim chamada ”intelectualidade brasileira”, como Fábio Konder Comparato, Marilena Chauí, Cândido Mendes, Celso Amorim, João Pedro Stédile, Leonardo Boff e Maria da Conceição Tavares (e haja fôlego!), denuncia a Operação Lava Jato como tentativa de destruição da Petrobras, de seus fornecedores e de mudança do modelo que rege a exploração de petróleo no Brasil.

Vejam bem, segundo estes senhores, a destruição da Petrobras vem da apuração dos crimes feitos pela Justiça e pela Polícia Federal; não provém dos próprios crimes praticados pela máfia petista encastelada na máquina pública.

Conspiração
O texto do dito manifesto aponta ainda uma “conspiração” para desestabilizar o governo; as investigações, segundo esses “expoentes intelectuais”, atropelam o Estado de Direito.

Chamo de novo a atenção: não são os crimes cometidos pela máquina corrupta do Partido dos Trabalhadores para consumar seu projeto de poder anti-democrático – e reduzidos por estes luminares a simples “malfeitos” – os que abalam o Estado de Direito; o que abala o Estado de Direito é a ação da Polícia e da Justiça, transformada numa “conspiração para desestabilizar o governo”.

Para finalizar e acentuar a má-fé que perpassa o texto, o manifesto conclui por afirmar que “o Brasil viveu, em 1964, uma experiência da mesma natureza”, a qual nos custou “um longo período de trevas e de arbítrio”. Qual o fundamento para esta aproximação arbitrária e gratuita?

Subversão das ideias, distorção dos fatos
Consolida-se hoje, de Norte a Sul do Brasil, um sentimento de aversão e repulsa em face da imensa máquina de corrupção instalada pelo PT (e associados) na Petrobrás, em diversas outras instâncias dos negócios do Estado e nas instituições, com a finalidade de consumar um projeto de poder totalitário. É bom e louvável que assim seja.

Impeachment - Luiz Trevisani & Eder Borges


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Charada do dia (5)

Agostinho decide atravessar um rio com o seu burro e dois fardos de palha. Porém, ele sabe que só pode transportar uma coisa de cada vez no seu pequeno barco e que o burro comerá a palha se ficar sozinho com algum dos fardos
Que deve ele fazer para levar a carga intacta para a outra margem?

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Em busca do Amor

O meu Destino disse-me a chorar:
“Pela estrada da Vida vai andando,
E, aos que vires passar, interrogando
Acerca do Amor, que hás-de encontrar.”

Fui pela estrada a rir e a cantar,
As contas do meu sonho desfilando...
E noite e dia, à chuva e ao luar,
Fui sempre caminhando e perguntando...

Mesmo a um velho eu perguntei: “Velhinho,
Viste o Amor acaso em teu caminho?”
E o velho estremeceu... olhou... e riu...

Agora pela estrada, já cansados,
Voltam todos pra trás desanimados...
E eu paro a murmurar: “Ninguém o viu!...”

Florbela Espanca

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Contos moucos dos loucos (XXVI) – A pedra



Não sei se era hexagonal ou octagonal… não sei quantos lados tinha… ela lá estava, na grama, juntinho à calçada.

Quase que ele batia o focinho nela, pois ele anda sempre com o focinho rastejando.

Ele levantou o focinho e a perna traseira esquerda. E aliviou-se.




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Na Venezuela, juiz vai preso horas depois de condenar traficante tido como aliado do governo

A ditadura chavista, da qual PT e Dilma são aliados, prendeu Ali Fabricio Paredes horas depois do referido juiz ter condenado um traficante que seria aliado do governo de Nicolas Maduro.



A situação na Venezuela já chegou às raias da insanidade ditatorial. A última daquele regime absurdo é a seguinte: juiz condena traficante e, horas depois, governo manda prender… O JUIZ! Confiram trecho de reportagem da Folha:

“O serviço de inteligência da Venezuela prendeu nesta quarta-feira o juiz Ali Fabricio Paredes, que, horas antes, havia condenado a 14 anos de prisão um narcotraficante tido como próximo do governo. O narcotraficante Walid Makled foi condenado pelos crimes de tráfico de cocaína e lavagem de dinheiro.”

E não apenas há quem defenda essa ditadura, mas quem faz tal defesa é o partido a própria Presidente da República. Afinal, primeiro vem a ideologia tacanha e os interesses mais imediatos, depois “detalhes” como a liberdade e a vida humana. 
Título, Imagem e Texto: Implicante, 26-2-2015

Citi eleva previsão de crescimento para Portugal para 1,9%

O Citi reviu em alta as suas previsões para a economia nacional, prevendo agora que o produto interno bruto (PIB) cresça 1,9% este ano.


Sara Antunes 
"Estamos a elevar as previsões de crescimento para 2015 e esperamos um aumento de 1,9% do PIB", o que compara com a estimativa anterior que apontava para uma expansão 1,7%, revela uma nota de análise publicada pelo Citi esta quinta-feira, 26 de Fevereiro.

"A melhoria das condições financeiras, a queda dos preços do petróleo e o aumento da confiança dos consumidores deve suportar a recuperação do consumo privado no primeiro trimestre", explica a casa de investimento.

Ao mesmo tempo, "as exportações vão continuar a beneficiar de um crescimento económico dos principais parceiros comerciais e de um euro mais fraco", sublinha a mesma fonte.

"Esperamos que o Governo supere o objectivo de défice orçamental em 2015", além de admitir que "uma melhoria da economia e uma queda do rácio da dívida sobre o PIB pode traduzir-se em factores positivos suficientes para uma revisão" nos próximos meses.

O Citi é assim mais optimista do que o Governo que prevê um crescimento da economia de 1,5%. Idêntico ao do Banco de Portugal.

Já a Comissão Europeia, nas previsões de Inverno, publicadas no início de Fevereiro, reviu em alta a estimativa para o crescimento da economia portuguesa em 2015. Estimando um crescimento do PIB de 1,6%, contra os anteriores 1,3%.
Título, Imagem e Texto: Sara Antunes, Jornal de Negócios, 26-2-2015

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Warren Buffett: “If I eat 2,700 calories a day, a quarter of that is Coca-Cola."

He believes in eating like a 6-year-old


You’ve heard of the Atkins Diet, the South Beach Diet, the Zone Diet.
Well, brace yourself for the Buffett Diet.

At 84, and with $72.8 billion and counting, Warren Buffett stirs interest when asked that age-young question: How do you do it?
The answer: Eat like a 6-year-old.
“I’m one-quarter Coca-Cola,” the chief executive of Berkshire Hathaway told Fortune magazine of the beverage giant in which he owns $16 billion in stock.

“If I eat 2,700 calories a day, a quarter of that is Coca-Cola. I drink at least five 12-ounce servings. I do it every day.”

The Oracle of Omaha says his diet is high-sugar and high-salt and he said he changed his eating to mirror a boy that age.

“I checked the actuarial tables, and the lowest death rate is among 6-year-olds. So I decided to eat like [one],” he told the magazine.

“It’s the safest course I can take.”

A 6-year-old without a mother to second-guess him, that is. He told Fortune that for a recent breakfast he “had a bowl of chocolate-chip ice cream.” 
Post Staff, The New York Post, 26-2-2105

“Retorno à Ordem” — Nova edição de 20 mil exemplares

ABIM
“RETORNO À ORDEM: de uma economia frenética a uma sociedade orgânica – onde estivemos, como chegamos aqui e para onde devemos ir” é o título de uma obra que está alcançando êxito espetacular nos Estados Unidos. Tendo-se esgotado recentemente sua primeira edição, de 30 mil exemplares, os editores partiram para uma segunda, com uma tiragem de 20 mil exemplares.


Seu autor, John Horvat II [foto], vem sendo objeto de muitos elogios da crítica norte-americana e internacional, pois soube não apenas tratar dos aspectos mais problemáticos da atual crise que afeta seu país, mas também indicar soluções.

Importantes líderes acadêmicos, políticos, militares e religiosos comentam que, mesmo em meio ao caos social e econômico que atinge todas as nações, Horvat explicita um tipo de atuação junto à opinião pública objetivando a restauração de princípios de uma verdadeira civilização cristã.

Um crítico literário da Amazon.com, por exemplo, registrou em dezembro passado: “Uma clara acusação de nossa louca corrida para obter mais e mais coisas, independente do custo para a sociedade, para as famílias, e até para nós mesmos. Enquanto o argumento central do livro fará mais sentido para alguém que tem uma formação em teologia cristã, ele também é de valor para qualquer um que vê os problemas inerentes a uma cultura cujos únicos princípios parecem ser ‘MAIS!’ e ‘AGORA!’”

O autor recebeu elogio também do Prof. Gregor Hochreiter, ex-diretor do Institute of Applied Economics and Western Christian Philosophy, em Viena (Áustria): “Qualquer um que considera superficial o debate público em curso … deve estudar Retorno à Ordem, do Sr. Horvat. É de se esperar que este livro atinja um grande público leitor e tenha também um impacto sobre políticas públicas, debates teóricos e decisões pessoais.”

Made in (António) Costa

Bernardo Ferrão 
Lembram-se quando António Costa dizia que António José Seguro só divergia do PSD e do Governo de Passos Coelho na "dose e no ritmo" da austeridade?

Pois bem, o que percebemos agora é que para António Costa a "dose" e o "ritmo" impostos pelo Governo não só permitiram "enfrentar" como "vencer" a crise. É essa a conclusão a que se chega depois de o ouvir nas comemorações do ano novo chinês:

"Como nós dizemos em Portugal, os amigos são para as ocasiões. E numa ocasião difícil para o país, em que muitos não acreditaram que o país tinha condições para enfrentar e vencer a crise, a verdade é que os chineses, os investidores disseram presente, vieram e deram um grande contributo para que Portugal pudesse estar hoje na situação em que está, bastante diferente daquela que estava há 4 anos. E queria agradecer à China todo o apoio que nos deu e que certamente não esqueceremos e que é um sinal do muito que ainda temos para desenvolver nas relações entre todos nós" (fim de citação).

O PS argumenta que há ocasiões e ocasiões para fazer oposição. Que aquele não era o cenário, frente a uma plateia de estrangeiros, para criticar.

Estranho, no fim de semana passado, António Costa esteve em Espanha (também frente a estrangeiros) e não poupou nos ataques.  E dias antes tinha estado em Bruxelas onde fez o mesmo.

No discurso do socialista (cujo vídeo foi habilmente colocado nas redes pelo centrista Nuno Melo) os chineses não só fizeram muito por nós, como até merecem um inesquecível agradecimento. Quer isto dizer que com Costa em São Bento haverá mais chineses em novas privatizações? A sua estratégia também será a de vender as empresas nacionais?

Quero andar a pé! Posso?

Bem-vindo caro cidadão!
Ajude-nos a combater este flagelo!


Recebido por mail: 
Rua dos Lusíadas, esquina com a Rua José Dias Coelho, em Alcântara
Olá, boa tarde.

A imagem a seguir, representa um pequeno exemplo do que se passa na cabeça de todos os que actuam desta forma: intestino grosso ligado directamente ao cérebro por altura do parto.


Estacionamento em cima de duas passadeiras e passeio... é obra!!!
***Leitor identificado***

Rua Ramalho Ortigão, o parque gratuito do El Corte Inglês


Charada do dia (4)

No mesmo mês,
três domingos
coincidiram com
dias pares.
Então,
a que dia da semana

correspondeu o dia 20?

[Meninos, eu vi!] O enterro dos policiais

Morava no bairro da Madame Berman, na Estrada do Catete, em frente à FTU – Fabricante de cigarros de então. Tinha aulas de catecismo na capela do Cemitério Novo.

Na noite de 3 para 4 de Fevereiro de 1961 houve sublevações em prisões e ataque armado à Esquadra da Brigada Móvel, que ficava no início da Estrada do Catete. Morreram, salvo melhor informação histórica, sete policiais. (Essa data é atualmente comemorada em Angola; certamente deve ser feriado nacional. O aeroporto de Luanda tem esse nome).

Pois bem, dias depois, ou foi no dia seguinte, domingo, 5 de Fevereiro? A minha sensação é a de que se passaram alguns dias… Mas, consultando a história, verifico que o enterro desses policiais foi no dia seguinte.


Pois bem, na hora do enterro, eu estava na capela, na aula de catecismo, quando, de repente, ouvimos e vimos as pessoas correndo em direção da capela que ficava nos fundos do cemitério… corriam gritando, chamando por parentes, os homens pegavam paus, pedras… alguns conseguiam pular o alto muro do cemitério… pânico total. Também corri para os fundos do cemitério, mas não consegui pular aquele muro… na verdade, penso que os que estavam dentro do cemitério não sabiam o que se passava do lado de fora, e quem estava do lado de fora ignorava o que se passava dentro… não sei como nem porquê, corri para o grande portão da entrada. Ouviam-se tiros. Já do lado de fora do cemitério, policiais à paisana gritavam “Abaixem-se! Abaixem-se!”. Foi o que fiz.

Dias depois correu a versão que alguém ter-se-ia incomodado com o sorriso  (ou riso) de alguns (não sei quantos) indivíduos de raça negra, sentados numa mureta em frente ao cemitério (?!) e teria gritado “terroristas!”. E foi o que bastou para desencadear a confusão que se seguiu…

Não sei quantos indivíduos de raça negra, (terroristas) que, coincidente e infelizmente estavam ou circulavam nas imediações daquele cemitério, naqueles momentos, foram feridos ou mortos.

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