quinta-feira, 21 de março de 2019

[Daqui e Dali] O que aconteceu a Maria Matos, no Conservatório

Humberto Pinho da Silva

Maria Matos era uma menina talentosa, mas muito tímida e muito introvertida.

Quando se apresentou ao exame de admissão, ao Conservatório, tremia como varas verdes.

Perante o júri que a ia examinar não era capaz de articular fosse o que fosse.

Tudo que decorara e ensaiara, cuidadosamente, se varrera, inexplicavelmente, da memória.

Os membros do júri, pacientemente, aguardavam que recitasse poema, à escolha, ou trecho de texto, por ela escolhido. Mas nada. Tomada de medo, sua boca, era completamente muda.

A menina, agitando nervosamente a saia, ofegando, de olhos vagos, muito abertos, brilhando de ansiedade, esperava a sentença… A reprovação era certa…

Presenciava aquela confrangedora cena, D. João da Câmara, e apiedou-se da angústia daquela candidata, e, em tom meigo e paternal, disse-lhe:
“Reze a Avé-Maria…”

Ao escutar a voz amiga do dramaturgo, Maria Matos, como se fosse impelida por força misteriosa, aprumou-se, ergueu a cabeça com altivez e começou a declamar, diria melhor, a rezar a oração, com tanta sensibilidade, de forma tão bela, que o júri, por unanimidade, não hesitou aprová-la.

D. João da Câmara, reconhecido por todos que tiveram o privilégio de o conhecer como homem bom, prestável e amigo de auxiliar os que necessitavam, salvou aquela menina de reprovação certa.

Mais tarde, já famosa, considerada, pela crítica como uma das melhores atrizes do seu tempo, sempre que lhe surgiam dificuldades, dirigia-se ao cemitério, e diante do jazigo de D. João da Câmara, pedia-lhe intercessão, perante Deus, e conselhos amigos.

“Faz ternura…Não faz? …” escrevia a D. Emília da Câmara Almeida Garrett, a sua mãe, em missiva enviada de Castelo Branco, em 28 de junho de 1910, acrescentando que ouvira, o que acabei de narrar, da própria boca da atriz quando a visitou, ao passar, em tournée, por aquela cidade.
Título e Texto: Humberto Pinho

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Charada (789)

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quarta-feira, 20 de março de 2019

[Daqui e Dali] Quem acode aos idosos?

Humberto Pinho da Silva


Anda a classe política e a sociedade em geral, preocupadíssima com o envelhecimento da população.

Além de lapidarem o sistema de saúde, porque os idosos recorrem mais ao serviço hospitalar, desequilibra o orçamento da Segurança Social, visto haver mais a receber (pensões), do que a pagar.

Como resolver o problema?

Aumentar a natalidade? Fomentar a entrada de imigrantes? Diminuir pensões? Não sei.

Talvez a insistência, com que se fala de eutanásia, venha a ser o meio de o minimizar. Meio, que só em pensar, é hediondo!

Entretanto, largos milhares de idosos vivem marginalizados. (São mais de 45 mil, que a GNR conhece!)

Falecido o conjugue, há três caminhos: ir para casa dos filhos (se os há); recolher a casa de repouso; ou ficar isolado em casa.

A primeira hipótese, nem agrada ao idoso, nem à família, porque a casa dos pais é sempre a dos filhos, mas a destes pode ser ou não…

A segunda: acolher-se a lar, nem sempre é possível, porque passaram a cobrar mensalidades incompatíveis com as pensões que recebem. A única hipótese é permanecerem na sombria solidão de sua casa, vivendo de recordações e sustentando-se da magra pensão.

O que tem feito o Estado e a sociedade para minorar a situação?

The left capitalizes on terrorism to target political opponents

Ben Shapiro

Rep. Ilhan Omar, D-Minn., has unleashed a barrage of openly anti-Semitic commentary. She suggested that Israel had "hypnotized the world." She recently suggested that Jewish money lay behind American support for Israel. Finally, she suggested that American Israel supporters are representatives of dual loyalty. Her fellow Democrats shielded her from blowback by subsuming a resolution that condemns her anti-Semitism within a broader resolution that condemns intolerance of all types. Many of them suggested that labeling Omar's anti-Semitism actually represents a type of censorship — an attempt to quash debate about Israel, though none of Omar's comments even critiqued the Israeli government, and though many on the left have made anti-Israel arguments without invoking anti-Semitism.

Now Omar's defenders have come out of the woodwork to suggest that criticism of her anti-Semitism was somehow responsible for the white supremacist shooting of 50 innocent people in two mosques in Christchurch, New Zealand. Two protesters, New York University students and best friends Leen Dweik and Rose Asaf, confronted Chelsea Clinton [photo], who had gently chided Omar for her Jew hatred. "After all that you have done, all the Islamophobia that you have stoked," Dweik screamed, "this, right here, is the result of a massacre stoked by people like you and the words you put out in the world. ... Forty-nine people died because of the rhetoric you put out there." Dweik, it should be noted, has called for the complete elimination of Israel.


Her message was parroted by terror supporter Linda Sarsour, who tweeted: "I am triggered by those who piled on Representative Ilhan Omar and incited a hate mob against her until she got assassination threats now giving condolences to our community. What we need you to do is reflect on how you contribute to islamophobia and stop doing that."

A Ideologia de Gênero não é ciência, é doutrinação

Cristina Miranda

Querem-nos convencer a todo o custo que a Ideologia de Gênero se baseia apenas no ensino da tolerância, aceitação, conhecimento e igualdade entre gêneros. E assim perante tão nobre intenção justificam a sua implementação imposta a todos os alunos na disciplina de cidadania. Ora, se é assim tão claro que se trata de uma ideologia “científica” imprescindível à formação do indivíduo, por que razão a lei que tornou possível a ideologia de gênero nas escolas, foi aprovada em total segredo e sem debate público em 2018?

Pois bem, a resposta é simples para qualquer ser pensante que não segue as patranhas progressistas: não foi a debate porque simplesmente é uma grande mentira fabricada à medida das agendas feministas e LGBTIQ que recebem muito dinheiro público para a promoção da ideologia.

A primeira grande questão que se levanta é: por que razão não aparece documentação sobre o tema na Biblioteca Nacional como alerta Mário Cunha Reis no seu artigo “Ideologia de Estado” no Observador?

Numa pesquisa simples, há zero resultados quando se procura bibliografia sobre a ideologia de gênero. No entanto, se a busca for “queer”, não falta bibliografia sobre o tema onde a ideologia de gênero está englobada. O que prova que não estamos perante uma teoria comprovada cientificamente, mas sim uma teoria LGBTIQ.

Assim sendo, segue a segunda grande questão: não sendo uma teoria científica o que está ela a fazer no plano curricular dos alunos desde o pré-escolar? Ora, a resposta aqui é também ela simples: isto não é ensino, é doutrinação. A prova está escrita pela própria CIG na página 5 dos Guiões onde explicitamente é dito: “(…) o conteúdo apresentado não exprime necessariamente a opinião da Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Gênero.” Ou seja, a CIG desresponsabiliza-se do conteúdo destes guiões em caso de queixas.

Vamos lá esclarecer: uma coisa é ensinar o respeito, aceitação e tolerância por todos os seres humanos independentemente das suas diferenças, sejam elas a que nível for; ensinar que todos os seres humanos são iguais e não podem ser discriminados no acesso à saúde, educação, trabalho pelas suas orientações sexuais, religiosas ou ideológicas, raça, etnia ou cultura; outra é defender que igualdade é  “ensinar”  que  não existem diferenças sexuais entre indivíduos porque todos nascemos neutros e que é a sociedade que constrói o nosso gênero; que a maternidade não é um exclusivo das mulheres; que todos os males desta sociedade está no homem heterossexual e família patriarcal; que o gênero não é imutável.

Cuidado: você pode ser um radical de extrema-direita sanguinário e nem saber


Ricardo Bordin

Você discorda do emprego de cotas raciais para ingresso em instituições de ensino ou para ocupar cargos na máquina estatal? Acha errado atribuir ao racismo o fato de que muitos negros morrem em confrontos com a polícia? Considera injusto culpar os brancos da presente geração da humanidade pelo sistema escravocrata de séculos atrás, especialmente levando em conta que inúmeros povos de pele clara também foram escravizados no decorrer da História?

Se respondeu SIM para tais questões, você será tratado por jornalistas, estudiosos e demais agentes da patrulha politicamente correta como RACISTA.

Você discorda do emprego de cotas para mulheres nas campanhas eleitorais? Acha que o alardeado déficit salarial de gênero, em verdade, não existe? Considera que muitas mulheres no Brasil estão morrendo não por uma questão sexista, mas sim porque a violência urbana desenfreada em nosso país atinge a todos sem distinção?

Se respondeu SIM para tais questões, você será tratado por jornalistas, estudiosos e demais agentes da patrulha politicamente correta como MACHISTA e MISÓGINO.

Você discorda da política de fronteiras abertas adotada em boa parte da Europa? Considera que a imigração em massa, sem o devido controle, pode levar à corrosão dos valores que moldaram o comportamento dos povos daquele continente? Acha que seria correto exigir que os migrantes adaptem-se à cultura local em vez de viver em guetos onde impera sua própria lei? Você julga que o código de conduta do Islã apresenta alguns preceitos que são incompatíveis com nossas legislação e visão de mundo?

Se respondeu SIM para tais questões, você será tratado por jornalistas, estudiosos e demais agentes da patrulha politicamente correta como XENÓFOBO e ISLAMOFÓBICO.

Você julga errado criminalizar a opinião de quem, como pastores evangélicos, acha a homossexualidade uma prática que deve ser respeitada, mas não incentivada? Considera sem sentido criar cotas para gays e transexuais em instituições de ensino estatais e em concursos públicos? Pensa que é ultrajante submeter crianças a terapias de “redesignação de sexo” desde a mais tenra idade?

États-Unis : première rencontre Trump-Bolsonaro

Valeurs Actuelles

Les deux chefs d'État se sont rencontrés mardi 19 mars à Washington.

Foto: REX/Shutterstock/SIPA

Leur proximité idéologique a rapproché leurs deux nations. Mardi 19 mars, à Washington, Donald Trump et Jair Bolsonaro se sont rencontrés pour la première fois, rapporte notamment Le Point. « Vous faites un travail fantastique, vous avez rassemblé votre pays », a lancé le président américain à son homologue brésilien.

Une position commune sur le Venezuela
« J’ai toujours admiré les États-Unis et cette admiration est devenue encore plus forte après votre prise de fonction », a répondu le chef d’État sud-américain. Donald Trump a par ailleurs souligné le grand potentiel de coopération des deux pays, se disant même prêt à ce que soit accordé le statut d’allié majeur non-membre de l’Otan au Brésil. Et d’ajouter : « Le Brésil et les États-Unis n’ont jamais été aussi proches ».

Parmi les sujets évoqués au cours de cette rencontre, le Venezuela. Les deux dirigeants réclament le départ du président Nicolas Maduro. « Nous appelons les militaires vénézuéliens à mettre fin à leur soutien à Maduro », a également affirmé Donald Trump, évoquant de potentielles nouvelles sanctions « beaucoup plus dures » contre Caracas. « Toutes les options sont sur la table », a encore déclaré le chef d’État américain.
Valeurs Actuelles, 20-3-2019

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Pdoe pcaerer estnharo, mas acedrtie
que é psosvíel etndeer etse txteo.
De aorcdo com psqueisas rceteens,
a mntee huamna psuosi mu pdoer
fnemoeanl. Não importa a odrem dsa
lteras de cdaa plavara, a úcina cisoa
ipmotratne é que a piremira e a útimla
ltreas etseajm on lguar ctreo. Sa tseteants
pdeom etasr tocrdaas pruqoe a nsosa
mtne não lê sa ltreas idnvidailuemtne,
sam as pvrlaas cmoo mu tdoo. Ou
sjea, pdmeos rel itso mes prelobmas.
Ipessrionaonte, não ahca? Afnial, sbaer
slortaerr não é aissm tão ipmorante.

Revelador


Ciúmes

Nelson Teixeira

Situações de ciúmes podem sempre atormentar a sua vida e sua tranquilidade, pois sempre alguém pode achar que tudo possa lhe favorecer sem lutas, e muitas vezes não veem seu esforço e seu trabalho.

Ciúme e inveja são oriundas de pessoas que se preocupam mais com os outros do que consigo próprias.

Todos nós estamos expostos à visão alheia, sem, contudo, darem conta sobre os obstáculos e dificuldades que já enfrentamos.

Procure agir sempre de forma discreta, para não incomodar aqueles que se preocupam mais com os outros do que consigo mesmo. Existem pessoas que não conseguem ver a vitória alheia.
Título e Texto: Nelson Teixeira, Gotas de Paz, 20-3-2019

Os Estados Unidos da América que sempre tiveram a minha admiração

terça-feira, 19 de março de 2019

Band News: Coletiva de Imprensa dos dois presidentes no jardim da Casa Branca

Entrevista de Jair Bolsonaro à Fox News

[Varig/Aerus] Aposentado escreve ao presidente Bolsonaro


Niterói, 19 de março de 2019

Exmo. Presidente da República.
Exmo. Presidente Jair Messias Bolsonaro

Em primeiro lugar cumprimentar Vossa Excelência pelo cargo maior que está exercendo e desejando sucesso na sua gestão de quatro anos à frente do Governo Brasileiro. DEUS PAI comandando vossas ações e decisões à frente do Governo.

Escrevo em meu nome e em nome de todos os funcionários da VARIG que, infelizmente, foram espezinhados e humilhados pelo governo do PT no caso Varig.

Fomos massacrados por estes dois governos do PT. A Varig, grande companhia aérea brasileira, foi levada a uma situação de grandes dificuldades financeiras e os dois governos petistas não se importaram em ajudar esta que prestou relevantes serviços ao Brasil e à População Brasileira por longos 79 anos (1927 ano de sua fundação até 2006 ano que infelizmente ela foi vendida em um leilão fajuto ocorrido em 20 de julho de 2006).

Todos nós, funcionários da VARIG, fomos colocados na rua da amargura. A Varig foi leiloada neste leilão fajuto e depois revendida (sua parte boa nove meses depois) ao Grupo GOL por um valor de 320 milhões de dólares.

Seus trabalhadores nada ganharam com esta revenda, muito pelo contrário. O pessoal da ativa que foi demitido por telegramas e telefonemas no início de agosto de 2006 ficou a ver navios e até hoje não receberam aquilo que eles têm de direito. Perderam seus empregos, perderam suas aposentadorias no Fundo de Pensão AERUS que sofreu intervenção da Secretaria de Previdência Privada hoje Previc, em 12 de abril de 2006.

Os aposentados e pensionistas do Fundo de Pensão AERUS sofreram enormes perdas em seus benefícios desde 2006 até o ano de 2015. Nove anos de sofrimento e angústia. Hoje, nós, aposentados e pensionistas do AERUS recebemos o que temos direito devido a uma Antecipação de Tutela determinada por desembargadores que entraram com ações contra o Governo Federal. Voltamos a receber devido a esta ação de Antecipação de Tutela. Mas os nove anos em que os nossos benefícios do AERUS foram achatados (achatados e muito) até hoje não recuperamos. Os atrasados até hoje não recuperamos de forma alguma.

O que eu informo para Vossa Excelência é que a VARIG ganhou definitivamente a ação de Defasagem Tarifária no Supremo Tribunal Federal em agosto de 2017, mas até hoje os cálculos para ressarcir esta ação ganha pela VARIG continuam em estudos e mais estudos na AGU.

[Daqui e Dali] O atrevimento não tem limite

Humberto Pinho da Silva

Quando frequentava o liceu Alexandre Herculano, no Porto, tinha como companheiro, rapaz de olhos tímidos, que se isolava da restante turma.


Mal a sineta tocava, indicando que era hora de recreio, saía, calmamente, e logo se encostava ao balcão do vestuário, a conversar, ou melhor, a ouvir, a senhora Olívia, mulher baixinha, de meia-idade, responsável pela roupa, e demais utensílios dos alunos.

Era, na ocasião, o “urso” da turma. Sempre tinha resposta pronta, na ponta da língua, e indicador alçado ao céu de estuque da sala.

Mais tarde, inexplicavelmente, foi decaindo, chegando a reprovar, uma ou duas vezes, o mesmo ano.

Lembrei-me desse infeliz ao falar com o amigo Zé; e no que me disse, em dia de confidências: “Raras vezes aceitam as minhas ideias! …”

É que muitos anos depois de ter deixado os bancos liceais, encontrei-o, como balconista, numa livraria da minha cidade.

A fisionomia era a mesma, assim como o aspecto físico, mas logo pressenti, que dentro daquele corpo franzino, de olhos tristes e acabrunhados, havia espírito de invulgar capacidade.

Durante a curta conversa que travamos, disse-me: que ninguém o levava a sério, porque: “humilde trabalhador, nunca tem razão…”

Otávio Rêgo Barros, porta-voz da presidência do Brasil: “O que é a CIA?”

Entrevista coletiva com o Porta-voz do Presidente Bolsonaro, Otávio Rêgo Barros, após evento na Câmara de Comércio dos Estados Unidos - Brazil Day in Washington


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[Aparecido rasga o verbo] O Drama nosso de cada três

Aparecido Raimundo de Souza

ACORDEI SOBRESSALTANDO com a Francisca Ambrosiana, minha mulher cochichando com alguém estranho que não poderia ser visto por mim. “Vai, vai só lhe resta esta saída”. Meu espanto se fez maior, quando abri os olhos e os esfreguei três vezes com as costas da mão direita. Não, com as costas da mão esquerda. Não importa. O que interessa é que, de fato, esfreguei.

Que droga! Havia um homem saindo, ou melhor, se esgueirando em direção à varanda. Um homem comprido, de esqueleto magro, só de cueca. Uma cueca vermelha. Vermelha ou preta? Esfreguei de novo os olhos. Mas como? Impossível! Estávamos no décimo terceiro! A não ser que o filho da puta fosse irmão gêmeo do Homem Aranha.   

De qualquer forma, com a imagem da cueca e com pulga atrás da orelha, pulei do sofá como se tivesse molas no traseiro. Precisei me esconder atrás da enorme estante de livros. Minha filha Ellen, de oito anos, pintou sem aviso prévio no corredor que desembocava no centro da sala.
- Que foi isso, Francisca Ambrosiana? Que diabo está acontecendo aqui?
Francisca Ambrosiana, os seios de fora enrodilhada numa toalha pequena que lhe cobria somente aquelas partes proibidas, berrou, fora de si:
- Não está vendo Ricardo? O prédio parece que está com princípio de incêndio num apê aqui no andar abaixo do nosso. Faça alguma coisa.
- Ligou para a portaria?

- Não.
- Chame o corpo de bombeiros.
Francisca Ambrosiana passou a mão no telefone:
- Você sabe o número?
- Que número Francisca? Da portaria ou do bombeiro?
- Os dois, Ricardo. Qualquer um serve.
- Não faço a menor ideia. Veja na agenda.
- Não temos agenda. Lembra que a última o papagaio picou toda no bico?

- Pergunte pra Maricotinha, nossa empregada.
- Hoje é domingo. Maricotinha está de folga. Esqueceu?   
- É mesmo!
- Merda! E agora, o que é que eu faço?
- Sei lá. Se a coisa piorar a gente vai pra varanda e pula.
- Ricardo, estamos no décimo terceiro...
- Verdade. Tudo bem. Cadê a gritaria que não estou ouvindo?
- Acho que nesta altura do campeonato foi alarme falso.
- Como é que é?
- Eu disse Ricardo, que foi alarme falso. A Bia do 501 interfonou a pouco. Me deixou desesperada. 
- Por que desesperada?

- Porque fui pega de surpresa. Não pretendo morrer queimada... como uma galinha dentro de um forno...
- É impressão minha ou você está me escondendo algo?
- Acho que você ainda está dormindo. Tá vendo no que dá chegar tarde da noite e ainda por cima bêbado feito um gambá? Acorde, homem de Deus. Olhe o relógio. Quase sete da manhã.
- Não cheguei bêbado, Francisca Ambrosiana. Estava com os amigos e com os diretores da empresa. Por favor, não mude de assunto. Quem foi que saiu daqui se escafedendo ai para a sacada?
- Pra onde?
- Sacada, Francisca. A mesma coisa que varanda.
- Eu sei. Não sou burra.
- OK. Quem saiu em direção a ela?
- O Super-Homem...
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