domingo, 17 de dezembro de 2017

Capina (II)

Haroldo P. Barboza

Ilustração: Jarbas

As escolas municipais (e provavelmente as estaduais também) "orientam" que as professoras aprovem seus alunos mesmo que a média anual seja abaixo de UM. Três motivos conduzem para esta prática:

a) os traficantes ameaçam professores que reprovam parentes menores daqueles;
b) o município perde verba federal por cada aluno reprovado;
c) os alunos agora estão agredindo os professores sob o imundo manto da imunidade do “di menor”.

Não fica difícil imaginar como anda a cultura em nossa pátria. Teatros abandonados, cinemas falidos, bibliotecas sendo devoradas por traças e museus com goteiras. Alguns valentes sítios de informática tentam criar um canal de sobrevivência das letras, assim como outras tantas entidades culturais patrocinam heroicamente concursos literários, tendo em vista que não há incentivo de leitura de livros que representam armas perigosas que podem abrir mentes e formar opiniões contrárias ao regime que nos conduz. Todos estes veículos sobrevivem com água no queixo. Qualquer marola mais forte os afoga. Não há nenhuma linha de crédito que os beneficie. Quem se arrisca a patrocinar uma destas entidades chega a receber "gelo" dos demais integrantes da máfia do poder. Em paralelo despejam as palavras estrangeiras em todas as campanhas publicitárias, trazendo-nos mais dificuldades em absorver a linguagem nativa. Dificultam a comunicação entre nós para impedir que as ideias de uma cruzada buscando a verdadeira independência de nossa pátria possam ser costuradas entre os que não foram totalmente anestesiados pelos abutres que apenas desejam nos manter colônia por mais 500 anos.

[Varig/Aerus] Alexandre Freyesleben vs Tito Walker


Tito Walker, ex-comandante na Varig, escreveu uma carta aberta a Alexandre Freyesleben, também ex-comandante na Varig, acusando este de “jamais ter trabalhado a favor e em prol do coletivo” e outras.

Em sua resposta, Alexandre Freyesleben reputa as intervenções de Walker de “aqueles discursos inflamáveis, mas de conteúdo que mais parecia uma gelatina!

Leia abaixo as cartas de Walker e de Freyesleben.

Klute, O Passado Condena (filme de 1971)


Alexandre Freyesleben,

Alguns colegas que têm confiança em minha boa-fé, pediram-me para participar de seu grupo “Credores Varig” porque tinham dúvida de várias afirmações peremptórias suas. Acham-nas, talvez, não-coincidentes à realidade do caso VARIG que pensam ter vivido. Fui solicitado para ou corroborar as suas narrativas ou, caso contrário ― em debate argumentativo ― esclarecermos os fatos e procurarmos um consenso. Aferindo, elucidando "fatos", não ideologias, mas ideias. A busca de um encontro para o bem comum.

Verifiquei, todavia, que você tergiversa, altera o âmbito daquilo que se pretende definir argumentativamente. Provavelmente, se esqueceu de que foi você que optou por se afastar da APVAR e virar as costas para seus colegas. E isto, já em 2002, logo após a demissão em massa dos bravos colegas que trouxeram às claras o problema de Administração da FRB, problema que vem levar (e levou, com imensa ajuda do governo) a "Nossa VARIG" ao ocaso.

Em seu grupo, você também alega que teria tentado ajudar o Movimento histórico dos pilotos, comissários e mecânicos de voo, através de seu cargo na administração (francamente, ‘mádministração’). Ora, sabemos todos que nada está mais distante da realidade! Engana aí, mas não a você mesmo, ou a nós, pois foi você que fez essa opção moral para a sua vida. Continuou a trabalhar com e para uma Chefia de Pilotos que recém havia demitido sumariamente seus colegas pilotos da “resistência” de forma vil e ilegal. Foi com aquela Chefia que você se alinhou. Se você se esqueceu disto, nós não.

Você jamais trabalhou a favor e em prol do coletivo levando em conta “o Outro”. Tal característica sua é o que mais importa quando você se apresenta candidato a representante do Comitê de Credores. Esta é tarefa para altruístas. Para muitos de nós, que sofremos na pele a demissão da truculenta FRB, alguns por longo tempo, outros em várias vezes, ver como candidato um que fez parte daquela Chefia de Pilotos por opção interesseira, é um acinte e um perigo. Seria a completa e muito injusta inversão de valores nesta história. E mais, por eivada de interesses não-coletivos, um grave risco para a necessidade de isenta fiscalização do processo.

Cá para nós, isto muito se assemelha àquela sua perversidade na CPI, ao declarar que o colega de sua fixação pessoal jamais ganhou alguma coisa na vida. Ledo e desarrazoado engano! Não se vive ou se aufere "sucesso” apenas de ações jurídicas com o fito de ganhar dinheiro. Nem para se obter uma posição próxima “ao poder". Se assim fosse, pessoas como Gandhi e o Papa Francisco seriam perdedores e outros, como a turma da Odebrecht, seriam vencedores.

QUIZ: Andy Warhol

Andy Warhol foi o representante máximo da pop art. Qual destes emblemas da sociedade consumista plasmou numa das suas obras?


A  – Embalagem de leite
B  – Latas de sopa Campbell
C  – Latas de água tónica 
D  – Embalagem de manteiga de cacau

Charada (468)

Bartolomeu é proprietário
de um picadeiro.
Se ele acomodar um cavalo
por boxe, fica um cavalo
sem boxe. Se ele acomodar
dois cavalos por boxe,
fica uma boxe sem cavalos.

Quantos cavalos e quantas boxes 
tem o Bartolomeu no picadeiro?

Desenho de Lauren de Bacco

Depressão

Nelson Teixeira

Temos que ter cuidado com a depressão, a doença do século. Devemos conversar e ouvir mais, reservar alguns minutos para si, não viver só em busca do dinheiro, mas a procura da felicidade.

Tentar cuidar da saúde, ajudar as pessoas, sorrir, ler e viver mais.

Não pregar o ódio, a violência ou a discriminação, mas a paz, o amor e a justiça.

Devemos valorizar as qualidades das pessoas e não ficar apenas apontando seus defeitos.

E quando sentir que pensamentos estranhos estão habitando em sua cabeça, procure Jesus o médico das almas.

Depressão tem remédio para o corpo e para a alma. 
Título e Texto: Nelson Teixeira, Gotas de Paz, 17-12-2017

sábado, 16 de dezembro de 2017

É Natal!


Almir Papalardo

Nessa data fraterna de reunião familiar se comemora o Natal.
Mundo afora é só paz! É um evento de fé, é uma festa mundial.
Data em que nasceu nosso Criador, Nosso Senhor Jesus Cristo.
Pelo seu poder eu tenho à vida, sou real. Graças a Deus existo. 

Natal abranda nossa ira controlando os sórdidos pensamentos.
Esqueçamos adversidades vividas, e da vida os maus momentos.
Tônico que alivia a alma estressada pelos pecados acumulados.
Um só dia aliado a Deus, os outros dias longe, bem afastados. 

Aproveitemos a pureza da data para perdoar a quem nos agride.
Esqueçamos as desavenças e abracemo-nos amigo, sem restrição.
É Natal! Dia em que a Terra irmanada fica longe do ódio e do revide.

É Natal! Clima propício para rogarmos com humildade nosso perdão.
Dia de renovar a fé pedindo clemência a Deus por mal procedimento.
Celebremos com mente limpa o Natal, é momento do arrependimento.

UM FELIZ NATAL PARA TODOS OS BRASILEIROS!! 
Aos queridos(as) amigos(as) um feliz e harmonioso Natal junto aos seus entes queridos! Não se esqueçam de colocar à noite, na janela, seus sapatinhos para que o bom Velhinho de barbas brancas, o nosso Papai Noel, possa colocar neles o presente adequado ao que cada um fez jus no decorrer deste ano!! 
Título e Texto: Almir Papalardo, 16-12-2017

Contos moucos loucos (XXXIV) – A "filha" na fila

Haroldo P. Barboza

(4º lugar no Prata da Casa 97 - Petrobras)

Etelvina ficou viúva aos 68 anos. O falecido, enterrado num sábado de carnaval quente e muito ensolarado, lhe deixou a “quitinete” quitado e uma frágil e nada invejável pensão de R$ 400,00. Não poderia recorrer ao auxílio de irmãos nem filhos, pois o único que tiveram, faleceu na Austrália há cinco anos. Sua parente (sovina como um pato famoso) mais próxima era a sobrinha Geodalva, que lhe havia convidado para morar na meia-lua no quintal de sua mansão de Teresópolis, em troca de um pequeno aluguel de R$ 200,00 (fora as refeições e o uso do banheiro da empregada).

- Ela que vá roubar o capeta - disse Etelvina ao seu zíper (pois não haviam botões em sua blusa remendada).  

A síndica do prédio, Zuleika, xereta de primeira linha, desde maio não conseguia atinar como o padrão de vida da viúva havia melhorado de forma tão rápida. Acabou sabendo pelo seu marido (caixa do banco onde Etelvina possuía sua conta há doze anos), que a vizinha estava efetuando depósitos mensais na faixa de R$ 250,00!  Em grana viva. Para tentar descobrir rapidamente a nova fonte de renda da viúva, mapeou todos seus movimentos por três semanas consecutivas.  Quase uma detetive.

De segunda a sexta-feira, saía do prédio às 17h00 e retornava às 23h00. Aos sábados, saía às 9h00.  E regularmente, aos domingos, saía desfilando de roupa nova, de táxi, quase que humilhando os habitantes do conjunto residencial de Vila Silêncio. Teria arranjado algum abastado amante, mesmo com aquela pele toda enrugada? Estaria fazendo bico como apontadora do jogo do bicho, apesar de não enxergar a um palmo do nariz?  Seria uma simples arrumadeira de motel, apesar da fama de carola? Estaria chefiando uma perigosa e lucrativa quadrilha de pivetes? Estas dúvidas estavam acabando com as mal pintadas e sujas unhas de Zuleika. Era preciso colocar o mistério em pratos limpos o quanto antes!

One obvious detail revealed this ‘Green Beret’ was a total fraud

Kevin Fasick and Laura Italiano


For real Green Berets, there was one dead giveaway that Brooklyn Army vet ­Papotia Reginald “Reggie” Wright was an imposter.

His beret was black.

“We took one look at that and knew he was messed up — it was comical,” said a retired Green Beret, a member of the Guardians of the Green Beret, to The Post on Friday.

“If you’re to pretend to be a Green Beret, at least do it the right way’’ — by wearing a green beret, the veteran said.

Wright was outed this week as a fraud, posing as a Green Beret as he ran an unauthorized veterans “Honor Guard” out of Brooklyn’s Park Slope Armory, according to the Guardians of the Green Beret.

Wright’s wife, Tammy Feliciano, also lied about being an ex-Army “major’’ while serving as an “executive officer’’ with him, the Guardians noted.

“His wife never served a day in the military — period,” a Guardian member said.
The organization of former and current Special Forces heros uncovered Wright’s alleged scheme, thanks in part to his laughable lack of “millinery” intelligence.

Reached by phone Friday, Wright claimed he never pretended to be a Green Beret and only wore the elite unit’s insignia because “that was the uniform of the day.” He declined to clarify what he meant.

Capina (I)

Haroldo P. Barboza

Ilustração: Jarbas
O corajoso depoimento da Professora Amanda Gurgel (RN) em maio de 2011 corresponde a um retrato (3x4) da realidade degradante da educação nacional. Reforça bastante meu texto criado em 2003 (retratando algo que HOJE está bem PIOR) e que lhe convido a ler em quatro capítulos (batizados de “capina” o que tem muito a ver com o pasto onde habitamos).

Em outubro de 2011 a Professora Vanessa Storrer (Curitiba) enviou excelente carta à revista VEJA ilustrando algumas das causas que motivaram o meu texto abaixo. Que outras vozes de credibilidade se reúnam para criarmos a grande cruzada de combate ao vírus “corruptio impune” que é MIL vezes pior que o da dengue, pois atinge a todos os habitantes deste país e se não for combatido com convicção nos transformará num Braití (pior que o original) em menos de quarenta anos.  

Torcemos para que as imagens destas bravas Mulheres possam contaminar outros colegas do Magistério para criar um processo cívico nacional capaz de mudar a configuração desta área social que é a alavanca fundamental para criarmos uma qualidade de vida compatível com os impostos que nos cobram e desviam para suas contas bancárias. E que outras entidades sociais (de zeladores de prédios a zeladores armados da pátria, passando pelos defensores de animais abandonados, exceto ratos do poder) se unam numa grande cruzada para resgatar nossa dignidade pisoteada pelos bandoleiros do podre poder que se apoiam no Judiciário perigosamente já contaminado. 

Se o próprio Ministro Gilberto Gil em 10-05-2005 declarou na saudosa Tribuna da Imprensa (RJ) que o "governo é omisso na área da cultura", talvez ele tenha lido este meu artigo no final de 2003 que foi publicado no mesmo jornal! O que demonstra que pouco tem sido feito neste sentido apesar dos esforços de diversas entidades preocupadas (mas obstruídas) em oferecer oportunidades ao nosso povo para melhorar sua qualidade de vida e elevar o conceito de nossa pátria. As longas greves de meses da UERJ, do Colégio Pedro II (saudades) e o de outros núcleos, que SEMPRE penalizam seus alunos com a perda de um ano letivo “formando” legiões de “sem-esperança”, apenas corroboram o descaso com que esta área social é tratada pelos “donos” ilegítimos do poder. Estas declarações acima retratam duas heranças horripilantes que caracterizam a cultura de nosso povo:

1 – Um participante do BBBB é chamado de “gênio” quando elabora uma frase com cinco palavras (BBBB = Big Bordel Brasil Boiada).
2 – O povo acredita no resultado de eleições onde urnas-E não materializam votos para posterior conferência.  

Falência orquestrada da educação e da cultura (Tribuna da Imprensa – RJ - 2003

As crises em andamento em relação à Educação estão sempre na moda. Em vários momentos pipocam greves de professores prejudicando a sociedade e impedindo que ela tome consciência de como conduzir seus anseios. Escolas são interditadas por imposição de traficantes ou de goteiras. Divergências salariais que deveriam estar sendo resolvidas nas mesas das escolas, constantemente emperram na Justiça de forma premeditada para esfacelar o ânimo dos formadores de opiniões, com a nítida impressão de que foram programadas para causar um caos sem precedentes entre os jovens já sem grandes esperanças mesmo quando portadores de seus diplomas. Na verdade, estas crises vieram de longe em dois sentidos: tanto no nível como no tempo. A prática da "ditadura sem valor" impera na maioria das entidades de orientação estudantis e as decisões são tomadas pelas administrações sem consultar alunos, pais, professores e funcionários de apoio.

[Ferreti Ferrado suspeita...] Furto 2018

Haroldo P. Barboza 

Título, Arte e Texto: Haroldo P. Barboza, 16-12-2017

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QUIZ: Jackson Pollock

Se falarmos de Jackson Pollock, que corrente artística devemos mencionar?

Ritmo de Outono, Jackson Pollock, 1950

A  – Dadaísmo
B  – Realismo socialista
C  – Expressionismo abstrato 
D  – Construtivismo concreto

Charada (467)

O Paulo e a Paula ganharam,
juntos, no Euromilhões,
A quantia de 908€.
Paula recebeu o triplo
da importância que Paulo recebeu.

Quanto recebeu cada um?

sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

[Flagrantes do quotidiano] Os fura-filas

Ângela Marques

Quando eu a vi, de carrinho cheio e cheia de pressas, abrandei o passo: não tinha urgência em pagar as toalhitas de marca branca que levava nas mãos e tive o pressentimento de que estava perante um cinturão negro das filas de hipermercado. Em dois minutos, o cesto dela confirmou o meu sexto-sentido – lançado por cima da minha cabeça para cima do tapete rolante, ele era o rei daquela selva.

Só que é Natal e no Natal a lei da selva não ganha nem à lei da bala. “Podem passar a esta caixa, por favor, pela mesma ordem”, ouvi. Ouvi eu, ouviu ela, ouvimos todos, só Deus não ouviu ou teria impedido aquilo que aconteceu a seguir. Ao sinal de nova caixa aberta, caíram chuvas e trovões: eu encolhi-me, ela girou como o diabo da Tasmânia versão Looney Tunes, eles correram como se isso lhes devolvesse a alegria e os duodécimos, tudo de uma vez e com juros. Tive a certeza: o mundo ia acabar comigo a tentar comprar toalhitas – e por esta é que eu não esperava.

A recompor-me da passagem do tornado Taz, vi-a avançar para a outra caixa, para logo recuar, deslocada, incrédula e revoltada – sobretudo revoltada. Fisgando um grupo que já espalhava as suas compras pelo tapete vazio, ela não falou, expeliu o que sentia: “Que falta de civismo. Que falta de civismo. Que falta de... civismo!”

Voltando à fila de partida, tirou-me do jogo com uma carga de ombro e continuou, já para a bancada: “Que falta de civismo. Só neste país.”

Tive vontade de a abraçar. Tive vontade de a acalmar e de lhe dizer que, não, o que faz falta a este país não é um novo Salazar. Tive vontade de abraçar porque a luta que ela ali tinha travado é de todos. É que, sim, os fura-filas andam aí – ela, por exemplo, tinha acabado de se transformar numa.
Título e Texto: Ângela Marques, Revista Sábado, nº 711, de 14 a 20 de dezembro de 2017

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[Para que servem as borboletas?] A aventura da vida

Valdemar Habitzreuter

Estar vivo significa participar da aventura da vida; vida esta que é um constante devir, um constante fluxo de acontecimentos, um élan criador do novo em que nada se repete. Cavalgamos no lombo da vida e não sabemos com que paisagens ela vai nos surpreender durante nossa existência. É bom estarmos seguros na sela e apreciar tudo o que se nos descortina. Bons e maus bocados, certamente, nos aguardam. Mas, sendo uma aventura, temos que superar os maus bocados com maestria para que a aventura prossiga. Desistir de enfrentar os obstáculos significa entregar-se, negar a vida, soçobrar...

Essa aventura não tem propriamente um destino, um ponto de chegada predeterminado em que possamos nos perguntar: para onde vamos? Não se realça o ‘para onde’, mas sim, o ‘vamos’. O que é relevante é o cavalgar em si, o caminho que se percorre, prestar atenção no passamento do tempo e as novidades que surgem ao sabor do élan da vida com as quais temos de lidar.

A melhor estratégia para participar dessa aventura é equipar-nos da boa vontade e sentir a liberdade no rosto, livres de amarras culturais, sociais, religiosas que, muitas vezes, nos impedem do desfrute da vida em si, se não forem bem avaliados. Devemos adotar a estratégia do easy rider, isto é, sentir-nos leves que nos faculta levitar sobre os buracos negros que querem nos engolir e nos privar da preciosidade da vida.

A vida em si não planeja nada. Ela anima, dá alma às plantas e animais, mas sem um propósito determinado para eles. Se as plantas dão frutos e os animais procriam é tão somente para que haja a continuação da vida e ponto. A vida se manifesta através dos seres vivos. Sem eles não haveria vida. E o mais curioso é que dentre os seres vivos da espécie animal, há um que a vida colocou em destaque: o ser humano com sua inteligência.

Só o homem tem consciência da vida porque foi aquinhoado, no transcurso evolutivo, com a inteligência. É nesse patamar da consciência que o homem verifica que é perpassado por um élan vital assim como todos os seres vivos. É a grande aventura da vida criadora da qual o homem é um produto e participa conscientemente.

[Aparecido rasga o verbo] Cultos profanos em rituais ausentes

Aparecido Raimundo de Souza

AMO A SUA PRESENÇA marcante que massageia meu sorriso. Amo o seu olhar profundo de menina mulher. De fêmea criança, fundida num ser único, inimitável, o coração a espocar alegrias numa manifestação alardeante de regozijos indescritíveis.

Como se voasse ao infinito pervagueio vórtices e torvelinhos vorazes e me aquieto letárgico em seus remansos. Sou como aquela ave arribada que achou o ninho procurado. 

É por isso que amo. Amo a sua meiguice ímpar, a sua maneira de me agraciar mixada com gestos suaves cheios de mesuras e reverências. Amo o seu gostar de palavras balbuciadas em meus ouvidos, recordando nossos encontros às escondidas.

Nessas horas de ocultismo, me desmantelo no gargalo das suas curvas pecaminosas. E me deixo ser levado, sem amarras, como se buscasse a promissão.

De repente, você parece uma divinizada que me surgiu do nada, a cantar o indizível que há de melhor dentro de si. Meu mundo que parecia acabado, eis que num piscar de olhos, se transforma, e, nessa louca ilusão amigável, me faz enteiado, novelado em seus ternos labirintos.

Nessa complexidade intrincada de corredores e passagens, passagens e corredores, me sinto como um bebê carente tateando no escuro para encontrar um ponto de apoio. Meu ponto de apoio é você.

Insidiado na irmandade que brota da sua alma, a sua alquimia se expande, se propaga em nós, em mim principalmente. Vira num espocar de desvarios atração diante de meus olhos famintos dos seus desejos ainda não realizados. Seus caprichos e afoitezas são piores que o labirinto.

Você, na verdade, é uma teia de enigmas que não desvendo. Você me devora. Nesse engolir, me afogo na língua dos seus clamores bebendo a saliva da miopia apaixonada que brota as lufadas, de dentro de meu ser profligado.

Como das outras vezes, lembro que você chegou com tudo. Realejo para encantar o meu universo até então sombrio e coberto por negras nuvens de uma solidão carrancuda que não sei em que circunstância ou por qual empenho resolveu se azarar perto de mim.

Passo igual, nesse ofício de louco, posto que amar é ser alienado e estólido, passei a viver cotidianamente numa impressão fantasticamente imutável. 

Frases para ler, pensar e relaxar

Carina Bratt

O princípio da caixa d´água se baseia no seguinte: todo corpo mergulhado nela sai completamente molhado.

O trânsito engarrafado sempre se engarrafa no sentido em que o guarda de trânsito assopra o apito.

Quem tem medo de ficar preso nas escadarias de um prédio, seja subindo ou descendo, efetivamente sofre de cleptoescadaria.

No Rio de Janeiro, uma turma de balas perdidas procura os revólveres que as detonaram sem deixarem com as vítimas os endereços para voltarem para suas residências.

O grande problema de Brasília é que por lá os pescadores não se criam. Os peixes são muito grandes e, pior, não costumam morder anzóis que não sejam cadastrados.

Tiradentes foi esfaqueado na forca porque deixou o marquês de Barbacena banguela dos testículos.

O Mar Cáspio é um oceano cheio de caspas

A principal função de um coveiro é enterrar os que faleceram em face de terem morrido do lado de cá e, agora, precisarem viajar para o lado de lá.

O coração é um órgão do corpo humano que só para de funcionar se Deus esquecer onde colou a partitura.

A imbecilidade humana consiste em fazer as coisas certas ao contrário do que lhes são opostas.

quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

QUIZ: Escultor inglês

Que escultor inglês representa o corpo humano esculpido em pedra e bronze, sem virtuosismos acadêmicos?


A  – Milton Horn
B  – Tony Smith
C  – David Smith 
D  – Henry Moore

Charada (466)

Descubra os diferentes
animais que se escondem 
num CASTANHEIRO.

É assim que se faz! Liberais perderam o receio de confrontar esquerda hegemônica de forma direta

Rodrigo Constantino

A esquerda tem a hegemonia da cultura e da política no Brasil há décadas, mas tem uma coisa que mudou – e mudou muito! – de poucos anos para cá, graças em parte às redes sociais, em parte aos movimentos liberais: a direita perdeu o medo de confrontar de forma direta essa esquerda hegemônica.

Durante décadas, ficou parecendo que o PSDB era a oposição a essa esquerda, sendo o próprio PSDB um partido de esquerda. Estava implícito e explícito que os tucanos – os tucanos! – eram o contraponto aos petistas. Que piada!

Durante esse tempo, a esquerda fez a festa. E ficou mal acostumada, negligente, preguiçosa. Não a culpo: se seu “oponente” de esgrima é um tucano, treinar para quê? Qual o intuito de melhorar as técnicas se do outro lado tem um “adversário” que pede desculpas quando lhe acerta um toque, oferecendo o corpo para uma “recompensa”?

E foi com tucanos que essa esquerda radical “debateu” por tanto tempo. Até chegar a verdadeira direita, até os liberais conseguirem preparar o terreno para jovens destemidos, corajosos, com embasamento teórico, dispostos a partir efetivamente para a briga.

Os “moderados”, ou “isentões”, reclamam: querem a volta do status quo, do tempo em que o “liberalismo” fazia tantas concessões ao socialismo que ambos pareciam indistinguíveis a olho nu. Não vai acontecer. A mudança veio para ficar, e para o desespero da esquerda.

Foto: Karime Xavier/Folhapress
Dou dois exemplos com base em artigos publicados hoje na Folha de SP (ela mesmo um jornal do tipo “isentão”). O primeiro é de Fernando Holiday [foto], vereador de SP e líder do MBL, em resposta a um artigo de Alessandra Orofino. O jovem detona a moça esquerdista sem dó nem piedade, sem medinho de ser acusado de “machista”, sem acender vela para o politicamente correto ou para os movimentos de “minorias” (até porque ele é negro, gay e pobre). Diz Holiday, sem rodeios:

Os devaneios de Orofino, obviamente, não teriam sentido sem elementos comumente usados pela esquerda em suas teses: mentira, distorção e omissão.

O pano de fundo era me colocar como alguém que fugiu de suas lutas iniciais para se aventurar em pautas culturais. Desde o início da minha militância, defendo pilares fundamentais da civilização ocidental, por acreditar ser este dever de qualquer liberal.

Não me importo em ser chamado de conservador por isso. Na verdade, muitos conservadores me inspiram, como Nelson Rodrigues (1912-1980) e Edmund Burke (1729-1797). Essa defesa sempre esteve alinhada com medidas que reforçam minha austeridade e respeito ao dinheiro público.

Congresso Nacional aprova Orçamento de 2018

Orçamento de 2018 tem deficit menor e salário mínimo de R$ 965

Foto: Jonas Pereira/Agência Senado
O Congresso Nacional aprovou na noite desta quarta-feira (13) a proposta de lei orçamentária de 2018 (PLN20/2017), que prevê investimentos de R$ 68,8 bilhões para o próximo ano. O texto segue para sanção presidencial.

Aprovado anteriormente na Comissão Mista de Planos, Orçamentos Públicos e Fiscalização (CMO), a proposta prevê crescimento de 2,5% da economia em 2018, salário mínimo de R$ 965 (o atual é de R$ 937) e gastos com Previdência Social de R$ 585 bilhões. O pagamento com juros da dívida pública alcança R$ 316 bilhões.

O texto prevê déficit primário para o governo federal de R$ 157 bilhões em 2018. O número é um pouco menor do que os R$ 159 bilhões determinados pela Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) como meta fiscal para o próximo ano.

Saudada pela base do governo diante da rapidez com que foi aprovada, a peça orçamentária teve duras críticas da oposição, que apontou nos cortes nos programas sociais e para as isenções fiscais para grandes empresas, que somam mais de R$ 200 bilhões em 2018.

Teto de gastos
Relator da matéria, o deputado Cacá Leão (PP-BA) destacou que essa foi a primeira proposta orçamentária elaborada sob a vigência da Emenda Constitucional 95, promulgada em dezembro de 2016, que estabeleceu um teto para os gastos públicos pelos próximos 20 anos, o que favoreceu, segundo ele, a construção de um orçamento com viabilidade de execução. O relator também promoveu, em Plenário, o remanejamento dos recursos de emendas parlamentares, e acatou destaque da bancada do Mato Grosso que prevê R$ 5 milhões para projeto de infraestrutura no estado.

quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

Juventudes políticas: de massas, de quadros e o poder de multiplicação. Os jovens Marx e Engels


Cesar Maia

1. A clássica divisão dos partidos políticos de massas e de quadros foi facilitada pela estática das ideologias. O partido de massas - dada a ideologia - priorizava a mobilização e estimulava as lideranças carismáticas. O partido de quadros - dada a ideologia - priorizava a qualidade intelectual de suas lideranças em todos os níveis.

2. Um ponto que os aproximava era serem partidos que partiam de ideologias dadas e seus líderes, seus quadros e intelectuais, reforçavam as mesmas ideias com argumentos mais sólidos ou mais mobilizadores.

3. Nos anos 30 as juventudes mobilizavam e eram mobilizadas, tanto pelas ideias de direita quanto de esquerda.

4. No pós-Segunda Guerra, as juventudes partidárias referenciadas mais à direita - talvez por se sentirem vitoriosas - perderam ou reduziram em muito as suas forças de mobilização. Por outro lado, as juventudes partidárias referenciadas à esquerda pela importância e crescimento da influência da União Soviética e da China, e na América Latina de Cuba, passaram a ser o polo quase único de mobilização das juventudes.

5. As rebeliões universitárias de 1968 misturaram o campo ideológico com o comportamental, e de certa maneira, funcionaram como uma fronteira que antecipou a debacle da União Soviética e da hegemonia das suas ideias, e paradoxalmente, marcaram a desmobilização das suas juventudes partidárias.

6. Nos últimos anos, a sensação de que a política tinha perdido seu lastro ideológico foi um vetor de desmobilização. Mas - no Brasil - trouxe uma importante novidade. As juventudes de partidos de esquerda perderam o monopólio e hoje se pode afirmar que não o tem mais. Isso tanto ocorre nos movimentos estudantis quanto nos movimentos sociais e religiosos.

Por que razão o PCP parece querer fechar a Autoeuropa?

Rui Ramos

Numa coisa, o PCP está certo: o PCP ou a Autoeuropa, um deles tem de morrer. Se o governo também percebe isso, que está a fazer ao lado dos comunistas?


A Autoeuropa, antes de ser uma fábrica, é o resto de um sonho. Na segunda metade dos anos 80, depois do ajustamento de 1983 e da cerimónia de adesão à CEE nos Jerónimos, em 1985, esperou-se em Portugal retomar a história dos anos 60: a industrialização do país, por via da deslocalização das indústrias do norte da Europa. Na década de 60, tinham sido os têxteis e o vestuário. Agora, depois da década perdida com a revolução, seria a indústria automóvel alemã e francesa. Não chegou, porém, a acontecer. Em 1989, a derrocada das ditaduras comunistas reabriu a Europa central às empresas alemãs. Nesse ano do “fim da história”, a classe política em Lisboa, muito à pressa, mas sempre com as hesitações de quem não lia livros desde 1967, ainda tentou limpar a economia dos revolucionarismos de 1975. Demasiado tarde. Portugal na CEE não ia ser o país da indústria, mas dos centros comerciais e das urbanizações financiadas pelo crédito barato da moeda única. Das esperanças de um momento, restou a fábrica da Volkswagen em Palmela, a Autoeuropa.

Já nos disseram muitas vezes o que representa: mais de 3000 portugueses empregados, muitos negócios para outras empresas, 10% das exportações, um ponto percentual do PIB. Porque é que então o Partido Comunista decidiu fechá-la? Para começar, porque a Autoeuropa, resultado da integração europeia, violenta a ideia comunista de autarcia económica. Depois, porque a Autoeuropa significa “flexibilidade” e “negociação” nas relações de trabalho, isto é, a negação da intransigência e do confronto em que acredita o PCP. A Autoeuropa, como notam com manifesto desprazer os comunistas, insiste em que tem “colaboradores”, em vez de “trabalhadores”. Ora, o “colaborador” apresenta, para o PCP, este grande defeito: sente, enquanto tal, interesse em fazer prosperar a empresa, quando, como “trabalhador”, deveria ter como único objetivo a destruição do “regime capitalista” e a ruína da “sociedade burguesa”.

A história é conhecida. Durante duas décadas, os comunistas não conseguiram entrar na Autoeuropa, onde os “colaboradores” conseguiram sempre chegar a acordos como a administração. Infelizmente, como se tem visto, nada disso dependia de uma “cultura de empresa”, mas apenas do bom senso de um homem, António Chora, o presidente da Comissão de Trabalhadores, durante algum tempo deputado do BE. A oportunidade para os comunistas surgiu com a reforma de Chora e com a necessidade de criar condições para a produção de um novo modelo. O PCP pôde finalmente sujeitar a Autoeuropa ao conhecido regime da inflexibilidade e do conflito sem saída, que em 2006 já liquidou a fábrica da Opel na Azambuja, então a segunda maior unidade de montagem de automóveis do país.

"As águas de março fechando o verão"

Cesar Maia

1. A nova legislação abre no mês de março as "janelas" para a troca de partidos pelos deputados federais e estaduais.

2. A insegurança entre os deputados em relação às eleições de 2018 nunca foi tão grande. Na medida em que as suas reeleições estarão principalmente dependentes dos quadros regionais, a amplitude desta insegurança nas atuais condições é muito maior que em eleições anteriores.

3. Tradicionalmente a taxa de renovação nas eleições para deputados está na casa dos 40%. Nas eleições de 2018 esta taxa deve ser maior. Maior e mais imprevisível.

4. Supondo que o "não voto" (abstenção+brancos+nulos) se aproxime dos 50%, a primeira questão que se coloca é de onde e para onde irão os não-votos.  Na medida em que seja por uma rejeição genérica aos políticos, não se pode falar de tendências. Todos podem perder ou não.  Mas se a rejeição for focalizada, será diferente.

5. O discurso de renovação será generalizado. Os novos candidatos ou novos partidos, ao sublinharem esta renovação, não terão a vantagem que imaginam. Afinal, a baixa representatividade dos deputados não fixa na memória o nome dos "veteranos", em geral e em especial daqueles que são arrastados pelo voto de legenda.

6. As denúncias de corrupção política estão quase sempre relacionadas aos políticos nas suas regiões. As redes sociais se encarregarão de alertar sobre os seus nomes e seus casos.

7. Quando isso ocorre de forma concentrada numa certa região e num ou noutro partido, a tendência será o amplo uso das janelas de março.
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