domingo, 23 de abril de 2017

Os restos do salazarismo que vivem entre nós

João Marques de Almeida

Quando nos aproximamos de mais um 25 de Abril há heranças preocupantes do Estado Novo que vivem entre nós. Mas ao contrário do discurso do regime, são as esquerdas que mais beneficiam dessas heranças.

Sou profundamente de direita e sou profundamente anti-salazarista. E as razões principais são as mesmas.

Grande parte das esquerdas, tal como o Estado Novo, lidam muito mal com a liberdade. Um dos grandes mitos da história política portuguesa apresenta as esquerdas a lutarem pela liberdade contra o salazarismo. Falso. Absolutamente falso. O PCP e as várias esquerdas que hoje se encontram no Bloco de Esquerda opunham-se ao Estado Novo mas queriam chegar ao poder para impor uma ditadura aos portugueses. Seguramente, mais violenta do que a do Estado Novo. Vejam os regimes políticos que formaram as nossas esquerdas. No caso do PCP, a União Soviética e Estaline, um dos maiores facínoras do século XX. Hoje, o PCP ainda apoia regimes como o da Coreia do Norte. Nunca algum português ouviu os comunistas condenarem Estaline.

Ouvir estes camaradas falar de liberdade é cómico ou trágico. As esquerdas bloquistas também apoiaram todo o tipo de ditaduras do proletariado, desde a China de Mao à Albânia. Mais recentemente, tornaram-se os grandes defensores do regime de Hugo Chávez na Venezuela. Uma ditadura que levou o país à guerra civil, como estamos a assistir. Mas a Venezuela tornou-se um dos silêncios mais incómodos da discussão política portuguesa. Já alguém ouviu os nossos grandes defensores da “liberdade” denunciarem o regime chavista?

Estas forças políticas, que apoiaram alguns das ditaduras mais brutais do século XX e que ainda hoje apoiam os restos desses totalitarismos, estão no poder em Portugal. Sei que muitos já não levam o PCP e o BE a sério. Desvalorizam as suas doutrinas políticas como irrealistas, por isso separam o discurso da prática política. Eu levo-os a sério e acho que aqueles que os desvalorizam mostram alguma ingenuidade, ou arrogância.

Liberalismo, sempre!

Telmo Azevedo Fernandes

É necessário restaurar o espírito do Liberalismo Clássico, assumir e divulgar a superioridade moral da defesa das liberdades individuais por contraponto a qualquer das outras alternativas ideológicas.

Direita e Esquerda disputam hoje a rapidez e eficácia com que atacam a Liberdade.

Reflexo da ideologia dominante, o número de leis e diretivas do estado que regulam diversíssimos aspectos das nossas vidas individuais é bastante superior ao que existia no passado.

Sente-se isso em quase todas as áreas: da obsessão com a igualdade de género, aos programas de apoio à natalidade; das políticas identitárias ao exorcismo dos símbolos religiosos; da inatacabilidade da escola pública à urgência do debate sobre barrigas de aluguer; da defesa do estado social à imposição da solidariedade através da redistribuição de rendimento; da defesa da substituição das importações à necessidade do salário mínimo.

Há que ser bem comportado em relação a estas ideias. O politicamente correto impera. Só há uma narrativa boa e conveniente. Qualquer ideia tem de ser validada para ser socialmente aceite. Um pensamento crítico é alvo de censura, quem ousa desalinhar é ostracizado e insultado.

Tudo é visto no coletivo, pelo prisma do grupo, através de abstrações. O humano e o indivíduo são detalhes de menor importância, quando não mesmo desprezíveis. É o estado que atribui direitos aos indivíduos e por isso tudo se pode reivindicar. Há como que um total relativismo dos valores. Não há moral nem ética, apenas aquilo que é legal ou ilegal.

Já estive convencido de que os advogados destas causas se dividiam em dois grupos: os mal informados e os mal-intencionados. Agora acredito que muitos destes rejeitam efetivamente a liberdade para os outros e até para si próprios.

Holerite de deputado vazou e revela que ele ganha R$ 135 mil?

É verdade que o salário do deputado Francisco Brasileiro é de R$ 135mil na Assembleia Legislativa? Será que o holerite que vazou na web é verdadeiro?

A imagem do contracheque de um deputado apareceu nas redes sociais e em diversos sites e blogs na segunda semana de março de 2017. Nela podemos ver o que parece ser o comprovante de salário do deputado estadual Chico Brasileiro, onde claramente pode-se ver que o político recebe mensalmente a quantia de R$ 135.222,35 para representar o povo na Assembleia Legislativa!

O que chama atenção na imagem (além do salário exorbitante) é que o parlamentar estaria isento de pagar INSS e Imposto de Renda!

Dívidas com INSS superam R$ 400 bilhões

Indiana Tomazelli

Entre as cinco que lideram o ranking, estão três empresas falidas; parlamentares querem do governo ações para aumentar a arrecadação

As recentes mudanças que abrandaram as regras propostas na reforma da Previdência foram insuficientes para agradar aos parlamentares, que seguem pedindo uma ação mais incisiva do governo em ações para incrementar a arrecadação do INSS. Um dos alvos é a lista bilionária de devedores da Previdência Social. De acordo com a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN), o estoque da dívida ativa previdenciária chegou a R$ 427,73 bilhões no fim do ano passado.

Três das cinco maiores devedoras estão falidas, de acordo com o acompanhamento da PGFN: Varig (R$ 3,7 bilhões), Vasp (R$ 1,7 bilhão) e Bancesa, banco cearense quebrado em 2004 (R$ 1,4 bilhão). Mas as outras duas estão em operação.




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sábado, 22 de abril de 2017

Morar em Portugal: o novo sonho da classe média brasileira

Com segurança, bons serviços públicos e economia em alta, Portugal atrai mais imigrantes brasileiros com boa renda — de universitários a aposentados

Raquel Carneiro

Lisboa, foto: Caio Guatelli/Veja

Pelo paço da Universidade de Coimbra, fundada em 1290, passaram reis da primeira dinastia de Portugal e grandes nomes da história do Brasil, como José Bonifácio de Andrada e Silva, o Patriarca da Independência. Hoje, dos mais de 20 000 estudantes de uniformes impecáveis, cobertos por capas pretas, cerca de 10% são brasileiros, o mesmo percentual de todos os demais estrangeiros matriculados – um número que cresceu desde que o Enem passou a ser aceito como vestibular em uma série de universidades do país.

Representantes das classes média ou alta, esses jovens são a cara da nova onda migratória brasileira rumo ao país ibérico. Há espaço para muitos perfis: aposentadosestudantesinvestidores de pequena ou de grande monta. Morar em Portugal se tornou um sonho para muitos paulistas, cariocas, pernambucanos, que trabalham em diversas ocupações, da Netflix ao Uber.

É um fluxo semelhante ao que invadiu Miami anos atrás pela porta da frente: imigrantes com documentação legal e, em muitos casos, com dinheiro para comprar imóveis e desfrutar uma boa vida na nova pátria. “Na virada do século a leva de imigrantes era de trabalhadores da construção civil ou no atendimento em restaurantes. Hoje, o perfil educacional é mais elevado”, diz João Peixoto, professor de sociologia e demografia da Universidade de Lisboa.

Tal como ocorreu em Miami, tra­ta-se de um movimento ainda com pouco impacto demográfico sobre o total de brasileiros que vivem no país ibérico. Em 2016, eram cerca de 85 000, ou pouco mais de 21% dos estrangeiros legais no pequeno país de 10 milhões de habitantes. A quantidade, portanto, não é muito expressiva, mas representa um fenômeno do ponto de vista econômico. As remessas feitas do Brasil para Portugal passaram de 55,6 milhões de dólares, em 2014, para 71,1 milhões, em 2016. Isso porque os novos moradores continuam recebendo proventos do Brasil, sejam de empresas, sejam de imóveis ou aposentadoria.

Reportagem especial de VEJA desta semana explica esse fenômeno e narra a experiência de quem se deu bem ou se frustrou com a viagem. Também explica como os serviços públicos e a segurança compensam, para os felizes, o fato de não se tratar, ao menos hoje em dia, de uma terra para juntar dinheiro e ter um altíssimo padrão de vida.

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A absurda leniência da justiça que pode eleger Marine Le Pen

Mais do que os tiros que mataram um policial gay, a lassidão que deixou à solta um terrorista criminoso e reincidente é um elemento de choque na eleição

Vilma Gryzinski

Forte, indignada, emocionada: Marine Le Pen apertou todos os botões certos na reação ao atentado na rua mais famosa da França. Foto: Lionel Bonaventure/AFP
Muitas pessoas que acompanham com certa atenção a política francesa chegaram à mesma conclusão ao ouvir as primeiras notícias sobre o terrorista que atacou policiais na avenida mais famosa da França: Marine Le Pen e François Fillon serão os mais votados no primeiro turno, amanhã.

Os que se informam através do New York Times e do Guardian devem ter concluído que o atentado não teria influência nenhuma e que a pior coisa que aconteceu foi o presidente Donald Trump tuitar especulando sobre seu peso no resultado eleitoral.

Só para lembrar, já que poucos se dão conta de que ele continua sendo presidente: François Hollande declarou recentemente que tinha “vontade de vomitar” ao ouvir certos comentários de Trump. Ele havia dito que “Paris não é mais Paris” por causa do terrorismo. Qualquer um pode concluir por si quem teve mais finesse.

Como têm jornalistas e comentaristas da mais mais alta elite, apesar de prejudicados pelas lentes ideológicas, tanto o Times quanto o Guardian, pilares do progressismo, começaram a emitir sinais de pânico diante de uma potencial ascensão de Marine Le Pen. Só os leitores muito distraídos não percebem.

O prof. Marcelo no jardim-de-infância

Alberto Gonçalves


Os pasmados são livres de elogiar fervorosamente a zelosa atuação do prof. Marcelo. Mas convinha notar que cada elogio é um atestado de menoridade a Portugal.

Uma avioneta caiu em Cascais e o lugar do acidente foi invadido pelas entidades necessárias: ambulâncias, mirones, estagiários televisivos e o prof. Marcelo. Num instante, a chegada do prof. Marcelo tornou-se o centro da notícia, e o rosto dele omnipresente nas intermináveis reportagens que encheram o dia e animaram a melancolia das redacções. De cada vez que alguém falava para uma câmara, o prof. Marcelo plantava-se atrás, a abençoar o que era dito. Ao que tudo indica, o prof. Marcelo não coordenou a logística, não prestou primeiros-socorros aos feridos, não ressuscitou os mortos e, ao contrário do que se esperaria, nem sequer emitiu qualquer palpite.

Então, o que fez ali? Na TVI, salvo o erro, um sujeito tentou uma explicação: o prof. Marcelo evitou o pânico. Sem ele, a acreditar nesta apologia, multidões teriam corrido pela A5 afora, numa debandada em que valeria tudo incluindo arrancar olhos. Com ele, imperou a calma. Para os que acham que “calma” está longe de ser a palavra mais adequada a um desastre aéreo, não achem. No dia seguinte, e só no dia seguinte, o prof. Marcelo apresentou a própria versão dos acontecimentos: “Estava próximo e as notícias que tinha eram, felizmente, porque depois não se confirmou, muito piores”.


Apetrechado do extravagante optimismo com que troca os sintomas de ruína económica por boas novas, o prof. Marcelo limitou-se a acomodar às circunstâncias a sua visão alternativa (digamos) da realidade. De facto, a avioneta podia ser um 747, o parque de estacionamento do Lidl podia ser a audiência do Rock in Rio e – se por redobrado azar o prof. Marcelo não estivesse próximo – Portugal podia agora chorar milhares de vítimas fatais. Assim, chora apenas cinco, o que, de acordo com o prof. Marcelo, é quase motivo de festança.

[Aparecido rasga o verbo] ECA – Estatuto da Criança e do Adolescente

Eca, sô! A lei que protege o menor que mata, completará 27 anos daqui a três meses. Alguém teria coragem de lhe dar uns bons tiros de misericórdia?!

Aparecido Raimundo de Souza

Em 13 de julho de 1990, não sei se os leitores recordam, foi criada a lei 8.069, conhecida como o Estatuto da Criança e do Adolescente, o famoso ECA. Foram seus signatários os ilustres Fernando Collor Pozinho de Mello, Bernardo do Cabrito Cabral, Carlos Chiarelli (que chiarellava igual ou pior que puta de zona), Antônio Magri (que apesar do nome continuou gordo igual porco pronto para o abate, todavia, segundo as línguas afiadas, o desgraçado era tão miserável, que não apareceu nenhuma criatura que lhe desse fim à vida).

Por fim, Margarida Procópio (na época, comentam a boca miúda, dava o pró e o cópio de uma só vez e virava os olhinhos mais que bêbado diante de um pôster da Dilma Roubousset pelada, e, pior, com as mãos nos bolsos).

Segundo esses filhos de jumentos, o propósito do ECA, desde a sua ratificação, ocorrida, por sinal, no mesmo dia, tinha por objetivo, a proteção infanto-juvenil. Em outras palavras, visava regulamentar os direitos das crianças e dos adolescentes. As senhoras e os senhores concordam?

A quem respondeu afirmativamente, a resposta está errada. O ECA, na verdade Estatuto do Criminoso e do Assaltante, diretrizou, ou efetivou o direito do menor, do vagabundo, a matar, sem que as garras da lei o alcancem como deveria.

E as provas dessa infâmia aí estão. Vamos aproveitar para ilustrar nosso artigo, releiturando um texto de Reinaldo Azevedo, publicado, em 2013, quatro anos atrás, na revista “Cão que fuma” sob o títuloVictor Hugo Deppman, 19 anos, está morto! Um facínora, o ECA, o Código Penal e a Constituição deram um tiro em sua cabeça! Assassino estará livre em 3 anos. Faz sentido?

Outro assassinato, desta vez acontecido recentemente, ou seja, no dia 16 de março no Rio de Janeiro. Cristiana das Graças Silveira, de 34 anos, morreu ao lado da filha de sete anos, vitimada por um menor, que, ao lhe pedir dinheiro, e, diante da negativa da mulher, o vagabundo lhe desferiu duas facadas no pescoço.

Esse amaldiçoado, com certeza, nem chegou a ser preso, e, se foi logo depois se viu em liberdade, porque sabe que está protegido, ou blindado pelo maldito ECA, ou, repetindo, Estatuto do Criminoso e do Assaltante.

O presidente Fernando Collor de Melo sanciona o projeto de lei que cria o Estatuto da Criança e do Adolescente, ao lado dos ministros Margarida Procópio (Ação Social) e Antonio Rogério Magri (Trabalho). Foto: Jamil Bittar/CPDocJB

Em nosso entender, deveria, ao invés de ECA, ser conhecido por ECAA, ou Estatuto do Criminoso e do Assaltante Assegurado. Perguntarão as senhoras e os senhores, boquiabertos e pasmos: Assegurado por quem?! Ora, meus caros, pelos cânceres malignos que assinaram a malfadada lei, os anjos decaídos dos quintos, Fernando Collor Pozinho de Melo, Bernardo do Cabrito Cabral, Carlos Chiarelli, Antônio Magri e Margarida Procópio.

[Para que servem as borboletas?] Como chegar filosoficamente a Deus pelo estudo do Ser...

Valdemar Habitzreuter

Não basta apenas crer em Deus pelo fato de as religiões assim nos induzirem, mas saber o porquê da nossa crença, de como podemos fundamentar nossa fé racionalmente ou filosoficamente. E isso pode ser realizado analiticamente com bastante acerto.

A ontologia nos auxilia nesta tarefa. A ontologia é o estudo do Ser; ela se dedica ao estudo de tudo o que existe; a partícula on significa ser em grego. Há duas facetas de se estudar o Ser:  o Ser como tal e o ser dos entes (das coisas); significa estudar o Ser em seu todo.

Há, pois, duas dimensões do Ser a serem distinguidas: a dimensão do Ser como tal que é absolutamente necessário por ser o Ser originário, e a dimensão do ser dos entes que é absolutamente contingente pelo que os entes podem existir ou não.

Não podemos negar o Ser absolutamente originário, pois sem ele nada existiria; nossa própria vida significa ser, isto é: existimos. No Ser Absoluto nos movemos e agimos. Mas, como temos acesso racionalmente ao puro Ser se não se apresenta como ente, como alguma coisa? A filosofia, ao longo de sua História, desde Platão, esqueceu-se propriamente do Ser fundamental; assim, não se ocupou o bastante com ele, pois sempre se deparou com a dificuldade de desvendar o sentido do puro Ser, por não ter materialidade, e se concentrou mais no ser dos entes – estudar a essência das coisas.

Mas, o acesso ao Ser como tal, podemos estabelecê-lo da seguinte forma: tudo o que existe na dimensão do Ser contingente (nós e as coisas deste mundo) só podemos admitir sua existência se um Ser necessário e originário existir, caso contrário, haveria um redondo nada. Não é uma mera dependência causal, porque o Ser originário está ínsito no ser dos entes. 

[Enigma policial] Jantar de negócios


O Jaime e o Pedro são sócios numa empresa de informática e amigos há 20 anos. Depois de um desentendimento, o Pedro decidiu acabar com a sociedade, mas o Jaime convidou-o para jantar em sua casa, na esperança de resolverem o problema.

Quando o Pedro chegou, o Jaime estava a preparar o jantar e os dois amigos ficaram na cozinha a conversar. Enquanto o Jaime cozinhava, o Pedro fez uma caipirinha para cada um: dois copos com gelo até acima. Cheio de sede, o Jaime bebeu a dele e logo a seguir pediu ao Pedro que lhe fizesse outra
- Estás mesmo com sede! Eu ainda nem sequer bebi metade – comentou Pedro.
- É que antes de tu chegares estive a provar o piripíri. Queria acertar com a quantidade que precisava pôr na carne. E estava muito puxado, por isso prepara-te… Também vais beber muito ao jantar.

O Pedro preparou uma segunda caipirinha para o Jaime, que a bebeu quase de imediato.
- Ah, estava mesmo boa. Ninguém faz caipirinhas como as tuas.
- Já te disse qual é o segredo: tens de esmagar bem a lima.

QUIZ: Mesquitas

As mesquitas são construídas segundo orientações e uma estrutura fixas, prescritas pela religião, ainda que se admitam variantes locais. Em todo o caso, nunca pode faltar um sabil. Em que consiste exatamente este elemento?

Foz do Iguaçu, foto: Camille Panzera

A  – Sala de oração
– Parte orientada para Meca
C  – Fonte das abluções 
D  – Zona de autoridades

Luvualu: o oxigénio do camarada presidente

Rafael Marques de Morais


“O oxigénio que respiramos também é um ganho da paz”, afirma António Luvualu de Carvalho, embaixador-itinerante e membro do Comité Central do MPLA, em declarações à Televisão Pública de Angola (TPA).

Trata-se de uma declaração cujo intuito é endeusar o presidente – o arquiteto da paz – e colocar o MPLA ao mesmo nível que o conselho de apóstolos de Jesus Cristo, ou seja, “intangível”, para usar uma palavra muito cara a Luvualu.

Nas redes sociais, as palavras de Luvualu correm a uma velocidade extraordinária. Nem mesmo João Lourenço, cuja figura monopoliza agora, diariamente, as atenções e laudas da TPA, RNA e do Jornal de Angola, consegue ter tanto impacto quanto o ilustre académico do MPLA.

O MPLA deve começar a refletir sobre os efeitos contraproducentes de tantos anos a amordaçar os intelectuais, a censurar e a pisotear a inteligência dos angolanos que pensam de forma livre e independente.

A falsa alternativa – país adiado

Pedro Passos Coelho

O governo tem-se esforçado por transmitir a ideia de que a sua estratégia económica e orçamental tem funcionado bem. Apresenta, para esse efeito, os resultados obtidos com a descida do desemprego e o crescimento da economia. Ao mesmo tempo, sugere que a descida do défice público para 2% do PIB evidencia que, afinal, era perfeitamente possível reverter rapidamente as medidas de austeridade sem pôr em causa a consolidação orçamental e as metas assumidas com a União Europeia. Em conclusão, segundo os socialistas, estes resultados comprovam que a austeridade dos anos anteriores era desnecessária e só aconteceu por obsessão ideológica do governo que chefiei. Como costumam dizer, fica provado por esta solução de governo que, afinal, havia mesmo alternativa.

Sem surpresa, não têm razão.

Não têm razão, desde logo, porque o que se passa hoje em Portugal não tem qualquer comparação com a situação vivida em 2011, quando o então Primeiro-ministro José Sócrates pediu a intervenção da Troika. Qualquer pessoa medianamente consciente e informada sabe o que se passou então. O País perdeu acesso a financiamento externo na sequência de desequilíbrios fortíssimos, envolvendo quer as contas públicas – com défice superior a 10% do PIB, registados tanto em 2009 como em 2010 –  quer as contas externas, com um défice grave ao nível da balança de pagamentos, representando uma dívida externa, pública e privada, numa trajetória de insustentabilidade. Os socialistas, que ainda em 2010 aprovaram e aplicaram dois PEC cheios de austeridade, pelos quais reduziam fortemente rendimentos e prestações sociais e agravavam impostos, sabem que se houvesse verdadeiramente alternativa a teriam posto em prática, evitando assim a intervenção externa e a consequente humilhação política para o seu governo e para o País. Todos sabemos, infelizmente que quando é demasiado tarde para atuar sobre as causas dos problemas, fica apenas a inevitabilidade de fazer o que é preciso para poder ter acesso ao dinheiro que é indispensável para evitar a rutura de pagamentos e a consequente miséria social e económica que esta acarreta.


"Se hoje temos espaço de manobra para ter mais escolhas nas políticas públicas, isso deve-se tão só ao facto de termos sido bem-sucedidos na estratégia de recuperação nacional que o anterior governo pôs em prática."


Em conclusão, se hoje temos espaço de manobra para ter mais escolhas nas políticas públicas, isso deve-se tão só ao facto de termos sido bem-sucedidos na estratégia de recuperação nacional que o anterior governo pôs em prática. A austeridade pode hoje ter uma feição diferente – e sim, ainda há muita austeridade disfarçada – porque já não temos a pressão da Troika e dos mercados que tivemos há uns anos. Mas não é ao Partido Socialista, nem ao Bloco de Esquerda ou ao Partido Comunista Português que devemos agradecer a liberdade de escolha que hoje temos. Os partidos da atual maioria, quando foi difícil trabalhar para livrar Portugal do resgate, defendiam políticas que nos teriam colocado na situação de incumprimento, como aconteceu com a Grécia. Ora, na Grécia, infelizmente, continua a não haver alternativa à austeridade e parece que a União Europeia mudou pouco a sua exigência de cumprimento do programa – o terceiro já – de assistência, permanecendo o Syriza no governo muito contrariado, a pedir flexibilidade às instituições europeias e ao FMI, mas a executar políticas de aperto orçamental que incluem cortes importantes de rendimentos.

Uma tragédia chamada Brasil

Rui A.


Acabado de chegar de São Paulo, ponderei a possibilidade de nada escrever sobre o que lá encontrei nas últimas semanas. As revistas que colecionara para fundamentar um possível texto, deixei-as todas, à última da hora, no hotel. O que por lá fui vendo, ouvindo e lendo foi mais do que suficiente para provocar uma overdose de política brasileira, capaz de me enjoar por muitos anos.

No essencial, a questão reside na confirmação do que já se temia há muito tempo: todos os políticos brasileiros são, de uma forma ou de outra, corruptos e venais, e roubam o dinheiro dos contribuintes para a consumação das suas ambições pessoais, políticas e partidárias.

De Lula e do PT já não restavam dúvidas.

Da maioria dos poderes federais, estaduais e municipais não se ignorava que estavam tomados por personagens ávidas de dinheiro fácil, capazes de tudo para o conseguirem. Dos partidos políticos, do PMDB ao PSDB e ao PT, passando por todos os outros mais pequenos, bem se sabia que eram – são – basicamente máquinas para a conquista e manutenção do poder e de todos os benefícios materiais que ele permite, permanecendo completamente trepanados de qualquer romantismo ideológico. Mas havia ainda a ilusão de que algumas destas personas aliavam a competência técnica a uma certa honorabilidade pessoal, distanciando-se das práticas comuns da ladroagem instalada. Henrique Cardoso, Alckmin, Serra, Aloísio Nunes, entre outros, pareciam pessoas de bem, verdadeiros oásis de honorabilidade num deserto político de corrupção. Na semana passada, a lista do ministro do Supremo Tribunal Federal Edson Fachin pôs um ponto final nessas ilusões.

Study Finds Mainstream Media Coverage of Trump 89% Negative

OUTRAGEOUS



A new report found that President Trump has received more hostile treatment from the mainstream media than any other president in U.S. history.

According to the Media Research Center, 89 percent of broadcast networks' coverage of Trump has been negative.

From January 20 to April 9, 1,501 on-air statements about Trump made by experts, voters and reporters were negative, compared to just 186 positive, the study found.

It also revealed that most of the negative coverage of Trump was focused on his travel ban, Russia's meddling in the U.S. election, the ObamaCare repeal, immigration enforcement, and Trump's allegations that President Obama had him wiretapped.

On "Outnumbered" today, Newt Gingrich warned that this is another sign that the liberal mainstream media is drifting further and further to the left.

He suggested that the Trump administration "clean out the White House press room."

"Why would you allow The New York Times or CBS News in the White House press room?" Gingrich said. "They're your mortal enemies."

Meghan McCain said that the Trump administration has contributed to its issues with the mainstream media by not always putting out proper messaging.

She singled out White House Press Secretary Sean Spicer in particular.

McCain added, however, that there's no doubt that the liberal press was in the tank for Obama, and now they're out to get Trump.

Fox News Insider, 21-4-2017

sexta-feira, 21 de abril de 2017

[Aparecido rasga o verbo] De Herói descabeçado a Mártir decapitado

Aparecido Raimundo de Souza

Essa história da inconfidência mineira nunca me cheirou bem. Quando ainda era pequeno e frequentava o grupo escolar, até que dava para engolir: o professor contava que um menino muito pobre e que atendia pelo nome de Joaquim José da Silva Xavier havia nascido na fazenda do Pombal, em 1746, perto de São João del Rei, em Minas Gerais. Que aos nove anos perdeu a mãe e, desde então, ficara aos cuidados de seu padrinho, Juarez, um especialista em fabricar dentaduras postiças para madames ricas e bem cotadas na corte.

Foi com esse homem, Juarez, seu padrinho, que Xavier aprendeu o ofício que mais tarde lhe daria o apelido pelo qual ficaria conhecido em todo o planeta. Assim cresceu o garoto Joaquim, como dentista prático. Antes foi mascate, mas não teve muito sucesso porque vendia precatórios fiados, do governo português, a gente que não o pagava. Diziam, à boca miúda, que nem o diabo conseguiu ver a cor do dinheiro desses precatórios. Todavia, pela habilidade de extrair dentes ganhou dinheiro, até porque além de muito jeitoso sabia tratar de seus clientes com remédios feitos de plantas. Algum tempo depois ingressou na carreira militar e passou a servir como alferes no Regimento Real da Cavalaria.

Por essa época, conheceu José Álvares Maciel, que tinha acabado de chegar de Portugal onde terminou seus estudos. Foi a partir daí que Joaquim tomou os primeiros contatos com as ideias de liberdade que Maciel trouxera da Europa. Envolvido por elas, Xavier passou a fazer parte de um grupo que defendia a libertação do Brasil das garras de Portugal. Muito bonitinha a historinha do professor dos meus tempos de guri. Contudo, uma trama mentirosamente ordinária. Ainda hoje me questiono: quem eram os outros?!

Os livros que passei a ler depois de ter saído do grupo escolar citam os poetas Cláudio Manuel da Costa, Inácio José de Alvarenga Peixoto e Tomás Antonio Gonzaga. Mencionam os padres Carlos Correia de Toledo e Melo, José de Oliveira Rolim e Manoel Rodrigues da Costa. Autores os mais variados apontam, nas entrelinhas, alguns nomes de militares de carreira, com destaques para o tenente-coronel Francisco de Paula Freire de Andrade, os coronéis Domingos de Abreu e Joaquim Silvério dos Reis e o Zé Mané (antigo alferes) Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, que é o homem que nos interessa.

Noto que os autores e pesquisadores (a maioria deles) usam o termo “alguns militares”, omitindo o primordial: os nomes de batismo pelos quais essas pessoas eram ou ficaram conhecidas. Isso deixou no ar um mistério indecifrável.

Qual Esquerda, Qual Direita!

Cristina Miranda

Não entendo como ao longo dos séculos ainda não se abandonou a terminologia esquerda e direita, com origem na Revolução Francesa. Pior do que isso foi atribuir uma carga negativa à direita de tal modo que ninguém se quer identificar com ela, quando deveria ser precisamente o oposto. É à esquerda que devemos as ligações aos piores ditadores de sempre, chacinas em massa, privação absoluta de liberdades, fome, miséria e injustiças. A História não mente. Agora mesmo a Venezuela é bom exemplo disso. Mas curiosamente, nas escolas, ainda hoje, passam a ideia que ser de esquerda é ser pelos desfavorecidos das classes trabalhadoras. Ser de direita é ser pelos ricos e opressores. Nada mais falso.

Com efeito, foi com a Revolução Francesa em 1789-1799 que a terminologia surgiu. Quando os jacobinos (radicais alinhados com a baixa burguesia e trabalhadores) e girondinos (moderados com tendência à conciliação e com boa articulação com a alta burguesia e nobreza) reuniram no salão da Assembleia Constituinte para redefinir os destinos de França, os primeiros, em busca de representatividade e legitimidade política, sentaram à esquerda, os segundos à direita, dando lugar a novos modelos políticos, sociais e culturais que viriam a espalhar-se pela Europa. A Revolução francesa era expressamente progressista influenciada pelo Iluminismo francês e os girondinos mesmo ligados à tradição estavam inseridos nesta perspectiva. Dito de outra forma, todos, quer uns quer outros lutavam à época contra a monarquia absolutista, divergindo apenas na forma de chegar à sociedade ideal.

Curiosamente foram os radicais jacobinos, que protagonizaram o Período do Terror onde defendiam o terrorismo de Estado, liderado por Robespierre e que supostamente pretendia fazer uma perseguição aos girondinos, mas que acabou por ser um extermínio de todos os opositores considerados inimigos da revolução, inclusive alguns dos próprios jacobinos que haviam sempre apoiado a mesma. Isto não vos lembra nada?

[Aparecido rasga o verbo] Pé no chão

Um livro inteiro escrito com o pé

Aparecido Raimundo de Souza

ZENI BERGER, senhoras e senhores, nasceu pronta para a vida. Veio ao mundo para nos ensinar a lição de casa, qual seja, a de convivermos em harmonia perfeita com os percalços que nos são impostos, sem ficar chorando pelos cantos, como pobres e tristes Prometheus. Essa jovem simpática é o retrato de si mesma, sem retoques, sem correções ou aprimoramentos.  Escreveu “Pé no chão”, usando apenas o pé. Em outras palavras, sem o uso de computador, ou sem precisar ajustar uma secretária para ditar suas memórias. Zeni é o que é. O amor criança, a experiência subjetiva mais linda que alguém pode, um dia, sonhar.

Zeni traz dentro de si vários mundos paralelos, onde alguns se encontram e se entrelaçam, outros não. Seus textos são pequenos mimos (leves e soltos) se descortinando como um filme diante de nossos olhos, ora como lembranças imorredouras, ora como caminhos dispersos que se encontram, ou melhor, que se chocarão em algum lugar dentro de nossa imaginação. É o caso, por exemplo, de “Banho”:

“Enquanto o rádio esquentava, ouvia as doze badaladas de um relógio de chave que ficava na parede com dois ponteiros somente”.

Ou...

“Vaca”:

“Chorava, gritava e esperneava muito, porque tinha medo e nojo de ficarem três dias depois, enrolados num surrado cobertor e no quarto escuro com o corpo cheio de merda”.


O arauto

Alberto José


O ARAUTO teve origem na nobreza que precisava se comunicar com o povo; era o mensageiro dos reis na Idade Média. O arauto fazia as proclamações, divulgava títulos de nobreza, transmitia mensagens, anunciava as guerras e proclamava a paz.

O CÃO QUE FUMA teve origem das cinzas da VARIG quando os seus trabalhadores precisaram se comunicar com a comunidade; é o mensageiro dos variguianos e simpatizantes. O CÃO QUE FUMA faz proclamações, divulga pensamentos e opiniões, transmite mensagens, anuncia a luta e proclama a tranquilidade.
Título, Imagem e Texto: Alberto José, 21-4-2017

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Campanha de trânsito na França dá susto real em pedestres imprudentes

Painel emite som de pneus cantando quando se atravessa fora da faixa ou com o sinal vermelho para os pedestres. Susto é registrado em foto, tirada em tempo real, e publicada no próprio totem com mensagem de alerta


Uma campanha de trânsito na França tem dado sustos reais em pedestres. Tudo para evitar os atropelamentos no país europeu, que registra uma média de 4.500 mortes/ano por esse motivo só na região administrativa da Ilha de França, formada por 27 regiões administrativas, incluindo a capital, Paris.

Como parte da sétima edição da "Quinzena Regional dos Usuários Vulneráveis", que acontecerá em maio, uma iniciativa simples foi lançada para alertar os pedestres mais distraídos ou imprudentes do risco de se atravessar fora da faixa ou quando o sinal ainda está vermelho para eles.

Quando essa situação acontece, um painel emite o som de pneus cantando e ao mesmo tempo tira uma foto do pedestre assustado e exibe a imagem na mesma hora com a seguinte mensagem (em francês): “Não corra risco de morte na travessia respeitando os semáforos…” Os vídeos e as fotos dos pedestres apavorados vão ser exibidos em estações de trem e também nas redes sociais da campanha.
Título e Texto: O Tempo, 12-4-2017
Confira o vídeo da campanha:

quinta-feira, 20 de abril de 2017

Francisco, o comentador político




Vimeca comprada por empresário brasileiro

Francisco Feitosa comprou a empresa de transportes Vimeca (Lisboa Transportes), segundo uma notificação da Autoridade da Concorrência.


Sara Antunes

Francisco Feitosa, empresário brasileiro, comprou a Vimeca, empresa de transportes que opera na região da Grande Lisboa, segundo um aviso publicado esta quinta-feira, 20 de abril, pela Autoridade da Concorrência. 

Francisco Feitosa é um empresário do Ceará, conhecido como Chiquinho Feitosa, dono do grupo Vega, fundado em fevereiro de 2002, em Fortaleza, segundo a informação que consta no site do grupo de transportes brasileiro.

Atualmente o empresário Francisco Feitosa "não dispõe de qualquer atividade em Portugal", pode ler-se na notificação do regulador.

Já a Vimeca foi criada em 1931 e em 1995 comprou a Rodoviária de Lisboa, atuando na Grande Lisboa. A Vimeca faz parte do grupo Imorey, do qual fazem parte os hotéis Fénix.

O valor da operação não é conhecido.

O aviso da Autoridade da Concorrência serve para alertar os interessados de que têm 10 dias úteis para se pronunciar sobre esta operação.
Título e Texto: Sara Antunes, Jornal de Negócios, 20-4-2017