quarta-feira, 29 de março de 2017

Confusão ardilosa

Nessa fala de Marcelo Odebrecht há uma clara confusão entre a doação de dinheiro com origem ilícita, que ele admite, e o recebimento desses valores pelos partidos políticos

Editorial Estadão

Ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Marcelo Odebrecht [foto] confirmou que a empreiteira que leva o seu sobrenome utilizava habitualmente recursos de caixa 2 para fazer doações para campanhas políticas. Reconheceu, por exemplo, que 4/5 dos recursos destinados pela Odebrecht para a campanha de Dilma Rousseff em 2014 tiveram essa origem ilegal. Trata-se de mais um reconhecimento, entre tantos, de que a empresa não nutria especial consideração pela lei, fazendo o que bem lhe interessasse.

Foto: Bruno Covello/Gazeta do Povo

A confissão do líder da empreiteira, admitindo que doava recursos fora da lei, não significa, no entanto, que todos os políticos que receberam essas doações praticaram ilícitos, como quer fazer crer o sr. Marcelo Odebrecht. “Duvido que tenha um político no Brasil que tenha se elegido sem caixa 2. E, se ele diz que se elegeu sem, é mentira, porque recebeu do partido. Então, impossível”, disse Marcelo à Justiça eleitoral.

Nessa fala de Marcelo Odebrecht há uma clara confusão entre a doação de dinheiro com origem ilícita, que ele admite, e o recebimento desses valores pelos partidos políticos, o que não necessariamente é ilícito. Se a empreiteira doou dinheiro cuja origem é de caixa 2, ela está encrencada com a lei, pois mantinha recursos à margem da lei. Quem recebeu esse dinheiro estará encrencado tão somente se sabia dessa origem ilícita ou se não declarou esses valores à Justiça eleitoral. Ou se recebeu para, em troca, cometer ato ilícito.

[Aparecido rasga o verbo] CPI

Aparecido Raimundo de Souza

DOZE COISAS IMPORTANTES QUE TODA A POPULAÇÃO DEVE, OU, PELO MENOS, NECESSITARIA SABER, RELACIONADAS COM A CPI – COMISSÃO PARLAMENTAR DE INQUÉRITO.

(Definições e finalidades)

1
COMISSÃO PARLAMENTAR DE IMPOSTORES
O propósito maior dessa Comissão é enrolar e engambelar “trouxas”. Quanto mais idiotas existirem no meio da ralé (ralé, aqui, se traduza por Zé povinho), mais campos surgirão para se expandirem as mamatas das regalias e gastos do governo federal e o seleto grupo lá da Capital do Brasil seguir adiante vivendo e gozando à sombra do dinheiro público.

2
COMISSÃO DE PARAFUSOS INSATISFEITOS
A turma desse comitê tem por obrigação apertar os parafusos soltos na cabeça do presidente Michel Jacson Temer, antes que ele engula as porcas soltas nos palácios do Planalto e Alvorada.

3
COMISSÃO DOS PROCURADORES DE INSETOS
Preserva, antes de qualquer coisa, os insetos que procriam no Epicentro, além dos ratos e vermes de esgoto, que, por aquelas paragens, se reproduzem a céu aberto.

4
COMISSÃO DE PUTAS E INICIANTES
O plano central dessa turma não é outro senão o de oferecer melhores condições às putas para que ganhem mais ao irem para a cama com nossos deputados e senadores da república. 

5
COMISSÃO DE PICARETAS E INÚTEI
Criada para (re) colocar no mercado de trabalho aqueles picaretas cassados (picaretas cassados aqui se traduza por larápios, ladrões, safados, etc...) ou que, por motivos outros, “renunciaram” a seus cargos e respectivos mandatos para escaparem dos “arrepios” arrepiados das leis.

Vivendo de preconceitos

Nelson Teixeira

O preconceito é a disposição de não aceitar o outro como ele é, além de ser uma negação dos princípios da Caridade e do Amor ao próximo e a si mesmo.

Em quantos momentos nos vemos presos a preconceitos que não nos levam a lugar nenhum, muito pelo contrário, degradam nossas virtudes e elevam nossos defeitos como a incompreensão e a intolerância.

Desperdiçamos tempo apontando o outro e nos esquecemos de cuidar da nossa melhora e do nosso crescimento, atrasando assim a nossa evolução.

Ao invés de termos o preconceito por que não usarmos esse tempo doando o que há de melhor em nós a quem precisa?

Quanto tempo perdemos ao falar e criticar o outro enquanto podíamos ajudar quem realmente necessita de nós?

Livremo-nos do preconceito, ele não nos encaminha à caridade, nem tampouco nos ensina o amor, sejamos críticos de nós mesmos e não julgadores dos nossos irmãos.
Título e Texto: Nelson Teixeira, Gotas de Paz, 29-3-2017

O menor dos problemas de Passos é a Câmara de Lisboa

José Manuel Fernandes

O problema do PSD é que não tem coragem, e não tem capacidade, para mobilizar o eleitorado em torno da ideia de um país com mais liberdade, onde o Estado mande menos para a economia poder crescer mais

Era possível derrotar Fernando Medina em Lisboa? Creio que sim, se PSD e CDS se tivessem entendido. Com ou sem candidatura de Cristas. Mas como esta não é a primeira vez que, na capital, a direita, e o PSD em particular, correm para perder, não creio que esse seja o maior problema de Passos.

O maior problema de Passos é que, mesmo depois dos difíceis anos de ajustamento, o país não dá sinais de ter entendido a necessidade de reformas e ele, tal como o PSD (e o CDS), parecem ter-se resignado a isso. Por isso não tem um discurso político mais coerente e mais mobilizador.

Pode ter toda a razão do mundo quando denuncia os truques orçamentais do Governo (e tem), mas isso é pouco. Pode ir aproveitando as diferentes trapalhadas da geringonça, mas isso também é pouco, é politiquinha que só mobiliza os ativistas. Pode (e até deve) continuar a avisar para os perigos do rumo que está a ser seguido, mas continua a ser muito pouco e muito deprimente. Pior: tudo somado é sempre poucochinho.

Dir-se-á: podia ser diferente? A meu ver podia, e não apenas fazendo “mais política”, como recomendam os comentadores que adoram a intriga, a manobra e o jogo de enganos. Mas exigia outra forma de olhar para o país e de fazer política. Uma capacidade para dizer sem rodeios que Portugal nunca irá a lado nenhum enquanto não sair deste atavismo que mistura o corporativismo que vem do Estado Novo com o socialismo “constitucional”, essa sopa pastosa em que nos movemos e que nunca ninguém verdadeiramente desafiou.

terça-feira, 28 de março de 2017

[Aparecido rasga o verbo] Cibele Dorsa, seis anos depois

Aparecido Raimundo de Souza

Transcreveremos, abaixo, a carta da atriz e escritora CIBELE DORSA, nossa amiga, que resolveu, de repente, virar estrela. Minha linda, onde você estiver agora, esperemos de coração, que fique bem e continue em PAZ! 

À guisa de explicação:
A atriz e escritora Cibele Dorsa, aos 36 anos escreveu vários textos antes de cair (ou melhor, de se jogar) do sétimo andar do Edifício Real Parque, onde morava, no Morumbi, zona Sul de São Paulo, na madrugada do dia 26 de março de 2011, ou seja, há seis anos passados.

Em um trecho da carta, ela deixou uma mensagem para o amado, Gilberto Scarpa, que morreu dois meses antes, ou mais precisamente no dia 30 de janeiro, caindo do mesmo local. Leiam, abaixo, senhoras e senhores, trechos dessa carta escrita por ela, onde a nossa jovem amiga fala do amor pelo namorado morto e, o mais intrigante, de sua dor pela perda. Ela menciona o pai de Viviane, sua filha de oito anos, do casamento com o cavaleiro Álvaro Affonso de Miranda Neto, o Doda, que atualmente é casado com a bilionária grega Athina Onassis.

Dorsa é autora do livro “5:00 horas”, publicado pela Editora Saraiva, onde conta, em detalhes, o acidente que sofreu e quase a levou a óbito, depois de ficar por quase um mês internada. 

O texto:
“... Viver sem o Gilberto é para mim uma sobrevida desumana. De todos os homens que passaram por mim quem me fez mais mal foi sem dúvida alguma, o Doda, pai da filha que nem mais contato pude ter, e quem mais me fez bem, em vida, foi o Gilberto. Viver sem meus dois filhos e sem o amor da minha vida me dilacera por inteiro, é como se eu estivesse acordada passando por uma cirurgia cardíaca, sinto meu coração sendo cortado, um bisturi elétrico que não para nunca. Não aguento mais chorar, quando não estou soluçando de tanto chorar, fico com lágrimas calmas, mas, elas não cessam, nunca! Não aguento mais viver, ou melhor, sobreviver. A comida não desce, sinto um nó na garganta, estou ficando cada dia mais magra, sinto minha pele se descolando do meu corpo. (…) Minha cabeça não consegue pesar menos que 10 toneladas, eu não tenho mais paz, a cena da morte do meu amor me atropela constantemente, lembro do corpo do Gilberto no meio da rua, mas, os olhos estavam abertos e eu achei que ele pudesse me ouvir… Falei muito com ele acho que ele deve ter ouvido, mas, falei tarde demais. Eu disse que me casaria, que teria o filho, que ele não poderia morrer, molhei o rosto dele de tantas lágrimas e, nada de conseguir que ele se salvasse. (…) Estou sofrendo mais dor agora do que quando sofri o acidente de carro. Agora não tem morfina, não tem nada que acalme essa dor, nada que faça parar essa sensação de perfuração no meu peito. Ainda por cima, o Doda parece nunca cansar de me humilhar, ele não se satisfará nunca mesmo. É o pior homem que já conheci em minha vida, um lobo em pele de cordeiro...”

Amazon tenta “cutucar” gestão Doria, mas ele responde e a empresa fica em situação chata

Implicante


A Amazon, uma das maiores corporações do mundo, achou que seria uma boa ideia alfinetar a gestão de João Doria, falando justamente do Cidade Linda. E ele respondeu à altura, com foco na melhoria da cidade, colocando a bilionária companhia em situação complicada. Vejam a seguir, e já voltamos com nossa análise desse tiro no pé:


MAIS UMA VÍTIMA DO “MARKETING DO LACRE”
A prática não é rara, embora frequentemente dê errado: alguma marca cai no conto do publicitário esquerdista e resolve dar uma “lacrada”, pois garantiram que seria um sucesso. O que se vê depois é o repúdio de um lado, no geral majoritário, sem conquistar o outro.

Ideologizar uma empresa é sempre mau negócio, mas é ainda pior quando o ataque é contra algo apoiado pela maioria. E a Amazon resolveu cair nessa.

De alegado em alegado até ao branqueamento final

Helena Matos


Ora, se o terrorista é alegado, a mulher dele pede desculpas de quê? Nesse caso devia escrever-se Mulher do alegado terrorista condena alegado ataque.

Ou tendo em conta as questões de gênero e o direito à privacidade do alegado terrorista, era bem melhor apresentar assim o assunto: Alegada mulher do alegado terrorista condena alegado ataque.

Mas ainda não está bem porque, note-se, as vítimas também podem ser alegadas. Quem nos garante que culpam o homem que alegadamente as matou? Quem nos afiança que não se suicidaram ou resolveram participar no alegado ataque do alegado terrorista que era alegadamente casado com a alegada mulher que alegadamente o condena porque alegadamente ele cometeu um ato alegadamente terrorista?
Título e Texto: Helena Matos, Blasfémias, 28-3-2017

Um dos principais negócios da história da aviação brasileira completa dez anos nesta terça-feira, 28 de março

A venda da Varig para a Gol foi, ao mesmo tempo, a última esperança de sobrevivência da primeira empresa aérea brasileira e um dos passos mais ousados de uma novata na aviação nacional.


A aquisição da Varig foi um passo ousado para a Gol, que chegou ao mercado brasileiro em 2001 com um modelo enxuto de operação, o chamado “baixo custo e baixa tarifa”. Na época, a Gol anunciava a intenção de mandar duas marcas e dois serviços diferentes e via uma oportunidade de avançar no exterior com nome Varig.

A Varig, que tinha 17 aviões e voava para 18 destinos nacionais e internacionais, teria a frota dobrada, como modelos Boeing 737 novos e 767 usados. Meses depois da compra, chegaram os Boeing 767 para retomar as linhas internacionais da Varig. “Era um avião velho, que não foi bem aceito pelo mercado. A compra da Varig não foi um bom negócio para a Gol”, diz Nelson Riet, especialista em aviação e ex-diretor de operações da Varig.

O próprio Constantino de Oliveira Junior admitiu no ano seguinte, em declarações à imprensa, que a empresa errou na escolha do avião. Ele consumia muito combustível e a Gol teve prejuízo com as rotas internacionais. Os voos para Europa e América do Norte foram cancelados em 2008 e a Varig manteve sua operação apenas na América do Sul. Em 2013, a marca saiu de cena completamente, com a aposentadoria dos aviões que levavam sua marca nos voos da Gol.

Constantino de Oliveira Junior, durante coletiva de imprensa de anúncio da compra da Varig
(…)

O CALOTE DO AERUS

Dez anos depois da venda da Varig, aposentados e pensionistas que investiram no fundo de pensão da qual a empresa fazia parte ainda esperam uma definição sobre pagamentos aos quais tinham direito. O Aerus foi criado em 1982 pela Varig, Cruzeiro e Transbrasil. Quando a Varig parou de operar, o fundo, com vários repasses atrasados, não tinha reservas suficientes para pagar os benefícios de todos aqueles que tinham contribuído.

“Pagamos durante toda a nossa vida profissional para o Aerus visando a garantia de uma velhice digna. Entretanto, ficamos numa situação de penúria. ” A frase é do comandante aposentado Zoroastro Ferreira Lima Filho, que tem 86 anos e trabalhou na Varig durante 15. “Foi tudo para o buraco. Sumiram com o dinheiro, a Varig tinha que depositar e não depositava. Depois que ficamos sabendo disso”.

Em 2006, foi decretada a intervenção e liquidação extrajudicial do Aerus. Dessa época até 2014, os aposentados e pensionistas da Varig receberam apenas 8% do valor a que tinham direito por terem contribuído com o fundo de previdência privada. “Foram 8 anos de sofrimento. Muitos não tiveram condição de pagar plano de saúde, comprar medicamentos. Muitos morreram sem ver restabelecido seu dinheiro”, lembra o ex-comandante Lima Filho. Ele começou a contribuir com o Aerus desde a criação do fundo, e se aposentou 4 anos depois.
(…)
Leia aqui o Infográfico de O Globo, 28-3-2017

A ‘Fractious’ Feminist Decries the Ruthless Thought Police Stifling Free Speech on Campus

Camille Paglia

History moves in cycles. The plague of political correctness and assaults on free speech that erupted in the 1980s and were beaten back in the 1990s have returned with a vengeance. In the U.S., the universities as well as the mainstream media are currently patrolled by well-meaning but ruthless thought police, as dogmatic in their views as agents of the Spanish Inquisition. We are plunged once again into an ethical chaos where intolerance masquerades as tolerance and where individual liberty is crushed by the tyranny of the group.

The premier principles of my new book, Free Women, Free Men, are free thought and free speech–open, mobile and unconstrained by either liberal or conservative ideology. The liberal-vs.-conservative dichotomy, dating from the split between left and right following the French Revolution, is hopelessly outmoded for our far more complex era of expansive technology and global politics. A bitter polarization of liberal and conservative has become so extreme and strident in both the Americas and Europe that it sometimes resembles mental illness, severed from the common-sense realities of everyday life.

My dissident brand of feminism is grounded in my own childhood experience as a fractious rebel against the suffocating conformism of the 1950s, when Americans, exhausted by two decades of economic instability and war, reverted to a Victorian cult of domesticity that limited young girls’ aspirations and confined them (in my jaundiced view) to a simpering, saccharine femininity.

In 1991, New York Newsday published my op-ed on date rape, which remains the most controversial thing I have ever written. In it, I argued that women today (then as now) were misusing the freedom that my generation had fought for, and won, by not accepting personal risk. I wrote at the time that young feminists are deluded: they come from a protected, white middle-class world and expect everything to be safe. Women infantilize themselves when they cede responsibility for sexual encounters to men or to after-the-fact grievance committees, parental proxies unworthy of true feminists. My baby-boom generation demanded and won an end to such parietal rules, and it is tragic indeed how so many of today’s young women seem to long for a return of those hovering paternalistic safeguards.

In her new book, Paglia cites certain icons as feminist role models: “Barbra Streisand has never received due credit for her pioneering role in shattering female convention and laying the groundwork for second-wave feminism.”

Syndicated in regional newspapers from coast to coast in haphazard truncated form, the op-ed caused a huge backlash. There was a coordinated campaign, evidently emanating from feminist groups in the Midwest, to harass the president of my university with demands for my firing. That article, often reprinted in freshman-composition course packs at state universities, caused me endless trouble throughout the 1990s. It led to picketing and protests at my outside campus lectures and to my own walk-offs (to avoid fisticuffs) from Austrian and British TV talk shows and even from the stage of Queen Elizabeth Hall in London.

[Discos pedidos] Willie Nelson


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Hey! 

[Aparecido rasga o verbo] Sinuca de bico

Aparecido Raimundo de Souza

I
Tramontino Brandão e mais cinco companheiros foram convidados para almoçar na casa do Zé do Pagode. Era aniversário do Carlinhos Salsicha e a data nunca passava em branco. Aliás, de nenhum deles. Sempre que havia festa, a turma se reunia e comemorava. Nessas ocasiões, a bagunça geralmente varava a noite. Desta feita, o local escolhido foi a residência do Zé do Pagode, por ser um pouco maior e contar com um privilegiado quintal com piscina e quadra de futebol. Antes da hora aprazada já estava a rapaziada ao redor do barzinho que compunha uma das peças principais da construção à espera das guloseimas que prometiam ser sortidas.

II
Tramontino Brandão procurara um lugar singularmente dotado de bons ares para se sentar. Da confortável acomodação, observava o hall, a sala de leituras e TV, o corredor — no fim do qual uma escada em caracol ligava aos aposentos do pavimento superior — e, à esquerda, a copa. Colada ao fogão, uma branquelinha dos cabelos cor de mel preparava os comes e bebes. Atarefada com as panelas sobre as chapas, a gazela se deslocava de um lado para outro atropelando o que encontrava. Enquanto isso, o moço não sabia se prestava atenção ao grupo que tagarelava ou comia com os olhos o shortinho de lycra, muito curto que mostrava o lombo avantajado da serviçal. Assim, entre política, oscilações do câmbio, queda do real, subida do dólar e outras baboseiras, Tramontino Brandão ficava literalmente brancão, balançava a cabeça afirmativamente feito vaquinha de presépio. Suas vistas não desgrudavam da dança frenética que a gatinha imprimia às nádegas fazendo a boca sorver rapidamente cada gole da cerveja que despejavam em seu caneco.

III
Zé do Pagode, o anfitrião, parecia um rei. Ao lado, Pafunciano deglutia peito de frango desfiado. Luiz do Botão, juntamente com Carlinhos Salsicha (o que apagaria as velinhas), mais o Juarez da Birosca, incrementavam um sambinha de Noel Rosa batendo talheres nos cascos das garrafas. Uma zona! Tramontino Brandão continuava inerte, abobado, chumbado na cadeira. Grogue, o coitado roía as unhas em atitude descontrolada. A angústia maior se constituía em não poder agarrar literalmente aquela fêmea e desfrutar de sua companhia numa noitada inesquecível. O estranho é que a linda pérola loira tinha umas manias esquisitas. Ora metia o dedo no buraco do nariz, ora coçava aquele lugar secreto. A seguir, pegava nos alimentos. Esse procedimento em cadeia se deu com a salada de tomates, os bolinhos de carne e também com as laranjas que espremia para o suco. Tramontino Brandão assistia impassível e boquiaberto. Via a moça arrancar a sujeira do nariz e, sem o menor constrangimento, tocar nos pratos, nas panelas, nas batatas, na carne do churrasco...

O Défice de 2016 é um Embuste

Cristina Miranda

O défice que nos apresentaram é uma perigosa bomba relógio. Não há mérito nenhum nos 2,1%. Muito menos prova que usando outras políticas se consegue os mesmos objetivos como disse Marcelo. O que há são malabarismos grotescos, diria quase criminosos, de “chico-espertice tuga” que escondem o maior embuste, depois de Sócrates, fundamentado em mentiras, patranhas e ilusões para o iletrado cidadão. Uma falta de respeito por toda uma Nação a quem se pede constantemente sacrifícios fingindo ser pelo bem de todos. Uma mentira abençoada pelo PR que nos deveria fazer corar de vergonha. Infelizmente.

Comecemos pelo dito feito histórico que não o é: em 1989, Cadilhe, então ministro das Finanças de Cavaco Silva, alcançava exatamente o mesmo déficit. Mas claro que os jornalistas “não se deram conta” e por isso, nunca fizeram contraditório. Esta é a mentira útil da propaganda para cegar sobre a realidade. Transmitir um sucesso falso para criar um bem-estar na população que aguente, pelo menos, até às autárquicas.

Agora vamos às ditas contas: estão a ver os mágicos que tiram coelhos das cartolas? Os coelhos estão mesmo lá dentro? Pois. Não estão mas parecem estar. Esse é o princípio utilizado nestas contas de Centeno. Não é preciso que o seja, mas sim, que o pareça. E parece que o défice reduziu quando o vemos pomposo e com cara de anjinhos a dizer à boca cheia que não houve malabarismos nem habilidades apenas fruto de muito trabalho. Ora, caso para dizer que se houve “muito trabalho” foi na “árdua” tarefa de “esconder debaixo da carpete” tudo o que faz subir o tão almejado déficit. Vamos ver como?

Uso equivocado das redes sociais em campanhas eleitorais

Cesar Maia
       
1. No Painel da Folha de S. Paulo, Vera Magalhães destacou, na época, o planejamento do PSDB para uso das redes sociais na campanha presidencial de 2014. Diz assim: O comando da campanha de Aécio Neves (PSDB) ao Palácio do Planalto montou uma força-tarefa para formar nove mil militantes em todo o Brasil para atuar nas redes sociais a favor da candidatura do tucano. Até o fim de maio, serão trezentas sessões de treinamento. Os militantes são orientados a difundir noticiário positivo de Aécio e críticas ao governo Dilma Rousseff. O PSDB bancará os custos com salas e equipamento. O PT fará evento semelhante, em abril, em São José dos Campos (SP). Segundo um dirigente tucano, a maior parte dos militantes é jovem e quase todos são voluntários. Reservadamente, o partido admite pagar uma ajuda de custo para incentivar a adesão ao programa.
        
2. Este EX-BLOG, em notas anteriores, sublinhou que os “turistas” nas redes sociais, acionados por interesse eleitoral, vendidos por agências que se dizem especializadas em marketing na internet, têm muito pouca ou nenhuma eficácia. As notas postadas nas redes têm um potencial efetivo de multiplicação quando são de iniciativa daqueles que já estão nas redes e, portanto, conhecem a sua rotina e avançaram em circunferências interativas de atenção.
       
3. Muito mais ainda. A lógica das redes parte da iniciativa dos indivíduos e não de máquinas partidárias ou organizações específicas. Quando essas são identificadas, a credibilidade dos repasses desmorona. E, principalmente, quando se trata de ação política orquestrada e verticalizada. Imagine notícias pasteurizadas e distribuídas para postagem dos nove mil “contratados”.
     
4. Há um vetor correto na proposta: não fazer campanha explícita do candidato, mas multiplicar ideias que produzam convergência espontânea e sinergia com as ideias do candidato – a favor dele e contra seus adversários.
       
5. O que se deve fazer, e já deveriam ter feito há muito tempo, é identificar os militantes e simpatizantes que já estão nas redes, cotidiana e sistematicamente, e buscar com eles criar canais de informações que estes multiplicariam ou não, ajustando da forma que entenderem seus textos. O estímulo central não pode nunca tirar o caráter espontâneo das iniciativas individuais. Lembre-se que uma só pessoa na rede pode ter um multiplicador maior que os nove mil. Identificar essas pessoas – militantes/simpatizante teria um valor agregado potencial milhares de vezes maior.
       
6. A publicidade na internet nos ensina isso. Empresas pagam para postar seus banners nos tipos de comunicação em rede de pessoas que já partem de um volume sensível de acessos.
Título e Texto: Cesar Maia, 27-3-2017

QUIZ: Ordens arquitetônicas

Quais eram as três ordens arquitetônicas dos gregos, que também foram adotadas pelos romanos?


A  – Dórica, jónica e coríntia
– Arcaica, média e moderna
C  – Geométrica, plana e cúbica 
D  – Laminar, foliar e lobular

O Parténon, dedicado à deusa Atena, é um dos melhores exemplos de um templo dórico que ainda se conserva.

Marcelo Lins, ex-piloto Varig, é entrevistado em conhecido programa da TV angolana

O ex-comandante da finada Varig, Marcelo Lins, atualmente voando na TAAG – Linhas Aéreas Angolanas, autor do livro “CASO VARIG”, dá entrevista a prestigiado programa da televisão angolana, Programa Hora Quente, do apresentador Cabingano Manuel. Foi nesta segunda-feira, 27 de março de 2017. Assista:

[Atualidade em xeque] Terceiro ano e contando...

José Manuel

Parece que o nosso povo ainda não entendeu muito bem o que se passa, haja vista a baixíssima presença nas manifestações de ontem, 26 de março. Enquanto isso, no mesmo dia, milhares saíam às ruas na República Dominicana, protestando contra a presença e as propinas da Odebrecht no país.

Quem me conhece sabe, em especial neste momento político que atravessamos, que não sou exatamente um adepto de uma intervenção militar, seja em que governo for, em que país for refutando inclusive postagens em redes sociais sobre o assunto, apesar de ter absoluta convicção, pois vivenciei a época, de que o período 1964/1985 foi o mais profícuo que o país já teve em 126 anos de república. 

Venho pregando abertamente ser a favor de uma mudança urgente e radical em nosso regime presidencialista de governança, que já vem provando há mais de um século não ser o ideal, muito pelo contrário, ser o principal culpado pelo estado degradado em que o país se encontra neste momento.

Sou totalmente a favor de um parlamentarismo republicano e que jamais se entregue a chave do cofre de um país pobre, política e intelectualmente, como o nosso, a psicopatas, políticos de ocasião, políticos semianalfabetos, populistas, políticos sem uma graduação superior, técnica ou humanas, pois, caso contrário, é um desastre completo, como nos dois casos mais recentes.

Uma vez com a chave desse riquíssimo cofre na mão, esse tipo de gente faz o que quer com o dinheiro alheio (do povo) e ainda se acha no direito de não dar a menor satisfação aos que os elegem, exatamente por conhecer os seus eleitores e saber que estão lidando com vaquinhas de presépio.

Foi o caso dos gastos público-particulares da impichada Dilma, das hospedagens em hotéis cinco estrelas em suítes presidenciais, jantares em restaurantes de luxo, quando chefes de Estado, por praxe diplomática, se hospedam em embaixadas. E por aí vai, se for enumerar o que essa mulher gastou sem ordem nossa, fora os aviões para lá e para cá, gastos pessoais, personal cabeleireiro etc., não paro mais de escrever.

segunda-feira, 27 de março de 2017

O fim do centro-esquerda

Alexandre Homem Cristo

A questão política da atualidade está na desaparição do centro-esquerda europeu, cujo espaço os populistas invadiram. E ou volta a representar quem ignorou, ou o populismo instalar-se-á no seu lugar.

A propósito dos 60 anos sobre a assinatura do Tratado de Roma, passámos o fim-de-semana a ouvir lamentos sobre o futuro da UE e os perigos do populismo. Numa Europa que salta de ilusão em ilusão, a mais recente parece ser a de que o combate aos populismos se faz pela censura social e política dos seus protagonistas e dos seus eleitores. Erro grosseiro. Que, por exemplo, as eleições holandesas puseram mais uma vez a nu.

É fácil culpar Wilders, Farage e Le Pen, mas focar neles é também olhar para o problema errado. Apesar da atenção mediática que atrai, o fenómeno político dos nossos tempos não está no nacionalismo populista. Está no pouco discutido desaparecimento do centro-esquerda europeu, cujo espaço eleitoral os populistas invadiram. No Reino Unido, na Holanda, em França ou na Grécia, os partidos socialistas estão à beira da irrelevância, substituídos no debate público pelos populismos. Porque os cidadãos acham as suas soluções melhores? Não. Porque as suas soluções (mesmo quando consideradas más) são as únicas que atacam as inquietações sociais que o centro-esquerda optou por ignorar.

Primeiro, perante a crise das dívidas soberanas e a falta de crescimento económico, o centro-esquerda não encontrou alternativa às políticas de austeridade – mesmo que lhe dê outro nome. Em França, Hollande tentou a “austeridade inteligente”. E, em Portugal, depois de estrangular serviços públicos e cortar nas despesas do Estado, foi um governo PS que levou o défice até aos 2,1%. Segundo, perante o impacto da globalização para as populações das cinturas industriais no Ocidente, o centro-esquerda dispensou-se de representar a classe trabalhadora (que, durante décadas, serviu de sua base eleitoral). O seu discurso político hoje endereça-se às elites sociais, citadinas e de formação superior, nomeadamente as que preenchem os lugares nas universidades públicas. Terceiro, perante a crescente imigração de populações muçulmanas, o centro-esquerda aderiu ao multiculturalismo que, em nome da não-ofensa aos valores dessas populações, permitiu a segregação social e legitimou a recusa destas comunidades em cumprir as leis europeias.

Quando as manifestações eram contra a escória petista as ruas lotaram. Isso é ruim para a petezada…

Luciano Ayan


É incrível como petistas possuem cara de pau. Alguns deles estão comemorando o fato de as manifestações deste 26 de março terem um número muito menor do que as manifestações que derrubaram a elite bolivariana.

Se isso pode gerar debates internos na direita sobre posicionamento quanto a inimigos, não é motivo para petistas ficarem aliviados ou terem algo de que se vangloriarem. Isso apenas significa que o povo se mobiliza muito mais para lutar contra gente como Dilma e Lula do que contra “a classe política em geral”.

Petistas só teriam alguma moral para comemorarem se mais gente fosse às ruas contra Temer do que foram contra Dilma e Lula. É preciso ridicularizar petistas que venham fingir que estão comemorando.

Fica aqui a reflexão: para as próximas manifestações devíamos focar em destruir o que resta do projeto totalitário de poder da escória petista e de seus sicários macabros.
Título, Imagem e Texto: Luciano Ayan, Ceticismo Político, 27-3-2017

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[Aparecido rasga o verbo] Torturas no matadouro

Aparecido Raimundo de Souza

Gente, pelo amor de Deus. Estão querendo matar nossos animais de estimação, especificamente os que estão prestando relevantes serviços à pátria, lá no Senado Federal e na Câmara. Não podemos deixar que nossos oitenta e um malandros da melhor espécie sejam assim assassinados brutalmente.  Afinal de contas, eles, coitados, vivem de trabalhos “onestos”, quais sejam, surrupiarem até à exaustão, os coitadinhos do Zés Carentes.

Percebam que fazem leis e as aprovam, para se beneficiarem a si mesmos. Paralelo ao lado das caras porcas sustentam projetos que beneficiam a todos nós, os Manés integrantes dessa sociedade sem manchas, sem deformidades, sem borbulhas e desabonos.

Nossos homens, amadas e amados, são os melhores e mais cristalinos arquétipos de transparências sem precedentes para que o mundo inteiro se volte, e querendo, se espelhem em nossos atos de bravura, nos copiando como um exemplo indubitável de probidade acima de qualquer suspeita.

Notem, senhoras e senhores que os oitenta e um membros nunca nos deixaram nas mãos. Ou a ver navios onde só existia mar aberto. Os elegantes, os impolutos, estão sempre do nosso lado, nos defendendo com unhas e dentes. Jamais usaram seus poderes para promoverem a bel-prazer, aquele expediente conhecido por oportunismo sem eira nem beira.

Mesma coisa na Câmara. Temos naquela porra, aquartelados, mamando, em nossos colhões, dia e noite, quinhentos e treze filhos da puta, igualmente lutando, pelejando, dando o cu, perdão, amigos e amigas, dando o sangue para que todos nós, pobres e humildes, fodidos e descamisados, assalariados e sem teto, tenhamos dias melhores e possamos criar nossos filhos com dignidade. Afinal de contas, nosso querido rincão faz parte de uma confederação igual (ou melhor) que o da Suíça e, atentem, caros leitores, com uma constituição de 1874. 

Será que deveríamos ter prestado atenção aos escritos de Alinsky em 1971 para evitar que este 26 de março desse em água?

Luciano Ayan


Para início de conversa, eu quero parabenizar o esforço feito pelos grupos democráticos que hoje foram se manifestar. Também entendo que priorizar a pauta da derrubada do voto em lista fechada foi uma ótima ideia, ainda que tardia. Não quero que este post seja um apontamento de culpas, mas um chamado à reflexão, pois entendo que principalmente os movimentos deram uma resposta ao clamor de muitos de seus seguidores. Tentaram fazer o melhor com o que tinham em mãos, mas se algo não deu certo, é bom que todos façamos uma reflexão.

O fato é que as manifestações deste 26/03 foram um fiasco, bem ao contrário das históricas manifestações pelo impeachment. A pergunta é: qual a razão para o fracasso?

Talvez a resposta possa ser encontrada no livro Rules for Radicals, escrito em 1971 por Saul Alinsky e tratado por este blogueiro que vos escreve como um dos pilares da moderna guerra política.

A décima terceira das regras para táticas de Alinsky dizia: “Escolha o alvo, congele-o, personalize-o e polarize-o”. Ele queria nos lembrar que não adiantava fazer ações contra “a prefeitura”, mas sim contra um prefeito em específico, ou contra “a classe política”, mas sim contra um representante específico desta classe. Para buscar amigos, indivíduos escolhem outros indivíduos. Vale o mesmo para identificar inimigos: são outros indivíduos.

Eu, mulher preta, cansei da Esquerda


Patrícia Silva

Cansei. Cansei de ouvir pessoas dizerem o que eu tenho que fazer, o que e como eu tenho que pensar, com quem devo me associar e quais ideias devo seguir.

Cansei de ouvir militantes do movimento negro dizerem como meu cabelo deve ser. “Não alise seus cabelos!”, eles disseram. Cansei!

Cansei de ouvir feministas dizerem que mulher pode ser o que ela quiser, menos se declarar não feminista. Aparentemente, você, mulher, é obrigada a ser feminista. Sua cabeça, minhas regras.
Deus, como estou cansada!

Cansei de ouvir socialistas/comunistas classificarem como alienados ou ignorantes todos os pobres, negros e gays que não são alinhados à esquerda do espectro político. Na visão vitimista desses seres iluminados, somente o combo “homem-branco-heterossexual-classe média-morador do Leblon” pode querer ser o que quiser. Será que não percebem a incoerência nisso? Será que não percebem que essa massacrante rotulação é só mais uma forma de opressão do livre pensar? Aliás, quem eles pensam que são para determinar o que outros indivíduos devem pensar?

Cansei. Estou farta da patrulha ideológica.

domingo, 26 de março de 2017

Os sofistas

Platão
Autênticas bestas negras para Platão, os sofistas foram um grupo de filósofos e educadores que dominaram a cena intelectual de Atenas no final do século V a. C. De fato, a palavra “sofista” não possuía então a conotação pejorativa com que hoje a empregamos, e que devemos em boa medida à má imagem que deles transmitiu Platão para a posteridade. Sofista significava pura e simplesmente “professor” e, por esse termo, era designada uma série de educadores que ganhavam a vida instruindo os jovens a troco de uma remuneração.

Dois eram os elementos da sofística que despertavam o receio, senão mesmo o ódio, entre uma grande parte da população grega.

O primeiro residia no fato de, ao contrário dos sábios de outrora, os sofistas não reunirem em torno de si um grupo de discípulos pelo mero prazer de difundir as suas ideias, antes faziam-se pagar e viviam disso: eram profissionais do ensino. Isto que hoje provavelmente não nos parece particularmente grave era visto como um autêntico escândalo pelos integrantes (entre eles Platão) dos setores mais esnobes e aristocráticos das pólis gregas. Em suma, e sem que as coisas tenham mudado nem um pouco, os que desprezavam o “vil metal” e o interesse crematístico eram precisamente aqueles que o tinham garantido e não tinham necessidade de ganhá-lo.

Tristezas

Vasco Pulido Valente

… hopes expire of a low dishonest decade… (W. H. Auden)

O PSD – A comissão distrital do PSD aprovou a candidatura da dra. Teresa Leal Coelho à Câmara de Lisboa por vinte e tal votos contra um. Não me admira nada, só me admira que esse único discrepante não fosse imediatamente fuzilado. Os chefes mandam hoje nos partidos como quem manda em regimentos e deviam abandonar os títulos com que se ornamentam pelo título genérico de “coronel”, como antigamente no Brasil. Era mais sincero e exato. A obediência é, do PC ao CDS, a grande virtude do militante e, como dizia Lee Atwater, o lendário conselheiro de Reagan, o segredo do sucesso está em “não se fazer notado, fazer-se de parvo e ir sempre andando”.

Mas não há críticos do PSD? Há: os defuntos partidários (Pacheco Pereira) e os generais reformados (Marques Mendes, Santana Lopes e Manuela Ferreira Leite, todos ex-presidentes daquela desaustinada agremiação). Isto dá vontade de morrer, como Bulhão Pato inventou que Herculano tinha dito perante um espetáculo parecido? Às vezes, dá, desculpem.

Copos e mulheres – José Manuel Fernandes foi o único a perceber que o comentário do sr. Dijsselbloem era um comentário de calvinista. Infelizmente, acabou aí. Mas vale a pena continuar. Garton Ash já pediu em público aos seus amigos Merkel e Schäuble que não tratassem a crise do Euro como “um ramo da teologia” e, para uso dos zoilos, também já explicou que esta perversão vem das profundezas da cultura alemã. Em alemão a palavra para orçamento (do Estado, por exemplo), Haushalt, significa simultaneamente “casa de família” ou, se quiserem, “lar”, um termo em desuso, mas talvez mais exato; e que a palavra Schuld quer dizer ao mesmo tempo “dívida” e “culpa”. Garton Ash acrescenta que na imprensa e na televisão se chama habitualmente aos países do Sul “pecadores fiscais”.