domingo, 5 de julho de 2015

Corte Interamericana News - Voluntariado e proativismo

José Manuel
"O voluntariado é uma atividade inerente ao exercício de cidadania que se traduz numa relação solidária para com o próximo, participando, de forma livre, espontânea e organizada, na solução dos problemas que afetam uma ou mais comunidades dentro da sociedade em geral"

"A proatividade é a capacidade de ir além de um pensamento ou ideias normais, que envolve também a prospecção de cenários onde o objetivo é criar soluções, antes que os problemas realmente se tornem realidade"

Como é do conhecimento de todos, o nosso país não é exatamente pródigo nestes dois casos descritos acima, pois isso é coisa que se aprende na escola básica, preparando cidadãos para a vida toda, e eu parcamente vi isso nos meus tempos escolares, nem correta educação sexual, nem educação fundamental ao trânsito de veículos e pedestres, nem como exercer cidadania, enfim, ensinamentos básicos de uma sociedade na formação de um cidadão.

Não é o que deveria acontecer e talvez por isto tenhamos chegado a um ponto muito triste em nossa história como sociedade organizada, em todos esses aspectos, principalmente cidadania, quando vemos uma total falta de cuidado para com o próximo, principalmente se ele for da chamada terceira idade.

Apesar de tudo o que está aí para ser visto e sentido hoje em dia, por estarmos já no entardecer da vida, nós, do Aerus, estamos dando um exemplo e quebrando o paradigma vigente em nossa sociedade e, por isso mesmo, será daqui para a frente um exemplo a ser seguido pela nossa juventude.

Direita fascista e opressora


Linhas de frente da APRUS

Thomaz Raposo
Caros participantes ativos do AERUS, assistidos, assistidos dependentes e herdeiros resultantes da intervenção e liquidação dos planos I e II da VARIG e TRANSBRASIL, ao que tudo indica as petições existentes no processo de antecipação de tutela somente deverão apresentar seu resultado final após o dia 14 de julho, quando aparentemente o desembargador voltará ao trabalho neste dia.

Não podemos deixar de comentar que infelizmente duas situações vieram a retardar tanto a volta do processo ao gabinete do desembargador Dr. Daniel como o da aprovação do projeto de lei 02/2015. O primeiro resultante de uma greve do judiciário que somente voltou ao trabalho no dia 01 de julho, quando atendendo as prioridades devidas fizeram a juntada das petições e encaminharam o processo finalmente ao desembargador de forma célere e eficiente já para conclusão e voto.

O segundo foi vítima dos inúmeros processos a serem decididos pela câmara que após exaustivas seções levou ao esvaziamento e postergação da aprovação para o dia 14 de julho.

No segundo semestre são quatro as linhas de frente da APRUS a seguir:

- Busca, solução e definição do processo de antecipação de tutela parada desde 05 de maio de 2014, viabilizando uma melhor negociação de um acordo junto ao governo;

- Acompanhamento dos caminhos a serem percorridos pela nossa garantia real no processo da tarifária, inclusive na primeira vara de recuperação judicial;

- Montar de forma consistente uma petição junto à COMISSÃO INTERAMERICANA DE DIREITOS HUMANOS, observando todos seus pré-requisitos exigidos;

- Observar e tratar problemas junto ao AERUS quanto ao tratamento a ser dado às taxas de administração cobradas desde 2002 e seus destinos nos balancetes.

Há algo estranho no ar…

Valdemar Habitzreuter
A vida política brasileira está em franca ebulição. A crise econômica, sem sinais claros de ter um fim, gera temores na sociedade brasileira; as delações premiadas incriminam políticos e participantes do governo; o fraco desempenho de Dilma e a forte rejeição pública é sinal de que o governo está acéfalo; O PMDB e a aliança com o PT estão com problemas; Eduardo Cunha - crítico e opositor declarado pelos desmandos e rumos incertos da política do governo concentra cada vez mais sua artilharia contra o PT; o PSDB mostra uma oposição já mais enfática de olho nas eleições de 2018; e a grande mídia marca em cima e veicula sem trégua as desgraças a assolar o país.

Tudo isso é prenúncio de que algo de estranho está se avolumando no horizonte brasileiro e pode ser um mau agouro. A palavra impeachment está sendo cada vez mais citada em jornais e redes sociais. O PMDB, o partido mais representativo na aliança com o governo está com a pulga atrás da orelha: não sabe se abandona o barco petista que começa a soçobrar ou se continua nele e se afoga junto com o PT. Alguns peemedebistas mais afoitos já tiveram contatos com o PSDB para costurar uma aliança num eventual impeachment de Dilma e posse de Temer na presidência. Amanhã acontecerá a Convenção do PSDB. Há algo estranho no ar! 
Título e Texto: Valdemar Habitzreuter, 4-7-2015

Elogio da União Europeia e do Euro (contra as carpideiras do Syriza)

José Mendonça da Cruz

Os fãs mais vocais do Syriza não têm graça nenhuma. Onde quer que os deixassem pôr a mão na governação reduziriam o país a cinzas (sempre proclamando, é claro, que a culpa era dos outros), exactamente como faz o Syriza.

Os fãs envergonhados do Syriza no PS, na Sic, no Público, na Visão e no Expresso, esses são mais engraçados. Admitindo, como sempre tardiamente, que o governo Tsipras empurrou a Grécia para o desastre, choram agora uma Europa mitológica que salvaria a Grécia e em que haveria solidariedade, coesão e estadistas.

Ora, ao contrário, é isso que, com a crise grega, fica provado que a Europa continua a ter em saudável proporção e medida.

A Europa tem feito provas da mais firme solidariedade. Todos os países da União Europeia e todos os membros do Euro têm sido absolutamente solidários na rejeição do comportamento errático e irresponsável dos gregos e na afirmação dos seus tratados e princípios. Ter uma UE ou uma Zona Euro compatível com as pretensões da Grécia syrizica não seria solidário, seria suicida.

A Europa tem dado sinais evidentes, também, de grande coesão, ao rejeitar as aventuras revolucionárias sonhadas por Tsipras, seus risíveis rapazes e seus admiradores estrangeiros. E, sim, é uma coesão ideológica, de defesa e afirmação da economia de mercado, em que pessoas e países livres têm que ser responsabilizados pelas suas contas; de defesa e afirmação da democracia, democracia ponto final, não aquela democracia que se mascara de «real» ou «popular» para exercer a tirania.

E, sim, a Europa tem estadistas como Merkel ou Cameron. Estadistas como Merkel capazes de defender a Grécia até onde é tolerável, mas capazes também de optar por profundas mudanças na arquitectura do Euro e nas fronteiras geopolíticas da Europa para manter a UE e a moeda única.

E, por fim, simpatizantes do Syriza, não soltem lágrimas de crocodilo pelo futuro sombrio que sonham e desejam para Portugal. Não só Portugal tem um governo que fez o trabalho de casa para defender o país de novas emergências financeiras, como a Europa estará disponível e desejosa de tudo para blindar a posição portuguesa (ou espanhola, ou italiana, ou irlandesa). 
Título, Imagem e Texto: José Mendonça da Cruz, “Corta-fitas”, 4-7-2015

O mal e a caramunha

Vital Moreira
Ontem o chefe do Governo grego foi citado como tendo dito o seguinte sobre o relatório do FMI:
Ora, o que o relatório diz é exatamente o contrário.
Primeiro, diz que se o programa de resgate de 2012 tivesse sido implementado, a Grécia não precisaria de nenhum "alívio" (reestruturação) na sua dívida:



If the program had been implemented as assumed, no further debt relief would have been needed under the agreed November 2012 framework.

Segundo, o relatório culpa diretamente o Governo Syriza da atual crise financeira no País e da necessidade de um terceiro resgate substancial:

However, very significant changes in policies and in the outlook since early this year have resulted in a substantial increase in financing needs. Altogether, under the package proposed by the institutions to the Greek authorities, these needs are projected to reach about €50 billion from October 2015 to end 2018, requiring new European money of at least €36 billion over the three-year period

Terceiro, o FMI acrescenta que se fossem tomadas as medidas recomendadas na última revisão do programa agora terminado, a dívida grega não se tornaria insustentável:

Patriotas & parasitas

Alberto Gonçalves
Na sexta-feira, os deputados do Bloco de Esquerda levantaram cartazes em que se lia "Solidariedade com a Grécia". Como se o gesto não fosse suficientemente engraçado, submeteram em simultâneo à Assembleia da República um voto com pedido semelhante. Dado que alguns parlamentares têm vergonha na cara, o voto acabou rejeitado. Mas ficou a divertidíssima intenção de condenar as "pressões indevidas que tentam condicionar a escolha livre e democrática do povo". Em português, isto significa que os gregos são livres de escolher a maneira de outros os sustentarem. Quanto à liberdade dos outros, o BE foi omisso. Para cúmulo, que se saiba nenhum dos deputados contribuiu para a campanha iniciada pelo britânico que, através de crowdfunding, procura ajudar a pagar os 1,6 mil milhões da dívida grega. Da última vez que vi, a recolha ia nos 1,6 milhões. Faltava um bocadinho, um bocadinho que, desconfio, não se alcança com cartazes e votos solidários. Nem com lirismo.

O lirismo dominou o encontro "A crise europeia à luz da Grécia", debate também realizado na sexta-feira e abrilhantado pela ausência de divergências. O calibre dos nomes envolvidos explica o estilo e o consenso: Louçã, Pacheco Pereira, Manuel Alegre, o Prof. Freitas, um economista da CGTP e, claro, os imparáveis deputados do BE. A bem da síntese, eis o tom geral: a Europa é uma ditadura (valha-nos Deus); a Grécia simboliza a democracia (desde tempos imemoriais, para não falar do velho esclavagismo e da pedofilia clássica); os gregos resistem ao poder do dinheiro (excepto quando é dado); os gregos, à imagem dos jogadores da bola, levantam a cabeça (excepto para pedir); os gregos são dignos (na medida em que o parasitismo é um critério de dignidade); os gregos, em suma, são patriotas - já os alemães que preferem a Alemanha ou os portugueses que preferem Portugal são traidores. Seja em que país for, patriota é o sujeito que dá a vida ou, vá lá, levanta um cartaz pela Grécia.

Três avisos por causa da Grécia

Rui Ramos
Quase de certeza que o referendo grego, seja qual for o resultado, não será o fim da história da Grécia na zona do Euro. Nunca nada na Europa foi simples, e não é agora que vai começar a ser.

Parece que há um novo jogo de salão na Europa: votarias sim ou não, se fosses grego? Cara ou coroa? Dispenso a aposta. Não sou grego, mas acima de tudo, não acredito, ao contrário de tantos dos meus contemporâneos, nas virtudes da última golpada de Tsipras para pôr termo à incerteza e à deriva destes últimos meses. O referendo de hoje na Grécia pôs demasiada gente num estado apocalíptico. É como se, finalmente, tudo se fosse resolver. Desculpem mais uma vez o meu ceticismo, mas desconfio que não. É esse o primeiro aviso que talvez convenha fazer por causa da Grécia.

Tsipras é manhoso. Pede um voto no “não”, mas para, diz ele, poder assinar logo a seguir um acordo vantajoso com os credores europeus. De modo nenhum está a propor a saída do euro. O seu ministro da Economia argumentava esta semana que mesmo que os outros países o desejassem, ninguém pode forçar a Grécia a sair da zona do Euro. Nem previsto nos tratados europeus. E alguns economistas têm de facto admitido que talvez seja possível que, mesmo com o Estado e os bancos falidos e já sem euros, a Grécia se possa aguentar teoricamente dentro do Euro. Foi provavelmente prevendo esse desenlace, que Donald Tusk, o presidente do Conselho Europeu, dizia ontem que talvez a zona Euro tivesse de se habituar à ideia de contar com um Estado em bancarrota. Wolfgang Schauble, o ministro das finanças alemão, acrescentou enigmaticamente que, se a Grécia ficar sem euros, será apenas “temporariamente”. O que é que isto quer dizer? Quase de certeza que o referendo, seja qual for o resultado, não será o fim da história da Grécia na zona do Euro. Nunca nada na Europa foi simples, e não é agora que vai começar a ser.

Da mesma maneira, este referendo pode também não ser o fim da história do Syriza no governo da Grécia. Varoufakis já prometeu demitir-se se ganhar o “sim”. Mas Tsipras ainda não explicou o que fará. Também se demite? Continua? A questão, muito provavelmente, depende menos de Tsipras do que da oposição. Há na Grécia a alternativa de governo que não havia em Janeiro, quando o Syriza ganhou? Imaginem que Tsipras perde, mas com o “não” como preferência de mais de 40% dos votantes. Tsipras vai certamente reivindicar esse resultado como só seu, enquanto o “sim”, embora maioritário, será um património a dividir entre vários partidos e tendências. Tsipras poderá assim tentar imitar o Partido Nacionalista Escocês, que perdeu o referendo da independência o ano passado, mas conseguiu fazer do “sim”, embora minoritário, a base eleitoral com que, este ano, passou a dominar completamente a política na Escócia. É verdade: a Escócia não estava falida como a Grécia. Talvez Tsipras, que pôs os gregos em fila nas caixas automáticas, esteja condenado. Mas nunca devemos subestimar um demagogo cínico e sem escrúpulos, como ele.

Uma pessoa feliz

Nelson Teixeira
Uma pessoa feliz é aquela que tem sempre em mente seu objetivo.
Não vê problemas em seu caminho, mas sim desafios.
Tem seus pensamentos no futuro e suas ações no presente.

Segue em frente, levando do passado apenas a experiência vivida.
Uma pessoa feliz é aquela que tem personalidade, não se deixa levar pelos fracos, não deixa que o medo tome conta de seu destino, mas também não é inflexível.

Uma pessoa feliz é aquela que realiza seus sonhos. 
Título e Texto: Nelson Teixeira, Gotas de Paz, 5-7-2015

Charada (64)

Os senhores Lento, Médio, Rápido e Voador, devem atravessar uma ponte antiga, de madeira, pendurada por cordas, que passa sobre um rio, em 17 minutos. A ponte só pode suportar duas pessoas por vez. Além disso, é noite e há apenas uma lanterna. 

Qualquer pessoa, sozinha ou em dupla, deve levar a lanterna consigo para atravessar a ponte, pois a ponto é muito comprida para deixar a lanterna em algum ponto, ela deve ser levada junto.

Cada homem caminha com uma velocidade diferente. Um par que for atravessar junto, deve caminhar na velocidade do homem mais lento. O senhor Lento consegue cruzar a ponte em 10 minutos; 
o senhor Médio, faz isso em 5 minutos;
já o senhor Rápido consegue cruzar em 2 minutos, e o senhor Voador cruza em 1 minuto.

Como poderão os quatro homens chegar do outro lado da ponte em 17 minutos?

sexta-feira, 3 de julho de 2015

Uma bomba social prestes a explodir no solo brasileiro

Almir Papalardo

O pavio aceso de uma bomba destruidora, cada vez mais curto, ameaça explodir nossa paz social. Está insustentável a locomoção de qualquer membro da atual equipe governista, porque logo é repudiado e xingado por cidadãos insatisfeitos. Eles não têm segurança nem coragem de se infiltrarem sem escolta onde possa existir aglomerado de pessoas.

Esta insatisfação do brasileiro é tão patente que até nos Estados Unidos já aconteceu, quando Dilma e sua comitiva foi hostilizada por brasileiros inconformados que lá estavam! Este episódio lamentável para a dignidade brasileira, já se espalhou na Internet, agravando a já periclitante aceitação governamental no nosso agora ridicularizado país.

E uma das maiores fontes de insatisfação popular está voltada para o covarde massacre feito aos velhos e indefesos trabalhadores aposentados, quando, lhes são empurrados sem misericórdia pela goela abaixo, a má vontade política e a ferrenha obstrução pelos seus direitos constitucionais não reconhecidos pelo desleal desgoverno. Não admitem nem discutir estes direitos, haja vista, que tudo que é aprovado pelo Congresso, é vetado perversamente pela presidente. Nossos projetos criam mofo escondidos bem nos fundos das gavetas.

A semeadura é livre, mas a colheita é obrigatória. O que se planta colhe-se. O governo federal, inadvertidamente, em 1997, criou ferramentas abusivas para surrupiar aposentadorias, mantendo essa descartada categoria de trabalhadores devidamente manietada, pela repulsiva atitude de deturpar artigos da nossa Carta Magna, que protegia as aposentadorias de descabidas defasagens. Assim foram criados o Fator Previdenciário e a desvinculação dos reajustes dos aposentados da correção anual do salário mínimo.

Macumba

José Manuel
Este não é exatamente o título que eu gostaria de usar em meus textos.
Mas, tudo me leva a crer que não estamos vivendo em um país, com poderes constituídos e pareceres jurídicos confirmados.

Mais uma sexta-feira se esvai pelo ralo ao encontro de dezenas que já se passaram, jogando as esperanças dos participantes do Aerus em um chorume de muito mau cheiro.

Ao contrário, parece que vivemos em um grande terreiro de macumba, um local de bruxaria, ou em uma seção de vudu, tal as situações que vão se sucedendo em que o objeto está "amarrado", por trabalhos do mal. Nada contra as religiões africanas que são do bem, mas tudo contra os sincretismos culturais desejavelmente maléficos.

Vejamos na sequência, a greve do judiciário "amarra" o processo da tutela na AGU, que não vai para o TRF1, que não deixa o desembargador se manifestar para a liberação dos nossos salários e das pobres viúvas.

Depois o PL2-2015, no Senado Federal, que garante os nossos salários, está navegando em um barco cheio de flores em mar bravio, ao sabor de datas que nunca se concretizam.

Aí, a greve acaba, o processo sai da AGU, volta ao TRF-1, mas o desembargador, ser humano que é, encontra-se afastado por um problema de saúde, o que é perfeitamente compreensível, retornando apenas no dia 14-07. E tudo isto em apenas alguns dias!

A comunicação social que temos

Vasco Lobo Xavier
Uma das piores coisinhas de Portugal é a comunicação social que tem. É simplesmente uma vergonha! Quando a realidade não é como ela quer, toca de a alterar. Dois casos num só. Relativamente à situação das negociações com a Grécia, o Ministro das Finanças francês disse à RTL que “os mais duros não são os alemães, mas os pequenos partidos”, indicando mesmo e logo ali a Eslovénia e a Eslováquia. A comunicação social portuguesa esqueceu-se dessa referência, ou omitiu-a deliberadamente, e sugeriu ou declarou mesmo que dentro desses pequenos países estaria Portugal. Logo, essa comunicação social ou mente declaradamente aos seus leitores ou é manifestamente incompetente, não sendo capaz de traduzir uma notícia até ao fim. Em qualquer dos casos, é uma vergonha. 

Não contente, o jornal Público veio hoje admitir que Portugal não integrava esse grupo, mas como isso não cola com a realidade que vai na cabecinha da jornalista Leonete Botelho, logo se adianta que Portugal não está entre os bons nem entre os maus, “quando muito foram os vilões”. E porquê? Porque, segundo a sua fonte em Bruxelas (deve ser o Manneken Pis, só pode…), esta posição moderada de países como Portugal, de apoiar a coisa e esperar pelo resultado do referendo grego, não faz destes países “bonzinhos” porque “o que Portugal, Espanha e Irlanda querem é colocar Tsipras em maus lençóis, pois qualquer que seja a resposta ao referendo, coloca o ónus sobre a Grécia, e não sobre a Europa”. E continua o seu extraordinário raciocínio: “Se vencer o sim à manutenção no euro, isso desautorizará o governo do Syrisa. Se vencer o não, a responsabilidade por uma eventual saída do euro será assacada unicamente aos gregos”, e não às instituições europeias.

Leonete Botelho não se apercebeu da completa estupidez do raciocínio que fez imprimir no Público, seja ele da própria jornalista ou da sua fonte (seguramente imprópria para beber, como qualquer criança perceberia em segundos): Portugal, Espanha ou a Irlanda não têm nada a ver com o referendo! Foi o próprio Syriza quem se colocou nessa situação de se correr o bicho pega, se ficar o bicho come! Se quer o sim quer o não são maus para o governo grego, talvez os garotos que o governam devessem ter pensado nisso antes de interromper as negociações para ir fazer o referendo. É evidente que com o referendo que o Syriza quis, qualquer que seja o resultado as consequências foram determinadas pelo povo grego e pelo Syriza. Acusar Portugal, Espanha ou a Irlanda disso é estupidez pura. Ou mentira descarada. Em qualquer das hipóteses, uma vergonha.

SCR - Sterile Cockpit Rule

Alberto José

O plano de voo está sendo estudado e os pilotos se preparam para uma importante decolagem até atingir o nível de cruzeiro.

É necessário adotar a regra SCR (Sterile Cockpit Rule) para não comprometer os procedimentos para uma decolagem sem incidentes.

A porta do cockpit tem que ser fechada para evitar a entrada de dúvidas infundadas, questionamentos intempestivos, críticas pessoais e outras mazelas que interferem na pilotagem e dificultam alcançar o objetivo pretendido.

Essa operação será muito importante e não poderá estar sujeita ao clima desestruturador que tem ocorrido durante as nossas campanhas pelo Aerus!  
Título e Texto: Alberto José, 3-7-2015 

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MAIORIDADE PENAL- Presidente da OAB e parlamentares de esquerda se unem contra a esmagadora maioria da população, contra a Constituição, contra o Regimento da Câmara e contra a jurisprudência do Supremo. Dizer o quê? Vão estudar!

Reinaldo Azevedo
Vamos lá. Vamos botar alguns pingos nos is. O governo, as esquerdas e a Ordem dos Advogados do Brasil resolveram se unir contra a esmagadora maioria da sociedade brasileira na presunção de que esta não sabe nada, é estúpida e precisa ser tutelada. E também se juntaram contra a Constituição, o Regimento Interno da Câmara e a jurisprudência do STF. Marcus Vinicius Furtado Coelho, presidente da OAB, afirmou que a entidade vai recorrer ao Supremo com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade caso a proposta de redução da maioridade penal para alguns crimes seja realmente rebaixada de 18 para 16 anos. Endossando argumento exótico de José Eduardo Cardozo, ministro da Justiça, afirma que a maioridade aos 18 é uma cláusula pétrea.

É uma afirmação realmente impressionante. O leitor tem de saber que uma “cláusula pétrea” — dispositivo constitucional  que não será objeto de deliberação nem por emenda — não é uma questão subjetiva, de opinião. Não se trata de mera impressão. Fosse assim, cada nova composição do Supremo diria o que pode e o que não pode ser alterado. A própria Carta diz o que é intocável no país. Está no Parágrafo 4º do Artigo 60. Reproduzo para vocês.

§ 4º Não será objeto de deliberação a proposta de emenda tendente a abolir:
I – a forma federativa de Estado;
II – o voto direto, secreto, universal e periódico;
III – a separação dos Poderes;
IV – os direitos e garantias individuais.

Muito bem! Como a maioridade penal não atenta contra a federação, não muda a natureza do voto, não ameaça a separação entre os Poderes, só poderia ser cláusula pétrea se estivesse no Artigo 5º da Constituição, justamente o dos direitos e garantias individuais. E não está. A maioridade está no Artigo 228. E, por óbvio, não é cláusula pétrea.

É um acinte à inteligência a argumentação do presidente da OAB. Eu realmente espero que a proposta seja aprovada só para que o Supremo tenha a chance de se pronunciar a respeito.

Suposta manobra de Cunha

O mesmo Artigo 60 tem um Parágrafo 5º que estabelece o seguinte:
“§ 5º A matéria constante de proposta de emenda rejeitada ou havida por prejudicada não pode ser objeto de nova proposta na mesma sessão legislativa.”

O que é “sessão legislativa”? É o período de funcionamento do Congresso no ano. Logo, segundo o que vai acima, aquele texto da maioridade rejeitado na terça só pode ser apresentado a partir de novo no ano que vem. OCORRE QUE O TEXTO APROVADO NA QUINTA NÃO É O DE TERÇA, PARA COMEÇO DE CONVERSA. MAS ESSE NÃO É O ARGUMENTO PRINCIPAL.

Os IncisoS II e V do Artigo 191 do Regimento Interno da Câmara são arreganhados na sua clareza. Diz o II: “O substitutivo de Comissão tem preferência na votação sobre o projeto”. Estabelece o V: “Na hipótese de rejeição do substitutivo, ou na votação de projeto sem substitutivo, a proposição inicial será votada por último, depois das emendas que lhe tenham sido apresentadas”.

A culpa não é dos líderes europeus

João Marques de Almeida

A Europa está a pagar um preço elevado por erros cometidos nos anos 1990. Mas ninguém gosta de falar disso: a narrativa politicamente correta elogia o suposto “europeísmo” de Kohl, Mitterrand e Delors

Não há artigo sobre a Grécia, ou a crise dos imigrantes em Itália que não acabe com críticas e ataques aos líderes europeus. Invariavelmente, são “egoístas”, “fracos”, “populistas”, e “não entendem a ideia de solidariedade europeia”. Há várias razões para explicar o tom crítico. Desde logo, em Portugal, a maioria dos cronistas acredita que o seu papel é atacar o poder e os governos. Se não o fizerem sentem-se como aqueles avançados que chegam ao fim do jogo e não marcaram um golo. Escrever em público exige atacar os líderes políticos, e quem não o faz ou, pior, comete o pecado de defender o governo “está ao serviço do poder” ou “quer um tacho” (normalmente, as críticas dizem muito sobre quem as faz). Em Portugal, quase toda a gente que escreve em público tem o pavor de ser acusado de estar aliado ao poder.

Em segundo lugar, a “Europa” deixou de enviar “envelopes de dinheiro” e agora exige que se respeitem as regras que todos assinaram. A “solidariedade” significa apenas dar dinheiro. Mas nunca o respeito pelas regras que acordamos com os nossos parceiros. Curiosamente, a maioria dos que atacam agora a Europa, defendeu o Tratado de Maastricht e a entrada de Portugal no Euro. Será que leram os Tratados com atenção? Será que refletiram devidamente nas consequências do que defenderam? Será que consideraram a importância de se respeitar as regras acordadas e assinadas? Alguém obrigou Portugal a aderir ao Euro? Ou achavam que as regras eram irrelevantes? Sei muito bem que a Alemanha e a França foram dos primeiros a violar as regras do Euro. Na altura, critiquei os governos de Schroeder e de Chirac (mais do que uma vez e por várias razões). Mas outros, que passam agora a vida a criticar Merkel, mantiveram-se calados perante os abusos franco-alemães.

A Europa está a pagar um preço muito elevado por erros cometidos durante a década de 1990. Mas quase ninguém gosta de falar disso. Pelo contrário, a narrativa politicamente correta elogia o suposto “europeísmo” de Kohl, Mitterrand e Delors. Esse “europeísmo” não foi mais do que defender os interesses nacionais da Alemanha e da França, no caso dos dois primeiros, e dos dois países, no caso do último. Num momento de enorme franqueza, um dia um velho funcionário da Comissão Europeia (daqueles que nunca perdeu a lucidez apesar de décadas em Bruxelas) disse-me: “O sucesso e a popularidade de Delors resultou de três princípios: no essencial, fazer sempre o que Paris e Bona (depois Berlim) queriam: atacar o Reino Unido e enviar dinheiro para os países do sul da Europa.”

Vitória do McDonald’s contra o paternalismo estatal

Rodrigo Constantino

Por acaso almocei hoje no McDonald’s. Tinha que ir no “summer camp” da minha filha ver uma apresentação e não tinha tempo para cozinhar. Foi o jeito: encarar aquelas deliciosas calorias e depois tentar compensar na academia. Fiquei um tanto espantado, porém, com a lanchonete vazia em pleno horário de pico do almoço. Pensei: “Pode ser um caso isolado, mas também pode ser o efeito de tanta propaganda contra o junk food num país com muitos obesos”.

Como muitos sabem, a campanha por uma alimentação mais saudável é liderada aqui por ninguém menos que a primeira-dama, não exatamente um ícone da elegância slim. Não fui checar, por um misto de preguiça e desinteresse, se as vendas gerais do McDonald’s estão subindo ou caindo.

Mas fiquei feliz ao ler na coluna Radar, de Lauro Jardim, sobre a decisão da Justiça brasileira envolvendo o McDonald’s e o instituto Alana, aquele dos herdeiros do Banco Itaú que quer controlar cada vez mais o que os nossos filhos podem ou não ver na televisão. Eis a notícia:

O desembargador Fermino Magnani Filho, do TJ-SP, deu fim anteontem a uma sucessão de recursos e tentativas do Procon e do Instituto Alana de multar o McDonald’s em 3,3 milhões de reais por acreditar – veja só – que a rede não deveria fazer propaganda de  seus produtos.

A saga judicial, que começou em 2010, por causa de uma das campanhas do McLanche Feliz, foi anulada pelo TJ por três votos a zero.

O molho da decisão veio do texto do relator, que se baseou em quatro premissas: a sociedade brasileira é capitalista; cabe à família dar a boa educação aos filhos; crianças bem educadas saberão, certamente, resistir aos apelos consumistas. E, finalmente, o Estado não pode sobrepor-se às obrigações familiares de forma paternalista.

Segundo ainda o desembargador, “ao defender o fim de toda e qualquer comunicação mercadológica que seja dirigida a crianças”, o próximo passo do Alana será a “reivindicação de censura publicitária a outros grupos tido como vulneráveis como idosos, gestantes, vestibulandos, etc”.

Católicos da Síria: heroísmo até o martírio – o testemunho de uma moça católica

Luis Dufaur
Mireille Al Farah, jovem síria que vive na Espanha e que não pode voltar a seu país desde que começou a enganosa Primavera árabe, contou seu drama no I Congreso Internacional sobre Libertad Religiosa realizado em Madri. Ela chora durante a comunhão, rezando pelos católicos perseguidos em seu país.

Mireille no I Congresso Internacional sobre Liberdade Religiosa, Madri

“Os pais de família nunca saem juntos à rua, para que os filhos não fiquem inteiramente órfãos” em caso de atentado mortal, relatou.

Ela contou que antes da investida islâmica, os católicos sírios “manifestávamos publicamente nossa fé, vivíamos sem medo, até que de um dia para o outro nos deparamos com a atual situação: atentados, sequestros, violações, você está em sua casa e te cai um obus de morteiro...

“Os bombardeios são diários. Com as tecnologias GPS eles sabem localizar os bairros cristãos e selecionar as vítimas. Eu perdi treze parentes, um deles foi meu primo Shami, que morreu quando tiro de morteiro caiu sobre ele um”.

Sobre a situação em Damasco, a capital síria, ela narrou: ”Nas horas que temos exames, aumentam os ataques, porque não querem que a gente vá às faculdades ou às escolas. Passamos muitas horas sem água, sem força… a gente tem de fazer o que pode para sobreviver, e isso é em Damasco, que é a capital síria”.

O país que precisa de ser salvo de si próprio

Paulo Ferreira
O que o Syriza conseguiu com a sua cegueira ideológica foi, tão só, matar qualquer hipótese de se chegar rapidamente a uma alternativa decente, equilibrada e exigente para o problema grego

Foto: Sakis Mitrolodis/AFP/Getty Images

Pobre Grécia. Décadas consecutivas de governos que permitiram a corrupção, alimentaram clientelas variadas e se tornaram representantes de interesses ilegítimos que capturaram o Estado, levando o país à bancarrota. Um resgate financeiro mal desenhado e pior executado, que não resolveu a emergência financeira, apesar de 240 mil milhões de empréstimos e de um perdão de metade da dívida. E agora um grupo de lunáticos legitimamente eleito, que coloca a ideologia extrema à frente dos mais básicos interesses do povo, que em apenas cinco meses voltou a fazer cair uma economia que começava, lenta e dolorosamente, a crescer, que já provocou o encerramento dos bancos e o racionamento de dinheiro, que está a pagar as pensões a conta-gotas, falhou o pagamento ao FMI e lançou o caos num país massacrado.

Já vimos este filme várias vezes, em vários cantos do mundo, em vários tempos. Há radicalismos ideológicos que, de tão iluminados que são, cegam quem tente olhar para eles para lhes ver a virtude.

O Syriza chegou ao governo com a promessa, por muitos apadrinhada, de ter a alternativa à austeridade. Esqueceu-se de acrescentar que dispensa as medidas duras mas nunca os financiamentos dos outros países.

Morra Sansão e todos os que aqui estão

Manuel Villaverde Cabral
Escolhi um título bíblico que ilustra o que o Syriza já fez na Grécia e quer continuar a fazer: «Morra Sansão e todos os que aqui estão», pois o matador não sobreviverá por muito tempo às suas vítimas

Foto: Sakis Mitrolodis/AFP/Getty Images

Estou há dias à espera dos últimos volte-faces das negociações entre o Syriza e a Zona Euro (ZE) a fim de escrever o que penso a este respeito. Vários outros títulos me ocorreram: «A atracção pelo abismo», «A vertigem do caos» ou simplesmente «Quanto pior, melhor!», que é a maneira de pensar típica assumida por todas as formas de oposição às medidas de austeridade fiscal e de ajustamento das políticas públicas perante a deriva despesista de vários governos da UE, entre as quais as do governo Sócrates (2005-2011), perante a grande recessão desencadeada nos USA em 2007.

Subitamente sou surpreendido, como toda a gente, pelo anúncio inopinado de um referendo ad-hoc destinado, basicamente, a tentar ilibar o Syriza do ónus daquilo que tem estado a suceder na Grécia desde o dia em que aquele partido de origem estalinista (o PC grego dito do «interior») chegou ao poder. E só lá chegou graças à adesão de grande parte do eleitorado do PS local por causa das medidas da troika impostas ao duo oligárquico que alternava no governo desde o fim da ditadura militar… Seja qual for o desenlace deste referendo manipulado desde o início, quem perderá de certeza será a esmagadora maioria da população grega, pois mesmo no caso de a maioria votar SIM, o desfecho final da crise política provocada pelo Syriza estará longe e a Grécia terá de pagar um preço muito alto.

Perante mais este truque de prestidigitação que a dupla Tsipras-Varoufakis tem vindo a produzir como pseudo-negociação, ficou claro para todas as pessoas minimamente atentas, lá como cá, que o actual governo grego não só não pretende chegar a qualquer acordo, como terá decidido, desde sempre, sair do euro, isolar a Grécia ainda mais do que já estava, se possível rebentar com a moeda única, pelo menos com Portugal e eventualmente outros países do ajustamento, assestando desse modo um golpe de proporções inéditas na UE, até pelas suas manifestas dimensões geopolíticas.

Um peso, duas medidas...

Valdemar Habitzreuter
Lamentável! Aliás, o que não é lamentável neste nosso Brasil? Tudo parece transcorrer às avessas nesta nossa re(s)pública. Aqui, quem mais pode em esperteza e subterfúgios se garante uma vida esplêndida, mesmo que isso fere os princípios da ética e jogue à margem muitos que se esforçam e labutam honesta e dignamente para ter um lugar ao sol.

O reajuste salarial para o judiciário é um acinte de desrespeito para com todos os trabalhadores deste país, achacados com pesados impostos, contribuindo para que uma minoria esperta possa usufruir de estratosféricos salários.

Os conceitos de dignidade e pessoa perderam seu sentido próprio para o judiciário, daí um peso e duas medidas! Segundo o conceito de pessoa, todos temos o mesmo peso em dignidade. Essa dignidade faz com que o ser humano seja considerado como pertencente a um reino dos fins, como nos adverte o filósofo Kant. O termo reino, para ele, significa a ligação que os homens estabelecem entre si por meio de leis comuns. Isto quer dizer que ninguém pode ser considerado como mero joguete nas mãos de outro ser humano servindo de meio para alcançar seus interesses egoístas. No entanto, não é assim que pensam os eminentes magistrados. Aplicam medidas diferentes para que a balança penda para o seu lado. Deveriam aprofundar-se na filosofia kantiana...

A lei moral, que palpita conscientemente em todos nós, é categórica: todo ser humano deve ser tratado dignamente como fim e nunca como meio. As ações humanas devem, assim, convergir para que se promova a que todos estejam inseridos numa sociedade justa e não que uns tenham mais privilégios que outros em se tratando do direito de levar uma vida digna. A dignidade humana é sagrada e é elevada à categoria do reino dos fins que pressupõe a ética e a moralidade em seu mais alto grau.

O cruzamento de malandro com esperto dá em um país de otários

Rodrigo Constantino

Escrevi um texto há alguns anos que fez muito sucesso, sobre o acostamento em nossas estradas brasileiras, sempre repleto de “malandros” tentando furar a fila dos “otários”. Pela quantidade de curtidas, toquei numa ferida, sem dúvida. Muitos brasileiros estão cansados desse excesso de malandragem em nosso país, que resulta apenas numa nação de otários, em que nada funciona direito.

Lembrei disso ao estudar para minha carteira de habilitação aqui na Flórida. Uma das coisas que notei, assim que cheguei em Weston, foi a grande quantidade de cruzamentos, daqueles com carros em todas as direções. Você pode seguir reto, virar à esquerda, à direita, e o mesmo vale para quem está vindo na outra direção. Parece um tanto caótico e perigoso. De fato, é considerado o momento de maior risco no trânsito local.

Ainda assim, tudo parece funcionar muito bem. Para começo de conversa, há uma placa STOP que é totalmente respeitada. Reparem na coisa: todo motorista para completamente o carro diante dessa placa, mesmo quando não vem nenhum carro nas demais direções. É a força do hábito, que faz a virtude, assim como o receio da punição, que reduz a quantidade de transgressão. Começamos bem, portanto: carros parados no cruzamento representam menos perigo.

Mas isso não é tudo: mesmo carros que respeitam a placa e param na faixa, algo que já seria um espanto em nosso querido Brasil, precisam depois seguir adiante. E eis onde mora o perigo: quem vai? Tem carro apontado para todo o lado. Uns querem cruzar na sua frente para virar do outro lado, enquanto outros querem seguir em seus caminhos. Como saber de quem é a prioridade? Aqui está o mais interessante: é por ordem de chegada!

Tá com medo, Dirceu?

José Manuel



Nada como um ano após o outro, e foram muitos, mais precisamente NOVE, para que chegássemos aqui, mais precisamente a este ponto onde você está.

Você conseguiu se livrar do primeiro, o mensalão, conseguiu passar uma estopa suja sobre a VARIG, que você destruiu a seu bel-prazer e para rechear os seus bolsos, mas não vai conseguir se livrar deste.

Sabe por quê? Não? É a justiça divina se manifestando, são aqueles mil e tantos do AERUS, que morreram por tua causa, e que agora estão com a chave da cadeia nas mãos e vão te assombrar mais ainda.

Tá com medo? Nós também.
Foram NOVE anos de medo, não, de pavor, não, de terror, pelo que nos fizeste.
Perdemos tudo, a nossa saúde, os nossos bens, a nossa dignidade, mas vamos te assombrar pelo que resta da tua vida. Nós nunca usaremos uma tornozeleira, que é a mais execrável das situações onde um ser humano pode chegar.

Vais eternamente ouvir os nossos gritos e os motores dos aviões que calaste para sempre, pois são a consciência do mal que fizeste. O azul vai te assombrar e não adianta mais te esconderes atrás do vermelho, porque o céu que vais ver através de um quadrado, é azul e branco como a pintura daquela empresa que arruinaste.

Tá com medo, Dirceu? 
Título e Texto: José Manuel, um dos que você arruinou, 2-7-2015