domingo, 9 de abril de 2017

[Aparecido rasga o verbo] As sete vergonhas desse Brasil de merda

Aparecido Raimundo de Souza

A antropóloga Lilia Schwarcz e a historiadora Heloisa Starling, se juntaram em prol de uma boa causa. Escreveram um livro interessante. Estamos falando do “Brasil: uma biografia”, lançado oficialmente em maio de 2015, pela Editora Saraiva.

Nele, as autoras fazem um passeio por quase quinhentos anos de história, culminando por se debruçarem nas “Sete vergonhas” desse nosso Brasil enlameado de bosta.

As senhoras e os senhores acaso saberiam elencar quais seriam esses constrangimentos embaraçosos, além de tantas outras desonras e putarias que vivemos todos os dias com os ladrões sem escrúpulos que nos roubam em Brasília?

Vamos, em breves relatos, listar essas podridões que as duas senhoras corajosas tiveram a intrepidez e a valentia de trazerem à baila.

1ª Vergonha:

Genocídio da população indígena.

Existiu um espertalhão chamado Cândido Mariano da Silva (1865-1958), depois dependurado nas forças armadas, chegando ao posto de “Marechal. Por ordem do Ministério da Guerra, Cândido conseguiu acrescentar ao seu patronímico, o sobrenome Rondon” do tio que lhe criara. Marechal Rondon, que chegou a esse posto em 1955 apregoava, com pompa e ênfase: “morrer, se necessário for, matar um índio nunca”.

Rondon, para quem não sabe, foi quem mais mandou para a vala índios, no Brasil, notadamente das tribos parecis e nhambiquaras, tidos como antropófagos. Em outras palavras, esses camaradas pendiam ao canibalismo. Apreciavam a carne humana, notadamente se o prato fosse iguariado com partes nobres do sexo feminino. Voltando ao Rondon, imaginem que essa pessoa chegou a ser nomeada ao Nobel da Paz, pelo Explorer’s Club de Nova Iorque.

Em janeiro de 1958, aos 93 anos, a figura veio a óbito, imaginem, senhoras e senhores, em face de ser atingido por uma flecha envenenada da tribo nhambiquara.  Hoje, após tanta matança, com a criação da FUNAI (Fundação Nacional dos Imbecis), o número de índios no País caiu de dois milhões e duzentos mil, para oitocentos mil.

2ª Vergonha:

Sistema escravocrata.

Nesse sistema, os escravos se viam leiloados, alugados, penhorados, segurados, torturados, currados, estuprados e assassinados, entre outras barbáries.

3ª Vergonha:

Guerra de Paraguai.

Conhecida também como “Açougue do Paraguai” e “Tríplice infâmia” a guerra do Paraguai durou cinco anos, a saber, de 1865 a 1870. Nessa brincadeira de mau gosto, perderam a vida, um milhão e trezentos mil seres humanos.

A Guerra do Paraguai foi marcada por diversos conflitos e muita violência. Na imagem, “Batalha de Avaí”, quadro de Pedro Américo.

4ª Vergonha:

Canudos.

Euclides da Cunha melhor que ninguém, retrata essa época em seu livro “Os Sertões”, publicado em 1902. A história do arraial de Canudos dá conta que sofreu invasão por tropas militares.

Em decorrência disso, seu povo queimado a querosene e suas casas demolidas com dinamite. A população, em suma, restou totalmente dizimada.

5ª Vergonha:

Polícia política do governo Vargas.

Em 1933, Getúlio Vargas criou a Delegacia Especial de Segurança Política e Social (Desp). Quem comandava essa espelunca era o capitão do Exército, Filinto Müller. Esse bandido do Müller, não vacilou em mandar matar, estuprar, torturar e deixar apodrecer nos calabouços do Desp, os suspeitos e adversários declarados do regime, sem necessidade de comprovar a prática efetiva de qualquer crime que viesse a ser imposto contra os supostos “acusados”.

A pergunta que fica no ar, em aberto. Será por essa razão que Getúlio, aos 72 anos, na madrugada de 23 para 24 de agosto de 1954 resolveu se encontrar mais cedo com o diabo?

6ª Vergonha:

Centros clandestinos de violação de direitos humanos.

Instalados na ditadura, a partir de 1970, esses centros serviam para executar os procedimentos de desaparecimento de corpos de opositores mortos sob a guarda do Estado.

Escreveu, não leu, cidadãos sumiam desses centros misteriosamente sem deixar rastros.

7ª Vergonha:

Massacre do Carandiru.

Carandiru era a casa de detenção que abrigava mais de sete mil presos, em 1992. Sua capacidade oficial previa três mil e quinhentas pessoas. No dia 2 de outubro desse ano de noventa e dois, uma briga de facções rivais terminou em tragédia. Conclusão: cento e onze presos (números não oficiais) foram mortos e cento e dez feridos (também não oficiais).

Quase vinte e cinco anos depois, setenta e três policiais foram “condenados”. E pasmem, amadas e amados, até hoje esses militares recorrem em liberdade.

Em conclusão, o livro de Lilia e Eloisa, de linguagem fluente, discorre sobre outros assuntos, salpicados, todos, com vasta documentação original e rica iconografia.

Os leitores terão um quadro bem traçado de corpo inteiro desse país, observando que a nossa querida e sofrida terrinha merecia, sem dúvida alguma, uma NOVA E DIFERENTE HISTÓRIA. Essa, em nosso entendimento, certamente acontecerá, com mudanças para melhor, daqui uns vinte mil anos.
Título e Texto: Aparecido Raimundo de Souza, jornalista, de Sorocaba, Interior de São Paulo. 8-4-2017

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