domingo, 2 de julho de 2017

Êxito dos colégios católicos na Inglaterra

Plinio Maria Solimeo

“Ato de Supremacia” (1534) reconhecia o Rei como chefe supremo da igreja na Inglaterra, disso nasceu a religião anglicana. Henrique VIII rompeu com Roma porque o Papa de então não autorizou o divórcio desejado pelo monarca e não anulou seu legítimo casamento com Catarina de Aragão para que ele pudesse contrair um novo matrimônio.
O rei Henrique VIII, de malfadada memória, rompeu em 1534 com Roma, que o proibia casar-se de novo, tornando-se “Cabeça da Igreja na Inglaterra”. Nasceu assim a religião chamada Anglicana, que conservou alguma coisa da liturgia católica, com fortes aportes protestantes. O anglicanismo tornou-se uma religião herética.

Esse fato impressionante da apostasia de uma nação, de um dia para o outro e praticamente sem reação, só se tornou possível pela tibieza e decadência dos católicos, principalmente dos bispos, que aceitaram submissos tamanha abominação. O que se nota no número relativamente pequeno de mártires da época, sobretudo no clero e no episcopado.

Tal decadência ou descaso na prática da fé persiste em nossos dias, pois quase a metade da população inglesa (49%) declara não professar nenhuma religião, nem mesmo a Anglicana, dos chefes do Estado. Ou seja, metade do país declara-se ateia

Da outra metade, somente 17% seguem a religião oficial, ou seja, 8.6 milhões de fiéis. Os católicos se mantêm com 8% da população crente. Porém, o mais terrível e doloroso é saber que a religião que mais cresce na Inglaterra é a muçulmana, a qual ganhou entre 2012 e 2014 cerca de 900 mil fiéis, de modo a totalizar 1.7 milhão de seguidores no país!

Apesar de seu número relativamente pequeno no que se refere ao campo educativo, o catolicismo está se convertendo numa referência. Pois o governo britânico reconheceu a qualidade de seus colégios, e anunciou uma reforma que lhe outorgará mais liberdade para que possa abrir novos centros.

Isso levou a primeira-ministra Theresa May — filha de pastor anglicano, cuja fé professa — a anunciar que serão levantadas as quotas de alunos de outras crenças que pesam sobre as exitosas escolas católicasque têm listas de espera por sua qualidade. Diz ela: “Fundamentalmente, creio que é equivocado negar às famílias a oportunidade de enviar seus filhos a escolas que refletem seus valores. Creio que o correto é animar essas comunidades religiosas, especialmente em casos de êxito provado como a dos católicos, para que possam construir mais escolas capazes”.

Pela primeira vez, os colégios católicos da Inglaterra e de Gales tornaram públicas as porcentagens de alunos de outras religiões que neles ingressam. O que revelou uma coisa surpreendente: por sua qualidade, essas escolas são procuradas até pelos muçulmanos: 26.000 crianças dessa crença estudam nesses colégios!

Essa questão chegou a tal ponto, que na Rosary Catholic School [foto ao lado], de Birmingham, uma escola primária católica, 90% dos alunos são muçulmanos!

Isso se reflete também no fato de que, dos 850 mil alunos que se formam nas escolas católicas da Inglaterra e de Gales, 290 mil pertencem a outras religiões, a maioria de cristãos, muitos de origem africana. O que se explica também pela evolução demográfica das regiões onde se encontram originariamente esses colégios, que foram sendo tomadas pelos imigrantes.

Os colégios católicos permitem que os pais de alunos de outras religiões retirem seus filhos dos atos de culto e celebrações próprias católicas, como Natal e Semana Santa. Mas a maioria deles prefere que seus filhos deles participem.

Isso apesar de haver atualmente no Reino Unido 6.800 colégios religiosos, 28 dos quais são muçulmanos.

Outro aspecto da questão é que, para lutar contra a radicalização em alguns centros educativos muçulmanos, o governo obrigou todos os colégios do país a ensinar também uma segunda religião, que pode ser escolhida livremente por cada centro. As escolas católicas optaram então por ensinar como complemento o judaísmo. Isso incomodou o Conselho de Muçulmanos Britânicos, que se mostrou “muito decepcionado” e assegurou que, com a sua decisão, “a Igreja Católica britânica mina a mensagem do Papa Francisco, de tolerância entre as religiões”... E pede ao Cardeal Vicent Nichols que retifique essa medida.

É tão grande o prestígio do ensino católico — mesmo em países onde seus fiéis constituem minoria, às vezes ínfima como no sul da Índia —, que um dos predicados requeridos de uma futura esposa é que tenha sido “educada em convento”. Quer dizer, que tenha aprendido não só boas maneiras, a costurar e lavar, mas, sobretudo, a cuidar da casa e da família.

Infelizmente isso não se dá mais no Brasil, país de maioria católica, pela profunda decadência religiosa que também atinge o clero e religiosos, devido a uma “revolução progressista” na Igreja. Mas houve tempo, até a década de 60, em que a elite paulista procurava colégios como os do Sion ou Des Oiseaux [foto abaixo] para suas filhas, e os do São Bento, Carmo ou Santo Américo para seus filhos, pela boa qualidade dos mesmos. O que aconteceu com eles? 


Título, Imagens e Texto: Plinio Maria Solimeo, ABIM, 1-7-2017

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