terça-feira, 5 de setembro de 2017

[Aparecido rasga o verbo] Na linha de fogo cruzado

Aparecido Raimundo de Souza

O nosso oligopólio é pior e mais sofisticado que o da Colômbia”.
Ricardo Semler, autor do livro ‘Virando a própria mesa’, Editora Best Seller 5ª Edição.

Volta e meia, em nossos textos, denunciamos o caos algaraviado em que vivem as instituições (se é que assim podem ser chamadas essas badernas a céu aberto) de segurança Brasil afora, e o medo aterrador e disforme que envolve a nossa sociedade pela total falta delas. Aliás, segurança só existe para os ladrões engravatados e os políticos de merda que sustentamos com nossos bolsos e os suores que escorrem de nossos rostos. Essas desgraças, somente para lembrar, proliferam em Brasília, a grande latrina de bosta do planeta. 

Como se não bastassem nossas angústias e apreensões financeiras, somos agora tomados pelo pavor. Pavor de andarmos nas ruas, como cidadãos comuns, de vivermos uma vida normal sem o temor e o receio de sermos assaltados ou, quem sabe?, virmos a ser apagados definitivamente da vida plena, na próxima esquina ou no ponto de ônibus logo adiante.

Necessário se faz que medidas concretas e urgentes, urgentes e concretas sejam tomadas em defesa da sofrida e empobrecida população. Cabe ao Estado, ao fodido Estado, a iniciativa de proporcionar segurança ilibada ao povo. Contudo, o Estado não só por estar fodido como por não ter pulso, não está nem aí. Quer que toda a população se foda, se lasque, que vá para o inferno, de uma vez para sempre.

Nesse tom desafinado, topamos com assaltos à mão armada, em qualquer lugar, em plena luz do dia, sem que nossas polícias (militar e civil) apresentem o mínimo de condições nas suas atuações, atuações essas que chamaríamos de “preventivas”. Acautelamento e resguardo, nessa altura do campeonato existente somente no papel e, mesmo assim, naquele usado nos banheiros. O agasalhamento ou a salvaguarda que recebemos, não passa de figura decorativa.

Enquanto isso, nossas autoridades constituídas, (constituídas aqui entendidas como uma tremenda de uma fraude) lá no grande avião pousado, vivem com todo aparato a seu dispor. E bota aparato nisso. E o povo?! Quem dá segurança a ele? Mesma casa sem tranca, como podem nossos policiais fazer frente aos sofisticados armamentos usados pelos bandidos, se, em muitos casos (ou melhor, na maioria deles), nem mesmo algemas possuem, para desenvolverem os exercícios de suas atividades mais prementes?

Amadas e amados entendam o seguinte: verdadeiras quadrilhas tomaram de assalto o nosso Brasil. O Brasil está sem rumo, sem prumo, sem chão, como um navio à deriva. E o mar, a seu redor, se apresenta bravio, labruscamente furioso. Aqui fazemos referência não só aos pilantras que nos fodem lá do Epicentro, como especificamente metemos no bolo indigesto o congresso, o senado, a câmara, os ministérios e outras pocilgas com caras de puteiros e palácios de luzes vermelhas.

Nada de positivo se tem feito para coibir esse alarmante índice de violência e criminalidade. Acreditamos há muito ter passado da hora de o governo sair do discurso cheio de palavras bonitas, de mostrar carinhas de “está tudo bem, tudo nos conforme” e partir para a ação efetiva, enérgica, notadamente no combate eficiente às distorções e mazelas existentes. E sabemos, são muitas.

Não é justo com esse povo sem eira nem beira, ao deus dará, espoliado, esfomeado, privado do básico, para sobreviver. Não é direito, igualmente, que abnegados policiais exerçam seus trabalhos no confronto com o dia a dia, sem ter ao alcance de seus arrochos e vexações, os requisitos e condições peculiares e primordiais, onde muitos, pelos desmazelos dos sucateamentos em que vivem as suas entidades, se vejam obrigados a fazer uso de cordas e arames, na detenção de marginais. Isso quando, mesmo lado do desajuste, lhes falte o bom revolver, a arma pronta e afiada, e no pior dos mundos, o despreparo inconcebível e vergonhoso, o que muitas das vezes, os leva as raias da morte prematura.

Assim, senhoras e senhores, é nesse ranger de dentes, nessa arena de lutas desiguais, irregulares e defeituosas, entre a polícia desmoronada, estuporada e desestruturada, divorciada dos treinamentos adequados e cabíveis, usque armas e munições que se possam realmente fazer uso, versus organizações criminosas e seus sofisticados armamentos pesados, de geração ultramoderna (como dizem por aí, de ponta) que se situam os nossos Zés Marmitas e os Antônio Salários Furados. Todavia, caros leitores, esses numerosos Zés e Antônio, não se olvidem, são eles os representantes do que conhecemos pela alcunha de sociedade.

Esses miseráveis que tem sobre os costados a maior carga tributária do mundo, e sem escolas, portanto sem visões de futuros alfabetizados (ou analfabetizados) por um bando de crápulas e salafrários que proliferam à nossa sombra como doenças incuráveis, notabilizados pela mídia como os parlamentares que sustentamos na cidadezinha de Niemeyer.  Esses desgraçados que não podem contar com esses postos de atendimentos bonitos e pomposos, URSs, PAs, UPAs e outros cagalhões que, na pratica, não prestam nenhum serviço decente aos seus cidadãos de bem.

Estes assalariados cujos soldos não cobrem as cestas básicas, a educação dos filhos, a saúde, e se vêm à mercê da incapacidade de um governante ladrão, safado, pilantra, sem vergonha, insensível aos seus clamores, a um filho da puta que cruza os braços, lavando, as mãos como Pilatos e o olho do rabo, como fez Pilatos.

Diante desse quadro medonho e peçonhento, medidas urgentes precisam ser efetivamente levantadas e coordenadas a termo. Em contrário, se essa inercia apodrecida e deteriorada persistir, esse nosso maravilhoso Brasil se transformará na mais nova sucursal de MEDELLIN, que, bem sabemos, seu quartel general fica situado logo aqui ao lado, ou mais precisamente no Grande Boeing pousado na imensa pista no Planalto Central. 
Título e Texto: Aparecido Raimundo de Souza. De Assis, interior de São Paulo, 5-9-2017

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