terça-feira, 22 de agosto de 2017

[Aparecido rasga o verbo] Catálogo de alucinações

Aparecido Raimundo de Souza



Se tivéssemos poder (poder no sentido látego da palavra), mandaríamos para o raio que o parta, o presidente, como apregoou a estrepitosa Adelaide Carraro nos idos de 1966. Naquele tempo, esse tipo de crápula já fazia jus a uma impopularidade que, por algum motivo inexplicável, perdura, intocável, e sacrossanto até nossos dias. Claro que a ira que nos persegue não se concentraria só nessa figura nojenta e asquerosa do Chefe Soberano.

Iríamos mais longe. Mandaríamos também, para os quintos, junto com esse verme, os quinhentos e treze deputados, e, de roldão, a turminha do senado, dos ministérios e para não perdermos o pique do trombone de vara, meteríamos o pau na galera do Superior Tribunal das Falcatruas, do Conselho Nacional de Jumentos e outras chavascas pútridas existentes na grande latrina Brasília.

Brasília, sempre lembrando, apesar de bem cuidada, não vai além de um vaso de dejetos. Igualmente se assemelha a bíblica Sodoma e Gomorra, um antro de prostituição, de perdição, de putaria e devassidão. Como o sofrido Brasil, mesma calçada, uma enorme e bem aparelhada Casa de Mãe Joana. Entendam aqui, caros leitores, Casa de Mãe Joana, como um prostíbulo onde os grandalhões e poderosos, os dominadores e arbitrários, os larápios e corruptos vivem a nossas custas, fodendo a nossa paciência, com firmeza descomunal.

Com certeza, nem todo fogo existente no planeta com borrifações acentuadas de puro enxofre (ainda que caído das mãos do Santo Pai), poriam fim a essa epidemia que nos castiga e assola os costados, desde os tempos em que os palácios dos budas ditosos nem haviam sido injetados nos colhões de Niemeyer. 

Brasília é mais. Virou uma espécie de baratilho às avessas, impregnada com uma indecência inelutável. Mercadinho onde se vende de tudo, a preços altos, desde as imoralidades e abandalhamentos a desregramentos os mais estapafúrdicos. Com isso, grosso modo, o Planalto Central passa ao mundo inteiro a imagem de um campo opulento (recheado de riquezas, não para os integrantes do infindável cordão humano de Manés e Marias, Joãos e Ernestinas) abundante e volumoso, empanturrado, todavia, de falcatruas e extremamente produtivo no tocante a todos os crimes hediondos conhecidos. Mesmo pontapé, a fossa de onde prosperam, a esguichos incontroláveis, os vilões, os grosseiros e os senhores feudais.

Aberto e a céu exposto, senhoras e senhores apinham desses báratros, agrupados nessa feira de Acari (não recenseados em nossos distúrbios congeminados), os donos do mundo, do poder, do mando, do dinheiro fácil, da propina e da cafajestice. Sobretudo da cafajestice. Em Brasília, sobressai o vil metal sujo e contaminado. Povoa a grana fácil. Tem vida diluvial as carteiras recheadas de subornos. São elas que compram a honra, a moral, os preceitos éticos, desvirtuam a dignidade e enlameiam a vergonha.

No mesmo saco de gatos, o Brasil se vê menosprezado, solitário, como Daniel atirado à cova dos leões. Se tivéssemos, pois, arbítrio e soberania, habilidade e traquejo para lidar com esses ladrões... resumindo para melhorarmos o Brasil, para tirarmos o país do chiqueiro em que chafurda, desde Cabral, necessitaríamos aprender em tempo recorde, o Sabá das Feiticeiras, ou, via igual, tomarmos umas aulas práticas com Breyten Breytenbach no tocante a assimilarmos, ainda que a trancos e barrancos, as confissões do seu terrorista Albino. 

Enquanto boquiabertos e apatetados continuamos a assistir, de mãos atadas, as calamidades ingentes das orgias, ora da Praça dos “Três Fuderes”, ora dependurados no mirante da Torre erigida nos fundilhos do Jardim Burle Max, temos plena consciência que essa corja de criminosos e velhacos, traficantes e bandoleiros, deveria ser extirpada da face da terra, ou melhor, do Boeing pousado na cabeceira de uma pista em direção ao nada.

Essa escumalha do Distrito Federal precisaria ser jogada em porões de hercúleos navios. Ato contínuo, explodidos em alto mar. Ao vermos falar nos jornais, os nomes desses estelionatários dos nossos bolsos, sentimos repugnância e aversão.  Uma antipatia incontrolável, uma execração insopitável, uma aporrinhação que não se cura. Chaga que virou calamidade, incômodo, padecimento, molestação, desgraça.

No mesmo sentimento de repulsa e nojo, quando a figura diabólica da Infâmia Maior, pinta na tela, ereto, cara de safado, olhos do capeta, tendo ao seu lado direito o brasão desta republiqueta estraçalhada, e, à esquerda, a bandeira nacional, pejada de um escuro intransponível, nos vem à lembrança o canto XXXIII do Inferno, de Dante. “La boca sollevò dal fiero pasto”.

Tal fato amadas e amados, toma porte e forma, porque esse poema lembra Ugolino, o Traidor, aquele ignóbil que, esfomeado, comeu seus próprios filhos. Paradoxalmente, o senhor Michel Jackson Temer nos traiu a todos, tal como no momento em que passou a perna em Dilma. Com a mesma cajadada, o biltre matou dois coelhos. Faminto, afoito, decidido e teimoso, nos engoliu (ou nos comeu) numa única e sórdida abocanhada, dentando logo nós, seus consanguíneos e súditos, a quem deveria ser dada ou concedida irrestrita proteção.        

Por outro ângulo senhoras e senhores, em Brasília, vivem aqueles seres divinizados (uma espécie mutante de Blobs, difundidos notadamente nos quadrinhos do Universo Marvel). Nesse contexto, esses Blobs se tornaram, ou melhor, são os inimigos eternos e em potencial declarados, anunciados, explicitados de todos os seres humanos.

São esses indignos, acomodados com suas bundas sujas de bosta nas poltronas do Alto Comando, os nossos representantes. Os nossos parlamentares. Aqueles párias levianos a quem demos de bandeja, nossos votos. De contrapeso, não poderia faltar o furiscoso corrupião “onesto” e “onroso”, senhor Temer, e seus “outros e outros” réprobos de mau viver.

Como no mundo paralelo de Stan Lee, todos nós, brasileiros, sem exceção, somos os X-Mens do dia a dia. Sem poderes, sem garantias ou direitos a gritarmos, ou a berrarmos por socorro. Estamos presos. Encadeiados. Trancados a sete chaves. Temos os pés atolados nas cinzas de um chão de sepulturas. Formamos imensos planos de animais de granjas, condenados a se perderem nos horizontes. Nos transformamos nos super-heróis de um futuro elevado ao quadrado. E o que é um futuro elevado ao quadrado?! 
        

Em face de tudo o que expusemos, deixaremos no ar, algumas indagações tipo aquelas perguntinhas básicas e idiotas do “Quem quer ser um milionário?” exibido nas tardes de sábado no Caldeirão do Huck. Inquirições que consideramos pertinentes ao tema aqui tratado. As coisas como foram postas, podem parecer brincadeiras, apesar das comparações, porém, no fundo, pasmem, trazem um sentido de verdade que não se cala, nem se intimida.

Se acaso hoje, por qualquer motivo ou circunstância pintasse no Epicentro, uma caravana móvel (como esses mambembes ambulantes) e, entre as atrações, viesse junto uma forja fumegante, nos moldes do nosso querido Nabucodonosor, quem os prezados afiançariam seriam os ladrões atirados na câmara ardente para virarem churrasquinho? Posto de modo mais contundente: quais políticos se salvariam ilesos, levando em consideração a vidinha pacata do saudoso Sadraque? E Mesaque? Quem desempenharia, de peito aberto e sem medo dos castigos, o nosso glorioso Mesaque? 

Por fim, senhoras e senhores desse fantástico penico global que vemos cotidianamente diante de nossos focinhos: qual filho de uma boa vaca (ou da puta mesmo) se safaria integral, virgem, ou “inqueimável” como Abedenego e seus colegas de flagelo?! Sabemos, de antemão, que ninguém atinaria com as respostas corretas. Entretanto, apesar da burrice que impera e da asnocidade, sapere aude! O que é isso? Se come? O que estamos dizendo grosso modo amadas e amados é que não esmoreçam não se entreguem. Se atrevam, ao menos, a pensar.

Raciocinem. Matutem, imaginem, assuntem. Ousem tomar conhecimento do que se passa ao lado, ou ao redor de suas cabeças cheias de vento e merda. Abram os olhos. Larguem um pouco seus aparelhos celulares. Vigiem, espreitem, perscrutem, bisbilhotem, policiem. Deixem, de uma vez por todas, de usarem essas armaduras, essas couraças de boçais de carteirinhas e sindicatos. Reajam. Saiam do marasmo, deixem a putaria de lado. Afinal, digníssimos brasileiros: somos homens ou uma chusma de ratos de esgoto?!
Título, Vídeos e Texto: Aparecido Raimundo de Souza. De Vila Velha no Espírito Santo, 22-8-2017

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