sexta-feira, 29 de setembro de 2017

Às Ritas, Câncios e Joanas deste País

Cristina Miranda

Há por aí uma geraçãozita de mulheres que me envergonham. Caso para pensar mudar de gênero só para não haver colagem a esta gente que ridiculariza a classe. Como é possível em pleno século XXI querer segregar mulheres, ao estilo apartheid, em espaços separados, alegando protegê-las de assédio?

Como é possível numa sociedade moderna e que se presume evoluída defender editoras femininasfestivais só para mulheres,  proibir piropos, proibir pedidos de números de telefone ou qualquer outro sinal de aproximação ou interesse por  uma mulher? Rita Ferro Rodrigues foi peremptória em dizer que era preciso impedir homens de ter ejaculações entre uma paragem e outra!!! (*) Ah! sim?! E que tal proibir orgasmos femininos nos autocarros também? Não os há? Tem a certeza?


Sou do tempo em que uma mulher bonita passava na rua e recebia piropos. A quantidade de olhares e piropos que arrancava era sinal de beleza. Ter poucas reações ou nenhumas à nossa passagem era motivo de tristeza (ficávamos fulas quando amigas nossas atraíam mais piropos).


Não estou a exagerar. Avaliávamos a nossa capacidade de seduzir pelas reações que conseguíamos no sexo oposto. É claro, que preferíamos os bonitos e bem cheirosos. Passar por um grupo de trolhas barrigudos e sujos não dava a mesma pica. Mas nunca isso foi incómodo. Pelo contrário. Alguns piropos, mesmo desses, até nos faziam rir sem querer. Lembro-me em miúda que nos “vingávamos” depois em grupo quando “atacávamos” os pobres desgraçados que passavam por nós e a quem lançávamos piropos hilariantes que os faziam corar e ficarem atrapalhados.

Outros tempos. Bons tempos. Lembro-me de mais tarde, já docente, ir jantar a uma pizzaria em Ponte de Lima e dois jovens que estavam a fazer pizzas não tirarem os olhos de mim. A situação foi engraçada, comigo nervosa a não conseguir comer a massa que passava o tempo a cair do garfo e o garfo que acertava sempre nos dentes. Um suplício. É claro, como tudo na vida, há situações que não são agradáveis por serem obscenas e sem educação. Já fui por exemplo perseguida de carro por homens. Mas também apalpada num vestiário por uma mulher. Sempre houve quem abusasse. Nisto e noutras coisas. Mas isso já tem enquadramento legal.  A polícia existe para essas coisas, penso eu.

Quando se quer igualdade de gênero, mas em simultâneo se discrimina e segrega, algo vai mal nessa ideologia. Porque, na verdade, o assédio abrange os DOIS sexos (bom… sobre os restantes 64 géneros inventados pelo marxismo cultural, não me pronuncio) de IGUAL forma. Não é verdade que SÓ as mulheres sofrem de assédio. Os homens são igualmente atacados e perseguidos, mas… ninguém fala disso, ninguém os quer proteger, por quê? Não fará sentido também eles terem espaços próprios?

Voltando aos meus tempos de juventude, as mulheres NUNCA se insinuavam aos homens. Eram eles que faziam a corte com mais ou menos habilidade, sendo depois correspondidos ou não.

A tua mãe só pode ser uma ostra para cuspir uma pérola como tu.

Meninas de boas famílias nunca se manifestavam. Fazia parte da educação da época. Décadas mais tarde, as mulheres passaram a atacar as vítimas tão ou mais ferozmente que os homens. Mudança dos tempos. Era vê-las (como eu vi tantas) a fazerem esperas às presas, a não os deixarem respirar aparecendo em todo o lado, a fazerem chantagem e a inventarem um sem número de situações constrangedoras para conseguir seus intentos: levá-los para a cama. Sim.

As mulheres também são, agora, terrivelmente assediadoras. Quem protege os homens disto?

Por outro lado, criar autocarros ou carruagens com seção separada onde se juntam só mulheres, não nos protege de assédios. Numa época em que abundam lésbicas assumidas por aí quem me garante não ser apalpada ou ser roçada por nenhuma delas? Quantos orgasmos podem ocorrer à minha custa? Andamos a brincar?

O problema desta nova geração de senhoras é a falta de autoestima. Inconscientemente estão a revelar recalcamentos por más experiências com o sexo masculino que as leva a radicalizar contra eles, sem perceberem que eles também são vítimas, tanto quanto elas. Canalizam frustrações pessoais para estes ideais feministas que mais não revelam senão incapacidade de se imporem num meio que já não é sequer maioritariamente masculino. É verdade. 

No Mundo já são mais as mulheres que homens e profissionalmente já dominam grande parte dos setores de atividade. Todos sabemos que elas são em número maior e que preferencialmente, para algumas atividades, só elas são aceites em detrimento dos homens. Porque a sociedade evoluiu. E elas já não precisam de quotas. Precisam apenas de competência e vontade. Pode ainda não haver muitas no topo das chefias de grandes empresas, nem nos governos, mas isso é por culpa delas que não se interessam por esses cargos. Porque está visto que tantos anos de protecionismo às mulheres criou condições únicas para que todas elas vinguem no que quiserem. Mas há ainda uma boa parte que prefere a família à carreira. E é isso que as condiciona. 

Às Ritas, Câncios e Joanas deste país aconselho que se deixem de hipocrisias. Que entendam que não é com radicalismos que se resolve os problemas da sociedade moderna. E que vítimas somos todos nós. Não do machismo dos homens, mas da estupidez do intelectual e politicamente correto.

Defender a mulher não é torná-la vítima à força. Porque a reduz a um papel de coitadinha que ela não é. Porque mulher que é verdadeiramente mulher, é força da natureza que vence pelo seu mérito e competência. Não por facilitismo.
Título e Texto: Cristina Miranda, Blasfémias, 29-9-2017

(*) NdE: Deve ter lido sobre isso nos jornais... de São Paulo, Brasil.

Um comentário:

  1. Foi no ano de 1975, não me lembro do mês. Um ex-comissário de voo na Varig e eu, participamos em um seminário sobre feminismo, em Nova Iorque, realizado pela associação “Stewardesses’Association for Women Rights”. Fomos lá representar a Comissão Organizadora do 1º Congresso Mundial de Comissários e Comissárias de Voo (que aconteceu no Rio de Janeiro, em maio de 1976).
    Eram 250 participantes, não me lembro de ter visto um terceiro homem na plateia.
    Pois bem, algumas mulheres discursaram. Lembro-me de dois nomes: Flo Kennedy e Gloria Steinem. A primeira, feminista atiçada, arengou contra os homens. Não tenho a certeza se foi ela que convidou para o palco algumas mulheres e juntas imitaram uma célebre dança índia... dançando em volta de ‘uma fogueira’, exclamando insultos ao ser masculino.
    Agora, a segunda, Gloria Steinem, mulher belíssima, lembro-me até hoje o que retive do seu discurso: “O que está em causa aqui é a felicidade da mulher, não o que ela deve fazer ou deixar de fazer. Se ela é feliz permanecendo em causa, cuidando dos filhos, cozinhando... então ela é uma feminista.” Isso foi há 43 anos.
    Não sei se foi esse privilégio – o de assistir ao vivo a uma celebridade como Steinem – mas faz muitos anos que aprendi a respeitar a mulher... que se garante. Não há afrodisíaco mais eficaz!

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