quinta-feira, 21 de setembro de 2017

Brasil e Portugal: as reformas e o pós-Temer em 2019

Cesar Maia

Broadcast: A agência de classificação de risco Standard & Poor’s (S&P) elevou nesta sexta-feira, 15 de setembro, o rating soberano de Portugal de BB+ para BBB-, com perspectiva estável. Isso significa que o país voltou para o “grau de investimento”, classificação que serve como um selo de bom pagador. A S&P ainda elevou a estimativa para o crescimento médio do PIB português entre 2017 e 2020 de 1,5% para 2,0%. A agência afirma esperar que a meta para o déficit orçamentário de 1,5% do PIB neste ano seja cumprida.

1. Ao final do governo do socialista primeiro-ministro José Sócrates, em 2011, Portugal estava literalmente quebrado. Um tempo depois, José Sócrates foi denunciado e preso por corrupção. Qualquer semelhança com o Brasil não é mera coincidência.

2. O PSD (centro-direita) venceu as eleições seguintes. O primeiro ministro Pedro Passos Coelho governou até 2015. Realizou profundas reformas - fiscal, financeira, previdenciária e patrimonial (privatizações). A recessão foi profunda e a taxa de desemprego se aproximou de 20%. A oposição política e corporativa dizia que Portugal tinha sido entregue ao FMI, que era quem governava.

3. Depois de dois anos de enormes sacrifícios, a economia iniciou um processo sustentável de recuperação. Já no ciclo final do governo de Passos Coelho, Portugal tinha se recuperado inteiramente, e vivia uma dinâmica de crescimento, com equilíbrio fiscal, desemprego fortemente decrescente, inflação no entorno de 1%, etc.

4. Depois de enfrentar anos de impopularidade pelas medidas adotadas, nas eleições gerais de 2015, o PSD liderado por Passos Coelho venceu. Mas não conseguiu maioria absoluta no parlamento. Após alguns meses, o PS de António Costa conseguiu que a esquerda eurocética e fortemente crítica a Passos Coelho formasse uma coligação parlamentar com o PS, que assim conseguiu uma maioria.

5. Dessa forma, o PS, com António Costa como primeiro ministro voltou a governar. E as críticas a Passos Coelho e sua política econômica, alardeada como neoliberal, esquecidas e ela não foi alterada. Apesar do recente crescimento da inflação anual para 2,4% passando a ser a sétima da União Europeia, a economia portuguesa continua atraindo investimentos, profissionais e estudantes.

6. Portugal é considerado o país mais seguro da Europa, e o mais atrativo. Em 2017 receberá 21 milhões de turistas, mais que o dobro de sua população de 10,4 milhões de habitantes. A taxa de crescimento do turismo em 2017, de 10,5% é o dobro da Espanha. A receita dos hotéis cresce 18,7%.

7. Um ano após as eleições gerais, ocorreu a eleição presidencial. Venceu o PSD com Marcelo Rebelo de Souza por mais que a maioria absoluta, numa espécie de consciência de culpa eleitoral por ter dado a vitória, mas não a maioria absoluta a Passos Coelho.

8. O desmonte da economia portuguesa com os socialistas, a recuperação com os liberais e a sustentabilidade conquistada, deveria servir como exemplo para a política brasileira, tanto para as eleições de 2018, como especialmente para as reformas que foram e serão votadas pelo Congresso do Brasil. Todos os candidatos – com as críticas de oportunidade políticas e corporativas, devem estar torcendo para que Temer complete as reformas e que eles sejam os seus sucessores.

9. Da mesma forma que em Portugal – seja pela direita, pelo centro ou pela esquerda.
Título e Texto: Cesar Maia, 21-9-2017
Marcações: JP

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