terça-feira, 12 de dezembro de 2017

[Aparecido rasga o verbo] República “Fuderativa” dos bandidos

Aparecido Raimundo de Souza

Eu quero é que esse canto torto feito faca Corte a carne de vocês“.
Belchior – cantor e compositor – 1946-2017

NO BRASIL, SENHORAS E SENHORES, sempre foi assim, desde que o mundo é mundo. Os mais pobres financiam os mais ricos, os mais ricos prosperam em farta abundância e os mais carentes se ferram nos braços tísicos da miséria adversa. O quadro sistêmico, todavia, não desfigura nem se subverte.  A doença do Brasil é uma só. Um câncer incurável. Um mal, portanto, irremovível e insanável. Para piorar, esse cancro se agrava a cada dia. Minuto a minuto. Virou surto. Epidemia.

No mesmo pisar do calcanhar de Aquiles, a chaga aberta no seio da sociedade se expande. Cria asas e formas. Formas desconexas. Voa longe, junto com essas formas, os bons princípios, devasta a seriedade. De roldão, se corrompe se deprava, se perverte, se subverte.  Esse vício varre tudo como um furacão destruidor. Por onde passa, esse distúrbio deixa um rastro de ruína, morte, desgraça e algaravia. Para o populacho sem eira nem beira, para as abelhas operárias, não há hospital da rede pública que dê jeito. O sistema Único de Salafrários, cuja sigla conhecemos por SUS, está às moscas, literalmente fodido e sucateado. Tudo por aqui não presta mais.

Nesse pandemônio que nos apresentam cotidianamente os telejornais, vemos a privada cheia, com a cordinha de puxar a descarga, rebentada. Pra não deixar a peteca cair, a banda dos foliões do poder toca. A banda nunca para de tocar. Tocar no sentido de açoitar, chicotear, derrotar os mais carentes. Nessa dança de fluxo duvidoso e controverso, percebam que as contas públicas do governo federal viraram um rombo enorme e, o mais engraçado: jamais se fecham equilibradas. Notem, ainda, que há uma fenda que se transformou num buraco tremendo. Por sua vez, esse buraco se subverteu em uma cavidade onde cabem trezentas previdências juntas. Com ou sem reformas, não importa. 

Um poço sem fundo cada vez mais devasso e lascivo nos traz à lembrança o deserto do Atacama. Dentro desse desabrigo, contas e contas que se multiplicam unicamente por se prestarem a comprar os despudores e as desfaçatezes de deputados vagabundos, a calhordice e o cinismo de senadores safados e acomodar cargos estratégicos. Tudo isso em consonância meridiana para, no grand finale, programar uma votação mentirosa, patranha, voltada a interesses obscuros, e inversos, entrelaçados às formosuras e benefícios da presidência. A presidência, para quem não sabe, continua a ser o ponto crucial, o precípuo da convergência inominável, torpe, aviltante, de onde saem aos borbotões, todas as podridões contrárias aos faustosos discernimentos. Nesse contexto, sem uma porta de escapatória, essas ojerizas recaem, “palos secos”, nos costados da raia miúda e dos peões, como malquerenças repulsivas que se assoalham e culminam em fantásticos efeitos dominós.  

Por seu turno, o ladrão maior, o picareta, o desonesto, pútrido em seu palácio de cristal, às margens do Paranoá, continua travestido de lobo em pele de cordeiro. O santinho do pau oco deveria estar, em nosso entender, não dentro de uma redoma de vidro, com tudo a tempo e a hora, usque por aí, à solta, num tugúrio iluminado por campânulas, comendo restos do pão que o diabo amassou, junto com outros porcos. Esse verme, todavia, segue com a sua cara de lúcifer, mal-amado a meter as mãos no dinheiro que deveria ser destinado à educação, à segurança pública, à saúde, enfim, às prioridades mais prementes desse povo sofrido e maltratado. No entanto, caros leitores, a educação que vá para a casa do caralho, a segurança que se dilapide, a saúde, que se dizime, e o assalariado, o pobretão, o “pagador dos patos”, o ébrio sem cachaça, o cristo que dá um duro para manter a sua dignidade e a de sua família, garantir o arroz e o feijão na mesa, que vá chupar prego até virar tachinha. 

Na mesma garganta profunda e esfomeada, o STF (Supremo Tribunal de Falcatruas) jamais restringirá o tal foro privilegiado. Em tempo algum se amesquinhará o que é de interesse da massa que compõem a tribo de vândalos e arruaceiros que vivem às nossas expensas, em Brasília.  Os desordeiros que dizem votar contra (seja foro privilegiado, ou qualquer outra porra de nome bonito, desde que não interesse a ralé, a galera das asas quebradas), os velhacos, em idade e esperteza, bem sabemos, têm esquemas formados e quando algum imbecil com cara de puritano inventa de “votar contra” para inglês ver, ou “pedir vistas”, procrastinando, é sinal que a propina gorda está por perto e logo dará um jeito de chegar aos bolsos desses retardatários. E chega.

Propina neste brasilzinho de punguistas e batedores de carteiras dos “comuns” (para quem não sabe ou desconhece, nós somos os “comuns”, os buchas de canhões), muda ideias, altera jurisprudências, mostra outra direção ao bom senso, à honradez, a falta de brio e vergonha. Cria centenas de válvulas de escape existentes e até não conhecidas no direito. O direito, na verdade, é desonradamente esquerdista e serve aos bolsos de quem dá mais, ou por outra, promove convescotes com capitalistas e latifundiários. “Todo podre poder emana do senado, da câmara do TSJ e outros chiqueiros e em seus soberbos e intocáveis nomes são amplamente exercidos”.

Mudando de rota para não colidir com a caravana de flibusteiros, vejamos outras aberrações acontecidas recentemente. No Rio de Janeiro, a mais destacada do ano foi esta, sem sombra de dúvidas.  O ilustre Garotinho inventa uma maneira nova de sair da cadeia. Os senhores se lembram dele? Garotinho, maridinho de Rosinha. Essas “saídas” ou “escapadelas”, as famosas brechas da lei, pós-prisão do ex-governador da Cidade Maravilhosa, virou moda. A falsificada “agressão” por ele engendrada (ele, Garotinho, maridinho de Rosinha), na cela onde estava, em Benfica, foi a mais bem bolada até agora.  

Os seus advogados, em passos iguais, requereram perícia nas fitas de monitoramento. Tal lorota passou a ser o lance mais bem engendrado, a cartada de mestre. A coqueluche, a bola da vez. Com certeza, essas rachaduras permitidas pela grana que a lei recepciona comprar, servirão para outros Garotinhos trambiqueiros e futuros fraudadores seguirem os mesmos passos e se beneficiarem. Botem reparo, senhoras e senhores num ponto importantíssimo. O “porrete” agressor da opugnação kikikikikiki escafedeu...

Advogados regiamente pagos com nossos suores, não faltarão para criarem celeumas e futricas as mais diversas com o escopo de engambelarem os ilustres doutores da lei. Lei de merda, códigos retrógrados, prescrições, regras, calhamaços de normas e obrigações que, trocados por um penico de bosta sairá mais caro que o cagalhão nele contido. Logo, nesse galinheiro republiqueta de fezes, tudo cola! Esses estratagemas, essas armações, para quem pode pagar bons enganadores do direito costumam dar certo. Aliás, tem acertado na mosca. Principalmente quando o dinheiro vem oriundo de mumunhas, trapaças e os mais diversos tipos de logros. Parece impossível, mas não é. Em contradita, é fácil e ameno, como peidar num elevador cheio de Manés e Maricotas de cabeças e mentes vazias. Ninguém reclama. “Bangu 8, aí vamos nós”. O “bem fica” não deu certo. Dá-lhe Garotinho...

Em resumo, caros leitores e amigos, precisamos enxergar que o “brazil” não tem jeito. Não temos, não dispomos de nenhum cidadão que se candidate (ou que já esteja ou que venha a depois, com tez viadal e palavreado intocável) que lhe de solução plausível. Não há salvação para a sua alma corrompida. O país não tem cura. O ideário dos partidos políticos brasileiros, não é para valer, ou para ser levado a sério. Única e tão somente se presta para ser usado ao sabor das conveniências e dos interesses que pipoqueiam em cada novo momento. Pelo poder, em nome dele, por ELE, valem todas as armas. Estava certo, o grande cantor e compositor Moacyr Franco, quando num momento de pura lucidez, nos brindou com o clipe abaixo, clipe este que fizemos a gentileza de trazer à baila. Assistam.


Quem não concordar com nossas assertivas, ou com a poesia séria de Franco, por favor, mostre a cara. Emita a sua opinião. Assim, de uma forma branda, cortês e indireta, saberemos a quem aplaudir num amanhã que se avizinha ou, na pior das dores de cabeça existentes, deixarmos de lado, como um amontoado de esterco que se atira a um monturo de lixo.
Título e Texto: Aparecido Raimundo de Souza, jornalista. Da Lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio de Janeiro. 12-12-2017

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Um comentário:

  1. A tempos também ando revoltada com essa "máfia" que é a política brasileira e me sentindo apenas uma "massa" disconforme nas mãos deles. Como a música do Gilberto Gil:..."a dor da gente, é dor de menino acanhado..."

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