quarta-feira, 17 de outubro de 2018

Segundo turno 2018. O que ocorreu no primeiro turno e porquê

Cesar Maia

1. Já com dez dias corridos do segundo turno e com cinco dias de programas eleitorais, centenas de inserções e milhares de posts nas redes sociais, a equação, ou o xis da questão, continua a mesma. 
    
2. Com quatro anos da Lava-Jato ocupando todos os espaços, com prisões de líderes empresariais e políticos, com vídeos e gravações de enorme destaque, era evidente que a questão comportamental, e da confiança, dos desvios e roubos, seria o xis da questão.
    
3. A campanha presidencial e de governadores teria que ter este tema sobrefocado. Os programas de governo - educação, saúde, transportes, obras e até segurança - seriam periféricos nas decisões de voto. 
    
4. Serviriam para legitimar as candidaturas afirmando que se tratava de candidatos a governar. Mas deveriam ocupar um tempo apenas suficiente.
    
5. Quando, no final, alguns candidatos surgiram aparentemente de repente e se destacaram para o segundo turno, isso foi divulgado como surpresa, puxada presidencial ou mobilização das redes sociais.
    
6. Os Institutos de pesquisa foram apresentados como culpados por seus “erros”. Será?
    
7. Durante a campanha os eleitores foram conhecendo os candidatos e trocando informações a respeito. Respondiam às pesquisas em função do conhecimento que tinham dos candidatos.
    
8. Mas foram eliminando entre as hipóteses e alternativas de voto aqueles que não tinham confiança ética. Os candidatos, digamos, mais atentos entraram com o tema ético, Lava-Jato, desvios e roubos, condenações e ligações...
    
9. As pesquisas deram os sinais a partir da última semana. As curvas passaram a ter alguma inflexão. Os eleitores foram eliminando os nomes que tinham desconfiança. Abriram-se vácuos.
    
10. Como num terremoto, estes vácuos eram os pontos de abertura de crateras que se ampliaram fortemente na hora do barulho. As pessoas correram para longe das crateras. E buscaram o que achavam ser os pontos seguros de fuga.
    
11. Os nomes de maior desgaste foram abandonados e os de pouco desgaste - conhecidos - foram abraçados na busca de “salvação”. 
    
12. Não houve surpresa, nem erro dos Institutos. Os Institutos que incluíram a questão ética (roubos, desvios, ligações, etc.) nas pesquisas já tinham os indicadores. A mídia cobria, como quase sempre, como corrida de cavalos: quem está na frente, etc.

13. Os cruzamentos só eram destacados para os favoritos. E chegou a hora da decisão, do terremoto. E os caminhos alternativos - independente do conhecimento completo deles - estavam traçados. Seria só correr para eles.
     
14. No segundo turno - havia e há - tempo para se ajustar as estratégias. A cristalização do tema na eleição presidencial foi muito, muito maior. PT/Lula/Haddad foi colado aos desvios. Que era e é o tema. Bolsonaro colado à truculência, que não era e não é o tema.
    
15. As pesquisas residenciais, ou quase, não podiam pegar a velocidade de multiplicação da opinião das ruas. As pesquisas nas ruas sim. Ou como se estudou na Inglaterra na universidade de Essex no final dos anos 30. O “sentimento popular” se antecipou à formação da Opinião Pública. Vejam o filme “Destino de uma Nação”, quando Churchill vai às ruas ouvir, e em função disso decidir. 
Título e Texto: Cesar Maia, 17-10-2018

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