O silêncio precisa ser rompido
Allan dos Santos
Um acordo firmado no âmbito de
investigação sobre suspeitas de “rachadinha” envolvendo o senador Davi
Alcolumbre tornou-se alvo de questionamentos na Justiça Federal após
autoridades não localizarem o documento nos sistemas oficiais.
A controvérsia gira em torno
de um acordo de não persecução penal (ANPP) celebrado com o ex-assessor
parlamentar Paulo Boudens, apontado como operador do esquema. O instrumento,
previsto no Código de Processo Penal, permite que investigados evitem ação penal
mediante confissão e reparação de danos.
O caso teve origem em 2021,
após reportagem da revista Veja relatar que assessoras vinculadas ao gabinete
de Alcolumbre teriam sido contratadas sob a condição de devolver entre 80% e
90% de seus salários, prática conhecida como “rachadinha”. A denúncia levou o
senador Alessandro Vieira a apresentar representação ao Supremo Tribunal
Federal.
Na sequência, a
subprocuradora-geral da República Lindôra Araújo conduziu a apuração e firmou o
acordo com Boudens, que assumiu a responsabilidade pelos fatos investigados.
Apesar disso, o conteúdo do ANPP não foi anexado à ação de improbidade administrativa movida posteriormente na Justiça Federal do Rio Grande do Sul. O processo, conduzido pelo juiz Fábio Mattiello, busca apurar eventual dano ao erário, independentemente de foro privilegiado.
Em novembro de 2024, Mattiello
solicitou à Procuradoria-Geral da República confirmação e cópia do acordo. A
PGR confirmou sua existência, mas informou que o documento deveria ser
requisitado ao STF.
Ao ser acionado, o STF
respondeu que não localizou registros, públicos ou sigilosos, vinculados ao
nome de Boudens em seus sistemas.
A ausência do acordo tem
impacto direto sobre o andamento do processo. Em manifestação, a defesa de
Alcolumbre argumentou que não há comprovação de dano à administração pública
nem evidência de desvio de recursos.
Especialistas em direito penal
apontam que o ANPP, por exigir confissão formal e eventual reparação do dano,
poderia esclarecer pontos centrais da investigação, incluindo a extensão dos
fatos e a eventual devolução de valores.
Sem acesso ao documento, a
ação segue baseada em provas já disponíveis nos autos, enquanto permanece
indefinido o destino formal do acordo firmado no âmbito da investigação
criminal.
Procurados, representantes da
defesa de Alcolumbre e do Ministério Público não comentaram o paradeiro do
documento até a publicação desta reportagem.
Título, Imagem e Texto: Allan dos Santos, RevistaTimeline, 6-4-2026

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