quinta-feira, 30 de junho de 2011

A Grécia é aqui, no Brasil

Protestos em Atenas, foto: Alkis Konstantinidis/AFP

A polícia não está na rua batendo em populares, nem estes estão enfrentando a polícia, mas, tirando o sangue quente dos gregos, o Brasil vai sendo transformado numa imensa Grécia. Fala-se da fórmula ditada pelo FMI e os banqueiros internacionais para enfrentar crises econômicas, ditas “medidas de austeridade”, ainda que devam ser chamadas de medidas anti-povo. Em Atenas o parlamento examina a proposta, de uma só vez, de aumentar impostos, reduzir salários, pensões e aposentadorias, promover demissões em massa, multiplicar o desemprego, cortar investimentos sociais e usar empréstimos externos para pagar dívidas externas, com juros, além de alimentar a especulação e financiar os negócios das grandes empresas.
Em Brasília, faz tempo que essas maldades vêm acontecendo aos poucos. Anuncia-se mais uma “reforma” na Previdência Social, reduzindo para 70% as pensões das viúvas e suprimindo o benefício para pessoas com menos de 35 anos. No primeiro caso, simplesmente vão cortar 30% de quem recebe 524 reais de salário mínimo para sobreviver. No outro, condena-se pessoas à fome apenas por não serem velhos. Isso depois de nivelarem pensões e aposentadorias por baixo, aproximando-se todas do salário mínimo, além da criação do deletério fator previdenciário.

Ao mesmo tempo, arquiva-se a PEC que faria justiça salarial a bombeiros e policiais militares, sob o pretexto de onerar os estados em 46 bilhões de reais. Importa menos se essas categorias recebem migalhas para arriscar diariamente a vida.
Anuncia-se, em paralelo, a liberação de 4 bilhões do BNDES para financiar a fusão entre dois supermercados. Governo e elites não estão nem aí para o fato desse casamento gerar milhares de demissões e engessar os consumidores, tudo com dinheiro público, proveniente de elevados impostos que todos recolhem. É o que vem se verificando desde que aberta a temporada das privatizações.
Outras “medidas de austeridade” estão em pauta, como cobrar imposto de renda de miseráveis que não podem pagar, aliviar a carga fiscal dos potentados, promover cortes em programas sociais, aumentar juros para enriquecer banqueiros e especuladores, entregar mais patrimônio público à iniciativa privada, com financiamentos públicos, congelar reajustes salariais e muito mais coisa.
A diferença entre nós e a Grécia, vale repetir, é que lá pretendem impor todas essas medidas de uma só vez, enquanto aqui as maldades vem sendo praticadas a conta-gotas. Dá no mesmo, ainda que por enquanto, entre nós, sem os conflitos e confrontos verificados do outro lado do mundo. Até quando?
Carlos Chagas, Tribuna da Imprensa, 29-06-2011
Colaboração: José Paulo de Resende

Um comentário:

  1. Eu acho que a hora do mundo ajuda a fortalecer a economia da Grécia, não só da Grécia, mas de todos os países em situação precária comos os países africanos, alguns asiáticos e algunas americanos!!

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