segunda-feira, 24 de junho de 2013

O Roto falando do Esfarrapado

Poster “Tramp smoking cigar with cane over arm”, 1899
Origem: Library of Congress, Prints & Photographs Division
Autor: A Russell-Morgan Print. The U.S. Printing Co., Cin., U.S.A.
José Manuel 
Todos já ouviram essa expressão pelo menos uma vez na vida. Eu a ouvi a vida inteira e agora nesta sexta-feira, 22-06-2013,  fui brindado com a mais nova e fulgurante edição deste velho ditado. 

Exatamente às 21 horas como convém à pompa e circunstância, e dentro de um contexto turbulento por que passa o País, nossa guia espiritual apareceu no vídeo, amarelejada e robusta, para nos dizer que não iria tolerar mais vandalismos  daquela data em diante e que as forças armadas estariam nas ruas caso necessário fosse.
Muito bom, não fosse o seu passado "ROTO".

Vamos  colocar apenas os pingos nos is.
Os ESFARRAPADOS de hoje, que estão nas ruas, porque os desgovernos a que estão sendo submetidos já passaram em muito da intolerabilidade, querem manifestar o seu repúdio a tudo de sórdido e midiático que vem acontecendo há mais de uma década em seu País. Pacificamente, é claro.

Como todos sabem, não existe manifestação pacífica  que aguente quando a tropa, obedecendo a um comando, começa a explodir seus fogos de artifício e a espalhar pimenta na salada dos outros.
Aliás no dos outros é sempre refresco e isto também é bastante velho. Aí acontece o chamado ponto de ebulição.

Óbvio que o revide é natural, até porque, uma lei da física diz que a toda ação há sempre uma reação oposta e de igual intensidade, (Newton), antiga também.
Isto não é baderna, chama-se defesa por instinto de conservação. O que está errado não é a manifestação do revide mas sim a falta de conhecimentos técnicos de como gerenciar uma crise. Aí são outros quinhentos.

Já seria de se esperar que em um País de  arrastões, assassinatos a granel e que se assemelham a uma guerra civil, falta de trabalho, miséria, analfabetismo congênito - elementos desclassificados da sociedade -, se infiltrassem para usufruir de bens alheios e da desforra, que qualquer manifestação é passível de acobertar. Elementar, está em todos os manuais da vida. É só procurar e não precisa ter um canudo de sociólogo para comprovar.

Esses são os "vândalos" a quem a nossa guia se refere.
Só esqueceu de informar que aqueles cidadãos que praticam vandalismo, tem no DNA várias gerações de excluídos pelos governos do passado, ratificados pelos governos do presente. E agora? Ninguém pensou nisto?
Isto não é vandalismo, chama-se desforra. Desforra pelo seu tempo, desforra pelos seus antepassados, desforra pelos maus tratos que vem sofrendo consecutivamente por agora sim, governos "vândalos" que nunca se preocuparam com eles.

Mas há algo muito importante a considerar nos  "vândalos" e ESFARRAPADOS de hoje e que nos chamou a atenção. Não foram vistos fuzis ou metralhadoras em suas mãos, como nos ROTOS  do passado.

Guerrilha do Caparaó. Foto daqui.
No passado, usaram e abusaram desses artifícios, a ponto de provocar um regime de exceção que durou décadas e alguns nossos direitos perdidos por culpa única e exclusiva deles, os ROTOS.

E os de hoje? Só querem paz e um País decente. É difícil conceder a cidadãos deste Brasil um pequeno pedaço de paraíso, sem ladrões de cúpula, sem corruptos de carteirinha, sem "maracutaias" ,como diz um nosso velho conhecido, sem miséria, com serviços públicos padrão  "FIFA", sem analfabetismo, sem injustiças?
Não sabem como fazer? Entreguem o bastão porque tem um monte de gente que sabe.

E por falar em injustiças, fora um milhão delas que por aí andam, não se esqueçam dos velhinhos do AERUS, e que se demorarem mais tempo a pagar o que nos devem, serão mais 20.000 pessoas que irão se juntar aos ESFARRAPADOS  que estão nas ruas. 
É uma questão puramente aritmética.
Título e Texto: José Manuel, ex-tripulante Varig, 67 anos, 50 anos de trabalho e, quiçá, futuro esfarrapado, 24-06-2013


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