quarta-feira, 9 de setembro de 2015

Os erros do Partido Socialista

Rui A.

Em 2011, findo um longo período de seis anos de governação socialista, quatro dos quais em maioria absoluta, o país faliu e o governo de José Sócrates chamou a troika. Quatro anos depois, o PS nunca admitiu qualquer responsabilidade por esse facto.

Durante o período de assistência financeira, o PS raramente se disponibilizou para ajudar a encontrar soluções para os problemas do país. Ao contrário, continuou entretido com a pequena política de ataque ao governo, sem mais.

O PS julgou que convencia os portugueses de que a «austeridade» era somente uma consequência das políticas do governo do PSD/CDS e não, também, dos governos anteriores de sua responsabilidade. «O governo foi muito para além da troika», foi o mantra repetido à exaustão. Não colou.

Quando o país precisava de políticos responsáveis que o acompanhassem nos sacrifícios por que os portugueses estavam a passar, o PS entreteve-se com jogos florentinos e guerras fratricidas. António José Seguro saiu da liderança com uma faca nas costas. Não foi coisa bonita de se ver.

António Costa apresentou-se como o salvador da pátria. Erro grave de percepção: os portugueses já não acreditam em messias.

Chegado à liderança do PS, em vez de ter um discurso moderado e que transmitisse confiança, Costa foi a correr entregar-se à extrema-esquerda, ao Bloco e ao Livre. Não era isto que os eleitores esperavam dele, muito menos do PS.

Na vitória do Syriza, um grupúsculo de extrema-esquerda que circunstâncias particulares conduziram ao poder na Grécia, Costa saudou a vitória como se fosse a sua, sem sequer ter intuído no esmagamento do PASOK sinais de alerta para si próprio. Quando, sem grande surpresa, o Syriza começou a disparatar, Costa tentou fugir a galope do buraco onde se metera. Mas já era tarde.

A prisão de José Sócrates transformou boa pare do PS num partido anti-sistema, que atacou a justiça como se de um bando de malfeitores se tratasse. Perante evidências que mereceriam, no mínimo, algum distanciamento institucional, todo o PS histórico rumou a Évora, em homenagem ao novo mártir. Costa não se envolveu demasiadamente nisto? Pois não. Mas também não impôs a barreira de higiene de segurança que se impunha. Agora, essa falta de cuidado está a cair-lhe em cima.

O PS convenceu-se que os quatro anos de austeridade seriam suficientes para ganhar as eleições, fizesse o que fizesse, dissesse o que dissesse, acontecesse o que acontecesse. Não percebeu o que aconteceu com a vitória de David Cameron.

Promessas e mais promessas já não convencem os eleitores, sobretudo quando algumas parecem decalcadas de anteriores campanhas socialistas, cujos resultados o país testemunhou. Muitas delas, como a célebre criação de 207 mil novos empregos, desditas vinte e quatro horas depois de anunciadas.

O PS acreditou que bastaria apresentar ao país um grupo de «sábios» que jurassem pela excelência do seu programa, para conseguir o voto dos indecisos. Também não é verdade: em circunstâncias excepcionais, as pessoas parecem preferir pessoas normais como elas. E tem sido esse registo de normalidade, muito em falta no PS de António Costa, a garantir o aparente sucesso de Passos Coelho. 
Título e Texto: Rui A., Blasfémias, 9-9-2015

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