quinta-feira, 1 de outubro de 2015

O idoso

Jonathas Filho

É mais do que sabido que vive muito quem não morre.      
E sem morrer, estamos aqui nós... parecendo sós, porém, isso só acontece com alguns.

Tenho mulher e filhos, mas mesmo quando estou “só”, eu estou sempre acompanhado de uma pessoa maravilhosa, que me curte de montão: eu mesmo! Narcisismo à parte, antes comigo mesmo do que mal acompanhado. Deepak Chopra, M.D., diz em um dos seus excelentes livros sobre física quântica que “a maior parte das pessoas vive suas vidas ou no passado ou no futuro, mas que a vida dele está supremamente concentrada no presente.” 

No romance de Herman Hesse, Siddharta Gautama respondendo a uma pergunta do barqueiro Vasudeva, diz que o rio está em toda parte ao mesmo tempo. Na nascente e na foz, no leito e nas margens, na correnteza e na calmaria do espelho d’água, no barco, no mar e que só existe para o rio, o presente.

Nem as noções do passado com todos os tipos de lembranças, boas ou más, tampouco nas ideias do futuro, do receio de surpresas e do medo do enfrentamento a elas. 
                                          
Siddharta, ao examinar sua vida, entendeu que ele é igual ao rio e que os espaços das idades desde o nascimento, infância, juventude e fase adulta são separados por uma tênue sombra que, todavia, apesar desses períodos, nada o modificou, apenas acrescentou e então, ele é ele, o tempo todo. Vasudeva, o barqueiro, concordou sorrindo.

Cronologicamente e fisicamente podemos ser idosos, entretanto sejamos jovens psicologicamente. Sempre!

Idoso é uma criatura de muitos anos de idade, mas não tem o significado de velho, desgastado, frágil, inútil. Temos todas as idades, mas preferencialmente precisamos parar o tempo e viver a nossa intensa vontade de estar bem.

Hoje, conversando com a minha gata Sissy, carinhosamente a cumprimentei pelo dia do idoso. Aborrecida, ela miou dizendo que não era gata e que não era idosa, pois só tem doze anos de idade e que é gente.
Cheguei à conclusão de que ela está certa. 

Aqueles que depois de muitos anos ainda conseguem ter suas capacidades conservadas e preservadas devem redobradamente agradecer à sua própria natureza, pois não envelheceram e assim podem continuar nesse extenso caminho, fornecendo aos mais jovens todas as informações, passo a passo, de como seguir na trilha da vida. Até porque isso faz parte do caminhar. Um leão idoso não se considera morto. Continua sendo um leão, portanto... cuidado com ele.


Nesse meu caminhar, depois de sete décadas, ainda estou sem cajado, sem lanterna, sem cansaço e feliz por estar cercado por uma plêiade de pessoas do bem que me acompanham e que tornam o caminho da vida muito mais agradável e interessante.                                                                  
Sempre haverá um caminho, portanto... sigamos! 
Título e Texto: Jonathas Filho, 1-10-2015

3 comentários:

  1. Viver a vida não tem mistérios. A vida é simples para ser vivida. O ser humano geralmente acaba complicando aquilo que está fácil de compreender. Aí entra sentimento, angústia pessoal, desejo do poder, virilidade, autoestima, etc. O pensamento gera sentimento, que gera ação. Todavia nós não envelhecemos; nos tornamos clássicos !
    E uma das inúmeras coisas que traz felicidade ( entre elas o dinheiro) , é a música.
    Por exemplo: quem toca algum instrumento musical ou usa a voz para cantar, em geral está de bem com a vida e com o mundo.
    Outro fator que anima a vida e nos faz sentir melhor é amar e ter a companhia de um animal de estimação .Nossos "irmãos" irracionais , quando bem tratados, são os melhores amigos que temos. Especialmente os gatos; faço amizade facilmente com os felinos.
    ( com onças é mais difícil...) . Cobras não venenosas também tem algo a ensinar, mas uma anaconda (sucuri) ou cascavél , ainda mais circundada por outras víboras , e com o poder no chocalho .... aí é mais difícil de lidar.
    Ontem foi o dia nacional do idoso . Nada como adquirir mais sabedoria e poder ajudar aos outros.

    Tenham todos um ótimo final de semana.

    Sidnei Oliveira
    Assistido Aerus

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  2. Muito bem, tanto o jovem como o velho podem ser agraciados pela felicidade... O que interessa é saber viver a vida com sabedoria.... talvez não tão racionalmente que impeça o livre trânsito da alegria... Parabens, Jonathas!
    Valdemar

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  3. Pois,
    eis que Buda erra redondamente.
    Siddaharta é um romance de Herman Hesse.
    Bem vamos falar epenas Sidarta.
    O rio caudaloso jamais vive seu passado, e é um óbvio ululante que não consegue viver seu presente. O rio é maior exemplo que se vive sempre no futuro.
    Nós estamos sempre presentes no futuro, não existe átimo d tempo suficiente para vivermos o presente.
    Eu não sei como chamar o futuro distante muito tempo à frente do futuro presente.
    É algo imprevisível, que só podem ser modificado com ações do presente futuro que acontece, instantes depois do tal AGORA.
    Aliás AGORA não existe, ele acontece segundos depois de decidirmos.
    Agora é o exemplo mínimo de futuro.
    Apesar de eu achar essas coisas de terceira idade e velhice uma grande merda, é a segunda opção que não me agrada, mas devo aceitar.
    Há poucos dias discutia com meu primo, espírita, esse de negócio de saudável.
    Meu avo fumou até 95 anos.
    Meu pai fumo e morreu com 79.
    O futuro é imprevisível.
    Eu fui criado com água de poço, leite de tambo, agrião plantado na merda, e comendo carne de porco sem carimbos.
    Banho de caneca e limpando o cu com jornal.
    Brincávamos no barro, e na escola não havia gordos.
    Sou do tempo em que dar o cu era feio e fumar era charme.
    tomar banho todos os dias era para rico.
    Íamos à escola de manhã, e brincávamos até altas horas da noite.
    Cinema era o do SESI uma vez por mês.
    Tinha exame de admissão ao ginásio, apanhei diversas surras porque me negava a pedir benção, beijando a mão fedorenta de minha avó.
    Eu sou um merda.
    Não aceito falcatruas nem de parentes.
    Meu hiper futuro distante não sei.
    vou continuar sendo o mesmo inútil perante o tal garboso BUDA, que sequer sabia o significado de tempo.
    Havia um instrutor de simulador com um terrível mau hálito.
    Durante certo intervalo, eu lhe disse que era insuportável ter instrução com ele devido a esse problema.
    Nunca mais falou comigo.
    Quando me aposentei encontrei-o no sindicato e ele me dizia que ia escrever um livro, e que em toda a sua vida eu fora o único que se indispôs com ele.
    Eu lhe respondi, que eu fora o único que lhe havia dito a verdade que os outros falavam em suas costas.
    Eu vou continuar sendo o mesmo rio caudaloso rumo à sua foz, vivendo sempre no futuro presente.
    bom dia


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