segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Pântano

Luís Naves
Este texto de Rui Rocha, em Delito de Opinião, faz um retrato certeiro da pantanosa situação em que o país mergulhou. A decisão popular expressa nas urnas está a ser ignorada pelos representantes eleitos, o que só pode comprometer a confiança futura dos eleitores nos seus políticos. O descrédito das instituições levará anos a reparar.

António Costa perdeu as eleições, mas terá o seu efémero governo minoritário, devidamente apoiado por uma comunicação social desligada da realidade e que tem perdido a confiança dos leitores que serve. O exército de desempregados foi insultado, com a primeira discussão do novo parlamento dedicada à adopção por casais homossexuais, tema que interessa a duzentas pessoas. Os entendimentos vagos entre socialistas e extrema-esquerda vão soçobrar ao primeiro choque com o contexto europeu. O presidente Cavaco Silva sai da história pela porta pequena e a coligação de direita ainda não percebeu que estará na oposição e que precisa de ser mais inteligente, se não quiser agravar a situação do país.

Vista de fora, a crispação dos debates levaria qualquer observador a concluir que Portugal tem algum problema insuperável, mas o país político desligou-se da nação e as elites separam-se do povo: isto é só caudilhismo e tradicional bazófia, falta de respeito, má educação e mentalidade saloia. A esquerda não aprendeu nada com a sua anterior passagem pelo poder e continua a não assumir as responsabilidades na produção de erros crassos que conduziram o país ao primeiro resgate. Agora, promete repetir com orgulho os velhos erros, criando um clima onde quem berrar mais alto é quem vence. As reformas dos anos de ajustamento serão destruídas em meses e o regresso dos tutores europeus será mera questão de tempo. 
Título e Texto: Luís Naves, Fragmentário, 22-11-2015

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