sábado, 26 de março de 2016

Uma tragédia chamada Brasil

Pedro Marta Santos

No Verão de 1992, passei um mês no Brasil. Estive no Rio de Janeiro (onde tenho família), no Amazonas e no Nordeste.

No regresso, fui objeto de breve linchamento retórico por contrariar a vox populi: detestara o Brasil.

Nação-continente de incrível riqueza natural, pareceu-me um território de instituições democráticas precárias, profunda clivagem social e miséria generalizada. A clássica imagem de Agostinho da Silva, dos brasileiros como “portugueses à solta”, não me convenceu-

Encontrei uma certa sobranceria, um claro ressentimento pós-colonial ainda por sarar, um sentido de sobrevivência compreensivelmente disfarçado de “alegria de viver”, aquela endêmica violência metropolitana (assisti a dois assaltos com armas brancas no Rio, e foram assassinados vários transeuntes a três quarteirões do hotel) e a desesperança de 200 milhões de pessoas, encravadas entre os riscos do abandono e o luxo ofensivo das eleites paulistas e cariocas.

Leio e ouço que o país se transformou nas últimas duas décadas. Principal rosto dessa mudança: Lula da Silva, o torneiro mecânico de Pernambuco.

O Brasil está agora a ferro e fogo (escrevo isto na sexta-feira, 18 de março) entre o desastre da corrupta ilusão de esquerda e a tragédia judicial e militar da direita.

Na visita ao Amazonas, passei uma tarde com amigos num lago no meio da selva, de uma belza indescritível. Quando dei por mim, estavam três jacarés no lago – o que nos salvou do pânico foi estarmos a duas braçadas da plataforma de madeira.

O Brasil é isto: um lago lindíssimo com inocentes rodeados por jacarés.
Título e Texto: Pedro Marta Santos, revista SÁBADO, nº 621, 23 a 30 de março de 2016
Digitação: JP

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2 comentários:

  1. A REVISTA sábado deve ser um pasquim semanal.
    Notoriamente um RECALCADO.
    Vamos aos fatos:
    Estive por 6 meses em Portugal na época de Salazar, quando tínhamos que esconder que éramos brasileiros de alguns estúpidos xenófobos.
    Naquela época Portugal não produzia nem vasos sanitários.
    Vários transeuntes assassinados com arma branca em 1992, duvido muito.
    Quando fala de ferro e fogo entre o desastre esquerda corrupta, e a tragédia judicial de direita, vê-se que não conhece o Brasil, apenas lê e escuta a esquerda portuguesa tão corrupta quanto.
    A operação judicial brasileira vai respingar na esquerda portuguesa, o tempo vai mostrar.
    Ao contrário de vosmecê mesmo na ditadura portuguesa aprendi a gostar.
    Nós quase 15 anos de Rio de Janeiro, meu melhor amigo era Merceano de Amorim Lemos de Almeida, português da região do Minho., que me alugava um apartamento em Copacabana.
    Eu não posso tecer comentários da vida dos portugueses, a qual não tenho contato desde 1995, sob a pena, data vênia de cometer injustiças.
    De mais a mais seu artigo foi para encher linguiça.
    fui...

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    Respostas
    1. Caro Rochinha, muito bem!!! Não preciso nem comentar a respeito desta "revistinha"!
      Abs,
      Heitor Volkart

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