quinta-feira, 13 de abril de 2017

[Aparecido rasga o verbo] Fraturas expostas

Aparecido Raimundo de Souza

O nosso Brasil, senhoras e senhores, continua o mesmo. A contar do seu descobrimento em 1500, de lá para cá, nada mudou.  Nada! Querem um exemplo? O fato do momento, que pipoca mais que brinquedo novo em mão de criança pobre, ou melhor, a palhaçada em torno da cassação ou seria caçação (caçação, palavra que não existe em nenhum dicionário que se preza), que os jornais e noticiários vomitam a todo instante, não passa de uma piada de mau gosto.

Essa bazófia exagerada, essa presunção fanfarronada, como tantas outras, gerou uma expectativa natural à população. “De repente, não mais que de repente” (Vinícius de Moraes), pintou na área um contratempo vindo dos infernos. Que contratempo seria esse? Uma figura conhecida como “Grau de Recurso” ou mais precisamente “oitivas”. Essas malditas “oitivas”, retardaram o início tão esperado do que seria um procedimento que tinha de tudo para ser normal.

Os advogados dos dois espertalhões (nós, os rotularíamos de crápulas), Dilma-Temer – chamam essas “manobras” de recursos.  Os verdadeiros causídicos, os que honram o grau do anel, tem um nome mais acertado, ou melhor, mais apropriado. PROCRASTINAÇÃO.

PROCRASTINAR, para quem chegou agora, nada mais é que “empurrar para a barriga”, “enrolar trouxas”. Em nosso entender (em verdade somos os inexperientes, os tapados, ponto pacífico), uma prática ou atividade de caráter político para “ganhar” ou “perder” tempo. Os ilustres DONOS DO PODER, não deveriam ganhar tempo. O tempo passa e o país inteiro fica de pés e mãos atadas, como um ser atrofiado. Se a nossa nação está enfraquecida ou acanhada, e de fato assim se acha, estamos no mesmo barco, ou seja, continuamos a representar os papeis de eternos e passíveis PALHAÇOS.

Por outra visão da tramoia anunciada, pensávamos que o julgamento da chapa Dilma-Temer deveria, ou teria uma decisão única. Qual o quê! Não devemos nos esquecer, que o abuso do poder econômico, senhoras e senhores, aliada a formação de caixa dois, constituem crimes para os candidatos a presidente e vice-presidente da República, não podendo, de forma alguma, haver decisões distintas, como defendeu o Procurador Rodrigo Janot, com a alegação estapafúrdica de que o atual ocupante da presidência, Michel Jackson Temer, quando assumiu o cargo (lembram como foi que Michel assumiu o cargo? Dando um espetacular chute nos fundilhos da senhora Dilma, com um sapato – um par, lógico – comprado em Cuba) não havia nenhum crime a ele imputado.

Nessa linha esquisita de raciocínio, caso a chapa seja cassada (kikiki...) integralmente, o atual chefe da nação ainda poderá participar da eleição indireta a ser realizada pelo congrosso (perdão, congresso), de acordo com o Artigo 81 da constituição, tendo em vista que já se passaram mais de dois anos de mandato.

Na conhecida vacância do cargo, a presidência será ocupada interinamente pelo presidente da Câmara (e quem é o malandro que a preside?!), até a eleição indireta do novo posseiro da sonhada cadeira, ainda que tal dispositivo não tenha sido regulamentado através de um outro câncer maligno chamado Emenda Constitucional.

Nesse tom pitoresco, amadas e amados, a sessão do TSE (Tribunal dos Safadinhos e Enganadores) que, diga-se de passagem, se constituiu no ápice das atenções dos brasileiros nesses últimos dias, julgamentos da ação de cassação da chupa (desculpem, chapa), chapa Dilma-Temer, impetrada pelo PSDB (Partido dos Safados e Destruidores do Brasil), como se esperava, restou ADIADA.

Tudo mais ou menos dentro das expectativas dos comentaristas políticos de plantão. Ora, meus caros leitores, como é do conhecimento geral, no Brasil se gasta tempo demasiado, se joga no ralo muito dinheiro fora, se faz incrivelmente os errantes conhecidíssimos pelas alcunhas de Zés Povinhos, ou Zés dos Anzóis, de BOSTAS.


Da ponta da espada até o furico da bainha, de bosta, para besta, uma boa saraivada de balas nas latas desses desgraçados que querem o poder custe o que custar.

No Brasil, caríssimos amigos, se gasta (repetindo o óbvio) se gasta muito tempo e, consequentemente, essas despesas, para se chegar a decisões medíocres, compradas, previstas, decisões que poderiam ter sido tomadas, sem aparatos, sem alardes, sem imprensa, sem tantos bafafás e trololós.

Achamos por bem deixar um recadinho ligeiro para os senhores do pomposo e intocável TSE (Tribunal das Sacanagens Expostas), ao que acrescentaríamos, Trabalhem Sem Enganar ou Engambelar a sociedade, como se ela fosse formada por uma chusma de alienados mentais.

Usem essa porra do “alto saber jurídico” que os nobres apregoam possuir, em favor do erário público, não só em atenção a ele, mas, igualmente, em amparo da dignidade, da vergonha, que suas Excelências expelem toda vez que se reúnem para “deliberar” ou julgar processinhos que, dependendo dos réus, a coisa parece criar um elástico imensurável e se arrasta se lança, se projeta, criam asas, voam, até surgirem às brechas das “oitivas”. Nesses passos de tartarugas menstruadas, de “oitivas” em “oitivas”, as PROCRASTINAÇÕES deslumbrantes, grandiosas e monumentais, surgem no caminho, procrastinações que até Deus coça a cabeça sem saber que atitude tomar. 

Chegará um tempo, senhores ministros que o povo sofrido, pisoteado, enlambrecado das merdas de todos vocês, até o pescoço, concluirá que a tal “cassação” da chapa Dilma-Temer não foi além de uma puta armação para embustear, ou fraudar babacas e manés.

Já nos bastam, acreditem as arrioscas as velhacagens do BBB-17, relacionadas ao circo Marcos-Emily. Inventem, em face do alto saber jurídico que os ilustres pregam e divulgam aos quatro cantos do mundo, uma novelinha melhor.

Essa lengalenga da revogação Dilma-Temer, esse chupa, chupa, não chega ao palito, chupa, chupa não goza, Excelências, enquanto vocês estão com as faturas expostas, para nos enviar, em outras palavras, para pagarmos a conta, nós, os fodidos e idiotas, os descamisados e sem eira nem beira, estamos com as fraturas expostas, motivadas por uma série infindável de porradas e socos, tabefes e safanões que recebemos todos os dias, em nossos costados.   
Oxalá Excelências. Pagamos religiosamente em dia os seus salários. Pelo menos tenham dignidade, honrem as calças que vestem. Procrastinem, ganhem tempo, empurrem para a barriga, enrolem, inventem “oitivas”, mas com lisura, com delicadeza, com transparência. Da falta de decoro, do levar todo dia no rabo, o povinho não aguenta mais.
Título e Texto: Aparecido Raimundo de Souza, jornalista. De Fortaleza, no Ceará. 13-4-2017

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