domingo, 25 de fevereiro de 2018

[Atualidade em xeque] Varig briefing

José Manuel

O artigo publicado por mim, A CPI da Varig e a psicanálise, na passada quinta-feira, 22 de fevereiro, após ter participado da CPI em questão, não tem a pretensão de ser um mero texto como tantos outros que publiquei.

Ele vai mais longe. É um alerta a todos os aproximadamente dezoito mil ex-funcionários que passam por um caos jamais imaginado em seu passado laboral, mas agora, em suas vidas presentes.

Desse total, aproximadamente oito mil são aposentados e beneficiários do Aerus, com idades entre setenta e noventa anos, estando sob uma tutela e aguardando que a DT, ou ACP, enfim, traga um ponto final melhor às suas vidas. Eu sou um deles. Os outros, por volta de dez mil, ou a maioria, aguardam desesperadamente por uma solução que se arrasta, para eles, há quase doze anos desde o fechamento da empresa.

Mas, não é exatamente isso que observo quando, por exemplo, olho atentamente e vejo um número irrisório de participantes em um evento tão importante como esta CPI.
Não contei. Mas acho que havia entre trinta e quarenta participantes, o que não é nada para uma CPI e, pior, manda um péssimo recado aos coordenadores desta mesma CPI, de que o interesse é muito baixo no trabalho por eles elaborado.

Se por um lado a instauração de uma CPI é uma bela vitória de um pequeno grupo na busca por soluções, não consigo ver a grande maioria desse grupo engajada nessa luta por uma vida decente.

Presenciei, como escrevi, fatos que jamais passaram por minha cabeça, mas que começaram a chamar demais a minha atenção, como, por exemplo, a postura e as frases desconexas nas respostas dos convocados nas duas oitivas que presenciei. Esperava coisa melhor, não rusticidade.

No desenrolar desta última comecei a pensar nas dezenas de vezes em que fui chamado a prestar exames psicotécnicos na Varig ou na Aeronáutica, por exemplo. Fui avaliado psicologicamente ao longo de trinta e dois anos, porque a empresa e o órgão público queriam saber se eu tinha capacidade para o cargo, se reunia capacidade de liderança dentro de um determinado grupo, etc. Afinal, uma grande empresa não pode prescindir de dados tão importantes, porque funcionários são o coração pulsante de uma empresa.

E aí também fiquei pensando como uma grande empresa chamada Brasil, não prestou atenção nesse detalhe aparentemente fútil, antes de votar, nos perfis sociopatas de presidentes desde o ano de 1990 até aos dias de hoje. Foram três os sociopatas, sendo dois afastados com impeachment e um semianalfabeto, considerado o maior criminoso oficial do país.  Isto, num período de apenas vinte e oito anos e, no entanto, teria sido perfeitamente exequível ter se observado esse transtorno de personalidade nos três supracitados. E a resposta está aí para quem quiser ver ou sentir, um país exuberante, mas criminosamente largado à sua própria sorte, por psicopatas travestidos de políticos.

Só que agora não temos mais tempo nem idade, e estamos correndo atrás do que é nosso. Do que nos foi roubado por esses psicopatas e, mais do que nunca, faz-se necessário que se preste muita atenção no modo como esses operadores se comportam no dia a dia, como se portam em uma audiência, se demonstram capacidade ou desconhecimento, se são técnicos ou aproveitadores de ocasião, se têm viés sociopata, enfim, estamos falando de pessoas que têm a responsabilidade sobre quantias imensas de dinheiro e vidas, principalmente vidas. Isso é muito sério. Faz-se necessário que se observe se essas pessoas têm um perfil psicossocial adequado para a função, até para que isso possa ser inclusive questionado em uma mesa de negociação de um acordo. Acreditem, pois podemos levar um estudo pormenorizado em provas, com filmes e gravações em uma Assembleia Legislativa. Não é pouco!

Foi o que observei, levado a esse ponto, fora dos parâmetros de um interrogatório técnico, pelas respostas absurdas, fora do contexto e posturas pessoais inadequadas. Isso é mais do que muito sério.

O alerta que quis transmitir, na realidade são dois: o primeiro é o de que compareçam em maior número possível, antes que se instale o desinteresse por aqueles que provocam os assuntos e detêm o poder para o fazer. Isso é verdadeiramente perigoso se acontecer. O segundo é a observação atenta de cada convidado e posterior catalogação de seus erros mais visíveis, mais primários. São trunfos para a nossa causa.

Sei que em nosso meio existem profissionais em psicologia, e desde já os convido a me acompanhar neste novo ângulo de observação, algo inovador, e infelizmente jamais feito.

Quanto àqueles que acreditam que liminares podem sustar a ida de convidados a uma oitiva, fiquem descansados, porque a própria máquina legislativa se encarrega de resolver a contento essas questões. E ainda: a todos os que não acreditam que esta CPI irá resolver essas principais questões, tenho a dizer que se enganam, primeiro em não acreditar, segundo em não comparecer.

Acho que não seria preciso escrever que este briefing tem que chegar cada vez mais longe através de compartilhamentos, e-mails, etc. Afinal, nossa vida está em jogo e não temos mais tempo hábil para esperar.

Aos que não entenderam bem o que escrevi sobre as duas últimas oitivas, em texto anterior, espero que desta vez tenha dado melhor transparência ao meu pensamento.

Título e Texto: José Manuel "Meu apoio total à ideia de um profissional, pois a linguagem corporal é muito reveladora. A postura física mostra o pensamento interno". (Postagem da ex-colega Cristiane Mamprim de Oliveira em resposta ao meu artigo). 25-2-2018

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7 comentários:

  1. Renovo com toda sinceridade minha posição , acredito e respeito muito no Jmanuel.
    É merecedor de minha total admiração!
    Não acredito em CPIs , e não respeito os políticos que fazem uso delas, até que provem o contrário.
    Por enquanto...
    Mas acho que o comparecimento de quem morar no Rio , e puder se fazer prese4nte , é no mínimo , uma manifestação de interesse em informar-se . Assim como faço via internet.
    Não acredito nesta CPI , mas assisto reliogiosamente na esperança de que mudem minha opinião1
    ABS
    Paizote

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  2. PS.; E mesmo com as pessoas que respeito e acredito com potencial de liderança neste imbróglio ,mantenho uma posição de não seguir "cegamente" tenho que estar convencido, e necessito discutir me manifestando criticamente quando não convencido.
    Assim tento agir com todos as ditas lideranças e os talentos individuais...
    Nossos ditos representantes não cultivam o habito saudável de ouvir os representados e se perpetuam insepultos na função.
    Renovar,é preciso ,principalmente quando se tem talentos.
    Quanto a sanidade do ex AJ, acho que como recentes liquidantes do Aerus, é também um " cagão"! O medo os incapacita!
    Sorry!

    Paizote4

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  3. Caro JM, li com muita atenção seu Comentário, excelente, verdadeiro, realista no seu modo de pensar, lastimo o pouco interesse do nosso grupo, tanto Beneficiários e Ativos, mas comungo com o modo de pensar de Paizote, não acredito em CPIs, já foram dezenas e estão na mão de Políticos os quais não confio, sempre há um interesse obscuro. Elas não tem poder Jurídico, e infelizmente estamos na dependência da Justiça, das leis dos homens, que ultimamente nos decepcionam. Vamos em frente! Quiçá teremos um Acordo. Um Forte Abraço!

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  4. PS: Um Acordo, é inegável aos interesses da União, espero que tenham a lucidez para tal!

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  5. Mais do que a estranheza pelo pouco comparecimento a CPI ,me parece maior a insensibilidade do grupo a artigos da importância deste, aqui e em outros blogs/revistas!
    Poucos se manifestam! O que merece também a analise de um profissional , considerando ser o assunto de interesse de todos no grupo e a facilidade da participação.
    Até pelo telefone conseguimos acessar, e mesmo acamado não me privei de omitir opinião.
    Então quem mora no Rio , e se interessa pelo assunto deve sim comparecer a CPI , mesmo que seja para manifestar uma discordância. E aqui , seja para concordar , discordar não justifica a ausência de um grupo maior.
    Só o que não pode, é assumir a posição de "nem contra ,nem a favor ,muito antes pelo contrário."

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  6. Um belo texto do JManuel , "reclamando" a pouca participação de pessoas no grupo que comparece a CPI,acabou por trazer a tona um item primordial nas divergências internas.
    Busquei nos textos publicados por emails , e como sempre afirmei, a falta de união continua sendo sobre as entidades representativas dos grupos.
    Vou me repetir, quiça um dia estas lideranças busquem trabalhar juntas, ou talvez permitam uma oxigenação .
    O único representante dos assuntos referentes ao Aerus é , para o bem ou para o mal,como querem alguns é oPróprio.
    E somente a união dos grupos dispares junto ao instituto, falando mesmo idioma resolveriam muitas das divergências, as opiniões sobre os atuais líderes divide o grupo.
    Esta é minha opinião!

    Vejam o que foi ditos nas respostas do texto do JMaunuel.

    Sobre a Aprus , e porta voz;

    A favor ;"...tem escrito textos mostrando que a APRUS também está interessada em resolver este grave problema ..."

    Contra "... Este é nosso protesto e indignação formalizado ao ... da APRUS ; pagamos a associação desde 2001 e exigimos uma reação da Direção desta honrada associação! "


    Sobre a Fentac e porta voz;
    A favor"...vem sendo sistematicamente veiculadas através o canal " YOUTUBE" em áudio, cuja pessoa se dirige a todos de forma abrangente..."

    contra "O governo do PT auxiliado pelo sindicato Nacional dos Aeronautas na época levou a Varig para um fim melancólico...."

    Então continuo achando que o Aerus , a Aprus ,e a Fentac ,numa mesma mesa debatendo sem preconceitos ainda ajudaria nas soluções . E muito!
    Pelo menos pouparia nosso escasso tempo, e diminuíria as divergências.

    PS.: Apenas excluo o AJ, pois não vejo nesta função um defensor dos direitos comuns aos ativos e assistidos . Deste espero simplesmente, que cumpra a lei , sem preferências pessoais !

    Paizote

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  7. UMA CORREÇÃO; ONDE CITEI FENTAC ,LEIA-SE SNA.
    A FENTAC NÃO TEM NADA A VER COM O ASSUNTO.
    PAIZOTE

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