sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

[Atualidade em xeque] A CPI da Varig e a psicanálise

José Manuel

Antes de iniciar, quero aqui deixar os meus parabéns aos deputados Paulo Ramos (Presidente da CPI) e Tio Carlos (relator da CPI), pela forma como vêm conduzindo os trabalhos desta CPI, que procura não só desvendar os malfeitos com relação à recuperação judicial da Varig, bem como proteger os seus ex-funcionários de ações criminosas no âmbito de uma falência já descrita como criminosa sob todos os pontos de vista, e assegurar que a importância devida ao Aerus que cobrem no âmbito da Defasagem Tarifária os já aposentados e aqueles que não conseguiram chegar, como no caso dos chamados "ativos".

Tenho certeza de que esta CPI irá descobrir coisas inimagináveis, bem como punir severamente todos aqueles que contribuíram para que o grande mal fosse feito a uma população em torno de trinta mil pessoas, entre funcionários e seus dependentes, além de pôr fim a um grande patrimônio técnico/industrial e comercial, como foi o caso da Varig, bandeira incontestável do país nos céus do mundo.

Hoje (22 de fevereiro), após o depoimento do convidado do dia, o presidente da CPI, Deputado Paulo Ramos, deixou claro que a Comissão já possui elementos comprobatórios em abundância para incriminar responsáveis e que um relatório preliminar será publicado em quinze dias, a partir de 22-2-2018.


Resta, pois, aos ex-funcionários da Varig comparecerem com mais assiduidade, acompanharem e prestigiarem esta Comissão Parlamentar, pois o seu futuro está nas mãos destes parlamentares e sua dedicação ao trabalho que está sendo protagonizado pelos mesmos.

Quanto a mim, infelizmente só pude comparecer às duas últimas por motivos de saúde, mas lamento profundamente não ter participado das anteriores, pois o grau de espanto de como foi/está sendo gerido o nosso dinheiro, apenas em duas audiências, presente, me deixou perplexo com os elementos convidados e responsáveis por grandes somas de dinheiro que afinal nos pertencem.

Hoje enquanto via e escutava o primeiro e ex-administrador judicial, me veio à cabeça a intenção de levar um psicólogo para analisar o comportamento postural e dissertativo desses elementos convidados.

Na primeira audiência em que participei, o convidado era o ex-interventor do Aerus, delegado pelo governo para gerir os nossos ativos. Chegou à audiência em grande pompa e acompanhado por três advogados que o ladearam, confabulando o tempo inteiro, sem produzir substância às perguntas tanto da presidência, bem como da relatoria. Enquanto um dos presentes, o Comte. Elnio Borges, da Apvar, discursava, fiquei perplexo com a postura do dito interventor, do relaxamento corporal e pelo número de "bocejos" que se sucediam ao longo do discurso. Talvez uns dez, por baixo, foram os que presenciei com espanto a pensar que o meu dinheiro estava sendo gerido por pessoa tão rudimentar. Afinal, se comprometeu a trazer à CPI um documento da Previc, o que não aconteceu pois foi demitido logo a seguir.

Hoje, ao presenciar as alegações do primeiro AJ, me lembrei muito da história do conhecido boneco Pinóquio, só que de uma forma inusitada porque o seu volumoso nariz ao longo de suas respostas, não crescia, mas ficava cada vez mais vermelho, o que me parece ser a mesma coisa.

Notei que procurava manter a maior distância possível do microfone, só utilizando-o de forma adequada após várias reclamações. Suas respostas interessantes alternavam o agudo e o grave conforme o seu comprometimento. Ficou bastante claro o seu desconforto.

Penso que através dos parâmetros posturais e gestuais desses elementos, possamos traçar um perfil detalhado de como agiram durante vários anos, ganhando somas incrivelmente altas como salários, retirados da massa que nos pertence. E provavelmente não iremos gostar, pois as aparências não são nada promissoras.

Então, o melhor é comparecermos, prestigiarmos mais a CPI e irmos anotando todos esses detalhes que apesar de parecerem fúteis, são indicadores extremamente realistas e transparentes do ponto e por quem fomos levados durante todos estes anos. 
Título e Texto: José Manuel, ex-funcionário Varig, presente na CPI. 23-2-2018

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4 comentários:

  1. Como as opiniões do JManuel , sempre primam pela exatidão , temo que tenhamos assistido CPIs diferentes ...
    Ou talvez eu veja com olhos muito críticos , ex; Achei inclusive de mau gosto do presidente da CPI ter chamado a intervenção de um colega, como comercial da advogada. Alegou que era para aliviar o clima tenso...
    Não cabe! A coisa é séria...
    Torço para estar errado, mas deste mato não si coelho, ou seja não vejo nada que possa abreviar os pagamentos. Muito pelo contrário , se formos buscar todos os culpados...não será tão cedo.
    A mim basta que o AJ cumpra a lei,a falência foi fraudulenta sem dúvida , a CPI deve denunciar os culpados... mas não creio na justiça ,pelo contrário podem até nos prejudicar com mais ações na justiça .
    Para reverter falência..." Inês é morta , ou pelo menos moribunda."
    Paizote

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  2. É!! Não vejo soluções nesta CPI, aliás como todas! Abs,

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  3. Confesso que como brasileira estou meio desanimada. LULA escapou do câncer, dos ovos, do STF e agora escapou dos tiros! PQP, ninguém merece!

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