sábado, 25 de junho de 2011

E não é que agora Laura parece a Michelle Obama de Massamá?

Na tomada de posse, Laura Garcês Ferreira lembrou por minutos Michelle Obama. Tudo o que as junta e separa
Foto: jornal "i"
Os inimigos de Pedro Passos Coelho dentro do PSD inventaram-lhe uma alcunha - o Obama de Massamá. A alcunha era maldosa: a ideia era ridicularizar o facto de Passos Coelho viver num subúrbio de Lisboa muito pouco "fashion", na Linha de Sintra, e a outra parte da maldade era atestar o facto de Passos Coelho ser casado com uma mulher guineense, Laura Ferreira.
Passos não se preocupou e, inclusivamente, fez questão de propagar a alcunha. Afinal a imagem de Obama tinha índices de popularidade altíssimos em todo o mundo e em Portugal, evidentemente, também. Quanto a Massamá, nada a obstar: serviu-lhe à medida para no Verão passado desencadear uma excelente campanha de imagem junto da classe média, em contraponto com Sócrates, residente num dos prédios mais requintados do centro de Lisboa, na Rua Braancamp, junto ao Marquês de Pombal. Foi a época em que as revistas cor-de-rosa e até o "Expresso" mostravam Passos na sua casa de férias alugada na Manta Rota, em contraste largo com a caríssima estância de Sócrates no Sheraton Pine Cliffs, lugar habitual de descanso do ex-primeiro-ministro.

Se Passos Coelho se tornou "o Obama" por causa de Laura, nunca ninguém se tinha lembrado de comparar Laura com Michelle. Mas eis que, na tomada de posse, alguma coisa mudou: Laura, aparentemente mais magra, estava quase tão espectacular como Michelle Obama, conhecida pelos seus vestidos extraordinários e uma forma invejável para os seus mais ou menos provectos quarenta e seis anos.
Laura e Michelle têm praticamente a mesma idade: Laura é mais nova um ano, tem 45. Ao contrário do último primeiro-ministro, José Sócrates, que nunca apareceu com a família ao lado - à excepção dos filhos, em raras ocasiões -, Passos Coelho não teve qualquer problema em aparecer ao lado de Laura, em várias reportagens para revistas cor-de-rosa e outras, durante todo o último ano. Nesse aspecto, foi uma campanha à americana - a acção mais inédita para os padrões nacionais foi a "mensagem da Páscoa", feita pouco tempo antes das eleições. Nela, Laura, sentada ao lado de Passos Coelho, de mãos dadas com o marido, desejava boa Páscoa, enquanto o candidato a primeiro-ministro fazia uma sessão de campanha, onde aproveitou para mudar o discurso do PSD sobre o Serviço Nacional de Saúde.
Ao contrário de Michelle, cuja energia e opiniões muito violentas chegaram a ameaçar a campanha presidencial de Obama, Laura tem-se limitado a manifestar o amor pelo marido - desde o congresso onde foi eleito -, deixando a política ao candidato. Michelle é conhecida por, no meio da campanha de Obama, ter chegado a dizer, para escândalo dos americanos, que só naquele momento - a candidatura do primeiro afro-americano a presidente dos Estados Unidos - é que pela primeira vez na sua vida adulta se sentia orgulhosa do seu país. Caiu o carmo e a trindade das Américas. Mais recentemente, o seu excessivo à-vontade com a rainha Isabel II, na visita de Estado dos Obamas ao Reino Unido, fez o protocolo tremer - Michelle tocou no ombro da rainha, em sinal de afecto. O Palácio de Buckingham teve de desmentir que teria havido uma falha protocolar da primeira-dama americana.
Laura é muito silenciosa e em todas as entrevistas, para revistas cor-de-rosa ou para jornais como o "Diário de Notícias", sempre revelou uma extrema simplicidade. Até aqui vestia-se normalmente - nem bem nem mal, antes pelo contrário. Abusava do chamado "fato saia e casaco", uma velha farda feminina. Mas no dia da posse tudo pareceu mudar. Laura poderá tornar-se a Michelle Obama de Massamá? A propaganda do PSD, extremamente atenta à relação com a classe média, pode ter percebido isto.
Título e Texto: Ana Sá Lopes, jornal “i”, 25 de Junho de 2011
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