segunda-feira, 20 de junho de 2011

A maioria Congressual e suas incríveis deliberações

Congresso Nacional, Brasília. Foto: P.A.S., julho de 2007
Valmir Fonseca Azevedo Pereira
É comum, ouvirmos a afirmação de que a maioria é silenciosa, e a minoria é barulhenta. Por isso (?), a minoria se dá bem. Em geral e, costumeiramente, é assim.
As vitoriosas minorias nacionais não nos deixam mentir. Um grupelho histérico, radical, mesmo embalado por idéias esdrúxulas, vai longe. No Brasil, não só vai como deita e rola em regras e cátedra. Na extrapolação dos direitos dos outros, as minorias vão surfando no politicamente correto.
Contudo, no Congresso Nacional, um covil de raposas felpudas, a constatação de que os parlamentares não representam nada, nem a ninguém, a não ser a si, aquela afirmação inicial leva uma terrível bordoada.
Lá, a minoria entra pelo cano. Lá, a maioria canta de galo e... aprova.
Aprova as mais grossas sacanagens. Eles se aumentam se enchem de mordomias, acumulam benesses, abençoam seus pares mais safados, e o fazem sem qualquer resquício ou prurido, e de há muito deram um chute no vai ficar chato ou no vai pegar mal.
É o resultado da imponência do cargo e das bênçãos da impunidade que derivam da honra de representar energúmenos. É a cara - de – pau que acompanha os incomuns.
Em geral, por troca das mais infames questões, subordinam - se ao Executivo, em prol das suas pretensões pessoais ou grupais.

No seu limitado horizonte, a perda da grandeza do poder que deveriam representar como um dos tripés da democracia, pouco significa diante dos seus ganhos.
Com justo orgulho, não lhes pesa nenhuma dúvida, nenhum questionamento, eles são cretinos profissionais, para o deles e o nosso orgulho, tanto que, apesar de tudo, vivem sendo reeleitos.
A maioria congressual é barulhenta e de inexorável determinação na obtenção de vantagens. Decidida a bandalheira pelos seus líderes a sua votação será uma questão de tempo. A palavra inconstitucional de há muito foi expurgada de seu dicionário, pois a questão pode atropelar a Carta Magna, que nada importa.
É o caso da proposta do governo de manter sob sigilo o orçamento de obras para a Copa do Mundo de 2014, a ser realizada no Brasil.
A recente votação para que aquelas contas não sofram qualquer reparo ou fiscalização, conforme a orgia de esbanjamento preconizada e de interesse do Executivo sublinha como a maioria barulhenta e atuante alcança seus objetivos.
Falta o Senado, onde a nova musa das relações governamentais, a Idelli transita como numa passarela, rebolando inzoneira, e será o aval para a aprovação final da indecorosa proposta.
Em suma, a cada inconseqüência deliberada, é como permitir que um bando de lobos entre no galinheiro.
Pelo jeito, vai sobrar pedaço de galinha para todo o mundo, o deles. Para nós, as penas e os impostos.
Mas não adianta reclamar, foi tudo votado, democraticamente.
Aguardam na fila um sem número de propostas: a da Comissão da Verdade; a do Referendo do Desarmamento; a da obrigatoriedade de três horas de programação nacional nos canais pagos; a da divisão de Estados; a proibição do Ministério Público investigar atos de corrupção de Presidente da República, Governadores de Estados, Senadores, Deputados Federais, Deputados Estaduais e Prefeitos, que foi já aprovada em primeiro turno no Congresso, etc.
Adivinha se serão aprovadas.
Brasília, DF, 19 de junho de 2011
Gen. Bda Rfm Valmir Fonseca Azevedo Pereira

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