quinta-feira, 20 de junho de 2013

Milhares de brasileiros protestam no país inteiro

Centenas de milhares de brasileiros protestam no país inteiro contra os governos pela falência dos serviços públicos
Francisco Vianna
Uma expressiva parcela da população brasileira acabou indo, ontem, finalmente para as ruas a se manifestar no sentido de cobrar dos governos, tanto locais como regionais e nacional, que sejam revistas as suas políticas administrativas e suas agendas de prioridades do uso do dinheiro público ao longo de décadas de lentidão e incompetência governamental eivadas de extensa corrupção e práticas espúrias e inconstitucionais, principalmente depois que o PT (Partido dos Trabalhadores) chegou ao poder.

Manifestantes ocupam a Praça da Sé, em São Paulo num movimento que não é de todo pacífico pela ação de pequenos grupos orientados e financiados pelos partidos de esquerda radicais e do próprio PT.
As manifestações, que se iniciaram na segunda-feira, ganharam magnitude ao longo da terça-feira de ontem, não só nas maiores capitais do país, mas em muitas outras cidades.

Tais manifestações, que no total envolveram mais de 250 mil pessoas, em outros tempos seria o bastante para, com o apoio das Forças Armadas, governantes serem destituídos e se restabelecer a ordem institucional no país, mas que, hoje, após extenso grau de aparelhamento do estado pelo PT e base aliada, este é um resultado que, apesar de muito esperado pelo povo, é difícil de ser realizado.

O contraste dos investimentos bilionários do governo para a Copa do Mundo da FIFA em 2014 e para as Olimpíadas em 2016 no Rio de Janeiro e a situação calamitosa em que se encontram os principais serviços públicos e a falta de infraestrutura num país que tem uma das mais altas cargas tributárias do planeta, tem sido o motor dessas manifestações de insatisfação social.

O aumento de vinte centavos de real na passagem dos ônibus em São Paulo, a maior cidade da América do Sul, serviu apenas de estopim para o extravasamento de tanta insatisfação e indignação há décadas reprimidas pelo povo. A subida da inflação, de aumento geral de preços e do custo de vida no país, paralelamente à farra com que os governos fazem com os recursos tributários agravada do alto enriquecimento ilícito evidente dos agentes públicos, acabou determinando toda a movimentação.

A presidente Dilma Rousseff, uma ex-guerrilheira comunista e que esteve presa durante o regime militar que governou o país de 1964 a 1985, que alegadamente a teria torturado, embora os dados conhecidos não confirmem isso, buscou imediatamente tirar proveito político dos protestos, apesar de o seu governo ser o alvo central das manifestações, assim como a Prefeitura da cidade de São Paulo. Dilma chegou a dizer que “o Brasil acordou mais forte hoje”, embora isso signifique que o prestígio dela e de seu partido tenha amanhecido muito mais fraco.

Dilma Roussef continuou seu discurso de capitalização dos protestos, afirmando ainda que “o tamanho enorme dos protestos de ontem demonstra a energia da nossa democracia, a força das vozes da rua e a civilidade de nossa população. As manifestações pacíficas são legítimas e fazem parte da democracia e é natural que os ‘jovens’ estejam insatisfeitos”.

O movimento inicial foi de maioria estudantil que luta por “Passe Livre” nos ônibus e trens do metrô em São Paulo, mas se fosse apenas isso, os protestos não teriam prosperado. De fato, as manifestações de insatisfação logo recrudesceram levando para as ruas um contingente cada vez maior de pessoas a reivindicar coisas muito mais importantes do que simplesmente a anulação de um aumento de vinte centavos nas passagens dos transportes coletivos.

O movimento de protestos hoje no Brasil envolve espontaneamente brasileiros de todas as idades e não apenas em São Paulo, mas em muitas cidades médias e grandes do país. Brasileiros, no exterior, também têm feito demonstrações contra o governo de Brasília, o que recebe a devida cobertura da grande mídia nacional. Exigem uma série de reivindicações das quais, todavia, se destaca uma: a da melhoria importante dos serviços públicos de saúde, educação, infraestrutura e segurança pública, que têm sido deploráveis, apesar dos governos arrecadarem uma das maiores taxas tributárias do mundo. 

Mesmo tendo a imensa maioria dos manifestantes vindo às ruas para protestar pacificamente, como soe acontecer, há uma minoria militante e organizada pelos partidos de extrema-esquerda e, em alguns lugares, pelo próprio PT associado a eles, que promovem a baderna, o quebra-quebra, a destruição do patrimônio público e privados, mediante invasões, e choques diretos com as forças de segurança. Tais embates têm sido responsáveis pelos pouquíssimos casos de morte de ferimentos durante as manifestações, tendo havido casos de violência, como os do Rio de Janeiro, por exemplo, onde o choque de vinte policiais e dez manifestantes resultou em diversos feridos, da mesma forma como ocorreu em Porto Alegre e Belo Horizonte.

Já as manifestações nas cidades de Curitiba, Vitória, Fortaleza, Recife, Belém e Salvador contaram apenas com casos esporádicos e isolados de vandalismo e violência.

A onda de protestos acontece durante a realização da Copa das Confederações de Futebol da FIFA e quando falta apenas um mês para que o Papa venha visitar o Brasil, um dos países mais católicos do mundo. No ano que vem, o país sediará o Mundial de Futebol e em 2016 os Jogos Olímpicos que serão realizados no Rio de Janeiro.

Causa repugnância à maioria dos brasileiros conscientes que haja tanto dinheiro investido em estádios de futebol espetaculares e inúmeras obras acessórias em função dessas competições, enquanto as escolas, os hospitais, a segurança pública, os transportes públicos permanecem fora das prioridades governamentais, em estado de deterioração e falência, ao mesmo tempo em que a inflação aumenta e custo de vida foge do alcance do poder aquisitivo da maior parte da população brasileira.
Título e Texto: Francisco Vianna, 19-06-2013


1º de julho de 2013
O Brasil vai parar!

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