sábado, 31 de outubro de 2015

Discurso de Pedro Passos Coelho na Tomada de Posse do XX Governo Constitucional

“Senhor Presidente da República,
Senhor Presidente da Assembleia da República,
Senhor Presidente do Supremo Tribunal de Justiça,
Senhor Presidente do Tribunal Constitucional,
Senhores representantes das mais altas instituições e autoridades do Estado,
Ilustres convidados,

Há quatro anos assumi as funções de Primeiro-Ministro de um governo que tinha pela frente a tarefa maior de salvar o País de um desastre económico e social de proporções inimagináveis. Vivíamos tempos de emergência nacional a que era urgente responder com uma estratégia firme e coerente. Nessa altura, eram muitas as vozes dentro e fora do País que duvidavam das nossas possibilidades. No dia da minha tomada de posse disse que “vivíamos tempos difíceis e mais tormentas ainda nos aguardavam. Mas tínhamos de confrontar os nossos problemas com os olhos bem abertos e afugentar o medo paralisante.”

E foram, de facto, anos duros os que tivemos de enfrentar.

Sabíamos que estávamos a “navegar em mares nunca dantes navegados”, mas nunca deixei de ter a firme convicção de que o País que sempre conheci não falharia.

E não falhou.

Os Portugueses deram uma lição de sacrifício, moderação e esforço colectivo que tão cedo não será esquecida. Toda a Europa o sabe e nós sabemo-lo melhor do que ninguém.

Com muito trabalho e com o sentido máximo das responsabilidades, o anterior executivo que eu liderei foi o primeiro governo de coligação a cumprir integralmente o seu mandato na história da democracia portuguesa.

O oceano e a gota...

Valdemar Habitzreuter 

Uma gota no meu oceano, imagem: Pedro Duarte
Ser ou não ser? Se ser, sou 
Se não ser, cá não estou
Pudera meu eu não ser eu!
Nada haveria p’ra dizer que é meu

Eu e meu se combinam
Eu, o dono. Meu, a posse
Ser e nada se aglutinam
Como se imenso oceano fossem

Há as ondas no oceano
Não são seus eus em agitação
Tudo é água, nada de cartesiano
Um uníssono de pura fusão

A gota caída no oceano: gota ou oceano?
Meu eu engolfado pelo Ser: eu ou Ser sem dimensão? 

Título e Texto: Valdemar Habitzreuter, 31-10-2015

Os fregueses não aceitam o nome da Dilma em prato saboroso!



Título e Imagem: Alberto José, 31-10-2015

Caminhos inexplorados

João Bosco Leal

É muito comum a tendência de só trilharmos por caminhos conhecidos, já experimentados por outras pessoas, pois assim deixamos de cair onde outros já caíram ou sofrer o que já foi sofrido por alguém.

Esse é o caminho mais fácil a ser seguido para aqueles que não querem correr riscos, principalmente financeiros. Raros são os que se arriscam a investir seu patrimônio - ou mesmo parte dele - em algo ainda não experimentado por outros.

Entretanto, isso nos torna mais um na multidão, sem perspectivas de conhecer ou criar algo novo, realmente diferente. Só os que saíram das trilhas comuns foram capazes de repensar, viver, provar e criar coisas totalmente desconhecidas.

Provavelmente todos já sonharam em ter uma ideia revolucionária, que mudasse algo e ainda rendesse muito dinheiro, mas aqueles que realmente podem ser chamados de inventores estão sempre pensando além do seu tempo, procurando maneiras de tornar atividades corriqueiras mais práticas e muitas vezes essa busca é tão intensa que alguns nem se preocupam ou não conseguem se beneficiar financeiramente de seu invento.

Em 1947, depois de ser ferido durante a segunda guerra mundial e ter de ficar um tempo no hospital, o soldado Mikhail Kalashnikov, da então União Soviética, aproveitou seu tempo para projetar uma das melhores armas de combate já criadas, a AK-47. Com mais de 100 milhões de rifles circulando por aí, Kalashnikov deveria estar na lista dos homens mais ricos do mundo.

Tudo o que o soldado recebeu foi um bônus de agradecimento pelos serviços prestados, pois o governo comunista não pagava os "inventores" na época em que a arma foi criada. Cinquenta e dois anos depois, em 1999, a Izhevsk Machine Shop conseguiu patentear a arma e Mikhail deixou de ganhar centenas de bilhões com o seu projeto.

Acalme-se

Nelson Teixeira
Os dias podem estar sendo difíceis, mas acalme-se, reaja, não desanime, muitos irmãos neste momento estão em situações difíceis, iguais ou piores, e continuam acreditando em que tudo vai dar certo.

Tenha confiança em seu potencial de superação, todos nós, indistintamente, somos providos do amor de Deus, somos irmãos e que nada vai nos faltar diante de nossas lutas que são muitas, a ajuda sempre chega e nos conforta o coração.

Acalme-se, faça uma prece eleve seu pensamento ao Alto e confie.

Não esmoreça, continue fazendo sua parte sempre, mesmo achando que está fazendo pouco ou acredite de que não é mais capaz de lutar, mesmo assim reaja, lute, não desista.

Lembremos que todas as lutas, sem exceção, não são em vão, nos fortalecem e nos elevam espiritualmente porque somos agraciados pelo aprendizado.

Confie, siga adiante, todos somos capazes, pode acreditar! 
Título e Texto: Nelson Teixeira, Gotas de Paz, 31-10-2015

sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Charada (123)

Um astrônomo dedicou-se ao estudo
de uma estrela que dista
dois mil anos-luz da Terra.
Após muitas observações
e cálculos precisos, concluiu que se trata
de uma estrela gigante em fase teminal,
cujo brilho aumentou 5% em cada mil
anos, e que restará um aumento total de
mais 15% para que a estrela se transforme
em supernova (explosão final).


Sendo assim, na realidade, quantos anos 
Faltam para a estrela explodir?

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Omissão da imprensa no caso da agressão ao MBL é jornalisticamente criminosa

Os comandos das respectivas redações estão cochilando, podem acreditar. Há um outro país nascendo nas ruas, e eles não estão vendo. (Estão vendo sim, só não é o que eles gostariam de ver. Daí, ignoram)

Reinaldo Azevedo

Sigo indignado com a duplicidade moral de boa parte da imprensa e de muitos ditos coleguinhas. Ora, vocês cansaram de ler colunas de falsos democratas vituperando contra cartazes que pedem a intervenção militar no Brasil. Bem, eu também me oponho a essa gente. Jamais a abrigaria intelectual ou politicamente só porque crítica do governo Dilma.

E que se note: os que pregam essa tolice são uma absoluta minoria entre os que pedem o impeachment de Dilma. Nota à margem: o Movimento Brasil Livre literalmente expulsou do acampamento um grupelho que apareceu por lá com essa proposta. Não foi notícia.

Nesta quarta, obedecendo a uma convocação de Sibá Machado (AC), líder do PT na Câmara, Guilherme Boulos e João Pedro Stedile convocaram seus fascistas para cercar e espancar os jovens do MBL e do Vem Pra Rua. Sim, tratou-se de uma joint-venture: as camisetas que vestiam eram do MTST, e os militantes, do MST, oriundos de Planaltina, no Distrito Federal.

A cobertura da imprensa, na média, foi nojenta, asquerosa mesmo, como se nada houvesse acontecido. Como sempre, cumpre indagar o que se teria dito se fosse o contrário: imaginem um acampamento com 50 esquerdistas, reivindicando isso ou aquilo, cercado por adversários contrários à esquerda — nem precisariam ser de direita… Seria um caos, um deus-nos-acuda. Alguém logo falaria em escalada fascista. Os mais ousados lembrariam o espancamento de atores que representavam a peça Roda-viva, no dia 9 de novembro de 1968…

Charada (122)

Qual é o mês que é
um anagrama
da moeda 
do Reino Unido?

A lengalenga danosa da solução da crise...

Valdemar Habitzreuter

Está tudo muito confuso neste Brasil atual. Mais do que confuso, há um clima de beligerância política nociva de delinear estratégias de salvamento ou danação de políticos e governantes envolvidos em improbidades, corrupção e inépcia no exercício de governar. Configura-se isso um verdadeiro ultraje e acinte ao povo brasileiro cujo bem-estar fica em segundo plano, obrigado a permanecer submisso, amarrado e indefeso, sem saber o que fazer, a não ser os simples manifestos de descontentamento nas redes sociais. Não há ações políticas que visem estabelecer primariamente uma ordem, uma força conjunta por uma saída para a crise política e econômica. 

A grande mídia atém-se a relatar os fatos e atos de políticos e governantes que atentam contra a ética política comprometendo a saúde e fortalecimento do regime democrático, mas não se arrisca ostensivamente a conclamar a sociedade para uma reviravolta, um basta de tanto desmando e confusão. Os poucos profissionais de jornalismo mais afoitos em demonstrar rebeldia e propostas para ações concretas são admoestados e, muitas vezes, afastados.

Os intelectuais vinculados às Universidades federais encolhem-se em seu conforto estatutário da estabilidade profissional e não se atrevem a opinar contra o status quo caótico de seu patrão governo. Os poucos que o fazem se mesclam ao povo e veem as dificuldades às quais está sujeito. Grosso modo, nossas Universidades federais são solipsistas, não produzem cultura ou conhecimento para o povo, produzem ‘vaidades culturais’ para si subvencionadas pelo governo federal.

A OAB é outra entidade que pouco ou quase nada contribui para derrubar este muro de desordem política e administrativa com a qual o Brasil convive. Não se vê uma movimentação mais contundente por parte dela de desmascarar e acusar os representantes do povo por suas atividades indignas e criminosas de lesa-pátria.

Apartamento em que mora Luiz Cláudio, filho de Lula, pertence a Roberto Teixeira, que o comprou de uma offshore em paraíso fiscal

Procurador da offshore no Brasil é casado com a “Rainha da Catraca”, que mantém negócios com a Prefeitura petista de São Bernardo
Reinaldo Azevedo 
Ai, ai, gente! Que divertido! Quem sai aos seus não degenera, não é? Vocês certamente se lembram que Lula tinha — e tem — um compadre: o ubíquo e universal Roberto Teixeira. Sim, lá em eras priscas, o Poderoso Chefão petista morava numa casa de seu compadre rico. E quanto pagava por isso? Nada!

Escrevi aqui ontem que Lula inaugurou uma aristocracia no país, de sorte que privilégios que eram do pais passaram para os filhos, assim, por direito divino mesmo. Posso entender que o PT esteja tão interessado em taxar as grandes fortunas e heranças. Parece que a medida não vai atingir os Lula da Silva. Eles sempre estão morando bem, comendo bem, vivendo bem, mas nunca são donos de nada.

Luiz Cláudio, o dono de duas empresas de marketing esportivo, a LFT e a Touchdown, mora num apartamento nos Jardins, área nobre de São Paulo. Tem 158 metros quadrados e está avaliado em R$ 1,2 milhão.
 
Luiz Cláudio Lula da Silva, filho do ex-presidente Lula, imagem: TV UOL
Notem: não é nada que um empresário bem-sucedido como ele não pudesse ter, claro! Afinal, só a FFT recebeu de uma empresa de lobby, que se meteu em negociações em favor de uma Medida Provisória que acabou sendo assinada por seu pai, nada menos de R$ 2,4 milhões. Entendem?

Digamos que, vá lá, o sobrenome Lula da Silva abra portas para o rapaz. Seria até compreensível. Com trabalho honesto, é evidente que alguém como ele pode ter um apartamento de R$ 1,2 milhão. Ocorre que essa gente é viciada em heterodoxias. Querem ver?

Segundo informam Bela Megale e Graciliano Rocha na Folha de hoje, o apartamento em que Luiz Cláudio mora com a mulher não pertence a ele, não! Está no nome de… Roberto Teixeira! Sim, o compadre que cedia uma casa a Lula cede agora o apartamento a um dos filhos do Babalorixá de Banânia. O imóvel tem peculiaridades:

Quais as razões da ascensão mundial da direita?

Cesar Maia
           
1. O processo de globalização não é privativo da economia. Da mesma forma, a cultura. E, claro, da mesma forma, a política. O mercado de marketing político comprova isso. As experiências adquiridas por publicitários em campanhas eleitorais num país são contratadas por candidatos de outros países. Na América Latina isso é geral. Na Europa, essa mobilidade também é ampla, mas com as naturais restrições de língua.
           
2. Nos últimos dias, candidatos de direita e centro-direita venceram as eleições em Portugal, Polônia, Guatemala e em Bogotá. Na Argentina, a votação de Macri surpreendeu até mesmo a sua campanha e parte para o segundo turno como favorito. A extensão desses fatos e a diversidade das situações e tantos outros casos nos últimos anos permite pensar que se trata de uma ascensão globalizada da direita nas expectativas do eleitorado.
           
3. Um fator comum a todos esses casos foi a corrupção política. O vencedor do segundo turno na Guatemala – um comunicador de TV – com seus 70% de votos, contra a candidata da esquerda, usou o slogan: “Nem ladrão, nem corrupto”. E “a política pode ser feita sem corrupção.”
Em Portugal e Guatemala os anteriores chefes de governo foram presos por corrupção. (Em Portugal trata-se do ex-primeiro-ministro, José Sócrates, do Partido Socialista). Em Bogotá, o ex-prefeito de esquerda foi afastado por irregularidades. Na Polônia, os dois primeiros lugares foram dos partidos de direita e centro-direita.
           
4. Na Argentina, os escândalos que envolveram o governo de Cristina Kirchner foram o tema eleitoral. A economia em crise profunda, com inflação de 30%, PIB estagnado, Banco Central sem reservas, dólar paralelo quase 80% maior que o oficial, inacreditavelmente, não foi tema de campanha. Taxistas em Buenos Aires repetiam: não queremos um governo como esse de Dilma, aqui. O foco era a corrupção.

O MBL e o Vem Pra Rua venceram! Os zumbis do MST e do MTST foram humilhados

O futuro do Brasil está com movimentos que não suportam mais ser vampirizados pelos mortos
Reinaldo Azevedo
O MTST tem todas as características de uma tropa de assalto, não de um movimento social. A começar de seu Ernst Röhm, que é Guilherme Boulos, alguém que tomou de empréstimo a causa dos ditos sem-teto. Afinal, se esse rapaz quiser, ele tem telhados demais à sua disposição.

A origem endinheirada do chefão do MTST faz, sim, diferença na truculência com que ele conduz o movimento, que não hesita em invadir, incendiar, quebrar e, como se viu na quarta-feira, cercar pessoas que se manifestam pacificamente em favor do impeachment — segundo direitos assegurados pela Constituição e pelas leis.


Como carrega a aura de que não quer nada para si mesmo, já que renunciou ao conforto da família que gente como ele chama “burguesa”, então tudo lhe é permitido. A luta campal que o movimento de Boulos tentou promover contra o Movimento Brasil Livre e o Vem Pra Rua expressa o seu entendimento da política. Para essa gente, é na porrada e com sangue que se resolvem os dilemas.

Há muito já escrevi que as críticas que o MTST faz ao PT só enganam trouxas. E evidente que Boulos resolveu liderar o que supõe ser uma espécie de vanguarda revolucionária do PT. Não! Não haverá revolução nenhuma, sabemos disso. O movimento encarna só uma forma mais agressiva e supostamente mais pura de apropriação dos bens coletivos em benefício de um grupo, de uma ideologia, de uma camarilha. A diferença entre Boulos e Delúbio é de forma, não de conteúdo.

A prática de Boulos se iguala à das milícias bolivarianas na Venezuela. Também o MTST se impõe por meio do terrorismo, da ameaça e da intimidação, a exemplo do que se viu na quarta, quando seus militantes truculentos procuraram cercar os jovens do Movimento Brasil Livre e do Vem Pra Rua.

China vai comprar 130 Airbus à Alemanha

17.000 milhões de dólares, é quanto vale o acordo assinado esta quinta-feira. É uma das maiores encomendas de sempre da China ao fabricante europeu.


Agência Lusa
A chanceler alemã e o primeiro-ministro chinês assistiram hoje, em Pequim, à assinatura de um acordo para a compra de 130 aviões Airbus pelo valor de 17.000 milhões de dólares, uma das maiores encomendas da China ao fabricante europeu.

O acordo, de 15.500 milhões de euros, segundo a paridade monetária atual, assinado no Grande Palácio do Povo de Pequim durante o primeiro de dois dias de visita de Angela Merkel à China, prevê a aquisição de 100 aviões Airbus A320 e outros 30 A330.

A transação ocorreu numa altura em que as companhias aéreas chinesas estão a alargar as suas frotas e à espera de que o número de passageiros de voos nacionais e internacionais triplique nos próximos 20 anos.

Além disso, o fabricante aeronáutico europeu acordou, em julho último, construir um centro para acabamentos do A330 em Tianjin, cidade industrial portuária no nordeste da China, onde existe uma linha de montagem de A320, vendidos sobretudo às transportadoras chinesas.

Merkel e o chefe do Governo de Pequim, Li Keqiang, presidiram ainda à assinatura de outros 12 acordos, incluindo o da Nokia com a operadora China Mobile para o fornecimento de tecnologia móvel, software e serviços, e entre a Volkswagen AG e um dos quatro principais bancos da segunda economia mundial, o ICBC.

Trata-se da oitava visita de Merkel à China na qualidade de chanceler da Alemanha. 
Título, Imagem e Texto: Agência Lusa/Observador, 29-10-2015

Não é um jogo

Paulo Tunhas
Como desviar os olhos e aguentar o que se passa quando nos estão, pura e simplesmente, por interesses pessoais e de facção, a lixar a vida? Quando as regras que normalmente nos orientam são rompidas?


Em tempos políticos mais ou menos normais, o que quer que isso seja, as considerações morais não desempenham um papel por aí além, a não ser quando, ritualmente, os políticos são criticados por falharem num tipo ou outro de promessas (quase sempre em matéria de impostos). Aí acontece-lhes verem-se acusados do feio acto de mentir. Também há a pergunta cíclica: “Comprava-lhe um carro em segunda mão?”. Mas, somando tudo, é coisa pouca. Felizmente, diga-se de passagem. A pregação moral é um labor cansativo e, para as almas mais dubitativas, costuma deixar um sabor amargo na boca.

Há, no entanto, circunstâncias em que o juízo político não pode, por menos exaltada que uma pessoa seja, deixar de se acompanhar por um juízo moral. A nossa situação actual é um exemplo disso. Não pretendo falar por enquanto da terrível trapalhada em que António Costa nos anda a meter, já nos meteu, nem na reacção de matilha que o acertado discurso do Presidente suscitou à esquerda e nas franjas do costume da direita. Sobre o personagem de António Costa, Viriato Soromenho Marques disse, de resto, o essencial: António Costa corre “o risco de ser visto como o único caso da III República de um secretário-geral que em vez de se tornar primeiro-ministro depois de ganhar as eleições quer ser primeiro-ministro para se manter secretário-geral, mesmo depois de as ter perdido”.

Resta que é uma questão interessante a de saber o que é que quase obriga uma pessoa pacata, em circunstâncias particulares, a misturar considerações morais aos juízos políticos. Porque é que, em certos casos, coisas geralmente separadas, vocabulário político e vocabulário moral, se unem quase fatalmente? Porque é que, em determinadas situações, um juízo político despido de considerações morais é um juízo político falso e enganoso, que falha a realidade ou não a ilumina, antes a obscurece?

Provavelmente, porque a própria realidade política é, nesses casos, vítima de uma subversão que deve ser denunciada, e falar dela sem a denunciar, limitando-nos a aceitá-la como algo normal, é, como se diz, representar Hamlet sem o príncipe. O juízo político tem de reagir a essa subversão da realidade política, particularmente quando ela é perfeitamente intencional e premeditada. Aceitá-la sem uma tal reacção é que seria anormal. E na denúncia de uma situação desse tipo o vocabulário moral surge quase inevitavelmente, até porque expressa mais facilmente a nossa reacção espontânea à situação.

Não estão tempos para grandes confianças (vale tudo, até proibir os jornalistas de escrever)

Maria Teixeira Alves
Há no ar uma leve sensação revolucionária. Sente-se ao longe uma ameaça. As pessoas já não se sentem seguras nem têm confiança naquilo que confiavam antes. Há uma sensação de que tudo pode escapar, e que qualquer coisa antes vista como marginal pode passar a ser legítima, mesmo o mais impensável que é ver um derrotado nas eleições chegar ao poder com um golpe palaciano que toda a gente agora ou por medo, ou porque o seguro morreu de velho, lhe chama democracia.

Hoje, Fernando Ulrich [foto], outrora o l’enfant terrible da banca, o banqueiro referência que punha ordem nisto quando falava para a imprensa, o banqueiro de direita, que nunca escondeu ser, disse (fiquei pasmada) a propósito do que se está a passar, "que é bom ao longo do tempo, numa democracia madura e adulta que toda a população, pelo menos algumas vezes se sinta representada, que se reveja em quem está no Governo e participa activamente na tomada de decisões", numa clara alusão aos partidos PCP e Bloco de Esquerda que estão a negociar saltar para o poder com o PS, que vai formar Governo.

Meu Deus ao que isto chegou! Até Fernando Ulrich está conformado. A fragilidade dos confrontos accionistas na sua casa [BPI] talvez tenha retirado ao banqueiro aquela força contestatária de antigamente (o que é perfeitamente compreensível neste contexto).

Era o banqueiro destemido que não se preocupava com mal entendidos, que enfrentou as deputadas do Bloco de Esquerda numa comissão com uma confiança brutal, que as punha na ordem. Era tal a segurança que se confundia com sobranceria. Esse banqueiro hoje mede as palavras e chega mesmo a admitir que a última coisa que quer são mal entendidos. "A última coisa que queria era fazer algum comentário que pudesse ser mal interpretado, o que às vezes acontece aos melhores, como eu e vocês sabemos. A última coisa que faria era dizer qualquer coisa que podia parecer que estaria a criticar a maneira como as pessoas votaram".

Católicos protegeram a catedral de Mar del Plata assaltada pela intolerância LGBT

Agitadores esquerdistas e feministas tentaram invadir e profanar a bela Catedral, defendida por jovens católicos

Luis Dufaur

Uma longa coluna de feministas, militantes LGBT e de partidos de extrema-esquerda tentou profanar a bela catedral da cidade de Mar del Plata na Argentina, informou a imprensa argentina.

O sacrílego atentado foi evitado corajosamente por jovens católicos da cidade. A coluna agressora fazia parte do XXX Encuentro Nacional de Mujeres, assembleia que se reúne todos os anos em diferentes cidades financiada pelo governo nacionalista bolivariano de Cristina Kirchner.

Os manifestantes vinham depredando casas e lojas e pichando-as com dizeres expressivos como “nem pátria nem patrão” além de palavrões e slogans pelo aborto.

Segundo os jornais portenhos, após as 22 horas do dia 11 de outubro em meio às festividades de Nossa Senhora de Luján, padroeira da Argentina, a coluna se afastou do percurso aprovado pelas autoridades e partiu para o assalto da catedral.

Mas, os jovens católicos estavam ali prevendo a tentativa sacrílega. Ela já tinha sido tentada em anos anteriores em edições do dito Encontro feminista, mas os católicos das respectivas cidades conseguiram impedi-lo.

Homens e mulheres do Partido Revolucionário Marxista Leninista e diversas agrupações feministas, abortistas e LGBT iniciaram as violências. Proferindo horríveis blasfêmias, insultando aos católicos que rezavam em pé nos degraus da catedral e atrás de uma bela grade que delimita o terreno sagrado.

Algumas das mulheres se despiram e exibiram seus bustos nus pichados com dizeres ofensivos e blasfemos.

Os militantes da Revolução Cultural jogavam pedras, garrafas, rojões e lixo contra os católicos. Os baderneiros anti-católicos, após muito trabalho, conseguiram derrubar boa parte de grade da catedral.

Mas os católicos resistiram firmemente e os invasores não puderam atingir o edifício sagrado.

A polícia e a tropa de choque da Infantaria Naval, corpo ativo nessa cidade, que é um porto importante, demorou em chegar e teve que travar uma verdadeira batalha campal contra os baderneiros enfurecidos.

Pelo menos 16 deles foram presos por “danos e resistência à autoridade” e seis das feministas furiosas saíram machucadas.

A mentira tem perna curta

Rui A.
Durante quatro anos, ouvimos o PS dizer que a austeridade não era uma inevitabilidade e que havia alternativas às políticas do governo PSD/CDS. Agora que o PS começa a ter a convicção de que regressará, em breve, ao poder, a única preocupação que parece ter é a de arranjar bons pretextos para manter aquelas medidas em vigor, apesar dos acordos que está a negociar com a extrema-esquerda para conseguir o seu apoio parlamentar.

Como é evidente, isto dará fatalmente mau resultado. Porque o PS sempre omitiu aos portugueses aquilo que agora será obrigado a assumir: que Portugal não é um país auto-suficiente, isto é, que não produz o necessário para obter receita que pague a despesa do estado, por um lado, e, por outro, que para além do défice primário do estado existe ainda um pesadíssimo passivo para pagar. Assim, quem estiver no governo terá, em primeiro lugar, que satisfazer as expectativas dos nossos credores e financiadores, se quiser que as máquinas de multibanco continuem a dar notas.

Se preferir a solução grega, em meia dúzia de semanas chegará lá, sem ter de fazer muito esforço. Ora, é isto mesmo que o Bloco e o Partido Comunista jamais aceitarão e que transformará esta espúria coligação num casamento fúnebre.

Em poucas palavras, o dilema de um futuro governo do PS pode colocar-se assim: dará o governo preferência às expectativas dos financiadores de Portugal ou às exigências do Partido Comunista e do Bloco? Costa e César que decidam: a responsabilidade do que vier a acontecer será inteiramente deles. 
Título e Texto: Rui A., Blasfémias, 29-10-2015

Não seja orgulhoso

Nelson Teixeira
Não seja orgulhoso diante daquele que não tem o que oferecer.

Não utilize a vaidade para demonstrar a sua capacidade, desmerecendo aquele que ainda está buscando por ela.

Não faça da humildade um troféu de que ainda não é digno.

Pois a humildade é conquistada através da bondade no coração e nada é mais fabuloso do que sentir-se igual na mesma condição que o irmão sofredor das mazelas da vida.

Jamais queira vangloriar-se pelos bens materiais adquiridos pensando que conquistou tudo, perceba que tudo conquistado na matéria fica na matéria, o que se leva para a regeneração espiritual é tudo o que é conquistado com boas ações, sentimentos e o bem que se faz.

Tudo na matéria é perecível, uma hora ou outra acaba se perdendo, mas as conquistas morais são eternas.

Lembre-se, ajudar os que precisam é tarefa árdua daqueles que precisam se melhorar, se há necessidades em todo canto é porque há muito a ser melhorado.

Mãos à obra, avante na conquista moral! 
Título e Texto: Nelson Teixeira, Gotas de Paz, 29-10-2015

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

Kombi da Varig

Alberto José
Houve uma época em que a Lavanderia da Varig, ao lado da antiga Comissaria, que ainda não era chamada de "catering" aceitava os uniformes dos funcionários para serem lavados. O serviço era rápido (48 horas) e era 0800! 

Naquela época (década de 60), os tripulantes e o pessoal que trabalhava nos aeroportos era transportado pelos "Pilotos da Madrugada". Eles eram os motoristas das Kombis, do ônibus Mercedes-Benz (mod.1965) e do micro-ônibus Mercedes-Benz (mod. 1956/7) que, em cada esquina, a alavanca das mudanças saía da mão do motorista.

Esses abnegados colegas, que acordavam às 2h00 para começar a apanhar o pessoal, geralmente em suas casas, a partir das 3h00, pouco foram lembrados.

Quando eu embarcava no Hotel Plaza Copacabana, eu olhava com deferência para o colega "Piloto da Madrugada".

Enquanto eu iria para Buenos Aires, México, etc, ele que acordara por volta das duas da manhã iria levar o ônibus para a garagem antes de poder descansar em sua casa!

Eu lembro o nome de um deles: "seu" Gregório, cujo filho se tornou Comissário.

Como lembrança desses prestativos colegas, mando para todos a foto da Kombi esperando pelo tripulante!


Título, Imagem e Texto: Alberto José, 28-10-2015

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Huge Victory! European Parliament Votes to End Subsidies for Bullfighting

This morning in the European Parliament, 438 out of 687 MEPs voted in favour of an amendment that would stop over €100 million in EU agricultural subsidies from being used to raise bulls for bullfights.

This is a wonderful step forward and could be the final nail in the coffin for Spain’s already struggling bullfighting industry. As bullrings increasingly stand empty and fewer and fewer Spaniards show any interest in attending the violent events, government handouts are the only thing keeping this cruel “tradition” alive.

Tens of thousands of people all over Europe have contacted their MEPs in the past few weeks to ask them to vote for the amendment, which was tabled by Dutch MEP Bas Eickhout. Thank you so much to everyone who took action. Your messages clearly had an impact.

PETA France was also outside the Parliament this morning, giving MEPs some last-minute encouragement to do the right thing before the vote:

Bill

Sanjo Bill da Galiza, 24 de outubro de 2015, foto: JP

Comparativo de Benefícios pagos pelo INSS em 1997 e em 2015

Prezados Parlamentares:
Através da planilha abaixo constata-se, sem necessidade de maiores comentários, o perverso descarte aplicado aos aposentados do RGPS-Setor Urbano, que têm suas aposentadorias acima do SM. Assim, os segurados da iniciativa privada tornaram-se a categoria mais prejudicada, humilhada e desprezada da sociedade.

Seria portanto a "bola da vez" para receber do Congresso Nacional, afinal, alguma medida favorável e conciliatória, estancando esta política preconceituosa, que está destruindo tudo que os segurados construíram na vida ativa!

Caminham, fatidicamente, para receberem somente um SM.

Causa-nos uma indignação profunda quando assistimos políticos se pronunciarem, empedernidos, sem dar a mínima importância para estes segurados, se posicionando sempre contrários a qualquer aprovação favorável ao previdenciário.
Os aposentados até então prejudicados que se danem...
Atenciosamente, 
Almir Papalardo, 27-10-2015

Crise de quatro lados mostra que poço ainda não tem fundo

Cesar Maia

1. A cada dia a crise brasileira se aprofunda e se torna mais complexa. Uma crise de quatro lados - Política, Econômica, Social e Moral. A crise política se traduz hoje em impasse no Congresso, com a denúncia em relação ao presidente da Câmara. E deve se agravar muito mais com a introdução de novos nomes de parlamentares em função de delações premiadas adicionais, cruzadas e apoiadas no alcance externo das investigações.
            
2. Se não bastasse, a investigação sobre o filho de Lula, com busca e apreensão em suas empresas, azedou definitivamente as relações Lula-Dilma que, supostamente, tem dado sustentação ao ministro da Justiça, teoricamente responsável pelas ações da Polícia Federal.
             
3. A crise econômica, além da queda do PIB em 2015 de 2% ou mais, já projeta queda do PIB em 2016 em algo como 1,5%. O crescimento da dívida pública, acelerado pelo aumento do dólar, antecipa a relação Dívida/PIB para o nível de 70%, marcando uma tendência ascendente. A indústria enfrenta a crise mais grave desde sempre. O ajuste fiscal, hoje, na prática e dentro de 2016, se resume a manter os vetos presidenciais em matérias que aumentam despesas e ao repatriamento de recursos.
            
4. A crise social avança através do desemprego crescente. Dos 5% de 2015, já passa dos 8%, e a curva do desemprego aponta para 10% ou mais no início de 2016. O IBGE, semana passada, divulgou o corte do desemprego entre os jovens entre 18 e 24 anos. Dos 12% com que abriu 2015, hoje se encontra em mais de 18%. E há uma precarização adicional do mercado de trabalho com a queda dos empregos com carteira assina e ampliação da informalidade.
            
5. A questão moral vem sendo aprofundada através da operação Lava-Jato, com novas delações premiadas. A operação Zelotes abriu um novo leque de delações e denúncias. Quem tinha dúvidas que não havia limitação nas investigações do judiciário, do ministério público e da polícia federal, agora não tem mais. Vale para todos os andares do edifício social.

A família Varig

Valdemar Habitzreuter
É gratificante ter notícias de pessoas com as quais trabalhamos e passamos juntos durante anos de nossas vidas, constituindo uma grande família - uma família de mais de dez mil membros. Gostaria, pois, de registrar este fato extraordinário que está acontecendo entre nós: nossos contatos e encontros nas redes sociais. De repente sentimo-nos reunidos novamente como nos velhos tempos. O sentimento variguiano que perpassava nossos corações outrora reflui novamente com muita força, na ânsia de preservar aquilo que caracterizou a grande família Varig: a felicidade de juntos termos erigido um símbolo nacional, venerado mundo afora, e de termos acalentado o sonho de tanta gente de voar em asas seguras.



Naquela época áurea, quando a Varig fazia bonito - os aviões rasgando os ares por todos os continentes -, nós aeronautas e aeroviários ficávamos orgulhosos pela simpatia e confiança com que éramos recebidos por onde quer que pousássemos e andássemos. Tínhamos a sensação de que algo especial acontecia às pessoas quando o símbolo VARIG – a estrela brasileira – lhes vinha à mente e lhes acenava para uma viagem. Para nós, uma grande honra de ter contribuído na mitologizacão de um símbolo que ficará para sempre no inconsciente coletivo brasileiro. O mito Varig encravou-se na memória nacional pelo pioneirismo de excelência de serviço da aviação comercial brasileira e pelo idealismo e presteza da família Varig. Quem não se emocionava ao ouvir em época natalina o jingle:

Estrela brasileira no céu azul
Iluminando de Norte a Sul
Mensagem de amor e paz
Nasceu Jesus, chegou o Natal
Papai Noel voando a jato pelo céu
Trazendo um Natal de felicidade
E um Ano Novo cheio de prosperidade
Varig, Varig, Varig
?


É todo um imaginário que nos acompanha e nos deixa saudosos pelo que representou a Varig a todos nós. E é isso, também, que nos faz contatar uns aos outros para rememorar uma história que construímos com idealismo e fervor.

Kim Kataguiri, do MBL, é um dos 30 jovens mais influentes do mundo, segundo a Time

O tempo passou na janela, e as Carolinas de esquerda da imprensa brasileira estavam cantando as glórias de Chico Buarque, o velhote burguês e cubanófilo

Reinaldo Azevedo

Foto: Evaristo Sá/AFP/Getty Images
Ora vejam! Kim Kataguiri foi considerado pela revista “Time” um dos 30 jovens mais influentes do mundo. Sim, trata-se, como já ouvi por aí, daquele “japonesinho que fala mal do governo”.

Kim, um dos coordenadores do Movimento Brasil Livre, já amadureceu um tanto desde que começou, em 2013, a colocar seus vídeos no YouTube em defesa do liberalismo, da economia de mercado e contra a esquerda chulé que dá as cartas na academia, na imprensa e na política brasileira. Mas é ainda muito jovem. Tem apenas 19 anos.

Amplos setores da imprensa brasileira veem o MBL e outros movimentos pró-impeachment, boa parte deles de inspiração liberal, com certa suspeição. Nem é ideologia propriamente. Trata-se de ignorância mesmo!

Não é o caso aqui de contrastar a eventual sabedoria da Time com a tacanhice esquerdopata da imprensa nativa. O ponto é outro. Um olhar estrangeiro é capaz de compreender que se pode querer também o bem do país e que se pode fazer política sem ser de esquerda — e Kim, obviamente, não é. Identifica-se com os valores da economia de mercado, como destaca a revista.

The young libertarian, who first gained a following from his satirical YouTube videos, is leading the charge against Brazil’s President Dilma Rousseff and her Worker’s Party, which have been embroiled in a massive corruption scandal. After co-founding the Free Brazil Movement in 2014, Kataguiri, who cites Ronald Reagan and Margaret Thatcher as inspirations, went on to lead a 200,000-strong demonstration in Sao Paolo earlier this year—the biggest protest Sao Paolo has seen in three decades. —Tara John

Traduzo um trecho de seu perfil ampliado, publicado na Time:

A liberdade de prosperar está ameaçada

Filipe Simões de Almeida 
O mal é um Estado repressivo, que atenta contra o direito de propriedade dos cidadãos e que se manifestará com os partidos extremistas no poder. São lobos em pele de cordeiro.


Em Junho deste ano escrevi um artigo no Observador, indicando como o Estado deveria ter as contas equilibradas. Sabia nessa altura que corria o risco de ter que fazer um complemento indesejável…

Naquele artigo, identifiquei três formas do Estado obter receitas:

1. Impostos sobre cidadãos, empresas e outras entidades. É a forma adequada do Estado obter receitas, mas tem limites. Quando esses limites são ultrapassados, aumenta a economia paralela e o Estado não consegue arrecadar a receita que pretende.

2. Taxas de serviço público, obtidas por monopólios criados pelo Estado. Esta forma comporta riscos de ineficácia, ineficiência, desperdício e corrupção. Em teoria pode funcionar, mas na prática é frequente o Estado perder dinheiro, porque as despesas em que incorre para prestar o serviço são superiores às taxas que cobra. Vemos vários exemplos no sector dos transportes públicos.

3. Dívida pública, que permite obter dinheiro imediato em troca do pagamento futuro de juros. Esta forma comporta riscos quando os credores perdem confiança na capacidade de recuperação dos juros e do capital emprestado, exigindo taxas de juro muito elevadas ou deixando de emprestar. Portugal passou por isso em 2011 e, na iminência da bancarrota, pediu uma assistência externa que fez aumentar a dívida pública em mais de 40% do PIB.

Estando integrado na União Europeia, Portugal tem que cumprir os tratados europeus. Numa das suas determinações, a dívida pública deve estar abaixo de 60% do PIB (actualmente está em cerca de 130%). Só é possível cumprir esse objectivo com superavits do Estado durante muitos anos, o que obriga a uma grande contenção nas suas despesas.

Sibá: entre a palhaçada e a tirania

Luciano Henrique
Muitos riram de Sibá Machado [foto] quando ele acusou os movimentos populares pró-impeachment de serem “financiados pela CIA”. Ridicularizado tanto nas redes sociais como no Congresso, talvez ele tenha sido encarado por muitos apenas como fonte de gargalhadas, e não de autoritarismo.



O fato é que não podemos ignorar que dentro de Sibá Machado, líder do PT na Câmara, existe uma alma que cospe na liberdade, na democracia e em nossas principais conquistas civilizacionais. Confrontado com uma manifestação pacífica organizada nas galerias da Câmara, Sibá rosnou como se fosse um dos cães de guarda do ditador psicopata Nicolás Maduro, provavelmente encenando atuações programadas para se transformarem em regra se o PT levar seu “projeto” adiante.

Vejam abaixo o vídeo que deveria ser o suficiente para o caso ser levado ao Conselho de Ética da Câmara:


Título e Texto: Luciano Henrique, Ceticismo Político, 28-10-2015

Corrupto e corruptor

Ilustração: Dino Alves

Francisco Batista Torres de Melo
Nos dias atuais só se fala nestas palavras. Isto me faz voltar no tempo em que eu era comandante da Polícia Militar de São Paulo.

Tinha havido um tiroteio numa das marginais de São Paulo. Quando cheguei ao local encontramos mortos, policiais e bandidos. Vi meu secretário afastado da cena dantesca e para lá me dirigi. Eu estava emocionado e com lágrimas nos olhos e ele também. Falou: “Torres, veja que só nós choramos. Os nossos companheiros estão indiferentes à morte. Estão habituados e já faz parte da rotina. Quando não choramos mais é sinal que devemos ir embora.”

No outro dia fui enterrar os meus subordinados. Ao abraçar uma das viúvas ela me disse: “agora o senhor veio trazer flores? Para quê? Por que não nos mandou antes?”
Recebi a revolta com todo respeito. Ela estava com a razão. Vivemos numa sociedade de loucos e egoístas.

Depois do enterro fui para uma reunião, não me recordo se de Lions ou Rotary, para proferir uma palestra valorizando o Policial. Mais de trezentas pessoas. Fiz um esforço gigantesco para conquistar o auditório. Minha alma chorava com a morte dos três militares.

Terminada a exposição fiquei aguardando as perguntas. Fui surpreendido com a primeira. Um senhor levanta-se e afirma: “coronel, sua polícia é corrupta. Por qualquer 50 cruzeiros, [não sei se era esta a moeda da época], eu compro o seu policial e ele não me multa.”

Respirei fundo. Fui ao outro mundo e voltei. Tinha que responder a altura da pergunta. Fui lá:
“O senhor tem toda razão. Talvez o meu policial precise dos 50 cruzeiros, até para alimentar sua família. Agora, é preciso que se saiba que o senhor é um corruptor. Como corruptor, não tem caráter e é um grande canalha”. Tocou um horror e o almoço terminou.

O Sínodo malogrado: todos derrotados, a começar pela moral católica

Roberto de Mattei



No dia seguinte ao XIV Sínodo sobre a família, todos parecem ter vencido: o Papa Francisco, porque conseguiu arquitetar um texto de compromisso entre as posições opostas; os progressistas, porque o texto aprovado admite os divorciados recasados à Eucaristia; os conservadores, porque o documento não contém uma referência explícita à comunhão para os divorciados e rejeita o “casamento homossexual” e a teoria de gênero.

A fim de se compreender melhor como as coisas realmente se passaram, cumpre começar pela noite de 22 de outubro, quando foi entregue aos Padres sinodais o relatório final elaborado por uma comissão ad hoc com base nas emendas (modi) ao Instrumentum laboris propostas pelos grupos de trabalho divididos por idiomas (circuli minores).

Para grande surpresa dos Padres sinodais, o texto entregue a eles nessa quinta-feira estava apenas em língua italiana, com proibição absoluta de comunicá-lo não somente à imprensa, mas também aos 51 auditores e aos outros participantes da assembleia. O texto não levava em nenhuma conta as 1355 emendas sugeridas ao longo das três semanas anteriores e substancialmente propunha de volta a validação do Instrumentum laboris, inclusive dos parágrafos que tinham suscitado as críticas mais fortes na aula sinodal: aquele sobre a homossexualidade e o dos divorciados recasados.

A discussão foi marcada para a manhã seguinte, com a possibilidade de preparar novas emendas apenas à noite, em um texto apresentado numa língua dominada apenas por uma parte dos Padres sinodais. Mas, na manhã de 23 de outubro o Papa Francisco, que sempre acompanhou de perto os trabalhos, viu-se confrontado a uma inesperada rejeição do documento elaborado pela comissão. 

Nada menos que 51 Padres sinodais intervieram no debate, a maioria deles contra o texto aprovado pelo Santo Padre. Entre estes estavam os cardeais Marc Ouellet, prefeito da Congregação para os Bispos; Angelo Bagnasco, presidente da Conferência Episcopal Italiana; Jorge Urosa, arcebispo de Caracas; e Carlo Caffara, arcebispo de Bolonha; os arcebispos Joseph Edward Kurtz, presidente da Conferência Episcopal norte-americana; Stanislaw Gadecki, presidente da Conferência Episcopal polonesa; Ignace Stankevics, arcebispo de Riga; Tadeusz Kondrusiewicz, arcebispo de Minsk-Mohilev; e Henryk Hoser, arcebispo-bispo de Varsóvia-Praga; os bispos Ignace Bessi Dogbo, de Katiola (Costa do Marfim), HLib Borys Sviatoslav Lonchyna, bispo da eparquia ucraniana da Sagrada Família de Londres, e muitos outros, todos expressando, em diferentes tons, o seu desacordo com o texto.

Contas externas até agosto: boas notícias, mas... até quando?

Tavares Moreira
1. Com o burburinho que aí vai no cenário político, vivendo o País um dos mais gloriosos momentos da sua história quase milenária, quase esquecíamos a habitual informação sobre o desempenho das contas externas, disponível desde o dia 20 do corrente para o período até Agosto.

2.  Essa informação dá-nos boas notícias: o superavit conjunto das Balanças Corrente e de Capital sobe para € 2.328,4 milhões, face a € 1.934,7 milhões verificado no mesmo período de  2014 (+20,3%).

3.  Melhor ainda, esta evolução fica a dever-se sobretudo ao desempenho da Balança Corrente, cujo saldo positivo 2saltou” de € 190,2 milhões em 2014 para € 842 milhões em 2015, ou seja +343%.

4.  E, na Balança Corrente, todas as rubricas registam evolução positiva:
- O défice dos Bens diminuiu de € 5.770,3 milhões para € 5.603,6 milhões (aqui a queda dos preços do petróleo tem grande influência como já aqui assinalamos);
- O superavit dos Serviços aumentou de € 7.657,1 milhões para € 7.883 milhões (+3%), com destaque para a rubrica do Turismo, cujo excedente passou de € 4.651 milhões para € 5.190 milhões (+11,6%);
- O défice dos Rendimentos caiu de € 1.696,6 milhões para € 1.437,4 milhões (-15,3%).

     5. Apenas a Balança de Capital exibe um superavit inferior ao de 2014: € 1.486,4 milhões    contra € 1.744,5 milhões, certamente como resultado de um menor ritmo de chegada de fundos estruturais.

     6. Boas notícias, em suma, mas...resta saber por quanto tempo mais continuaremos neste registo, até porque se trata de uma insuportável e abominável conquista neoliberal, que provavelmente e para glória do País deverá ter os dias contados... 
Título e Texto: Tavares Moreira, 4R – Quarta República, 27-10-2015

Nota do Instituto Lula


Como as estrelas

Nelson Teixeira
Como as estrelas em uma noite de luar a brilhar;

Somos todos ponto de luz no Universo;

Unindo pensamentos e sentimentos criando energias;

Tudo que é conquistado através do amor não gera dor, por isso a importância de sempre estar acesa a chama da bondade em cada coração;

Só assim será possível atenuar a escuridão da dor quando vier nos sondar;

Como estrelas é necessário sempre estar vibrante para que o brilho interno não se apague;

Sejamos fortes diante das nuvens tentando encobrir a capacidade de superar, e assim se pode, como as estrelas, continuar a brilhar;

Foco, força, coragem, humildade, determinação e amor serão as fórmulas para que assim como as estrelas o brilho interior de cada um de nós nunca se apague. 
Título e Texto: Nelson Teixeira, Gotas de Paz, 28-10-2015

Charada (121)


 Se numa jaula com 4 cantos
estão 2 tigres em cada canto, 
Quantos tigres vê cada tigre?

terça-feira, 27 de outubro de 2015

Crônica... do que é crônico: Cargos, funções, privilégios e representatividade


Jonathas Filho
Há algum tempo escrevi sobre privilégios que uns têm e que outros jamais terão. Existem regalias e facilidades só concedidas a alguns e que, na maioria das vezes, isso acontece quando a investidura vem acompanhada com algum poder, mesmo que pouco.

Fiquei imaginando se esse tal poder seria dividido de uma forma democrática, mas reparei que as regalias e os privilégios atingem só alguns.

Claramente, em qualquer festa de posse, “o bolo e o champagne não serão divididos entre todos, pois como nas antigas capitanias... isso tem seus donatários”, chique, não?

Nesta minha vida, lembro-me de algumas situações consideradas como “funções privilegiadas” que conto a seguir:

(1) Quando eu era criança, apesar de não jogar futebol, gostava de apreciar os colegas em meio à prática do viril esporte bretão. Um deles era o “dono da bola”, pois só ele tinha uma novinha... de couro e oficial. “Em terra de bola de meia quem tem uma de couro é Rei”.

Exclusividade digna da realeza; naquele seu pequeno mundo, ele era o orgulhoso dono da brincadeira e que, com certa dose de arrogância, tinha a regalia de escolher quem ia jogar no time dele. Escolhia os seus “fiéis” escudeiros dentre os melhores e mais fortes jogadores daquela petizada.                                                                                                  

A performance do time do “dono da bola” não era lá de se comentar com sensacionais elogios qualificativos, entretanto, por causa e efeito, ganhavam daqueles cujo desempenho era pífio.
Vaidoso, o “dono da bola”, se sentia simplesmente... o máximo.

(2)  Na escola onde estudei o primário, a minha turma tinha um monitor designado pela Professora. Dentro da rigidez do ensino de então, aquele menino se gabava de ser o “melhor” entre nós, que éramos seus iguais em idade, conhecimento e experiência, no entanto, por ter sido “escolhido”, encastelava-se na “função” ensaiando alguns tipos de pitos e reprimendas, dizendo-se o substituto da zelosa mestra.

Parecia ter um grande prazer e até dizia ser o “chefe” da turma. Seria isso um privilégio?                                                                                                                                                                                        
Hoje, esse tipo de “controle” é considerado antipedagógico e até perigoso, pois o indivíduo é uma criança ainda em formação, e com certas atitudes pode vir a fragilizar a construção de valores democráticos que deve ser um dos objetivos da escola moderna.

(3) Quando comecei a minha vida na aviação, presenciei algumas situações que não pertencia nem a cargos ou funções, mas que existiam.

Havia uma certa criatura jovem e bela que, por “namorar” um Master Captain, agia como uma senhora feudal da Idade Média, portando-se com prepotência, além de trabalhar o mínimo recomendado pela preguiça dela. Lógico que isso não era um privilégio da “função (?) de namorada”, todavia sobrecarregava demasiadamente o trabalho dos seus colegas de voo. Era também chamada de Fada.

Para alguns Chefes de Equipe, quando lhe cobravam tais impertinências, ela se “vestia” de Primeira-dama e até constrangia alguns, ao fazer-lhes ameaças de queixar-se ao poderoso “namorado” que simpaticamente sempre afirmava que ela não o representava.

Ela tinha pose de poderosa e parecia gostar. Num belo dia, num belo voo, num belo Caravelle da Cruzeiro do Sul, a bordo tudo azul, essa criatura tão bela, destratou outra não menos bela, porém, extremamente dedicada à sua lida profissional e, sendo a Chefe de Equipe do voo, quando retornou ao Rio de Janeiro dirigiu-se à Chefia e relatou por escrito o ocorrido.