quarta-feira, 19 de julho de 2017

Esquerda ou Direita, falso problema

Ingrid Riocreux

“O peso das palavras, o choque das fotos”: a célebre divisa de Paris Match deixa na sombra a fase crucial de produção de informações: a escolha das palavras. Veremos que para o Jornalista, trata-se essencialmente de retomar as palavras dos seus colegas, agindo assim ele não se renega (é o que nós chamamos de o entre si ideológico). Isso torna mais do que necessário questionar a utilização desta palavra ou esta palavra, quer dizer pré-escolhida.

Uma pesquisa publicada pela revista Marianne em 2002 apontou que 80% dos jornalistas votam à esquerda. (Ora, grande novidade!). Este número causou - e ainda causa muito falatório. Mas, per se, ele não tem nenhum interesse; tampouco a orientação política dos professores ou dos açougueiros. Todavia, se a opinião política do professor não influencia, teoricamente, os conhecimentos que ele transmite, e menos ainda a opinião do açougueiro sobre o gosto da carne que vende, o Jornalista que não está atento à maneira como o seu ponto de vista pode contaminar o seu vocabulário, oferece uma informação poluída, talvez até sem se aperceber. Efetivamente, é perturbador constatar a ingenuidade dele imaginando passar despercebido atrás do seu discurso.

Seu desconforto é percebido quando alguém o interrompe assinalando que tal palavra colocada na sua questão ou no lançamento de uma reportagem mostra a sua posição pessoal: “Ah?! Eu disse um ‘avanço’? Ah, euh, sim... Eu queria dizer um ‘avanço’ para os que defendem esta causa, claro”, balbucia Léa Salamé na iTélé.

Também na iTélé, na noite de 23 de setembro, anunciando os títulos da atualidade, Laurence Ferrari menciona “um grande passo em frente para as crianças nascidas de um casal de mulheres” e encadeia com “o alívio para os defensores da IVG1 na Espanha”: a cada vez que fala ela adota automaticamente o ponto de vista de um dos partidos presentes, mas ela acharia um absurdo, bizarro, proceder diferentemente.

A sua posição em favor do que chamam homoparentalidade a leva até a formular um absurdo biológico, com as “crianças nascidas de um casal de mulheres”. Mesmo os militantes LGBTQI mais aguerridos não imaginariam essa expressão! Temos aqui um exemplo típico da burrice do Jornalista quando ele quer sair muito bem!
Título e Texto: Ingrid Riocreux, in “La langue des médias – Destruction du langage et fabrication du consentement”, páginas 60 e 61.
Tradução:
JP

1 Interrupção Voluntária da Gravidez

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