terça-feira, 15 de janeiro de 2019

“A ilustre Casa de Ramires” está à venda

Foto: Remax

Casa da Torre da Lagariça, localizada na freguesia de São Cipriano, em Resende, no distrito de Viseu, serviu de inspiração a Eça de Queiroz para escrever a obra ‘A Ilustre Casa de Ramires’.

Agora, 119 anos depois da sua publicação, a torre, a casa e o pomar estão à venda por 990 mil euros numa conhecida imobiliária em Portugal.

De referir que a Torre da Lagariça foi construída na primeira metade do século XII para servir de ponto de vigia e prisão, tendo um papel importante de defesa do Douro durante a reconquista cristã.

Só depois é que foi construído o casario para habitação de fidalgos em torno da torre, essa “antiquíssima Torre, quadrada e negra sobre os limoeiros do pomar que em redor crescera, com uma pouca de hera no cunhal rachado, as fundas frestas gradeadas de ferro, as ameias e a miradoura bem cortadas no azul de Junho”, conforme a descreve o próprio Eça de Queiroz no livro ‘A Ilustre Casa de Ramires’.


Quanto à propriedade, a mesma tem um total de 700 metros quadrados de área útil, com o lote a ocupar 59.999 metros quadrados. Em termos de assoalhadas são 20, das quais 10 são quartos, estando o imóvel classificado como sendo de Interesse Público desde 1977.

A propriedade de quase seis hectares onde está situada ‘A Ilustre Casa de Ramires’ - eternizada em romance por Eça de Queiroz - está nas mãos da mesma família há quatro séculos e desabitada há 10 anos.

O espaço, em São Cipriano, Resende, distrito de Viseu, está à venda, desde a semana passada, na página da Remax, na internet, por 990 mil euros. "Está parcialmente em ruína e a família não tem capacidade para a recuperar.

Algumas apostas na tentativa de financiar a reparação falharam e chegou a altura de lhe dar a nova vida que merece", contou ao CM Miguel Cochofel, um dos proprietários.

 A "quinta T10", como é descrita pela imobiliária, integra ainda a Torre da Lagariça, que data do século XII. "É da fundação do Condado Portucalense e servia para defender as terras", conta Miguel - um dos cinco irmãos que, com a mãe, de 82 anos, tentam a "passagem dolorosa" do património, que é de interesse público desde 1977.

A propriedade sempre foi privada. Em tempos, a Câmara de Resende tentou negociar a passagem para o domínio público, por 1,25 milhões de euros, o que nunca foi concretizado. "Para isso acontecer, era necessário o município ter condições financeiras e que a família mostrasse disponibilidade, o que nunca foi mostrado", disse ao CM Garcez Trindade, atual presidente da autarquia.
Foto: Remax
Também Aires Ferreira, presidente da Junta de S. Cipriano, considera que a casa "devia ser de domínio público". Os donos da ‘Ilustre Casa de Ramires’ esperam que os futuros proprietários mantenham a memória do espaço. "Pode ser um hotel de charme fabuloso nesta tranquilidade e energia positiva; pode ser para uma família que queira criar os seus filhos num ambiente fabuloso com possibilidade de conhecimento de coisas que não há na cidade; ou até uma instituição cultural, como uma fundação, que possa mostrar ao País e ao Mundo a história que o edifício carrega", diz Miguel Cochofel.

PORMENORES
Jardim e ribeiro virgem A propriedade inclui um jardim labiríntico, com uma ferradura a meio "para dar sorte aos futuros donos", diz Miguel Cochofel, uma mata com uma réplica da torre que serviu de pombal, campos de cultivo e árvores de fruto, terminando junto ao Cabrum, um "ribeiro virgem".
Texto: Manuel Jorge Bento, Correio da Manhã, 14-1-2019

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