sábado, 26 de janeiro de 2019

[Aparecido rasga o verbo] Brumadinho revive a desgraça de Mariana. O velho filme volta em cartaz

Aparecido Raimundo de Souza


OS SENHORES SE LEMBRAM da tragédia de Mariana, em Minas Gerais, acontecida em cinco de novembro de 2015?  Pois é, amados! Este rompimento da barragem de Fundão, da mineradora Samarco, deixou dezenove  mortos (foram mais), porém, os paninhos quentes, o famoso jeitinho brasileiro, a boa grana  que entrou em jogo, e o angu baiano servido aos trouxas, atrelados evidentemente a um bando de  advogados  especialistas em dar nó em pingos d’água, versus promotores  vagabundos e juízes corruptos, enfim, tudo contribuiu para que o “causo” ficasse esquecido.



De fato, desde então, o que sabemos, ou o que nos fizeram engolir: dezenove mortos, uma enxurrada de lama que tirou do mapa todas as casas (todas, sem exceção) da pacata e bucólica cidadezinha de Bento Rodrigues. Os rejeitos vieram com tanta fúria e crueldade, que atingiram os afluentes e não só eles, boa parte também do Rio Doce. Sem contar que mandaram para a casa do caralho várias outras comunidades e deixaram milhares de moradores sem água, trabalho, futuro, e pior, sem casa.



Os sobreviventes que perderam suas humildes residências, e outros tantos que enterraram seus entes queridos, lutam na justiça (desculpem, senhoras e senhores, lutam na “justissssssssa” da boca e da bunda larga), por uma indenização que até ontem sequer chegou a ser “apreciada e julgada” por esses merdinhas salafrários que se dizem senhores doutores da lei. Na verdade, um bando de safados.



Neste interregno de tempo, repetindo, três anos, a mineradora Samarco saiu de cena, à francesa, numa boa, fechou as portas e a galera atingida tomou, ou melhor, ainda toma, até agora, no olho do cu. E acreditem, continuarão a tomar indefinidamente. Em meio a esta balbúrdia, duzentos almofadinhas foram processados sob as penas e os rigores da lei (vamos rir? “sob as penas e os rigores da lei”, kikikikikiki|), entretanto, ninguém foi preso e condenado. Ninguém da mineradora Samarco sentiu, na pele, as tais penas e os rigores de uma cela imunda. Dito de outro modo. Acabou tudo em pizzas e refrigerantes, como aliás, tudo, neste país de larápios e aproveitadores das desgraças alheias.



Entretanto, o que não acabou em pizzas e refrigerantes, está lá para quem quiser ver. A serena e pacífica Bento Rodrigues. Aliás, é bom que se diga, Bento Rodrigues saiu definitivamente do mapa e deu lugar ao desespero, a desolação, a angústia, a desesperança, a prostração, e, sobretudo, à covardia, ao desleixo e à inércia de um bando de filhos da puta que lutam de unhas e dentes com bons causídicos chupando seus colhões, para se livrarem de uma sentença condenatória eficaz. Sentença condenatória eficaz??!! Kikikikikikikikikikikikikikiki...



Três anos depois, o mesmo filme volta em cartaz. Os mesmos autores, os mesmos atores. Os mesmos diretores. O que mudou na película? A cidade. Brumadinho. Brumadinho virou uma segunda Mariana, uma cópia perfeita de Bento Rodrigues. Até agora, 1h20 deste começo de sábado, mais de duzentas pessoas desaparecidas, 182 resgatadas pelos bombeiros e pela Defesa Civil. De contrapeso, um calhamaço de criaturas sem casas, sem futuro, sem saber como será o daqui a pouco, o amanhã (madrugada) que ainda não chegou. Talvez nem chegue. O que vemos aqui?





Uma legião, senhoras e senhores, de desgraçados à espera de notícias, de parentes desaparecidos. Uma aglomeração de humildes, de mulheres e homens de rostos sujos, as roupas rasgadas, descalços, aos prantos, atrás de suas crianças que simplesmente (do nada) sumiram no meio do tudo.  Falam em nove mortes (vamos rir??!! Kikikikikikikikikikiki).  Córrego do Feijão virou uma grande feijoada, um panelaço onde se misturam seres humanos, desolação, dor, angústia e... só Deus sabe a resposta. Enquanto isto, a Vale, dona e causadora da desgraça, está preocupadíssima com as ações da empresa na Bolsa de Valores dos Estados Unidos. Os papéis da VALE, de repente pararam de valer. Recuaram mais de 10% (dez por cento). As perguntas que deixamos no ar. E o povo, as pessoas, os infelizes de Brumadinho? Essa ralé, essas bostas, que se fodam. 
De Brumadinho, nas Minas Gerais, jornalista Aparecido Raimundo de Souza. Horário local: 01h20.
Fotos: Moisés Silva/G1 e Reprodução Internet             

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9 comentários:

  1. A companhia VALE é controlada pela holding Valepar, composta por Bradesco, a japonesa Mitsui, o BNDES e a Litel, que reúne fundos de pensão como Petros (Petrobras) e Previ (Banco do Brasil). Por meio de fundos de pensão e BNDES, o governo tem 60,5% da Valepar.

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  2. ABADIÂNIA também viveu uma desgraça desumana...

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  3. Muito interessante esta informação, meu caro Vanderlei Rocha. Vou passar para algumas pessoas que tem problemas com a VALE. De repente esta informação pode ser importante.
    Agradeço pelo esclarecimento.
    Abraços
    Aparecido Raimundo de Souza
    Lagoa Rodrigo de Freitas Rio de Janeiro

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    1. FHC vendeu a VALE para o governo por isso o valor foi pífio.
      Foi uma pseudo venda que os petralhas chamaram de privataria de FHC.
      O que houve foi uma maneira de ter controle governamental da VALE através da VALEPAR participações.
      Analise quem indicou os presidentes da VALE desde 2000.
      fui...

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  4. Parece-me que a holding Valepar, não mais existe, sendo que o controle passou a ser diretamente dos acionistas majoritários , e conta com a discutivel participação dos fundos de pensão.,
    Com a extinção da Valepar, os fundos de pensão foram alijados do poder decisório, tornando a vale uma “companhia sem dono”.
    A reorgarnizaçaõ feita em 2017 afastou do conselho diretor acionistas minoritários, e incômodos .
    O acordo de acionistas patrocinado pela Bradespar e BNDESpar, afastou a possibilidade de fundos de pensões assumirem o controle da vale.
    Hoje a maioria do capital encontra-se em mãos de fundos estrangeiros, um minímo sob o controle do BNDES e fundos de pensão.
    Quanto aos acionistas que detém a prerrogativa de voto majoritário nas assembléias são os detentores das ações que sào os citados pelo Vanderlei , e votam geralmente via video conferência.
    Mas ao tornar-se uma sociedade sem controle definido ,com incentivos fiscais e menor responsabilidade individual , diminue a responsabilidade social dos investidores , pois “não são donos”.
    Sendo esta, diluída no grupo de acionistas quando da conversão de ações preferenciais em ordinárias.
    O BNDES é garantidor gerencial do investimento estrangeiro ,por força de acordo negociado na bolsa de NYC.










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    1. Reforma Trabalhista limita indenização a vítimas da tragédia a 50 salários ... -
      Veja mais em http://blogdosakamoto.blogosfera.uol.com.br/2019/01/27/reforma-trabalhista-limita-indenizacao-a-vitima-de-brumadinho-a-50-salarios/?cmpid=copiaecola

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    2. Principais Acionistas de Vale S/A
      Em
      Nome Nº Ações Ordinárias Nº Ações Prefis % Total Controlador
      Mitsui & Co., Ltd 5,42 % 0,00 % 5,42 %
      Litel Participações S.A. 19,14 % 0,00 % 19,14 %
      BNDES Participações S.A. 7,60 % 0,00 % 7,60 %
      Bradespar S.A. 6,30 % 0,00 % 6,30 %
      Governo Federal 0,00 % 0,00 % 0,00 %
      BlackRock, Inc. 5,98 % 0,00 % 5,98 %
      Litela Participações S.A. 1,84 % 0,00 % 1,84 %
      Outros 52,08 % 0,00 % 52,08 %
      Ações Tesouraria 1,65 % 0,00 % 1,65 %

      As ações pertencentes aos fundos de pensão estão listadas no grupo em nome da empresa Litel participações

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  5. Infelizmente nem a previsã constitucional bastou para a competente indenização das vítimas da Samarco ,até hoje!
    A morosidade da justiça e a "indústria de recursos" ,sustentam um Processo em que ganham apenas os que dela vivem.
    As vítimas que hoje recebem são uma minoria,assim mesmo uma renda mensal mínima !

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  6. O conjunto de leis sejam penais ou civis, são comuns.
    Não importa se a lei prevê pagamento de FGTS aos vitimados, o precedente de considerar acidentes ambientais, barragens são criminosos.
    E as leis civis podem ser levadas ao nível criminal.
    Eu particularmente não considero de modo nenhum, nem alternativamente que existam acidentes sem o erro humano.
    Basta ver a construção da Via Dutra, onde mais de 3000 foram dados como desaparecidos.
    Não sou adepto de teorias de conspiração, mas nesse episódio de Brumadinho, com mudanças participativas, a queda de ações na bolsa, sugere embromação, e algo de podre no reinado da DINAVALE.
    fui

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