quinta-feira, 17 de janeiro de 2019

Que ganhe e por muitos

Rui Albuquerque

Rui Rio [foto] vai vencer o Conselho Nacional de hoje? Certamente que sim, não só porque foi sempre assim em anteriores situações equivalentes (líderes contestados ainda com algum poder e lugares para distribuir), mas, sobretudo, porque, por enquanto, ninguém quer verdadeiramente o lugar dele, e ele terá de ir a votos com o PSD que projetou, à sua inteira vontade. De resto, uma vez passada esta reunião é bom que o deixem em paz, para que faça o que muito bem entender e se estatele sozinho, sem as desculpas que já estão a ser ensaiadas para culpabilizar os críticos por uma derrota eleitoral.

É bom não esquecer, porém, que, antes do desafio de Montenegro, num espaço breve de um ano, já o atual líder do PSD se encostara ao PS, enjeitara qualquer entendimento com o CDS e a direita, que desconsidera ostensivamente, mandara farpas a Pedro Passos Coelho e ao governo que este liderou (o que, em abono da verdade, já o tinha feito muito antes de ganhar as eleições no PSD), admitia aliar-se ao Bloco para tributar, mais ainda, os imóveis, causara a demissão de Santana e a fundação da Aliança, sugeria a demissão dos seus críticos, como se estivesse acima de qualquer censura política, e, é bom frisá-lo, apresentava intenções de voto miseráveis em todas as sondagens publicadas.

Por conseguinte, espera-se que ganhe hoje a moção de confiança e por muitos votos. Para que não se escude atrás de outros para justificar responsabilidades que são inteiramente suas.
Título, Imagem e Texto: Rui Albuquerque, Blasfémias, 17-1-2019

O PSD acabou! O Rui, o Pacheco, a assustadora Manela, o outro assustador, o tal do Bildenbergen, o sargento e outros "comentadores" que vinham, (ganhando dinheiro), para as televisões só para malhar em Passos Coelho... Imaginai, hoje um deles faz da Presidência da República o frequentar a Taberna do Pai Tomaz.

2 comentários:

  1. A pouco expressiva vitória que Rui Rio alcançou ontem no Conselho Nacional do PSD, considerando que se trata de um líder apenas com um ano de exercício de funções, representou um claríssimo cartão amarelo àquilo que ele fez até agora à frente do partido. Mesmo os seus mais próximos (veja-se, apenas a título de exemplo, a última entrevista de Nuno Morais Sarmento ou as intervenções de Pacheco Pereira na comunicação social) são-lhe muito críticos, considerando que precisa de mudar muito do que até agora tem feito. No fim de contas, o que parece ser o sentimento comum a todos os que pairam pelo partido laranja, é que Rui Rio, fruto de uma enviesada estratégia que só ele compreende, não foi capaz de apresentar ao país uma estratégia de governo alternativa à do Partido Socialista, o que será fatal em eleições, como já indiciam as sondagens. Portanto, o que Rio conseguiu ontem foi uma segunda oportunidade para mostrar o que vale. Com prazo muito curto, que poderá terminar abruptamente em Maio, nas eleições europeias, se o resultado do PSD for humilhante, embora o mais provável é que se estenda até “à vitória nas legislativas”, como Meneses melifluamente lhe atirou. Como, porém, para Rui Rio teimosia rima com ideologia, é óbvio que ele continuará a fazer o mesmo que até aqui, como, aliás, já anunciou, mal estavam os votos contados. Não será, pois, com este PSD que nos veremos livres de Costa, e, muito provavelmente, só depois de Outubro poderemos começar a perceber como, e com quem, ficará a direita. Até lá, Rio continuará igual a si próprio e, com a sua teimosia, o PSD a definhar.

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  2. O erro dos críticos de Rui Rio

    Telmo Azevedo Fernandes

    Conhecido o resultado do Conselho Nacional do PSD da madrugada de hoje e correndo o risco de passar por um Zandinga da análise política, diria que esta foi a pior votação possível para a Direita.

    A meu ver o PSD terá um mau resultado nas Europeias, mas independentemente de quão mau seja, ninguém exigirá de novo a demissão do presidente do partido e muito menos Rio estará disponível para sair pelo seu pé. A má performance será justificada pela clima de guerrilha interno criado e cavalgar-se-á a onda do “deixem-me trabalhar!”.

    A 26 de Maio a Direita atomizar-se-à. O CDS subirá. A Aliança e Iniciativa Liberal aproveitarão o melhor momento que têm disponível para maximizar o peso dos seus votos. O PSD definhará.

    Uma vez feito o desafio por Montenegro à liderança e, em consequência, convocado o “parlamento” do partido, a melhor atitude que os críticos de Rio poderiam ter desenvolvido, fosse a votação em braço no ar ou secreta, teria sido a de apostar numa vitória folgada e, se possível, unânime do actual presidente. Paradoxalmente esse seria o único resultado que não daria desculpas a Rui Rio para não sair após as Europeias. Estou até em crer que, fosse esse o resultado no Conselho Nacional, Rio sairia já esta noite de líder uma vez que não suportaria o cinismo dos adversários internos e ficaria de tal forma surpreendido com o resultado que o deixaria ainda mais desorientado.

    O problema e o maior erro dos críticos de Rio foi (ou é) não acreditarem que o PSD poderia ser o partido mais votado nas próximas Legislativas. Não tiveram incentivo a exporem-se e dar desde já o corpo às balas ao desafio que teriam pela frente. Rui Rio chegará às Legislativas como presidente e será ele o candidato do PSD a primeiro-ministro.

    Pena. Porque assim penso que a Geringonça vai vencer tranquilamente as eleições Legislativas, empurrando o PS com a barriga, o mais possível, as más notícias que a economia do país inevitavelmente trará, apresentando a factura apenas após Outubro.

    Por outro lado estou convencido que o candidato presidencial de facto do PS será Marcelo, ainda que os socialistas apresentem um nome próprio, para inglês ver. No fundo, interessa a Costa continuar a ter Marcelo na mão.

    Portanto, após as Legislativas, quando os sinais de crise forem já inevitáveis, fôr clara a continuação do concubinato Costa-Marcelo e se perspectivar uma nova intervenção da Troika, aí a Direita olhará de novo para Passos Coelho como o seu último reduto e este poderá sentir que é sua obrigação (apesar de contra-vontade) avançar já para a Presidência. Por exemplo, dependendo do grau em que a crise económica estiver em Janeiro de 2021 só PPC (e não MRS) poderá ter força suficiente para vetar novos impostos sobre o património e as poupanças.

    Se esta minha especulação relativa ao cenário político que se avizinha estiver certa, mesmo assim não é nada certo que Passos vença Marcelo, pelo que nem com um Presidente os portugueses que trabalham e criam riqueza poderão contar.

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