A Calantha esteve mais de 30 anos sem o mar, num tanque do Aquário Vasco da Gama, em Lisboa. Desde que foi devolvida ao oceano, no ano passado, esta tartaruga nadou 10.600 quilómetros, em linha recta, e conseguiu atravessar o Atlântico, numa das maiores migrações conhecidas.
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| A libertação de Calantha no oceano. Foto: Zoomarine |
A Calantha, fêmea da espécie tartaruga-comum (Caretta caretta), chegou a 30 de Agosto às praias das ilhas britânicas Turcos e Caicos, nas Caraíbas. Foi uma viagem que durou 332 dias, num mar que não via há mais de 30 anos.
“Sabemos que está saudável, que foi capaz de se defender [durante a travessia do oceano] e que soube reencontrar o seu rumo. Não se perdeu no meio do mar”, contou ao PÚBLICO Élio Vicente, biólogo marinho e director de Ciência e Educação do Zoomarine.
Hoje está nas Caraíbas, numa zona que serve de alimentação, reprodução e postura para muitas tartarugas de espécies diferentes.
Mas para que esta viagem fosse possível, a Calantha passou por cerca de cinco anos de recuperação, no Porto d’Abrigo, Centro de Reabilitação de Espécies Marinhas do Zoomarine.
Para esquecer os mais de 30 anos que viveu numa piscina pequena, rodeada de pessoas todos os dias. Quando chegou ao centro de reabilitação, a 13 de Outubro de 2005, a tartaruga pesava 115 quilos.
“Primeiro ensinámos-lhes que os humanos não são amigos”, enumerou o biólogo marinho. Depois, a Calantha reaprendeu a capturar o seu alimento, especialmente caranguejos e peixes. “Como tinha perdido as técnicas de captura de presas, ensinámos-lhe a identificar o alimento e a ir buscá-lo”. Por fim, “foi essencial pô-la a nadar e a mergulhar o mais possível, para exercitar a sua musculatura”.