terça-feira, 3 de novembro de 2015

PMDB: “uma ponte para o futuro”... Pós-impeachment!

Cesar Maia               
1. O debate público sobre o impeachment da presidente Dilma, no calor da sua impopularidade e de uma clara maioria na Câmara de Deputados liderada pelo presidente da casa, foi sendo arrefecido entre empresários e economistas, com a interrogação: Michel Temer, com seu PMDB, será mesmo uma alternativa? As respostas entre aqueles foram se tornando consensual: não vale a pena o risco. Melhor deixar como está para ver como fica.
               
2. Nesse quadro, Dilma, mesmo se desgastando com Lula, com o PT e com a CUT, reforçou o ministro Joaquim Levy. A presença garantida de Levy, por Dilma, ajudava àquela resposta: Bem, pelo menos temos um dos nossos no governo e a garantia de paz sindical. Nesse sentido, Lula passava a ser o agente maior da desestabilização de Dilma ao desestabilizar Levy. Ingênuo ele não é. Pego em flagrante, reuniu o PT e pediu silêncio a respeito.
               
3. De repente, dia 29 de outubro, o PMDB apresenta seu programa alternativo: “Uma Ponte para o Futuro”. No palco, o vice-presidente Michel Temer e o presidente da Fundação Ulysses Guimarães, do PMDB.
               
4. O programa alternativo é a transcrição do que empresários e economistas liberais vinham propondo para a economia brasileira: literalmente. Os pontos: uma política de desenvolvimento centrada na iniciativa privada, volta ao regime de concessões no petróleo, liberdade comercial ignorando o Mercosul, ampliar a idade mínima de aposentadoria, acabar com as vinculações constitucionais incluindo educação e saúde, fim de todas as indexações, incluindo benefícios previdenciários e salários, permitir que convenções coletivas de trabalho prevaleçam sobre as normais legais, reduzir o número de impostos, racionalizar (flexibilizar) os licenciamentos ambientais... E por aí vai.
               
5. É claro que um programa como esse não tem a mínima chance de tramitar no Congresso com Dilma na presidência, Lula, CUT e PT na garupa. Haveria a necessidade de um governo novo, carregado de expectativas que, na lógica de Maquiavel, assumiria e faria tudo isso de uma vez, num pacotão para tramitar em regime de urgência, “carregado de esperança e legitimidade”. Não foi assim que Collor fez?

Prémio “Europeu do Ano” é dedicado aos “11 milhões que vivem em Portugal”

O Golden Victoria Europa, o prémio "Europeu do Ano" foi dedicado aos "11 milhões que vivem em Portugal". O galardão deveu-se ao êxito do país na saída do programa de assistência financeira. 


Agência Lusa

O prémio ‘Europeu do Ano’ é dedicado “às 11 milhões de pessoas que vivem em Portugal” pelo êxito do país na saída do programa de assistência financeira, salientou o comissário europeu para a economia digital.

Günther Öttinger falava durante a entrega do galardão Golden Victoria Europa, que decorreu em Berlim.

Portugal conseguiu “encontrar o caminho para mais emprego e competitividade”, disse o comissário europeu para a Economia e Sociedade Digitais, acrescentando que o prémio é também um pedido aos portugueses para que “possam manter uma estabilidade” política, económica e financeira, “sem oscilações”.

O ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros português, Rui Machete, considerou que, independentemente de quem vier a governar o país, o prémio “traz uma grande responsabilidade para Portugal” e o dever de o próximo governo “manter o rumo”.

Em declarações à agência Lusa em Berlim, Machete destacou o auxílio prestado pela Alemanha mas recordou que Portugal cumpriu com as suas obrigações.

“Também cumprimos com o que nos foi pedido e ajudamos a Alemanha a justificar o seu papel de liderança”, sublinhou.

O galardão simboliza “o reconhecimento de um percurso de sucesso” no contexto europeu “assente na coragem, determinação e espírito de sacrifício do povo português”, disse o ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros português.

O Douro tem mais encanto no outono, diz quem sabe

Por "quem sabe", entenda-se a revista de viagens Traveler, que elegeu a região como uma das oito mais bonitas do mundo para apreciar a estação. Excelente motivo para lhe fazer um roteiro.

É este tipo de paisagem que pode esperar do Douro (ou parte dele), em pleno outono. Foto: Véronique Mergaux/Flickr


Tiago Pais
Na verdade — e como bem sabe quem já laureou a pevide por aquelas paragens –, o Douro oferece vistas fabulosas em qualquer altura do ano. Isso não impediu, contudo, os responsáveis da Traveler, a revista de viagens do grupo Condé Nast, de eleger a região como uma das 8 mais bonitas em todo o mundo para ver as folhas cair. Diz a publicação:

Protegido dos ventos fortes do Atlântico pelas serras do Marão e de Montemuro, o Vale do Douro é uma das principais regiões vinícolas de Portugal e um lugar único para apreciar a queda das folhas. Em vez de grandes árvores, as colinas aqui estão cobertas por filas cuidadas de vinhas em socalcos. No outono, as vinhas surgem como escadas coloridas a partir do rio. Passeie ao longo das colinas onduladas no ar ameno de outono e complete o dia com uma garrafa do melhor vinho da região.”

O texto da Traveler descreve os socalcos uma "escadaria colorida desde o rio". Foto: Véronique Mergaux/Flickr

Perante elogios deste calibre resta ao Observador fazer a metade do trabalho que a Traveler não fez. Ou seja, dizer o que é que se pode fazer, de facto, no Douro, além de contemplar a paisagem património mundial da UNESCO. A saber:
[…] 
Título e Texto: Tiago Pais, Observador, 3-11-2015

A próxima golpada

Em Portugal, não entrámos numa época de polarização política, mas de golpismo parlamentar e de confusão ideológica. O perigo não é a guerra civil, mas o apodrecimento do regime.
Rui Ramos
Vivemos há um mês no país dos cenários. Subitamente, tudo se tornou possível. Pela primeira vez, a democracia portuguesa pode ser governada por quem perdeu as eleições. Para chegarem ao poder, os derrotados de 4 de Outubro prestaram-se à mais extraordinária ginástica: António Costa esqueceu o seu precioso plano Centeno, o BE rifou a intransigente oposição ao Tratado Orçamental, e o PCP pôs no sótão a sua implacável campanha contra o euro – em conjunto, renegaram todas as propostas e bandeiras com que pediram votos e convenceram os eleitores. Quem votou no PS porque era um “partido do centro”, vê-o agora a perfilhar as bolas que o BE e o PCP lhe atiram; quem votou no BE e no PCP porque eram “contra tudo”, vê-os agora a aceitar tudo. O poder corrompe, e o poder de uma maioria parlamentar forjada no desespero e no cinismo da derrota, corrompe muito mais.

António Costa transformou um dos maiores fracassos da política portuguesa numa vitória: é como se D. Sebastião, depois de perder em Alcácer-Quibir, tivesse reaparecido como sultão de Marrocos. Ora, o que custa, nestas coisas, é a primeira vez. Uma golpada nunca é a última golpada. Qual é a próxima? O PCP e o BE vão “entalar” o PS? Ou é Costa quem vai “entalar” o PCP e o BE? As pensões e os salários sobem mesmo, ou isso é apenas outro embuste, para cair em Janeiro, a pretexto dos “mercados” e da “Europa”? Manter-se-á Costa fiel aos seus parceiros de ocasião, ou tentará mudar de montada e obrigar o PSD e o CDS, com a ajuda de Bruxelas e do próximo presidente da república, a assumir a “responsabilidade” de lhe viabilizar o governo? As esquerdas serviram-lhe para chegar ao poder; vai a direita servir-lhe para lá ficar? Ninguém sabe. Nada, a partir de agora, é impossível.

Quem pensa que em Portugal entrámos numa época de polarização e de ideologia, está talvez enganado. Entrámos na época do golpismo parlamentar e da confusão ideológica. O perigo não é a guerra civil, mas o apodrecimento do regime através da quebra de todas as regras e da degradação de todos os projectos. A política desligou-se da sociedade. A velha regra do vencedor das eleições governar tinha uma razão de ser. Não era só permitir governos minoritários num sistema que dificulta maiorias absolutas. Era mais do que isso: era manter alguma relação, mesmo que esforçada, entre o voto e as soluções de governo. Quando, a meio da noite eleitoral, os resultados ficavam definidos, o eleitor podia ir para a cama, porque já sabia quem iria ser o primeiro-ministro. O cidadão tinha assim a sensação de haver decidido o governo. Isso acabou. A partir de agora, o eleitor vota, mas sem ideia nenhuma do que pode resultar desse voto: tudo dependerá das intrigas e das combinações dos chefes políticos.

Catarina Martins deve ser PM

Vitor Cunha
Descontando a coligação Portugal à Frente, que tendo vencido as eleições está impossibilitada de governar pela alegada existência de um desejo de concretização de um eventual entendimento de um potencial acordo de qualquer forma ou tipo entre os ditos derrotados das eleições, o Partido Socialista foi o vencedor de 4 de Outubro.

Ora, na qualidade de vencedor das eleições frentistas, o Partido Socialista não pode assumir um papel unificador do frentismo popular porque, mantendo o algoritmo base, esse papel cabe, naturalmente, ao segundo classificado das forças frentistas: ao partido que tem o segundo maior número de deputados na Frente Popular e que pode garantir a maioria parlamentar contra a direita nojenta, caso o PS não alinhe com esta. Aliás, não existe melhor forma do Bloco assegurar que não é o próximo Sampaio da Nóvoa, o caracol que Costa pisa quando já não precisa de quem arraste visgo anti-cavaquista pela escadaria central.

Após um mês – mais coisa menos coisa – de tentativas de acordo goradas, é óbvio que só há uma solução governativa para Portugal escolhida pelos portugueses: a Frente Popular liderada por Catarina Martins, o segundo classificado das eleições considerando apenas os partidos legítimos pela verdadeira vontade popular. Só 38,36% dos portugueses rejeitaram nas urnas esta solução, votando na direita calceteira, ou seja, uma grande maioria de 61,64% votou, efectivamente, para que Catarina Martins lidere o processo de nos livrar da austeridade para sempre.

Catarina Martins pode negociar à sua esquerda (PS) e à sua direita (PCP) e formar um verdadeiro Bloco Central da Esquerda (BCE). Está na altura de Costa perceber que perdeu as eleições e lutar contra isso é fútil. Costa deve aceitar a pasta honorífica de vice-PM do governo liderado por Catarina Martins e participar, em verdadeira união, na construção de uma alternativa de esquerda, que o país bem precisa. 
Título e Texto: Vitor Cunha, Blasfémias, 3-11-2015

Olhe ao redor

Nelson Teixeira
Há pessoas que, infelizmente, só têm olhos para si mesmas. Só elas têm problemas, somente elas sofrem. São as vítimas eternas. Todos estão errados e só elas estão certas. Todos são felizes e para elas só sobra a infelicidade.

São pessoas que têm por hábito reclamar de tudo e de todos, sempre. Para elas não existe dia bom. Se você se encaixa nestas características, pare um pouco e olhe ao redor. Comece a ver a vida de outras pessoas à sua volta.

Olhe e verá que muitas vezes você estará reclamando de uma unha encravada, enquanto o outro perdeu uma perna. Você estará reclamando dos familiares e dos amigos e ao seu lado existe alguém solitário, sem parentes nem amigos para lhe dizer palavras de carinho e conforto, para dividir uma alegria ou uma dor.

Quando reclamar da refeição que lhe é servida, muitas vezes feita com tanto carinho por um familiar, olhe ao redor e verá pessoas que não têm sequer um pedaço de pão velho para se alimentar, muito menos alguém para servi-los.

Você reclama do automóvel que possui e que o conduz para onde deseja ir, facilitando sua vida, enquanto muitos não têm condições sequer de se locomover, presos a um leito de dor.

Reclamamos demais, agradecemos de menos. Que tal olharmos ao redor antes de reclamar de tudo e de todos? Que tal sermos mais agradecidos pelas bênçãos que nos são concedidas em todos os instantes, pelo nosso Pai Celestial?
Título e Texto: Nelson Teixeira, Gotas de Paz, 3-11-2015

Os despachantes do Cristo: entendam por que o Rio é o que é

Rodrigo Constantino
Se um pai que ama seu filho soubesse que ele anda com problemas com drogas, como deveria agir? Tapar o sol com a peneira e fingir que o problema não existe? Jogar a dura realidade para baixo do tapete e viver num conto de fadas, numa ilusão? Parece absurdo, certo? Mas tem gente que acha que não devemos criticar tanto nossa cidade ou nosso país, pois isso seria “complexo de vira-latas”.

Com camisa de “condutor de visitante”, vendedor negocia ingresso fora da bilheteria com turista: bilhete chega a custar R$ 100, enquanto valor oficial é de R$ 35. Foto: Pablo Jacob/Agência O Globo

Discordo: complexo de vira-latas é não poder conviver com as críticas e precisar dourar a pílula, para fingir que nossa cidade é “apenas diferente”, e não uma porcaria. Falar mal dos Estados Unidos e defender o Rio, por exemplo, isso é complexo de inferioridade. Se a verdade é feia, ela precisa ser dita. Afinal, somente assim teremos chance de mudá-la. Quem aceita o lixo como se fosse diamante vai mesmo viver sempre na merda.

Digo isso pois costumo pegar bastante no pé da minha “cidade maravilhosa”. Já fazia isso muito antes de ir morar fora, o que completou seis meses ontem. As qualidades do Rio, segundo muita gente, nunca me apeteceram tanto, enquanto os seus defeitos me eram insuportáveis. A “malandragem” toda, por exemplo, o fato de ser a capital nacional da esquerda caviar, de votar tão mal em socialistas assumidos, o jeitinho típico do carioca, tudo isso me fazia (e faz) um mal terrível.

Diante de todos esses problemas infindáveis, o típico carioca prefere extravasar com samba, futebol e praia, e achar que as coisas vão simplesmente melhorar um dia, por algum milagre qualquer. Voltando à analogia do pai do drogado, é como se ele alimentasse uma esperança vã de que um belo dia, do nada, o viciado fosse resolver se tornar um trabalhador sério e ser responsável na vida. Não costuma funcionar.

Hoje mesmo publiquei um texto sobre os taxistas “malandros” que gerou esse tipo de reação provinciana. Eu não deveria criticar tanto o Rio, a “malandragem” carioca, pois todos os lugares têm problemas. Mesmo? Claro que perfeição não existe, mas vamos lidar assim com tantos problemas absurdos? Vamos achar normal, banalizar o inferno em que o Rio se transformou?

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

As Flores de Lótus

Pode uma ideia mudar o mundo?
O século XX nasce, e com ele germinam as sementes do autoritarismo. Da Europa à Ásia, as ondas de choque irão abalar a humanidade e atingir em cheio quatro famílias.

Depois de assistir à queda da monarquia, o capitão Artur Teixeira vê as esperanças da República afundarem-se num caos de instabilidade. Adere à revolução militar e recebe uma missão: convencer Salazar a tornar-se ditador.

Satake Fukui cresce num Japão dilacerado entre a tradição e a modernidade. O seu confronto com o militarista Sawa reflete um braço de ferro que ameaça mergulhar o país, e o mundo, numa catástrofe sem precedentes.

A chinesa Lian-hua nasce com olhos azuis, os mesmos que veem a China arrastada para um choque titânico entre os nacionalistas, os comunistas e os japoneses. Apanhada no fogo cruzado, é raptada por um radical comunista: o jovem Mao Tse-tung.

Os bolcheviques acabam de conquistar a Sibéria e batem à porta da pequena quinta dos Skuratov. Estaline iniciou as coletivizações e a família de Nadezhda é lançada num ciclo de medo, fome e sofrimento.

Quatro histórias. Quatro famílias. Quatro destinos.

Senhor de uma prosa lúcida e poderosa, José Rodrigues dos Santos embarca connosco e com figuras históricas como Salazar e Mao Tse-tung numa viagem arrebatadora que nos leva de Lisboa a Tóquio, de Irkutsk a Changsha, do comunismo ao fascismo. Com As Flores de Lótus nasce uma das mais ambiciosas obras da literatura portuguesa contemporânea.

«Um dos pesos pesados da literatura lusófona»
Historia, França

Excerto
O olhar de Salazar desviou-se momentaneamente para a janela do automóvel. Caíam lá fora os primeiros pingos de chuva, provenientes da treva, que deslizavam em ziguezague pelos vidros como se a noite despejasse lágrimas, mas logo surgiram nos passeios as luzes amareladas dos candeeiros noturnos, sinal seguro de que entravam em Lisboa.

Por que insistirmos numa republiqueta de banana?...

Valdemar Habitzreuter

O dito secular com respeito ao Brasil, ‘aqui em se plantando tudo dá’, não se concretizou ainda (vai-se concretizar?) Pode até ser que se plante por aqui, mas, quando se planta, planta-se errado e não se zela pela plantação. No entanto, temos uma cultura que sempre deu certo: a cultura bananesca. O bananal brasileiro é auto desenvolvível, não necessita de maiores cuidados. Pero Vaz de Caminha não imaginava que o futuro desse país fosse tão medíocre por falta de qualidade de cultivo das diversas culturas desta terra abençoada de ‘em se plantando dá’. Faltou acrescentar: ‘em se cuidando do que se planta haverá farta colheita’. 

Assim, nosso campo cultivável político-sócio-econômico-cultural está com problemas, o solo não está sendo fertilizado a contento. Ficar só na monocultura bananesca - porque não exige grande esforço e dedicação -, não é capaz de tirar o Brasil da mediocridade e alça-lo a país desenvolvido onde a vida do brasileiro valha mais à pena de ser vivida e desfrutada. Viver numa republiqueta de bananas, só consumindo bananas, deixa o povo anêmico, infeliz. Ele necessita de uma alimentação diversificada, mais saudável e consistente. Mas temos falta de peritos em plantar e cultivar.  

Nossos políticos, desde a proclamação da República, não souberam e não sabem ainda - ou não querem saber -, plantar as diversas sementes do desenvolvimento e de zelar das coisas públicas, salvo uma minoria (uma minoria não ‘faz verão’). Somos carentes desses políticos altruístas, vocacionados para o bem do povo e engrandecimento da nação. O que vemos é um cenário político em que pessoas são eleitas para representar e trabalhar em prol do povo e, no entanto, têm como objetivo principal locupletar-se no poder e, muitas vezes, apoderando-se indevidamente das coisas públicas. A situação política atual é um claro e gritante exemplo disso.  

Nossa sociedade espelha essa falta de política séria. Vivemos numa sociedade confusa em que o caos e a violência vão tomando conta, deixando o povo apavorado. A atual conjuntura social está fendida. O regime petista imprimiu uma marca de beligerância, uma luta de classe, confrontando pobres com ricos pela ilusória ideologia ultrapassada do socialismo radical.

Opiniões desse ou daquele contra o impeachment não traduzem a vontade da “sociedade civil”

Levantamento publicado pela Folha na edição desta segunda peca pela formação da amostra. Dois terços dos brasileiros querem saída de Dilma
Reinaldo Azevedo
A Folha publica hoje a opinião de algumas personalidades sobre a crise. No jornal impresso, reproduz-se o pensamento de doze pessoas. Na versão Online, de vinte e oito. Extraíram-se de lá duas conclusões cuja origem não entendi. A primeira consiste em chamar um grupo de vinte e oito pessoas de “representantes da sociedade civil”, o que lhes confere uma amplitude que não têm. A segunda, em afirmar que a maioria é contra o ajuste da economia, mas também se opõe ao impeachment. Vamos lá.

Entre os vinte e oito ouvidos, apenas oito se disseram explicitamente contra o impeachment; quatro se mostraram favoráveis, e dezesseis não tocaram no assunto. Se contaram isso aos repórteres e se não sai publicado no jornal, a gente não tem como saber. Sim: entre os que não opinam, está, por exemplo, o senador Humberto Costa (PE), líder do PT no Senado, mas também o prefeito de Salvador, ACM Neto (DEM). Se apenas oito de vinte e oito afirmam explicitamente que o impeachment não é a solução, não vejo como se chegar àquela conclusão.

A questão da “sociedade civil” é mais complexa. Esse é um conceito político, que designa, de maneira genérica, as vozes da sociedade que não estão, vamos dizer, disciplinadas pelo estado e pelas políticas oficiais — o que não quer dizer que sejam forças necessariamente de contestação, claro!

No grupo dos vinte e oito ouvidos pela Folha, há quatro políticos eleitos da oposição, quatro da situação e até um ex-deputado petista do Paraná. Vênia máxima, não se encaixam no conceito elementar de “sociedade civil”. Os vinte e oito já caíram para dezenove. No grupo que resta, nada menos de dez são lideranças sindicais empresariais, boa parte oriunda da indústria, setor bastante dependente de decisões governamentais. Outros cinco são sindicalistas ou representantes de movimentos sociais, todos de esquerda. E há quatro advogados.

Um clima de guerra civil

Manuel Villaverde Cabral
Vivemos uma mutação política radical que vem do tempo de Sócrates, sobretudo a partir do momento em que perdeu a maioria absoluta e lançou a sua guerra contra tudo e contra todos

Com um governo da Coligação que em princípio não é para ficar, se não teriam de ser corrigidos erros de estrutura e de casting inaceitáveis, entrámos num período de calmaria enganadora antes da tempestade.

Ontem, no Expresso, Henrique Monteiro recordou como o país esteve perto de uma «guerra civil» há 40 anos. E, no fim de semana, anterior, dois colunistas tão diferentes como António Guerreiro (Público-Y, sexta 23) e Sousa Tavares (Expresso, sábado 24), lamentavam o «clima de guerra civil» que se instalou desde que António Costa anunciou a tentativa de tomada do poder pela «esquerda unida». Peço desculpa de me repetir mas desde Setembro que a «frente popular» estava a caminho. Pouca gente se comoveu então…

A prova, contudo, de que não se trata de um mero rearranjo parlamentar encabeçado pelo PS, é a extraordinária notícia do Público citada por Rui Ramos, segundo a qual a CGTP «marcou uma concentração em São Bento para o dia da votação de governo»! Que me lembre, é a primeira vez que a CGTP, que não consta ser parte do acordo tri-partido liderado pelo PS, toma uma posição de força aberta contra um governo legitimamente indigitado. Em compensação, essa manifestação lembra, isso sim, a «muralha de aço» levantada pela CGTP e acólitos contra os governos provisórios que lhes desagradavam e contra a Assembleia Constituinte de 1975-1976. Para tirar qualquer dúvida de que estamos perante uma nova «muralha de aço», o líder da CGTP não hesitou em reivindicar a sua «luta contra a austeridade», rematando sem pejo: «Estamos à beira da meta e o sprint final pode ser esta concentração». Ninguém diga que não foi avisado. António Costa devia ser obrigado a revelar o que pensa desta ameaça!

Peronismo, petismo e multipopulismos

Todo cuidado é pouco com os enganosos tipos de multipopulistas que se
metamorfoseiam da esquerda para o centro, quando o público desperta da modorra, e
do centro para a esquerda, quando esse mesmo público retorna à modorra.

Os candidatos argentinos Daniel Scioli e Mauricio Macri

1. No primeiro turno das eleições presidenciais na Argentina, em 25 de outubro último, a mudança para a corrente política de centro do candidato peronista argentino, Daniel Scioli, não foi suficiente para aparentar distância da esquerdista presidente Cristina Kirchner.

2. O resultado dessa identificação, indesejada, do próprio candidato governamental, Daniel Scioli, com a tão desprestigiada presidente Kirchner foi que ele obteve apenas 36,86% dos votos, sendo que esperava obter uma maioria absoluta. O candidato de oposição, Mauricio Macri, que se situa como centrista e prometeu mais respeito à iniciativa privada no terreno econômico, recebeu 34,33% dos votos. Essa vitória apertada do candidato peronista no primeiro turno, com pequena margem de 2,53%, abriu uma incógnita sobre quem será o vencedor no segundo turno, que será realizado no dia 22 de novembro.

3. Tal apertada vitória peronista no primeiro turno foi considerada quase unanimemente, por gregos e troianos, como um fiasco de “kirchnerismo” e das esquerdas argentinas. Ao mesmo tempo, no Brasil, o petismo populista, ao qual pertence a presidente Dilma Rousseff e seu mentor, o ex-presidente Lula da Silva, continua afundando na lama da corrupção e do desprestígio.

Passos Coelho e família no shopping

João Alarcão
Há um bocado, eram cerca das 10 e meia da noite, (domingo, 1 de novembro) depois de umas salutares horas passadas nas Feiras de Livros antigos e de Velharias, do Chiado e do Príncipe Real, entrei num Centro Comercial para tomar um café. Quando me preparava para o saborear apercebi-me de que várias pessoas olhavam para três novos clientes que estavam no pré pagamento a fazer os seus pedidos, comentando em surdina "É ele, é". Virei-me para ver quem eram e vi Passos Coelho, a mulher e uma pequena que penso ser filha.

Ténis, camisolas e blusões. Sózinhos, sem rambos de óculos escuros a afastarem quem os abordou, ou chauffeurs a carregarem embrulhos (ou, muito menos, malas com dinheiro).

Enquanto esperavam pelos pedidos responderam com amabilidade às boas noites e a algumas palavras de incentivo que lhe foram dirigidas. Não vi nem ouvi ao redor expressões fechadas ou carrancudas, olhares revoltados, ou palavras agressivas.

Passos Coelho, com a filha pela mão acompanhou-a depois a uma outra loja. Não pude deixar de comparar estes momentos com os ares arrogantes dos que vivem em andares de luxo em Paris, que gastam milhões e milhões de euros de origens mais do que duvidosas, que nos querem convencer que só pensam nos desfavorecidos, e que se desdobram em tentativas de ganhar na secretaria o que os portugueses lhes recusaram nas urnas. 
Imagem e Texto: João Alarcão, Facebook, 1-11-2015

Finados

Nelson Teixeira
Não fale dos mortos, senão para deles falar bem.

Disse um conhecido escritor:
“O louvor aos mortos é um modo de orar por eles”.

É isso. Aos mortos devemos orações e palavras carinhosas; e ainda mais que palavras, vibrações de respeito e amor, uma terna saudade, uma lágrima, quem sabe?

Nunca, porém, tristeza e inconformação.

Nossos mortos não morreram: partiram antes de nós, e onde estão nos esperam para o reencontro feliz.
Que não haja dúvida em seu coração sobre a imortalidade.

A morte não existe; o que há são mudanças de estado: hoje estamos na matéria pesada do nosso corpo físico; amanhã estaremos na matéria leve e luminosa do nosso corpo espiritual. 
Título e Texto: Nelson Teixeira, Gotas de Paz, 2-11-2015

Charada (125)


Será que o tio
da Vanda
pode ser filho 
da avó da sua irmã?

domingo, 1 de novembro de 2015

Raposo, da APRUS, insiste junto à PREVIC

Volto a escrever no dia de hoje para informar a alguns e lembrar aos colegas que não estamos mortos, e assim informo a todos que após a minha recuperação acabei de encaminhar à PREVIC o e-mail abaixo no qual procuro descrever a pauta de uma reunião formal a ser marcada pela Superintendência da PREVIC, na qual espero receber os esclarecimentos comentados abaixo.


Para:
PREVIC - Gabinete 
Out 31 em 7:45 AM
Prezado Superintendente,

Conforme já mencionado à sua secretária, Senhora Simone, tenho por hábito apresentar as causas que motivaram o pedido de reunião e os assuntos de que buscamos esclarecimentos.

É necessário voltar a escrever que tais posicionamentos são necessários por razões diversas, visto que em nenhum momento tivemos esclarecimentos que pudessem dirimir nossas dúvidas transmitidas a esta autarquia e, quando as tivemos, ficamos decepcionados com as respostas dadas pelos órgãos da PREVIC. Assim descrevo abaixo os assuntos que consideramos graves para serem considerados por esta Superintendência fazendo ainda um breve repasse ao passado:

Em julho de 2005 a PREVIC nomeou Erno Dionízio Brentano para o cargo de administrador especial dos planos da patrocinadora VARIG e em seguida a APRUS em 2006, obedecendo ao seu estatuto e ante aos desejos de retirada de capital por um grupo significativo, solicitou à PREVIC a intervenção no AERUS em tempo de dar ao futuro interventor uma mínima condição de administrar o AERUS, observando a lei 109 de previdência complementar;

A formação técnica do anterior Presidente da APRUS bem como do seu Diretor Administrativo-Financeiro lhes permitiram solicitar ao Interventor na época (2007), Senhor José da Silva Crespo, esclarecimentos que somente puderam ser dimensionados e apontados quando este solicitou à PREVIC a formação de uma Comissão de Inquérito  legalmente constituida, que por mais de um ano de trabalho levantou, listou e documentou todos os problemas e indicando as soluções a serem adotadas.

A "vacina"

Alberto Gonçalves

Neste Outono sombrio, há quem alimente esperanças com a teoria da "vacina". Eis uma súmula: em primeiro lugar, Cavaco aceita contrariado um governo PS com a participação ou o "apoio" dos partidos comunistas. Depois, o governo defende os superiores interesses nacionais (leia-se serve a clientela e espatifa a economia), actua em benefício dos trabalhadores (i.e., saqueia os últimos cêntimos dos que trabalham e pagam impostos), favorece os direitos das pessoas (ou seja, persegue e cala dissidências) e consolida a democracia (por outras palavras, deixa-a em coma). No meio do pandemónio, lá para o Verão o governo cai, Portugal aprende que o marxismo é nocivo e a relevância eleitoral da esquerda, PS incluído, esvazia-se por décadas ou pela eternidade afora. Um consolo, não é? E também uma alucinação pegada.

Na tarde de 11 de Setembro de 2001, sofri um portentoso ataque de ingenuidade e, por momentos, presumi que os atentados nos EUA explicariam enfim ao mundo a legitimidade da resistência de Israel ao terrorismo. Voltei ao normal em dias ou horas, o tempo suficiente para que certo mundo desatasse a "compreender" as dores da "rua" islâmica, a reforçar a repulsa pelos EUA e a redobrar o anti-semitismo, perdão, o anti-sionismo. À semelhança da cegueira ideológica, a má-fé não aprende nada, excepto a evitar a realidade.

Excepto para os viciados em metanfetaminas que a bem do colesterol hesitam em ingerir uma morcela, o arrependimento não é para aqui chamado. Se o país não erradicou o comunismo após os arremedos revolucionários de Cunhal, Otelo e Vasco Gonçalves (por pudor, não falo do rastro de sangue e miséria que a conversão dos povos à felicidade espalhou - e espalha - pela Terra), a que propósito ficaria "vacinado" por causa de novo assalto ao poder, uma pequenina supressão das liberdades e a trivial bancarrota? O razoável PS faliu-nos em três ocasiões e nunca se viu remetido para a obscuridade que merecia. Depressa atribuída aos "mercados", à Sra. Merkel, a Passos Coelho e às conspirações do costume, uma quarta falência não fará grande diferença, e a diferença que fizer custará demasiado.

Opine!

Dê a sua opinião. Comente. Opine, sempre! Eu disse, OPINAR, não atacar, não desqualificar...
Não tenha medo da "maioria".
Ignore os insultos dessa "maioria".
Vá em frente! Lute por aquilo em que acredita!
Mande às favas a hipocrisia e cobardia do 'politicamente correto'!
Opine!

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Orientação editorial



Aqui mora alguém que encara o jornalismo como um verdadeiro serviço público e encara a missão de informar, investigar, analisar, esclarecer os cidadãos, uma das mais nobres profissões pela importância que a mesma encerra para o desenvolvimento de qualquer sociedade contemporânea.

“1. O jornalista deve relatar os factos com rigor e exactidão e interpretá-los com honestidade. Os factos devem ser comprovados, ouvindo as partes com interesses atendíveis no caso. A distinção entre notícia e opinião deve ficar bem clara aos olhos do público.”
Código Deontológico do Jornalista

Dito isto, é convicção do autor deste blogue que a comunicação social portuguesa negligencia, demasiadas vezes, o que deveria ser a sua missão. E acredita que, na origem dessa falha, não está apenas uma questão de falta de profissionalismo ou competência, mas também uma flagrante falta de imparcialidade política e ideológica. Assim, em vez de relatar os factos com imparcialidade, tratando as partes “com interesses atendíveis” - simplificando, "esquerda" vs "direita" - de forma igual, nos media portugueses é visível a adoção de um critério jornalístico parcial, normalmente alinhado “à esquerda”, nos mais variados temas (económicos, políticos, sociais, etc.).

Essa tendência materializa-se na tv, rádio, jornais, quando o jornalista:

- Em vez de informar, prefere doutrinar, privilegiando um determinado ponto de vista sobre outros. Basta uma leitura minimamente atenta a alguns jornais, para verificar que muitos dos conteúdos classificados como notícias são autênticas colunas de opinião.

Meu caro professor Marcelo

Helena Matos

Marcelo Rebelo de Sousa
Onde vai esta semana? A Pirescoxe jogar dominó com Jerónimo de Sousa? Era bonito e dava um lindo momento televisivo. Diga-me uma coisa: acredita que vai ser eleito pela esquerda ou acha que pode convencer a esquerda a abster-se? Algo me diz que a última hipótese – convencer a esquerda a ficar em casa – é aquela em que aposta.

Mas, desculpará que lhe pergunte, já se lembrou que pode ganhar por esmagadora maioria entre os portugueses telespectadores e ter um fraco resultado entre os portugueses eleitores? Os portugueses eleitores são manhosos e calados – maioria silenciosa não é? Pelo contrário os portugueses telespectadores são peremptórios e algo espalhafatosos.

Dir-me-á o senhor professor que os portugueses eleitores e os portugueses telespectadores são a mesma pessoa. Ora, ora, senhor professor, este é o país em que a divisão entre o eu e o mim tem dado alguma filosofia, óptima poesia e pode, acredito eu, dar um resultado eleitoral surpreendente. E que não lhe será favorável.

Talvez não tenha percebido ainda mas não se vota com o comando da televisão. Fosse esse o caso e o senhor professor estava para lá de eleito.

Mas para que os votos caiam na urna cada português-eleitor tem de dizer ao português-telespectador para se levantar do sofá ou da cadeira do café e ir para a fila. E isso, acredite, não só não é fácil como se rege por umas regras que escapam ao Portugal das televisões, onde o senhor professor é sem dúvida presidente por aclamação. Está, por exemplo, a ver o Cavaco (chamemos-lhe assim porque é assim que os telespectadores o tratam)? O Cavaco é o eterno derrotado do país dos telespectadores. No país dos telespectadores não existe aliás nada mais simpático, consensual e transversal que dizer mal do Cavaco. É assim como falar do tempo. Uma pessoa não tem que dizer, um comentador não quer desagradar a ninguém, um político precisa de dizer alguma coisa sem se comprometer, e pronto têm logo ali o Cavaco a jeito. Resulta sempre.

Cachoeiras e sonolência

Jacinto Flecha

Em recente visita aos meus alfarrábios, encontrei um conto interessante, que passo a resumir para o prezado leitor.

Depois de observarem atentamente o comportamento noturno de uma pequena cidade, dois ladrões discutiram as possibilidades de êxito para o assalto. Como todas as casas tinham cachorros, o primeiro ladrão objetou que o da casa acordaria o dono. Mesmo se agissem cautelosamente, eles não teriam escapatória. O outro, mais experiente e atento à psicologia, afirmou que o latido do cachorro seria ótimo para o assalto. Ante a surpresa do comparsa, explicou:

— Quando o cachorro da casa latir, os da vizinhança vão acompanhar. Os policiais não terão como descobrir o local do assalto, pois haverá cães latindo em todas as casas. Os latidos vão até ajudar, abafando os ruídos que fizermos.

Concordaram que a ideia era genial, acertaram os detalhes da investida, e logo confirmaram que a confraria canina latia pra valer. Tudo corria bem, e eles nem se preocuparam mais com os ruídos que faziam. Aos poucos os cachorros foram parando de latir. Depois de alguns minutos chegou a polícia e os flagrou com a mão na massa. A caminho da delegacia, não conseguiam entender o que dera errado, e por quê. Perguntaram, e o policial explicou:

— Vocês não são os primeiros. Acontece que todos aqui estão acostumados com o latido dos cachorros, e continuam dormindo. Mas para o nosso trabalho, basta observar onde está o primeiro cachorro que parou de latir. Os outros vão parando de acordo com a proximidade, na mesma ordem em que começaram. Não dá para errar, nós sempre achamos o local do assalto.

Não sei se na prática as coisas funcionam exatamente assim, mas interessa-me o fenômeno de início e fim da sinfonia canina. Cabe ao primeiro cachorro despertar o dono da casa. Neste caso ele age como o spala de uma orquestra, e numcrescendo esta atinge o seu tutti. Se o dono da casa não liga, o cachorro toma os intrusos como amigos, silencia seu instrumento vocal, e todos os outros o vão acompanhando. Se non è vero, è bene trovato, e isso me basta para fustigar certo tipo de cachorros.

Sem esta comunicação social, seria impossível assistir ao que se está a passar

Murphy
Tanto haveria a dizer neste blog (fossem outros os tempos e a disponibilidade) sobre o que se tem passado nos últimos dias…

A agenda mediática permanece verdadeira caixa de 
ressonância dos interlocutores da esquerda e da sua argumentação. Isto porque (maioritariamente) as redações e o jornalismo partilham da mesma posição ideológica da nova Troika: PS / BE / PCP. Como esse é desfecho que desejam, nem param para refletir e fazer uma análise critica sobre o que se está a desenrolar.

Eis alguns dos argumentos que, repetidamente se lêem, vêem e ouvem:

1º Transformou-se uma vitória da Coligação Paf numa vitória dos que defendem o “fim da austeridade”. Alguém se lembra o que separava a Paf do PS, a austeridade da anti-austeridade? A Paf defendia o fim dos cortes nos salários da FP em 3 anos. O PS em 2. A PAf defendia a devolução da sobretaxa em 3 anos, o PS em 2. Entre a proposta de Costa e a de Passos, é todo um mundo de diferença... 
2º De repente, para legitimar o cenário de Costa PM, as eleições legislativas nada têm a ver com a escolha de um Primeiro-ministro… Inúmeras vozes, somadas aos comentadores do costume, esforçam-se para elucidar os portugueses que eles escolhem deputados. Deputados, senhores! 
Todos sabemos que os portugueses nas conversas de café, de jardim, no trabalho, etc.., nem se lembravam de Passos e Costa tão relevante e interessante, era discutir quem era o deputado em 4º lugar na lista de Vila Real e 7º de Beja…
3º Passos, era todos os dias catalogado de mentiroso pelas luminárias da esquerda porque, enquanto PM, nada cumpriu o seu programa de 2011. Costa  – o político de confiança por oposição ao mentiroso do Passos -, na noite de 04 para 05 de Outubro, faz tábua rasa do programa Centeno – o tal do rigor e das contas certas - e garante que um programa de governo com a extrema-esquerda é que é o caminho.
Aqui, a Constança, o Adão e Silva, o do pisco, etc.., não vêm qualquer mentira ou questão moral. É democraticamente legítimo! 

Charada (124)


Em que país das Caraíbas
se encontram estes sete turistas?

Carlos, Aníbal, Mariana, 
Anabela, Jaime, Isabel e Antero.