sábado, 19 de fevereiro de 2011

[Da série "A vida que levei"...] 18º capítulo: Livros e leitura

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O meu primeiro “”livro” foi um gibi do Tarzan, oferecido pela minha prima Mariita. Adorei e fiquei fã. Dele, do Tarzan, e também do Fantasma e Mandrake.
Cheguei à adolescência, lia muito naquela época. Tive o privilégio de ler grande parte dos clássicos da literatura universal; os best-sellers e outros “cabeça”. Continuei a ler bastante até, mais ou menos, o início da década de 80.Tinha tanta vontade de aprender que li muita coisa chatíssima, na minha opinião, claro. Ou, alguma coisa de que nada entendia… mas, por disciplina e grande vontade de aprender e ânsia de cultura, li-os até à última página. Aliás, falando em “nada entender”, ficou-me marcada a leitura de um best-seller, já residia no Rio de Janeiro, deve ter sido lá por 1985, 86… essa obra ficou semanas em primeiro lugar na lista dos mais vendidos da revista Veja, nada entendi e, curiosamente, não fiquei complexado nem com vergonha de nada ter entendido. Estou falando de “A insustentável leveza do ser”, de Milan Kundera.
Antes que me perguntem por que até ao “início da década de 80”, eu diria que as causas dessa diminuição devem ter sido: o meu envolvimento e militância no sindicalismo e associativismo profissional; depois chegou o computador, a internet, o e-mail… o orkut… o facebook… enfim…
Voltando, então, como eu dizia, lia-se muito naquela época. Também, o que fazer de diferente?? (Não havia televisão – a programação começava às 18h e ia até à meia-noite -, não havia internet, sites de relacionamento, etc… não estou julgando, estou lembrando). A leitura nos servia como ponto de partida para intensos debates políticos e filosóficos. Não dava em nada, mas a gente gostava de debater. Os debates filosóficos e religiosos eram muito mais quentes e acalorados, por razões óbvias: falar de política naqueles anos era um perigo.
Até hoje, tenho na alma algo que li de Dostoievski, não me lembro qual é a obra, uma imagem que ele traçou: “o carácter dele era tão duro quanto os pinhos de Riga, vergam às grandes ventanias e tempestades, mas não se abatem”.
Também me lembro da impressão que me causou o roman-fleuveOs Thibault”. Lá pela metade do segundo volume, tinha uma discussão sobre a existência de Deus. Naturalmente, não me lembro da argumentação esgrimida pelos personagens, nem quem eram eles, só sei que aquela discussão me marcou e, o melhor, me empurrou (ou me puxou) mais ainda para a leitura.
A ela, muito mais a ela, devo o pouco que sei. E por não me contentar com esse pouco, até hoje permaneço inquietamente com vontade de aprender e apreender.

2 comentários:

  1. Achei o teu blog procurando o desenho "família da pesada" digitando no google "seriado desenho adulto de sucesso" (sem aspas) e gostei do teu texto. Estava bem interessante até o "continua".
    Parabéns pelo blog.

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  2. Obrigado, Daniel!
    Seja muito bem-vindo!

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