sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Quando Kadafi se for, falar com quem?

Muamar el Gadafi, com uniforme militar, na sua primeira visita a Itália, 
antiga métropole, em 2009.- GETTY

Só um milagre, realizado num mar de sangue, seguraria Muamar Kadafi no poder. O mundo já o trata como o ex-governante da Líbia. Sua brutal reação aos protestos apressa o seu fim. O que a “revolução” dos diversos países árabes tem em comum? A luta contra autocracias. Aí cada país tem a sua própria agenda. Há outro traço a unir os povos em revolta: todas as ditaduras que estão em apuros são consideradas aliadas do Ocidente na luta contra o terror — até Kadafi, o terrorista “convertido”, estava nessa. Por alguma razão, as populações da Síria ou dos territórios palestinos parecem contenstes com suas respectivas tiranias.
A Líbia é um agrupamento de cidades separadas por vastas solidões. Não é de hoje, abriga celerados dos mais diversos matizes. À diferença do Egito, não conta com um Exército que possa garantir, em princípio, a unidade do país ou alguma centralidade a um governo. Quem tomará conta do boteco?
Tentando se segurar no poder e, quem sabe, mandar alguma mensagem a seus “aliados” do Ocidente, Kadafi acusou a Al Qaeda de estar por trás da rebelião. Alguém acredita no que ele diz? Nem é o caso de fazer especulações a respeito. Mas uma coisa, no entanto, é certa como a luz do dia: uma Líbia sem governo se transformará num verdadeiro campo de treinamento para a rede terrorista. A ditadura iemenita, em território muito menor e com população menos diversa, não conseguiu dar conta dos jihadistas.
Assim que Kadafi deixar a Líbia — que amigo seu o abrigaria? Chávez? Raúl Castro? Daniel Ortega? —, com quem dialogar na hora do famoso “Leve-me a seu líder”?

O bufão sanguinário que pretende se levar a sério
Há tiranos que são sanguinolentos, mas que não chegam a ser apaixonados por sua arte. Não é o caso de Muamar Kadafi. Ele apareceu na Praça Verde, de Trípoli, tomada por uma multidão de apoiadores, para conclamar seus seguidores a defender a Líbia. Vejam.

“Este é o grande povo da Líbia. Vocês são o fruto da revolução. Vocês vêem o orgulho e a dignidade da revolução. Vocês vêem a história e a glória na revolução. Eu estou no meio no povo. Nós continuaremos a lutar. Nós vamos derrotá-los. Nós morreremos aqui, no amado solo da Líbia. Nós vamos derrotar qualquer ação agressão estrangeira, assim como derrotamos o antigo imperialismo italiano. Esta é a formidável força, a nossa invencível força.”
Então tá…
Reinaldo Azevedo

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