domingo, 27 de fevereiro de 2011

Na Líbia libertada

Foto: Valentin Flaraud/Reuters/Público

"Bem-vindos à nova Líbia!" - com um sorriso maior que o seu 1,65 metro de altura, e os dedos em V de vitória, Hameed é o primeiro rosto da nova liberdade líbia, depois de atravessarmos, a pé, o posto fronteiriço egípcio de Salooum. Do lado líbio, o professor universitário de Inglês aponta para a bandeira tricolor (verde, preta e vermelha) do antigo regime monárquico, hasteada sob a guarita guardada por milícias populares.
Com colete antibalístico e ténis, um dos "novos" guardas-fronteiriços encena um pontapé num cartaz de Kadhafi, e mostra um par de algemas para prender quem desafiar a nova ordem.

Percorremos ao fim da tarde, os 200 km entre a fronteira e a cidade de Tobruk. Nas primeiras povoações que atravessamos, a segurança é feita por milícias populares, sorridentes e armadas de forma improvisada montaram, também improvisadas, barricadas e postos de vigilância. Mas na zona oriental do país, na província da Cerenaica, tudo parece calmo.
As esquadras de polícia queimadas, as Mataaba (casas circulares do regime) e monumento ao livro verde destruídos são os únicos sinais visíveis da revolta dos últimos dias.
Entramos na pequena cidade costeira de Tobruk, ao início da noite, ainda em clima de festa. "Esta é a Líbia libertada!" - diz-nos Saeed, filho de um antigo oficial de Kadhafi, que sofreu as perseguições do regime em finai da década de 80.
À pergunta inevitável - "Então, o que é que pensam que vai acontecer agora?" -, Hameed e todos com quem falámos na primeira noite em território líbio respondem com fatalismo mediterrânico: "Poderá acontecer o que aconteceu na Roma antiga e, tal como Nero incendiou a cidade, Kadhafi poderá fazer algo desesperado, como usar armas químicas. Mas o futuro será sempre melhor, e a Allah pertence!...".
Título e Texto: Aurélio Faria, Enviado da SIC Notícias, 27-02-2011

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