domingo, 30 de junho de 2013

No pódio da morte

José Manuel
E foram esses calhordas famigerados, gerados na miséria da fome da corrupção do espírito e nos mais baixos instintos, que deram fim a um dos maiores patrimônios deste País, jogando quase 20.000 pessoas na miséria.
As palavras me faltam neste momento, talvez esteja emocionado, para descrever a maneira sórdida como o fizeram.
Mas nós sabíamos... lá no fundo de nossos seres, a tragédia que se avizinhava…
Eu estava naquela manhã no hangar da Varig quando o teatro foi montado. O palco do famigerado Leilão. Vejo toda a cena como se fosse hoje.


Ao meu lado esquerdo se sentava a minha mulher, também comissária, e a seu lado o Fernando Vieira Dutra, meu colega e amigo,
Todos falavam sem parar, olhei para cima e vi o Amaury Guedes em uma das varandas que davam para o interior do hangar, agitando uma bandeira Brasileira.
Então carrego essa imagem e mais! carrego a culpa e a covardia de não ter dado o grito que queria sair do meu peito para que invadíssemos as dependências da companhia e a tomássemos como refém daqueles miseráveis que lá nos traíam. Afinal a empresa era nossa, nosso patrimônio, nossa vida.
Quis subir até ao pódium mas inexplicavelmente não o fiz. Não entendo até hoje por que fiquei paralisado naquele momento. Era isso que eu queria, que eu deveria ter feito.
Na saída olhei para cima e lá continuava o Amaury com a sua bandeira.
No pódium da morte.

Amaury Guedes, junho de 2006, foto: Getty Images

Um comentário:

  1. Muito triste, agora nao adianta mais lamentar, pois é passado. Tenho sonhado muito com a Varig se levantando e voltando a voar, vejo os aviões mais modernos com o logo VARIG... e eu indo voar... pena que é só um sonho, quando acordo me dá a maior tristeza!!!
    Ilca Eras

    ResponderExcluir

Não aceitamos comentários "anônimos".

Não use CAIXA ALTA, (Não grite!), isto é, não escreva tudo em maiúsculas, escreva normalmente. Obrigado pela sua participação!
Volte sempre!
Abraços./-