sábado, 12 de setembro de 2015

Gregório Duvivier em Portugal

Luciano Henrique

Tenho como um de meus imperativos morais para o debate político visar o diálogo adulto. Como eu não escrevo para crianças, nem para pessoas que se recusam a crescer, geralmente abordo alguns temas sem pudores desnecessários. Em suma, eu escrevo, na lata, para adultos.

Com isto em mente, lembro que há diversas manifestações de irritação republicana diante de um vídeo de Gregório Duvivier [foto] para uma emissora de TV de Portugal, o qual veremos ao final deste post. Ele simplesmente chama os opositores de Dilma de corruptos, se vale de diversos estratagemas para inocentá-la e, no final, compara seus oponentes à bosta. Não raro republicanos se irritam, afirmando coisas como “que absurdo” ou “isto é inaceitável”.

Eu vou na contramão deste pensamento: devemos nos inconformar com o fato de um formador de opinião da esquerda ter usado frames políticos tão bons (comparar adversário à bosta é tacada de mestre) e nós não executarmos tais recursos na mesma intensidade. Decerto que a tentativa de inocentar Dilma beira o patético, mas a rotulagem de opositores beirou a perfeição. 

Na guerra política, se um oponente faz 2 gols em um jogo, não devemos nos enfurecer, mas tentar aprender como fazer gols. É evidente que podemos expor o discurso de Duvivier como forma de motivação para gerar ainda mais indignação republicana. Ademais, o argumento dele é um absurdo. Mas politicamente ele foi para a ofensiva na mesma medida em que deveríamos ter ido.

É este nível de agilidade mental que defendo que a direita adquira. Agilidade mental neste nível se traduz em eventos como: ter um formador de opinião que chegue na mídia e compare seu opositor a bosta em primeiro lugar, chamar o oponente de golpista (e fascista) em maior quantidade, etc.

Na guerra, você tem duas opções principais: (a) partir para o desabafo inútil quando seu adversário atira, (b) atirar no mínimo na mesma medida, e preferencialmente até mais. 

Duvivier é mais esperto do que parece. Politicamente, é muito mais ágil que seus opositores. Como já disse anteriormente, esta agilidade está disponível em nossos cérebros, pronta para ser utilizada. Simplesmente, não é possível que não consigamos rotular o adversário em maior quantidade do que ele faz conosco, mesmo com um currículo tão podre como o que eles apresentam.

São escolhas como essas que devemos fazer: o quão fortemente e incisivamente decidiremos rotular nossos opositores? E qual o nível de contundência utilizaremos ao exigir que nossos formadores de opinião favoritos façam o mesmo? E qual o nível de motivação para exigirmos que os políticos que tendam mais para o nosso lado usem o mesmo tipo de rotulagem? Qual a disposição para transformar em crime moral esta recusa em jogar o jogo?

Enfim, são escolhas.


Título, Imagem e Texto: Luciano Henrique, Ceticismo Político, 12-9-2015 

Comparar Aécio Neves com Renan Calheiros é muita má-fé… e os risos da plateia são auto reveladores da sua infantilidade…

3 comentários:

  1. Mais um brazuca idiota útil que se acha engraçado
    E mais um, que quanto mais se dá chance, mais incomoda
    E assim este Brasil varonil vai afundando na política e no intelecto
    José Manuel

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  2. Patéticos os risos da plateia... de hiena mesmo. Sim, fazendo jus ao que se diz desses animais: "A hiena come merda e vive rindo."

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