sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

"A Religião se presta a qualquer serviço"


"Todas a religiões, especialmente os monoteísmos ocidentais, se prestam a qualquer coisa", assim inicia este esclaredor trecho de uma palestra do professor e historiador Leandro Karnal [foto], que discorre sobre a religião como "um campo aberto", de onde pode originar tanto reformas sociais quanto cruzadas e homicídios em massa. 

Eis o vídeo:


Comentário:
Acho absurdo acreditar que não há distinções entre "Matai os incrédulos onde quer que os encontreis" e "Amai os vossos inimigos". Que diferentes pessoas abusam da religião para seus propósitos pessoais, os Edir Macedos estão aí para provar, no entanto é evidente que o texto impõe limites a nossa criatividade exegética. O que importa é a existência de nexo de causalidade entre as Escrituras consideradas sagradas e a conduta do fiel.

Religião não se presta a qualquer coisa. Você nunca verá um muçulmano louvando a divindade de Jesus; nunca verá um cristão reconhecendo a autoridade divina da vida do Profeta Muhammad. Nunca verá um cristão incentivando a poligamia sacerdotal. Pois essas coisas são bastante explícitas nos respectivos textos sagrados.

Não é uma mera contingência história o fato de diferentes religiões terem gerado diferentes estruturas sociais, não é? A cristandade em muito difere de um Califado. A razão, evidentemente, são seus textos fundantes, que prescrevem coisas absolutamente distintas.

Ademais, é um erro crasso apontar o assassinato de um homem por um profeta bíblico como sustentação para uma violência cristã. Ora, qualquer um com um elementar conhecimento da Bíblia sabe que nela o único homem impecável foi Jesus, a encarnação divina. Abraão mentiu, Isaque idem, Jacó era um tremendo de um trapaceiro, o Rei Davi era um adúltero, o grande apóstolo Pedro negou o seu Senhor, etc..

No entanto, a vida dos profetas e personagens bíblicos não é considerada infalível e muito menos prescritiva, por isso a Bíblia relata seus erros, já que a vida de homens de carne e osso é repleta de equívocos. O mesmo não se aplica à vida do Profeta Muhammad, considerado infalível e cuja conduta é normativa. Portanto, dou de ombros pros equívocos de Abraão; o muçulmano não pode fazer o mesmo com o seu Profeta - ele não erra.

Vitor Grando, 10-12-2015

3 comentários:

  1. Eu tenho a genealogia de Jesus Cristo, e a de Maomé.
    Ambos descendem de Abraão.
    Todas as religiões, cristãs, muçulmanas e judaicas tem os mesmo patriarca.
    Alguns equívocos dos ensinamentos foram corrigidos por algumas religiões, por outras relevados e ainda há as que fielmente os seguem.
    Eu discordo do comentário acima sobre a infalibilidade de Jesus Cristo, se houve foram apagados da história.
    Sabemos que não se pode multiplicar pães, transformar água em vinho, e que os cardumes de peixes se unem na época de procriação.
    Nem Houdini poderia.
    O cristão é capaz de colocar 200000 pessoas no santuário de santa Edviges fazendo promessas pra para pagar suas contas, ora Edviges deveria ser a santa da cultura e do conhecimento, coisas simples que batalhou em sua vida.
    Cultura e conhecimento levam a bons trabalhos.Não tenho nada contra a cura pela fé, se possível.
    Os evangélicos não acreditam em santos, mas acreditam morbidamente no estelionato.
    Mórmons também descendem de Abraão, mas estes como os judeus tem religiões com intuitos sociais.
    Acreditam em deus, mas não ficam adorando personagens bíblicos cujos andores são feitos de barro.
    Não posso afirmar que a religião torna os homens melhores, ou piores.
    Não gosto de chafurdar ideologias.
    As influências dos livros bíblicos são malignas, só pegam os escritos positivos, quando negativos chamam de antiguidades.
    Gostaria JIM, que você fizesse um tópico sobre a misoginia bíblica, que os homens levam até esse século.

    https://www.blogger.com/blogger.g?blogID=27258932#editor/target=post;postID=4410723549366291016;onPublishedMenu=posts;onClosedMenu=posts;postNum=0;src=postname

    fui

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    1. Rochinha,
      O link não está acessível

      Quanto ao "tópico", não sei como fazer nesta plataforma; este post pode dar origem a essa discussão; ou, então, publicar um artigo sobre esse tema "misoginia bíblica" e torcer para que provoque uma bela participação...

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    2. eu coloquei o link errado, estava no editor, e só eu poderia acessá-lo.

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