quinta-feira, 7 de julho de 2016

Lu Grimaldi, a actriz da Globo que vem a Queluz ser rainha

Rita Bertrand

Os pais chamaram-lhe Maria Luísa, mas o irmão, pequeno, logo lhe abreviou o nome, ficando a versão completa só para os ralhetes da mãe. Lu Grimaldi, actriz há mais de 40 anos, traz ao Palácio de Queluz Palavra de Rainha, o monólogo em que faz de D. Maria I, a monarca piedosa que morreu louca no Brasil, precisamente há um século, em 1816. A estreia em Portugal, na sexta-feira, dia 8, motivou a conversa com o GPS.

Como se tornou actriz?
Deve ter nascido comigo. Na escola, nunca queria apresentar os trabalhos no papel, preferia representá-los. Depois fui para o teatro amador.

Foi fácil fazer carreira?
Nem por isso. Tive de sair de casa aos 18 anos, porque me diziam que todas as actrizes viravam prostitutas. Os meus pais educaram-me para casar e só aceitaram a minha profissão depois de eu fazer a novela Terra Nostra, na Globo, quando começaram a pedir-lhes autógrafos na igreja, por eu ser filha deles. Já tinha quase 40 anos.

Como surgiu Palavra de Rainha, que traz a Portugal?
Vim a Lisboa em 2013 com a Turma do Bem - uma associação de dentistas que oferece os seus serviços a crianças carenciadas - e convidaram-me para uma leitura dramática sobre a rainha, na Fundação EDP, que patrocinava a viagem. Foi muito emocionante e eu, quase com 60 anos, achei que estava na hora de fazer um monólogo.

O que a atraiu na figura?
Ela governou muito bem: em Portugal é a rainha piedosa. No Brasil, porém, sempre foi uma caricatura: a louca. Quis saber porquê e percebi tudo quando vi como ela sofreu com a morte dos filhos, o exílio... Na altura eu própria isolei-me para repensar a vida, porque estava a entrar na terceira idade, e ouvi gente dizer que eu estava louca! Apeteceu-me questionar isso, o que é a insanidade, o envelhecimento, a alma de Maria, da mulher... e mostrar que ela também era lúcida; à saída de Lisboa, a caminho do exílio no Brasil, disse à comitiva: "Não corram. Vão pensar que estamos a fugir e perdemos toda a nossa nobreza."

Depois do sucesso no Brasil, vem fazer a peça ao palácio onde ela morou. É onde se passa a acção da peça?
A peça passa-se na cabeça da rainha, focando episódios, nunca cronologicamente. O cenário é o vestido dela, negro e enorme, espalhado na sala como ondas do mar.

Palavra de Rainha
Palácio Nacional de Queluz
De 8 a 17/7 || 6.ª e sáb., 21h30 || Dom., 19h (na Sala do Trono) 
€10

Título e Texto: Rita Bertrand, Sábado, 7-7-2016

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